O caso do treinador elástico e a incrível busca pelo belo
por Álvaro Fagundes00h08

Paulo Autuori afirmou que não acredita que tenha perdido prestígio com a sua saída do Grêmio, mas o único troféu que a sua passagem pelo Olímpico merece é o da mediocridade, afinal 13 vitórias, 12 derrotas e 11 empates são a definição mais pura de mediocridade.
E, para o Grêmio, mais uma vez, não deu certo esmurrar a sua própria imagem no espelho: o nariz não ficou mais bonito nem o time apresentou melhores resultados.
Eu não entendo o porquê - talvez seja o fato de os dirigentes recentes serem sofrido com a hegemonia nos anos 70 do Inter e seus Falcões, Carpegianis e Príncipes Jajás -, mas volta e meia o Grêmio desiste de jogar o seu futebol (força, competitivo, violento, leiam como vocês quiserem) e escolhe um técnico que todo mundo sabe que vai para o outro caminho, que, em geral, é um fracasso.
A convicção não impera nem quando a direção. O time vai de Mano Menezes para Vágner Mancini, pula de Sérgio Cosme para Luiz Felipe, de Celso Roth (com todas restrições que devem ser feitas) para Paulo Autuori, como se houvesse uma necessidade de afirmar “nós conseguimos bons resultados jogando o nosso futebol, mas também podemos ganhar jogando do jeito que vocês querem”.
E a resposta é não, não consegue. E o motivo fundamental, ainda que não único, é que a torcida não aceita, não abraça esses times, há uma rejeição na arquibancada que logo toma conta do gramado.
Isso ajuda a explicar por que nos últimos 25 anos só um técnico de fora do Rio Grande do Sul deu certo no Grêmio. Todos os outros (Luiz Felipe, Mano, Tite, Otacílio Gonçalves e, por que não?, até Cláudio Duarte, Ernesto Guedes e Celso Roth) são gaúchos.
Não que a maioria desses técnicos seja melhor que os Minellis, Autuoris, Sanis, Anjos, Mujicas, Procópios e Lazaronis que passaram pelo Olímpico. Não é, mas eles entenderam e conseguiram colocar em prática o futebol jogado pelo Grêmio.
Sim, colocar em prática, porque de nada adianta o sr. Autuori chegar em Porto Alegre e falar que o time vai jogar com a cara do Grêmio, e não com a dele, se o time um mês depois só fracassa fora de casa e ainda consegue passar um jogo inteiro fazendo dez faltas. A credibilidade - e o campeonato - se perde aí.
Ainda assim, mesmo fadado ao fracasso, ele não poderia ter pedido para sair, mostrando convicção mais elástica do que seus resultados (nenhum dos bons treinadores do país oscila tanto entre um grande título e campanhas medíocres). Quem chega fazendo promessas, e recebendo garantias, de que vai fazer grandes mudanças no clube, de que vai mudar as categorias de base e contrata gente sua para isso não pode abandonar o barco assim, tem que enfrentar o fracasso e ser demitido. Não pode olhar para o espelho, não gostar do que viu e sair zunindo como elástico em atiradeira.
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