O warm-up do Brasileirão
por Equipe De Primeira10h42
Por Bruno Ferrari*
A sensação de acompanhar o Campeonato Brasileiro em ano de Copa do Mundo é estranha. Está parecendo um torneio início, um warm-up. Se fosse na F1 e tivesse caindo um dilúvio em Suzuki, poderia Gerhard Berger rodar sozinho numa reta e destruir o carro reserva. Mas é difícil acontecer algo parecido no futebol. Sobretudo porque faltam poucos dias para a Copa do Mundo. Uma notícia sobre o estado civil do púbis do Kaká vale muito mais do que a sacanagem que o Parmera fez com o Candinho, um dos melhores da lista dos piores técnicos do Brasil.
Esperei o final da quinta rodada com o objetivo de ter uma opinião um pouco mais lúcida sobre os candidatos a levantar a taça do Brasileirão. Mas confesso que não mudou muito em relação à primeira rodada. E outra. Em ano de Copa, a oscilação de times na disputa pelos primeiros lugares no campeonato costuma ser maior, como bem apontou o Svartman, no blog 3 Goleiros e 20 Volantes, que ele divide com Milly Lacombe. São 38 dias de pausa. Mais de um mês para tentar não perder o ritmo de jogo e manter os 'zé-baladas' numa forma minimamente decente.
Vamos aos quatro candidatos:
1 - Fluminense
Chico Buarque pode ficar esperançoso. Se tudo correr bem, o Flu deve ganhar como reforços Cleber Santana (Atlético de Madrid), Deco (Chelsea) e Araújo (que está no futebol do Catar). Eles se juntariam a bons jogadores, como Conca, Alan e Fred. Fora que a Unimed está bem disposta a trazer mais reforços a peso de ouro. E claro - tudo isso sob comando do Muricy Ramalho, o mago dos pontos corridos e do jogo feio, mas prático. A preocupação do Flu: se Deus é minimamente justo, não deixaria os times cariocas ganharem dois Brasileirões seguidos. Não gostou do bairrismo? Pega-eu!
2 - Corinthians
O último jogo do Timão - contra o Peixe, no Pacaembu - deixou a torcida animada. Sim. Está certo que o Corinthians fez aquele gol no primeiro minuto, depois de uma falha do goleiro Felipe, e simplesmente parou de jogar. Nada de muito diferente do que vinha acontecendo nos últimos jogos, que ajudou a levar embora a Libertadores. O primeiro tempo foi todo de Neymar e seus amigos da matinê da Academia de Dança do Santos FC. Mas bastou virar o segundo tempo que o Corinthians se mostrou uma equipe com poder de reação. A defesa é lenta, mas eficiente. O Felipe é irregular, mas faz umas defesas importantes. E pode ser que o problema de armação tenha começado a se resolver com Bruno César. Jorge Henrique e Dentinho continuam raçudos. Ralf e Elias amenizam o problema dos passes errados correndo feito loucos. Até Jucilei, o craque incompreendido, consegue dribles impossíveis com suas jogadas totalmente improváveis. E Ronaldo... bom. Basta cortarem a Lasanha. A vantagem dos pontos até aqui (são quatro à frente do temido Ceará) melhora esse quadro. Só não podemos esquecer da maldição do Centenário. É melhor chamar o Vicente Matheus do além e procurar novamente o sapo enterrado embaixo do gol da Fazendinha.
3- São Paulo
Preciso me render às tradições. O tricolor sabe jogar o Brasileirão. Vai começar o Campeonato apagado sim. A fome pela Libertadores é tão grande que o Brasileirinho fica em segundo plano. Nada mais do que justo, apesar da ironia. O time se vangloria de ter um bom banco de reservas. Mas bastam alguns desfalques para passar sufoco contra equipes mais fracas, como o Guarani, de Campinas. Se for eliminado da Libertadores, vai colocar todo o seu poder no campeonato nacional. O time é entrosado. Tem a melhor defesa do país. O caneludo do Washington saiu, mas chegou o goleador Fernandão, a prova de que há sim 4% de genes Neandertais nos Sapiens Sapiens. Ricardo Gomes tem papel coadjuvante. Basta ele não atrapalhar com suas substituições esdrúxulas.
4- Internacional
É mais um chute no escuro. O Internacional mandou recentemente o mala do Fosatti de volta para casa. O cara conseguiu resultados, classificou para a Liberta, mas ninguém o chamava para os churrascos de comemoração pós-vitórias. Enfim. O Tinga está de volta. Alecssandro é um bom finalizador e acho o Andrézinho um dos melhores na sua posição atuando no Brasil. D'Alessandro, outro mala, tem momentos de felicidade. Fora a raça do Guiñazú, o galeano dos Pampas. Também me apego na tradição. Vai depender da Libertadores. Se chegar à final, esquece. Se for eliminado antes, pode rolar aquele sprint final para levar a taça do Brasileirão. E outra: diversos técnicos têm demonstrado interesse em ir para o Inter (inclusive o Felipão. Os papos já começaram e dizem que o sonho da mulher dele é voltar para Porto Alegre). Concordo com o que Arnaldo Ribeiro falou no Twitter dele. Técnico do Inter é o emprego dos sonhos. Mais de um mês para acertar o time para já começar nos últimos metros da Libertadores.
*Bruno Ferrari é corinthiano, jornalista da Revista Época e o mais novo colaborador do De Primeira.
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