Ex-menino da Vila. Cachorro loco da Jorge Casoni
por Felipe Lessa02h02

Estádio ABC. Foz do Iguaçu. Região da Ponte da Amizade, sede da falcatrua, casa de sacoleiros e templo da importação em territórios latino-americanos. Passavam das 3 da tarde. Nas arquibancadas mais vistosas da cidade brasileira localizada na tríplice fronteira com o Paraguai e a Argentina, populares das três nações foram curtir um domingo de futebol. Pouco importa. Os personagens foram deletados e a brisa do dia apenas queria dizer que um antigo menino da vila agora se tornou cachorro loco da Jorge Casoni.
Marcelo Peabiru rompeu as barreiras da sanidade e agora representa de farda alviceleste. MP9 está no esquema. Driblando ou dando de ombros pra qualquer forma de tecnologia. Te esperta, (Bill) Gates. Teu carrasco tá no LEC. Jogou ontem em Foz.
O placar terminou em 3 a 1 pros donos da casa.Nem mesmo foi o consagrado-anônimo ex-candidato a rei da Vila Belmiro quem estufou as redes no ABC. Mas esqueça disso! É um factóide passado.
Para a eternidade foi o momento em que todo público do jogo ouriçou, quando o antecessor de Paulo Henrique Ganso deu uma de Neymar argentino e buscou a reconquista da própria glória no principal front de combate de tal região. A redenção pelo pecado de ter os dons corretos em horas impróprias foi ativada.
Eram meados do primeiro tempo, as desgastadas plaquetas de local e visitante ainda não haviam se movido. A bola sobra na área, espichada para cima. Enquanto ela desce, lentamente, MP9 surra teorias e luta contra a gravidade. Enquanto articula suas pernas, Marcelo calibra suas surradas chuteiras. Peabiru, atacante, matador e pretendente ao cargo de pupilo do professor Célio Silva, o ex-corintiano, não hesitou em mostrar eu valor.
Poooooooofff! Foi um transtorno cambaleante. Também foi assim que o Tubarão de Peabiru lutou na fronteira. A base brasiguaia tremeu, os turcos afrontaram e MP9 honrou, com maestria, o motivo de sua estada em LEC City. Mas rasgando a carta da derrota, Marcelo rejeitou o encosto do gol. Comemorar futebol arte se faz apenas nas canchas pomposas e engomadas do país.
E como a missão de um fora da lei é sempre clara, a verdade é que todo luxo e toda glória do ato de chutar bolas no submundo se resume a manutenção das raízes populares do futebol.
Afinal, é do campo esburacado que os operários da bola peleiam e iniciam seu legado como exemplo de ascensão de classes sociais no Brazil. Trata-se de uma espécie de purgatório dos excluídos do processo de consumismo granfino. Marcelo Peabiru, centro-avante do Londrina: o herói dominical deste final de semana. A bola não entrou.
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Comentários:
Abraço
desculpe,mas essa introdução não se resume a Foz do Iguaçu
respeito as cidades paranaenses.
pelo texto voce é de londrina restrija seus comentarios sórdidos para a cidade que voce vive e não fale coisas que voce ouve pela televisão.