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Mar 12

A culpa de cada um no quebra-quebra do Couto

por Leonardo Mendes Jr.16h36

Li que a diretoria do Coritiba vai cobrar na Justiça a Império Alviverde pela quebradeira pós-rebaixamento à Série B. Uma conta estimada em R$ 20 milhões, incluindo reparos no Estádio Couto Pereira e o prejuízo com os mandos perdidos. Uma atitude que só é coerente com a condição de vítima que o clube atribuiu a si mesmo no julgamento do recurso no STJD.

E antes que alguém se indigne, ressalto que não defendo organizada nenhuma. Bem ao contrário. A invasão ao gramado foi planejada e executada pela Império. E para quem tem a imagem de Curitiba como uma ilha de tranquilidade, que fique bem claro que atualmente não há dia de futebol na cidade sem briga e quebradeira em terminais de ônibus e nos bairros. Cortesia da IAV e de suas correspondentes no Atlético (Fanáticos) e Paraná (Fúria). Grupos com hierarquia e modus operandi bem parecido ao do crime organizado. Gente que conseguiu instituir um clima de guerra permanente em torno do futebol local, que teve como ápice o atropelamento e morte de um atleticano por um coxa-branca após o último Atletiba de 2009.

Mas antes de se cobrar toda a conta da balbúrdia da Império, é preciso voltar um pouquinho no tempo e ver que foram as duas direções anteriores do clube que permitiram um ganho de poder desproporcional à torcida. A tal ponto que ela passou a se sentir dona do clube e no direito de cobrar fisicamente os fracassos dentro de campo.

Em 2006, ano em que o Coritiba falhou no retorno à Primeira Divisão, a Império foi chamada a reuniões com a comissão técnica e a diretoria. Para abafar a cobrança da arquibancada, o clube submeteu-se a aprendiz da facção. Em troca, o elenco foi recebido a socos, pontapés e latões de lixo voadores no retorno de Fortaleza, após uma derrota para o Ceará. A chance do acesso acabou por ali. O mais estarrecedor é que um dos envolvidos no ataque do aeroporto meses depois foi contratado para trabalhar no departamento de marketing do Coxa.

No ano seguinte, um dos rituais mais marcantes do retorno à Primeira Divisão era a corrida do time em direção à Império, no fim de cada jogo no Couto Pereira. Por mais que o estádio inteiro apoiasse, a atitude servil dava a impressão de que só a organizada fazia o time jogar. Estratégia bem arquitetada segundo a filosofia de botequim de René Simões, uma dessas figuras que só poderia dar certo em uma atividade de baixo Q.I. como é o futebol.

O Coritiba trocou de diretoria, mas a relação promíscua com a organizada seguiu. Pior, se agravou. Cena emblemática foi vista no jantar do centenário do clube, dia 12 de outubro do ano passado. Quem chegava ao galpão alugado para o evento atravessava um túnel em que uma caixa de som vomitava as músicas da organizada. No palco, era uma bandeira da facção, não do clube que servia de pano de fundo. Felizmente fui embora antes da degradante apresentação da bateria da Império, que, guiada pelo funcionário-ex-organizado, desfilou toda sua virulência pelo salão.

Um clube que na festa mais importante da sua história permite trocar a sua bandeira pela de uma torcida organizada não pode se dizer surpreso diante da reação selvagem do pós-rebaixamento. E querer cobrar integralmente da IAV a conta do quebra-quebra é ignorar que o monstro que saiu do guarda-roupa no dia 6 de dezembro foi parido e alimentado nos corredores do Alto da Glória.

5 comentários
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Comentários:


Comentário de: MARCOS VINICIUS

Parabéns pela matéria, sou atleticano, sou contra as organizadas, e me tornei fã de Mario Celso Petraglia por este motivo.
Tudo o que vc escreveu é a mais pura verdade, pois as 3 torcidas organizadas nada mais são do que gangs, e que em dia de jogos
fazem da cidade um inferno. Estão acabando com a torcida nos estádios, muitos dizem que é o preço do ingresso ou a qualidade dos jogadores. Não é não, muita gente não vai ao estádio de medo.
Digo mais, os dirigentes das organizadas se fazem de inocentes porém, são iguais aos demais bandidos.


PermalinkPermalink 13.03.10 @ 02:16



Comentário de: Fabricio Grzelak

As organizadas sao todas filhadasputas, isso sim, deveriam acabar com essa merda, são organizada para dar porrada e só.

PermalinkPermalink 13.03.10 @ 21:25



Comentário de: Felipe Lessa Email

Falou tudo, Leo. E se eles pagaram pelo 'silêncio' da Império, e isso não ocorreu, é um sinal que algo mais ocorreu dentro do clube. Um fato triste, reflexo do futebol na mão de burocratas que parecem ter na cabeça preocupações bem maiores que dirigir bem os clubes.

PermalinkPermalink 14.03.10 @ 23:22



Comentário de: tko

O funcionário-ex-organizado é o leitã... ops... Porks. Um tapa na cara da sociedade porkiniana e paquitiniana.

PermalinkPermalink 16.03.10 @ 13:23



Comentário de: SAS

E o cara que estava com um grupo de atleticanos e matou um dirigente da Império na Rui Barbosa (Gazeta, 29/06/09), foi preso?
O que houve?
PS.- Também sou contra subsídio/envolvimento de clubes-torcidas
organizadas.

PermalinkPermalink 30.03.10 @ 11:57



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