Inocência que se perdeu
por Equipe De Primeira22h51
Por RAPHAEL PINHEIRO
Estava vendo o filme da Copa de 94 ainda agora, no Sportv. Quando liguei a tv, mostrava Nigéria x Itália, jogo dominado a priori pelos africanos mas decidido por Baggio. Muitas referências e loas ao futebol moleque e despretensioso dos Super Águias, e fiquei pensando: essa vai ser a primeira Copa na qual esse tipo de comentário não cabe mais. Não lembro de tê-lo ouvido em nenhum momento em qualquer matéria que seja sobre as equipes da África. Em 2006, com a ansiedade pela estreia da Costa do Marfim e da alternatividade de Togo, ainda falava-se sobre o assunto. Mas a irreverência, os dribles malucos do Okocha e o toque de bola daquele time de 94 parecem ter ficado definitivamente no passado.
Isso me disparou outra lembrança de quatro anos depois. Eu era assinante da TVA e recebi a revista-guia de programação do mês do Mundial. Tinha um editorial do Trajano prevendo que um time africano estava cada vez mais perto de ganhar o título, apostando numa curva ascendente do fenômeno visto em 94. De fato, a Nigéria ainda encantou um pouco naquele ano e meteu calafrios na possibilidade de pegar o Brasil nas quartas - que caiu por terra com a goleada da boa Dinamarca dos Laudrups. Hoje quase todas as seleções "de nível" africano importam técnicos da Europa, alguns mais conhecidos que outros, pra tentar dar um padrão ao seu jogo e mostrar que com a seriedade vem um novo planejamento.
O futebol moleque já era. E enquanto não revelarem goleiros que não passem vergonha, os africanos jamais serão campeões.
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