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Nov 29

Relíquias de pano

por Felipe Lessa11h47

"Guardar uma relíquia do clube do coração é como voltar no tempo. É um hobby que não tem preço". A fala do colecionador Deivid Briski, 34 anos, ilustra um movimento crescente entre os torcedores de futebol: o daqueles que se arriscam a pagar um preço alto ou fazer sacrifícios para ter uma camisa rara em seus guarda-roupas.

Torcedor do Coritiba, Deivid pagou R$ 1 mil pelo arrependimento de não ter pedido de presente a camisa do Verdão campeão brasileiro em 1985. "Tive que vender três camisas e um agasalho pra poder comprar ela em 2008. É a mais importante da coleção. Com ela me lembro dos tempos de criança. Nessa época eu já ia aos jogos com meu pai e meu irmão", recorda.

Tamanho é o grau de preciosidade da relíquia que Deivid tem muita precaução nas poucas vezes que tira do armário a camisa um utilizada pelo ex-atacante Índio. "Só posso usá-la em dia que não tem Green Hell ou quando não está chovendo", ressalta.

Nem todos, porém, precisaram desembolsar para obter suas preciosidades. É o caso do atleticano Helcio Luiz Leite, 29 anos. "Meu pai ganhou uma camisa usada pelo Joceli entre 1983 e 84. Por ser uma raridade e pelo fato do ex-goleiro ter cometido suicídio, sempre que vou ao jogo na Arena da Baixada aparece alguém pra elogiar ou até mesmo fazer ofertas", conta o colecionador.

A relíquia do Furacão tem o uso dividido com mais dois irmãos. "No início, pensamos em colocá-la em um quadro. Mas resolvemos usá-la apenas em datas especiais, para que todos possam vê-la", conta Helcio, que completa: "Depois dos jogos ela volta pra casa do meu pai, onde fica guardada carinhosamente".

Precaução diferenciada tem o paranista Allan da Cunha Luz. Ao todo são 148 fardamentos escondidos feito tesouro. "Deixo minhas camisas na casa de um familiar, em um local onde só eu sei onde fica", ressalta o rapaz de 29 anos.

Dono de um invejável acervo, que precisa de apenas mais duas camisas para completar todas da história tricolor, Allan chegou a fazer um acordo com a namorada. "Já está decidido. A partir do momento que nos casarmos, nossa casa terá um cômodo especial só para a exposição dos meus mantos sagrados".


Carioca troca o Flamengo pelo interior do Paraná
Uma das coleções mais ricas do futebol paranaense está nas mãos de um flamenguista. O acervo de 162 camisas, de 52 equipes de todo interior do Estado, é propriedade do carioca Carlos Cardoso, 27 anos.

Carlos mora em Maringá desde 2008 e desde então negociou mais de mil camisas, inclusive do seu primeiro time do coração, para conseguir tal acervo. "Vendi a maioria e só guardei as mais especiais, como a do Flamengo que tem dedicatória do Petkovic pra mim, usada na conquista do Campeonato Brasileiro de 2009".

Parte considerável do acervo é do antigo Grêmio Maringá, clube que o colecionador aprendeu a torcer mesmo sem ter tido a oportunidade de conhecer. "Mas troco jogos do Flamengo na TV por qualquer um do Grêmio Metropolitano na 3ª Divisão do Paranaense. Lugar de torcedor é no estádio".

O colecionador, que trabalha como engenheiro civil, estima que suas camisas valem mais de R$20 mil. No entanto, deixa claro: "Nenhuma delas está à venda".

Encontro curitibano é o maior do Brasil
O público de São Paulo, Rio de Janeiro ou Belo Horizonte não é páreo para o de Curitiba. Pelo menos quando se fala em coleção de camisas de futebol. Diversos encontros já foram realizados na capital paranaense, com recorde acima de 60 pessoas. Praticamente o dobro da média nos estados do eixo.

No interior, apesar da atuação mais tímida, os colecionadores não se intimidam. Situação provada em um encontro realizado sábado (6) em um shopping de Maringá. "Esse tipo de eventos pode encorajar novos colecionadores, que vão ver o pessoal se divertindo e fazendo amizades", ressalta o colecionador Danilo Hara, que conta com mais de 100 camisas do Londrina.

Exemplo argentino
Um antigo sonho dos brasileiros é criar uma associação e colecionadores, a exemplo do que já acontece na Argentina. No país vizinho, a entidade já conta com sede própria, encontros periódicos e uniformes catalogados.

No entanto, o problema pela criação de algo parecido no Brasil é a dimensão geográfica. "Enquanto na Argentina grande parte dos clubes e dos colecionadores se concentra na região de Buenos Aires, por aqui existe a necessidade de viajar distâncias longas para um encontro nacional", explica Deivid Briski, um dos responsáveis por organizar esse tipo de eventos em Curitiba.

Antigo ponto de ofertas, Brexós perdem espaço para bazares de igreja
Já faz parte do passado o tempo em que colecionadores garimpavam de brexó em brexó por uma boa camisa de futebol. Por causa dos preços atraentes entre R$1 e R$10, os uniformes "sumiram" das lojas de usados curitibanas.

