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Jul 06

O Sucessor de Dunga na Seleção: B-Side

por Felipe Lessa04h45

Com Cahue Miranda

A CBF deve anunciar nos próximos dias o sucessor de Dunga. Felipão, Muricy Ramalho, Mano Menezes, Leonardo, Ricardo Gomes e até Adilson Batista aparecem entre os cogitados para assumir o posto do banco mais pressionado da Copa do Mundo 2014. Missão difícil, já que na mesma labuta passaram cidadãos de nobre estirpe como João Saldanha, Zagallo, Telê Santana, Edu Coimbra, Vicente Feola e, até mesmo, o ‘pai’ da metodologia utilizada na África do Sul em 2010: Dorival Knipel, o ‘querido’ Yustrich.

Nós do De Primeira, como bons brasileiros que somos, parte dos mais de 90 milhões que estarão em ação em 2014, todos juntos vamos nos preocupando com o futuro do escrete canarinho. Assim sendo, resolvemos mostrar que essa nação é realmente uma “pátria de chuteiras”, como bem ilustrou Nelson Rodrigues. Por isso, sem complexo de vira-lata, sem retranca ou medo de ser feliz, confira o nosso top 6 de treinadores indicados pra Seleção Brasileira.

1 – Nuno Leal Maia

O ator global renasceu o vilipendiado Londrina no Campeonato Paranaense de 1996. Foi despedido, depois de notável campanha com um grupo limitado, somente pelo fato de o clube não ter nos cofres as moedas suficientes para bancar treinador de tal requinte. Quase consolidou o LEC num estrelato estadual que os clubes de Curitiba ainda lutam para conquistar. Fosse na capital ou no interior, tietes ensandecidas lotavam a frente dos hotéis onde o badalado, e então temido, Tubarão Leal Maia se hospedava. Ele resgatou o amor do paranaense pelo futebol – o que poderá, tranquilamente, ser feito pelo escrete. Mesmo quem não gostava de bola pedia autógrafos, até para anônimos e carniceiros atletas como João Neves, uma espécie de Felipe Melo alviceleste – facilmente domado por Nuno. O professor também tem acesso livre e bom relacionamento nos corredores da Globo, o que evitaria cenas constrangedoras como as que vimos na África do Sul. Como jogador de futebol, foi um menino da Vila. Dificilmente deixará de fora do Mundial craques como Neymar e Paulo Henrique Ganso, artistas da bola aclamados por toda nação.

2 - Washinton Rodrigues, vulgo Apolinho

Conta com uma extensa lista de qualidades que faltavam a Dunga. Aos 74 anos, tem experiência de sobra e um vasto currículo, com passagens por Flamengo, Nacional, Continental, Guanabara, Tupi e Globo. Enfrentar pressão também é com ele mesmo, que treinou o Fla no ano do centenário e conseguiu se segurar no cargo até o final da temporada. Mesmo sem obter os resultados esperados pela nação rubro-negra, mostrou ser um adepto do futebol ofensivo e dos craques, escalando o time com o histórico ataque formado por Sávio, Romário e Edmundo. Tem ainda o perfil ideal para selar a paz entre a seleção e os exigentes críticos da crônica esportiva.

3 - Mauro Shampoo

A traumática eliminação brasileira na África do Sul rendeu ao time de Dunga o título de pior Seleção de todos os tempos. E, para contornar uma crise, nada melhor que contratar a mais emblemática personalidade do Íbis, pior time do mundo - de todos os tempos. Mauro Shampoo, ex-jogador do clube pernambucano, cabeleireiro, homem e letra de música de Oswaldo Montenegro, tem o currículo de brasileiro ideal para suportar a pressão de torcida e imprensa em 2014. Na condição de quem aproveitou o estrelato para deixar um herdeiro, seu filho, no time onde a fama conquistou, o possível futuro treinador de nossa seleção poderia também atender qualquer exigência de convocação do presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Apesar da falta de experiência como técnico, é querido por baluartes da imprensa como Xico Sá e também poderia reconquistar o coração dos jornalistas de todo mundo da bola, colocando em prática os palpites de toda nação jornalística de nosso glorioso Brasil. Como vitorioso no seu objetivo quando vestiu chuteiras sob pressão, sabe todos os atalhos necessários para a conquista da glória no futebol.

