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Dez 06

Nada de novo no front curitibano

por Jones Rossi23h24

Um policial gordo desacordado no gramado do Couto Pereira é carregado de forma patética pelos colegas. Cada um segura um braço ou uma perna e tentam tirá-lo daí com passos curtos. Um tropeça e o policial ferido vai ao chão. Uma cena condensa toda a miséria paranaense. Pela enésima vez, Curitiba é assombrada pelas torcidas organizadas. Policiais despreparados não sabem nem como prestar atendimento médico ao companheiro de profissão, ferido e inconsciente.

Tudo poderia ser evitado. Nada poderia ser evitado.

As torcidas organizadas são o que são. Gangues. Organizações criminosas. Algumas funcionam como ponto de tráfico de drogas. Ou de armas. Mas, como estão relacionadas a times de futebol, geralmente escapam ilesas de investigações e de qualquer punição. Curitiba já elegeu dois ex-dirigentes das duas maiores torcidas organizadas da cidade como vereadores. Um deles, que chegou a ser detido pela polícia anos atrás carregando uma pistola, está cumprindo mandato atualmente.

O que aconteceu no Couto Pereira já era previsto. A sociedade curitibana, através de todos os instrumentos que possui, abdicou de qualquer providência para coibir a violência das torcidas organizadas. O comando da Polícia Militar sabia que o jogo era de risco. Jogou meia dúzia de soldados rasos, despreparados, para contar uma multidão de marginais no Couto Pereira. Um deles quase morreu e rolou um boato de que um foi baleado na cabeça. Ainda não confirmado. Ora, é só mais um PM, um coitado que ganha menos de mil reais por mês para apanhar ou até morrer na mão de uns bocós que acham bonito brigar por causa de cores de camisa nas ruas. Por que o futebol, no frigir dos ovos, não passa de algumas cores de camisa.

Existe um órgão chamado Ministério Público. Nunca fez nada. A Secretaria de Segurança do Estado do Paraná, se fez alguma coisa, fez tão secretamente que ninguém ficou sabendo. Essa não foi a primeira vez que aconteceu algo do gênero em Curitiba. Em todo Atletiba a cidade contabiliza prejuízos gigantescos, em valores ou em vidas. No último, um torcedor foi morto.

Esta semana, já prevejo, haverá reuniões da Polícia com os chefes das organizadas. Atitudes inócuas, discursos vazios, nenhuma punição, esquecimento. Roteiro previsível.

O que aconteceu neste domingo merece uma punição para ficar na história. Jogar a Série B toda em portões fechados. Mas o mais importante é punir todos os torcedores flagrados pelas câmeras agredindo policiais, invadindo o campo. Todos. Não precisa de lei especial para torcedor, como escutei algum ignorante falar na ESPN Brasil. Ou torcedores têm salvo-conduto para fazer qualquer coisa que vá contra a lei que se aplica ao resto da população?

Entregamos o futebol às organizadas, aos bandidos. A diretoria do Coritiba tem até membro de organizada entre os conselheiros ou em cargos importantes dentro do clube. Coisa comum em outros clubes.

Este texto é inútil. Nas próximas eleições, outro chefe de organizada se elege. Outro coitado morre. Vocês todos são uns merdas.

2 comentários
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Comentários:


Comentário de: Daniel Soares

De fato é absurdo falar em lei especial pra torcedor. Então os estádios de futebol pertencem a um Estado de exceção? Foi tudo filmado em Curitiba. É possível punir um a um os idiotas que fizeram aquilo. Mas não há vontade nenhuma disso nas autoridades (in)competentes. Quando o Grêmio fez 1x0 no domingo, no Maracanã, temi pelo pior. Não apenas pela perda de um título "ganho", mas de como as parcelas imbecis da torcida reagiriam. O clima fora do estádio era um tanto tenso desde cedo, pois a galera chegou cedo pra evitar tumulto e... encontrou portões fechados. Quando os portões abriram, as dezenas de milhares de pessoas nas enormes filas tiveram que enfrentar a concorrência dos poucos milhares de "organizados", que chegaram às 15h por recomendação da PM e entraram na marra, furando a fila, ante a passividade da Polícia. Pior: trouxeram seus amigos sem ingressos, que se aproveitaram da confusão pra forçar a entrada no estádio, principalmente nas cadeiras. Quando a confusão estava instalada, a resposta policial foi a tradicional distribuição de bolachadas e sprays de pimenta pra todo lado.

Por tudo isso, a galera estava tensa. Muito penetra nas cadeiras de campo, que ficaram superlotadas e ficam a um pulo do gramado. Um fim de jogo triste poderia ter sido trágico.

PermalinkPermalink 08.12.09 @ 19:56



Comentário de: KICHA · http://kichafc.wordpress.com

Puta texto.

PermalinkPermalink 12.12.09 @ 23:39



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