Patrícia Amorim, cuidado para não virar um novo Belluzzo
por Leonardo Mendes Jr.19h24
Em entrevista à Folha de S. Paulo, publicada no Dia Internacional da Mulher, Patrícia Amorim, exemplo da vez de entrada feminina em um universo estritamente masculino, foi perguntada sobre suas atividades de presidente do Flamengo e vereadora do Rio de Janeiro. A questão era clara: entre os dois, qual a prioridade? Segue a resposta da dirigente: "É o Flamengo. Minha posição sempre foi muito clara. O eleitor que vota em mim tem total entendimento que eu tenho uma relação estreitíssima com essa instituição. E nem por isso eu faço alguma coisa errada para privilegiar o Flamengo. Jogo muito limpo. Sei que não vou agradar a todos, talvez eu não agrade aos vascaínos."
Na resposta seguinte ela diz que concilia as duas atividades em detrimento da família e ficou por isso mesmo. Não deveria.
Patrícia é uma funcionária pública (é assim que vejo políticos eleitos). Se foi colocada lá pelos flamenguistas, não importa. Legisla para toda a população carioca, é paga por todos os contribuintes, independentemente de time. É a eles que deveria dar prioridade, não a um time de futebol.
Patrícia, é bom que se diga, também tem atividade empresarial. E não há notícia de que seja uma vereadora ruim. Foi, por exemplo, linha de frente na CPI do Pan.
Mas esse papo de minha prioridade é o clube e legislo para os torcedores do meu clube faz lembrar alguns dos piores dirigentes já tivemos. Era o discurso de Eurico Miranda, de que era deputado dos vascaínos, não do Rio de Janeiro. Sabidamente, Eurico foi um péssimo parlamentar e um tumor maligno para o Vasco.
Buscando um exemplo mais próximo, essa declaração da Patrícia Amorim me fez lembrar primeiro de Luiz Gonzaga Belluzzo, a quem ela critica na mesma entrevista à Folha. Belluzzo também veio com o status de dirigente moderno, de especialista que traria do mundo real ideias boas para o faz-de-conta que é o futebol. O verniz rapidamente caiu, deixando transparecer a imagem de um cartolão à moda antiga da pior espécie e constrangendo toda a imprensa "muderrrna" de via no professor um oásis. Que dona Patrícia não cause a mesma decepção.
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Comentários:
E não há nada errado nisso. A Marina Silva inclusive, largou o cargo justamente por estar mais ao lado da ecologia do que da nação.
Cada um prioriza o que deseja. Claro que não podemos prejudicar o próximo por causa disso. Mas, não havendo mal, não é errado priorizar o que se gosta mais.
Certamente, se perguntado, o autor do post daria prioridade a sua familia do que ao trabalho,por exemplo. E no entanto é um profissional pago e designado a uma função. Tal como as pessoas citadas no post.