4 – Romário

Após a experiência com o símbolo da garra e do “comprometimento” da seleção do Tetra, o Brasil clama por mudanças e pelo resgate do jogo bonito e ofensivo. Portanto, nada melhor do que apostar no representante do futebol-arte naquela vitoriosa geração.
Com uma passagem como técnico do Vasco, o Baixinho já supera o currículo de seu antecessor, além da experiência administrativa no comando do América. A presença de um ídolo dos jogadores no banco de reservas também serviria como uma motivação extra ao grupo, como prova o exemplo de Maradona na seleção argentina.
Romário de Souza Farias ainda seria uma dose fundamental de alegria para quem não aguentava mais o mal-humor de Dunga. Sem contar que, se a coisa estiver feia, sempre existe a possibilidade de o professor entrar em campo e resolver a parada. Afinal, só faltam dez gols para ele igualar Ronaldo como o maior artilheiro da história das Copas.

5 - Alexi Lalas

Apostar em nomes estrangeiros é um paradigma na Seleção Brasileira. Desde 1965 não apostamos em outros idiomas para ditar as regras do jogo. Na ocasião, Nelson Ernesto Filpo Nuñez, argentino, treinou a ‘Academia de Futebol’ do Palmeiras, que trajando a camisa canarinho venceu o Uruguai por 3 a 0. Antes, em 1944, ainda teve o português Jorge Gomes de Lima, o popular Joreca, que também massacrou os uruguaios nas duas únicas vezes que comandou o escrete brasileiro. Por isso, o norte-americano Lalas pode ser a voz da renovação tão esperada na terra do verde e amarelo. Ex-jogador, líder por essência e roqueiro, o gringo é irmão de um jornalista que atua em sua terra natal. Como esteve na África do Sul, Lalas com certeza viu ou ouviu os urros brasileiros contra a Sele-Dunga. E dirigir o Brasil seria algo fácil para “Panayotis”, que teve paciência para retirar sua credencial de imprensa na Copa 2010 e vai ter o espírito de conquista yankee numa hora em que o povo canarinho tanto precisa reconquistar o próprio território. Nada incomum para um cara como Alexander Panayotis, que ‘reconquistou’ os avermelhados tricolores de Cuba com o ouro levado pros Estados Unidos nos Jogos Panamericanos de 1991.

6 - Raymond Domenech

O Brasil precisa de uma revolução para voltar a ser potência. Domenech é o “cara” para que isso aconteça. Se Napoleão Bonaparte foi o responsável para que a França conquistasse parte de Europa central e ocidental, Raymond pode repetir em terras tupiniquins o Golpe 18 de Brumário aplicado pelo maior ícone de sua nação. Bastaria que o francês demonstrasse no time de Ricardo Teixeira o desempenho pífio e as intrigas que sua seleção demonstrou na África do Sul – claro, antes da Copa 2014. Por causa da “conspiração dos carrascos franceses”, o povo tomaria as ruas e protagonizaria atos revolucionários, obrigando à queda do treinador e assumindo o poder da CBF. Porém, se na terra de RD Napo lutou para evitar a ascensão das classes mais humildes, no território de Dunga ele poderia ser o responsável pela final chegada dos populares ao poder, numa pátria de chuteiras que talvez só pertença ao imperador RT. Com certeza tal ato faria com que o povo brasileiro o perdoasse pela indelicadeza com nosso compatriota Carlos Alberto Parreira. Bom, só Zidane poderia fazer algo maior. Mas duvidamos que ele aceitaria o cargo.

1 comentário
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Comentários:


Comentário de: Guilherme Scalzilli · http://www.guilhermescalzilli.blogspot.com/

Dunga e Globo: tudo a ver
A seleção brasileira foi desclassificada porque era um time fraco, instável e mal dirigido. Dunga partiu de uma boa idéia tática, mas não possui experiência nem formação técnica para aplicá-la. Arrogante, pensou que faria desse catado de jogadores-de-empresários um grupo competitivo. Acreditou quem quis.
É possível ainda questionar a competência de outros membros de sua equipe de apoio: ninguém sabia que Kaká estava tão abaixo das condições ideais? Como explicar o nervosismo latente (e a indisciplina) de vários jogadores? Quantos goleiros já disputaram uma Copa com um pedaço de ferro preso nas costas? Qual era mesmo a função de Jorginho?
Ao defender o péssimo Dunga, parte da esquerda caiu na armadilha da imprensa corporativa, que anteviu o fracasso de seu protegido e decidiu abandoná-lo para não afundar com ele. A CBF desfruta de apoio descarado das Organizações Globo (e tácito de outros veículos), que prestigiou Dunga durante quatro longos anos, enquanto ele aceitava as convocações impostas por Ricardo Teixeira e seus apaniguados.
Dunga é apenas o inocente útil que dá aparência de legitimidade a um empreendimento obscuro que usa o nome do país para enriquecer uma súcia de oportunistas. Os torcedores podem aproveitar a oportunidade para indagar seu papel nessa gigantesca farsa.

PermalinkPermalink 07.07.10 @ 02:29



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