Dunga é um indie deslumbrado e colonizado
por Leonardo Mendes Jr.00h07
Não lembro exatamente onde vi (blog, e-mail, site, comunidade etc.) a brincadeira de que o Dunga é o técnico mais indie do futebol mundial. Referência às suas roupas fora dos padrões área técnica, mas especialmente pela alternatividade de algumas convocações. Afonso Alves, Filipe Luís, jogadores em profusão do Leste Europeu. Comparação esperta, divertida e condizente com a realidade.
Pois olhando bem para Dunga, agora a poucos meses de cumprir sua missão à frente da seleção brasileira, é possível dizer com segurança qual tipo de indie ele é. Dunga é daqueles indies deslumbrados e colonizados, que escolhem o que ouvir (ou quem convocar) simplesmente pelo fato de vir de fora. E quanto mais obscuro e na contramão do senso geral melhor. Até que se perca a noção de qualidade e a preferência passe a ser determinada apenas por excentricidades.
Felipe Mello é o grande exemplo dessa alternatividade doentia de Dunga. Volante meia-boca no futebol nacional, foi elevado a deus do meio de campo pelo selecionador. Por quê? Só porque brilhou na Fiorentina, um Figueirense com grife, como define o grande Caio Maia? Hernanes em má fase é melhor que Felipe Mello no seu esplendor. Até Pierre joga mais que Felipe Mello, mas comete o pecado mortal de jogar no Brasil. E aí, para o nosso técnico indie, não serve.
E o mesmo vale para Josué, Júlio Baptista e Doni. Como já foi para Hulk, Afonso e Filipe Luís. Com essa cabeça colonizada, Dunga está formando um dos grupos mais sem sal que já defendeu o Brasil em uma Copa. Na média (com prós em uns pontos, contras em outros), é uma seleção do nível daquela de 90, que teve Dunga como expoente e caiu aos pés do primeiro jogador de talento que cruzou o seu caminho. É a isso que alternatividade irracional de Dunga está nos levando.
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Comentários:
A previsível crônica paulistana já solta comentários pejorativos em relação ao Campeonato Paulista de futebol. Chamá-lo de “Paulistinha” parece inofensivo, mas é o começo de um raciocínio que termina sempre com a defesa da extinção do torneio. Ou seja, com o desaparecimento de dois terços dos times interioranos.
Não pode ser por causa das relações promíscuas entre esporte e política, nem da corrupção dos dirigentes e empresários, pois esses desvios, além de generalizados, têm mais gravidade quando envolvem clubes da capital. E se o título fosse realmente secundário, bastaria dividir por igual as cotas de patrocínio e transmissão, conferindo verdadeiro equilíbrio à disputa. Ah, mas Robinho e Roberto Carlos não topariam, certo?
Na verdade, a campanha contra o Paulista é fruto de despeito e serve para ocultar o fato de que os times do interior estão cada vez mais competitivos. Os super-craques da capital, como seus puxa-sacos midiáticos, estão acostumados a lotar estádios pequenos, comandar a festa, golear com time misto e distribuir autógrafos, pimpões, donos da cocada. Deve ser humilhante viajar quatro horas para levar caneladas num calor senegalês, perdendo o jogo e a pose, e ainda por cima tomando vaia de caipira maluco. Não surpreende, portanto, que depois respondam, avexados: “eu nem queria mesmo...”
Em breve, pelos mesmos motivos, também a Copa do Brasil será chamada de Copinha, várzea, gaveta dos infernos. E os “grandes” começarão a procurar outras prioridades.