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Nov 20

LEC: O Leilão da sede campestre é o punhal nas costas do povo

por Felipe Lessa14h26

Justo quando o Londrina Esporte Clube entregou sua sede campestre ao povo, ela será leiloada. O martelo pode ser batido hoje, às 14 horas. A tristeza toma conta do ambiente, pois o clube social havia se tornado referência de respeito da liberdade individual e coletiva. Tem jovem que ainda está na sede, preocupado. A reflexão é grande, pois desde a democratização (ou abandono, para os ingênuos) não havia mais cobrança de títulos, mensalidades ou carteirinhas. Bastava não ter medo de ser feliz e desfrutar de tudo aquilo que o governador Moisés Lupion deixou de presente para a cidade.

O primeiro sinal de alento foi a transparência. Os documentos não foram jogados fora, como falaram alguns maldosos especuladores. Toda papelada estava ali, logo ao lado da piscina, livre para consultas de todos. Afinal, o LEC é o clube do povo, e o povo tem o direito de saber o que acontece no clube. Se no futebol, conselho e diretoria escondem tudo o que ocorre, o povo tomou para si a sede campestre e mostrou como se faz. Do povo não se deve guardar segredos.

Os últimos jovens a se divertir na sede campestre mostram que havia consciência social no Londrina Esporte Clube. A sede era de todos, local onde o único pecado atendia pelo nome preconceito. E assim, a garotada aproveitava brisa e vibe do momento para beijar deliciosamente suas latas de refrigerante, puxando saborosos tragos da criptonita existente dentro delas. Tardes refrescantes.

Essa garotada não precisava mais se deslocar do Jardim Bandeirantes, Leonor e região até o Vale do Rubi, Lago Igapó ou qualquer outro ponto desagradável para alegria e relaxamento. A nobre mocidade agora tinha portas abertas no LEC. Se os outros clubes sociais da cidade são excludentes, o LEC havia quebrado a regra. Bastava ter compaixão com o prazer do próximo e cair pra dentro.

As rodinhas de amigos eram bem divertidas. Todo mundo unido, compartilhando pertences, rindo muito. Ouvindo zumbidos dos dos dos dos dos dos causados pelo consumo de alguma vitamina na na na na na nos gramados dos dos dos do do LEC QUI QUI QUI QUI QUI....

Nos campos de futebol deixados de herança (abandonados) pela antiga e reacionária diretoria do clube, as latas de cola e os vidros de benzina até hoje enfeitam os gramados. A quantidade é extremamente maior que a de garrafas d´água deixadas pelos antigos juniores após os treinos. Afinal, esses jovens frequentadores do LEC baforavam tão empolgados quanto os cheiradores homenageados pelos Ramones no censurado hino “Carbona is not glue”.

No imaginário dessa juventude, talvez a expectativa de mandar uma tabelinha com o Elber. Nos anos 90, era ele quem mandava no pedaço. Virou lenda. Quem sabe algum dos malucos que hoje deitam e rolam por esses campinhos não conseguem chegar na mesma Europa onde o cara mais considerado das antigas chegou. Ao menos em suas viagens particulares, eles andavam conseguindo.

Quem por último frequentou o LEC também se revolta ao escutar que a vida do clube morreu. Basta ver as camisinhas jogadas pelo piso destruído do antigo refeitório, os sinais de que mesmo a vida sexual não apenas existe. Ela evoluiu, surrou o velho moralismo e o expulsou destes domínios.

Nos anos 70, ver meninas nadando e tomando banho de sol vestindo os clássicos maiôs era o auge da sexualidade no clube. Na modernidade de agora, é só levar acompanhante, disposição e escolher o local adequado para a prática do amor carnal. Cada ambiente fica livre para quem ali chegar, optando por um local ou outro de acordo com interesses e posições necessárias para o orgasmo. O clube social do Londrina é mente aberta, não reprime ninguém.

A liberdade é tanta que algumas capivaras decidiram passar o resto de suas vidas na piscina do clube. Morreram e os corpos foram retirados depois das almas chegarem ao plano superior. Em decisão coletiva, foi definido que mamãe e três filhotes de capivara seriam os últimos a nadar nessa que foi a primeira piscina olímpica do Paraná.

O respeito a essas capivaras é digno. Estavam protestando, pois sabiam que o espaço do povo será roubado. Vai ser entregue aos burgueses. Na tarde desta sexta-feira, 20 de novembro, devem bater o martelo. Hoje, ainda tem algum transtornado vagando pelas dependências da sede campestre. A tristeza é geral, pois foram os reacionários dirigentes do Londrina que esculacharam as dívidas do clube. Justo quando o povo assume, ele acaba, para pagar dívidas feitas por quem enriqueceu com o futebol. Com isso, é a odiada burguesia que vai respirar aqueles ares muito em breve. O sonho acabou, os dias serão mais duros a parir de amanhã.

*As fotos são reais, cortesia de Rafael Pio.
**Ninguém deu lance. A sede campestre voltará a ser leiloada apenas em 2010.

3 comentários
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Comentário de: Andye Iore · http://www.zombilly.blogspot.com

Belo texto sobre uma triste realidade do futebol brasileiro.

PermalinkPermalink 20.11.09 @ 17:21



Comentário de: felipe lessa · http://www.interney.net/blogs/deprimeira

Isso muda qdo eu assumir o LEC.hehe

PermalinkPermalink 23.11.09 @ 15:27



Comentário de: Fabricio Grzelak

Bati muito futebol society nessa sede

PermalinkPermalink 24.11.09 @ 09:25



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