Tudo pelo fato que uma espécie de "leilão" passou a ser organizado por vendedores ou donos de estabelecimentos. "Tem pessoas que passam aqui e deixam um dinheiro extra para reservar as oficiais. Agora fica difícil de achar pra venda", disse uma vendedora do centro de Curitiba.

Esse mesmo discurso foi repetido por diversos vendedores de roupas usadas. Alguns assumem: "Quem paga mais pela reserva ganha a preferência". Expostos a venda na internet, esses mesmos fardamentos não param nas mãos de um colecionador por menos de R$50. Se a camisa desejada tiver algum simbolismo especial, o custo pode ser superior a R$5 mil.

De acordo com o colecionador Allan da Cunha Luz, a solução é buscar em outros espaços. "Eu particularmente costumo frequentar bazares de igreja. Está mais fácil encontrar camisas nesses eventos", explica.

Interesses distintos
As camisas antigas de futebol seguiram o mesmo caminho de objetos com demanda e oferta. Tornaram-se produtos comerciáveis e diversos vendedores alheios aos interesses dos colecionadores criaram uma nova opção de comércio. "Por isso existe rixa entre algumas pessoas com os vendedores, por causa do conflito de interesses", confirma o colecionador Deivid Briski.

"Já sabemos quem são os colecionadores e quem são os vendedores. Eu, particularmente, não sou contra", se posiciona o colecionador, antes de completar. "Deve existir um combate ao material pirata. Isso sim é prejudicial. Pois nas camisas é assim: vende quem tem, compra quem quer".

Camisa retrô vira moda nos clubes
A moda das camisas antigas já faz parte da linha de clubes de todo Brasil. Em Curitiba, o Atlético foi o primeiro a lançar oficialmente uma camisa retrô. Em 2004, na sua comemoração de 80 anos, o Furacão lançou um kit em que um dos atrativos era uma réplica da usada em 1924.

Mais emblemática, porém, foi a postura do Coritiba. Na comemoração de seu centenário, o Alviverde do Alto da Glória mandou jogos utilizando uma camisa com um antigo símbolo do clube. Apenas o Paraná ainda não lançou uma retrô. No entanto, uma linha produzida por torcedores foi reconhecida oficialmente pela diretoria do clube no aniversário de 20 anos.

De colecionadores para clubes
Tanto o Coritiba quanto o Atlético já recorreram a colecionadores para decorar eventos oficiais dos clubes. Em 2009, o colecionador Fernando Cabral ajudou o Coxa no memorial dos 100 anos, inclusive emprestando camisas para a confecção de réplicas. Em março de 2010 foi a vez de o colecionador Pedro Neto emprestar ao Atlético alguns de seus antigos uniformes, que foram expostos no dia da apresentação da nova camisa do Furacão.

Ajuda virtual
Considerável número de camisas é negociada na internet, por meio de plataformas como o Orkut e o Mercado Livre. Como geralmente o risco é do comprador, internautas colecionadores se uniram e formaram uma rede de contatos. A intenção é proteger amigos de levar calotes. "Já ouvi histórias de colecionadores da cidade de vendedores desonestos irem atrás dessas pessoas, cobrando via e-mail, telefone e até pessoalmente. O pessoal se ajuda", afirma o colecionador Deivid Briski.

Coleção vira ganha pão
A mania de colecionar camisas de futebol se tornou tão grande em Curitiba que um grupo de adeptos tornou o hobby em profissão. "Estava faltando um local próprio para colecionadores, tanto que montamos uma loja e vendemos pelo menos cinco camisas por dia", explica o colecionador Elias Luiz Mussi, 21 anos, um dos responsáveis por vendas em um shopping no centro de Curitiba.

Complemento de matéria publicada na Tribuna do Paraná
Fotos: Marco Charneski, Allan Costa Pinto e Anderson Tozato
Info: Edgar Larsen

3 comentários
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Comentários:


Comentário de: Miriam · http://www.bomdeoferta.com.br

Parabéns gostei muito da matéria. Eu sempre compro no site http://www.bomdeoferta.com.br. Fica a dica
para todos que querem se dar bem.

Um grande abraço e fique com Deus

PermalinkPermalink 24.02.11 @ 08:59



Comentário de: marcos gonçalves martins

Vendo uma camisa do Corinthians Campeão Brasileiro de 1990,número 10_Neto,vendo uma camisa do São Paulo Campeão Brasieiro de 1991,Raí número _10. 400,00 reais cada.

PermalinkPermalink 08.10.11 @ 03:02



Comentário de: Leonardo Multini

Tenho uma camisa do vasco de algum jogador(ela esta em otimo estado) campeao invicto da taça guanabara de 1992!! pretendo vende-lá.
Tenho uma camisa do Taquaritinga FC tambem.. O ano dela deve ser 1960(uma reliquia) atualmente joga serie A2 do paulista. Quero vende-la tambem esta camiseta!! Esta é joia rara mais quero vender mesmo assim se alguem tiver interesse.

(41) 91648995 ou (41) 32439809 tratar com Leonardo.

PermalinkPermalink 19.03.12 @ 16:08



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