Os bastidores da disputa eleitoral no Londrina
por Felipe Lessa16h47
Ao escolher quem será o próximo presidente do Londrina Esporte Clube, no dia 8 de novembro, os associados irão traçar definitivamente o futuro do Tubarão. O Alviceleste passa pela pior crise de sua história e pela primeira vez foi cogitada publicamente a intenção de fechar as portas do clube para criação de um novo time, este propriedade de empresários locais que atuam na venda de jogadores e com o compromisso único de dar lucro aos seus investidores.
Até agora as duas atuais chapas são uma incógnita para o torcedor desacreditado de tantas promessas, falta de transparência, sumiço de jogadores e pelo desastre da gestão Peter Silva. Gilberto Ponce e Marcelo Caldarelli, atuais pretendentes ao cargo máximo do Londrina, no momento apenas movimentam os bastidores para uma disputa baseada em incertezas.
Na base de Ponce o grande triunfo está no apoio do prefeito Barbosa Neto. Caldarelli, por sua vez, conta com a força de um suposto legado dos mais de 2 mil títulos remidos distribuídos na cidade durante sua gestão como presidente alviceleste. Ambos recusaram o apoio do atual presidente, Peter Silva, para as eleições.
Raio X dos candidatos:
Gilberto Ponce
É empresário e foi ligado ao grupo Royal Players, que faz o agenciamento da carreira de jogadores de futebol - era sócio de Persius Sampaio, questionado ex-diretor do Tubarão. Nas recentes visitas que fez em alguns setores representativos do Tubarão, ele alega ter deixado o ramo para dedicar-se exclusivamente ao Grupo Rodinato, uma indústria de comércios e ferragens.
Com o apoio do prefeito Barbosa Neto, Ponce é o escolhido para administrar o projeto desenvolvido por Antônio Carlos Gomes, responsável pelo processo de reestruturação do Atlético Paranaense.
A chapa Novo Londrina tem aspectos positivos como a reaproximação de diversos segmentos locais, que vão de empresas londrinenses, Rádio Paiquerê, torcida Falange Azul e até mesmo promotores de justiça envolvidos na prestação de contas sobre as dívidas trabalhistas do LEC.
Atuar na venda da Sede Campestre do Londrina também é uma das apostas do projeto da chapa. A meta é que o clube receba valores acima das dívidas estipuladas em cerca de R$ 6 milhões e assim comece uma vida nova.
Ponce também ganhou pontos ao vetar a presença de empresários de jogadores na reunião que apresentou o projeto do professor Antônio Carlos. Ainda assim, nomes como o de Sérgio Malucelli e Iran Campos foram comentados no encontro.
O principal ponto negativo é a substituição da sede do clube do Estádio Vitorino Gonçalves Dias para o Estádio do Café. A prefeitura tem intenção de vender o terreno do VGD para uma construtora local. Há também o interesse em remodelar o Café, para que o campo possa servir de treinamento para alguma das seleções que disputarem a Copa do Mundo de 2014. A nova possibilidade de terceirização do clube também é questionada pela torcida.
Marcelo Caldarelli
Presidiu o Londrina na gestão 96/97, é empresário no ramo da hotelaria e agencia jogadores de futebol. Durante os jogos da Série D do Brasileiro, protagonizou mini-comícios nas cadeiras cobertas do Estádio do Café e se auto-proclamou o nome mais indicado para assumir a frente do Tubarão.
No entanto, pode ter sua candidatura impugnada pelo Conselho Deliberativo após ter recebido o título de Persona Non Grata no LEC, devido a sua passagem como diretor da Portuguesa Londrinense. O polêmico Caldarelli caiu no desgosto dos alvicelestes ao tentar trocar o nome da Portuguesinha para Grande Londrina, ironizando o antigo clube ao qual agora tenta presidir novamente: “Será o Grande Londrina contra o pequeno”, dizia.
No legado de Caldarelli, folclores como a promessa de pagamento aos atletas com cabeças de gado que sequer estavam em seu nome, a contratação do ator global Nuno Leal Maia, as modelos gandulas e o episódio em Jandaia do Sul em que o ex-presidente disparou com seu revolver calibre 38 para cima, na tentativa de conter os ânimos da torcida rival.
Apesar de inovador, Marcelo Caldarelli é apontado junto de Peter Silva como uma das piores gestores do Londrina Esporte Clube. A dispensa de diversos funcionários alavancou as dívidas trabalhistas do LEC e a distribuição da grande quantidade de títulos remidos pela cidade tornou o clube social praticamente insustentável, sendo essa uma das justificativas da atual gestão para fechar as portas da sede campestre.
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