O futebol de rua não morreu
por Felipe Lessa12h13

O futebol de rua é uma mania que marcou os velhos tempos, passou por adaptações e volta a marcar espaço. Segue aqui o link para um texto sobre uma ONG curitibana que pretende treinar garotos para serem dribladores e depois incorporá-los aos grandes da capital paranaense. Abaixo um pouco mais sobre a modalidade e seus feitos.
Democracia e carros tiram jogo do campo original
A garotada que participa do projeto Futebol de Rua precisa ter três pensamentos em mente antes de jogar: igualdade, futebol arte e nada de faltas. No esporte, a democracia é tanta que meninas se misturam com meninos e até o campo de jogo pode ser trocado - na maioria das vezes, por necessidade.
‘O atual vai e vem de carros atrapalha muito e deixa perigoso, já que trabalhamos com crianças e adolescentes. Mas não temos problemas em substituir o asfalto por areia, barro e até o salão de uma associação de moradores‘, brinca o presidente da ONG, Oscar Muxfeldt Neto, ressaltando que para a bola rolar é necessário apenas a presença de duas ‘travinhas‘ e o interesse de se mostrar o que sabe com a pelota nos pés.
Apesar dos treinamentos ocorrerem fora do território original, Oscar ressalta que já existe uma mobilização para um dia de volta às origens. ‘Pretendemos fechar ruas e parar o trânsito em todas as regionais de Curitiba. Nossa intenção é realizar uma série de jogos, em ação integrada com grafiteiros, galera do hip-hop, skatistas e basqueteiros‘, diz o fundador, antes de completar: ‘Precisamos de mais apoio político dos vereadores‘.
Exemplo: Das ruas londrinenses para o Campeonato Italiano
Emilson Cribari é zagueiro do Napoli, disputa as primeiras posições do Campeonato Italiano e já cravou a trava de suas chuteiras em consagrados estádios europeus. Quem vê esse paranaense de Cambará onde está, porém, dificilmente imagina o campo de futebol responsável pela sua presença no velho mundo: uma rua da zona oeste de Londrina, interior do Estado, onde seu irmão foi descoberto por um olheiro.
Depois de brecar com valentia os mais habilidosos atacantes do Jardim Bandeirantes, bairro onde morava, o também cambaraense Fábio Cribari foi convidado a fazer testes no Londrina. Passou, em 2008 foi negociado com o Empoli da Itália e tempos depois chegou a fazer frente com o então fenômeno Ronaldo.
No mesmo ano de sua transferência, Fábio convenceu os dirigentes do clube italiano a contratarem um antigo companheiro de time no futebol de rua. Tratava-se de seu irmão, Emilson Cribari, que posteriormente jogou mais de 100 partidas na zaga da Lazio, chegou a ser cogitado no Flamengo e hoje é um dos destaques do Napoli no Campeonato Italiano.
Futebol na rua e na literatura
Não são apenas craques que ‘nascem‘ do futebol de rua. O escritor gaúcho Luís Fernando Veríssimo chegou a elaborar os ‘10 mandamentos‘ do jogo em uma de suas crônicas, que ficou famosa ao ser replicada em sites e emails pela internet.
Trata-se da raiz de um esporte tão praticado pelo país, e que chegou a inspirar o título da biografia do corintiano Rivelino: ‘Sai da Rua, Roberto‘, de Osvaldo Pugliese.
Já na crônica de Veríssimo, algumas regras de um jogo onde os grandes clássicos podem ser disputados no quarteirão inteiro. Afinal, em um jogo em que 5 vira e 10 termina, a formação dos times pode variar entre 3 a 70 jogadores para cada lado.
Debate
Por suas peculiaridades, no ano passado, o futebol de rua também chegou a ser tema de debate na Universidade de São Paulo (USP). ‘É um dos jogos mais anárquicos do mundo. Não por ser desorganizado, mas por ser um jogo de livre acesso para qualquer pessoa, seja homem, mulher, homossexual, criança ou idoso. Todos têm o direito de jogar, sem necessitar de muitos recursos. Basta qualquer coisa redonda e um espaço qualquer‘, analisa João Borghi, um dos idealizadores do evento.
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