O que começa no campo de futebol, morre no campo
por Felipe Lessa18h30

Depois de vencer de virada o Sóesporte, por 2 x 1 no Estádio Cleto Marques Luz, em Maceió, as jogadoras do Cesmac se viram obrigadas a partir para uma nova batalha. Dessa vez, nada válida pelo Campeonato Alagoano de Futebol Feminino como o jogo da tarde desta quarta-feira (7/9). Provocações durante os 90 minutos do rolar da pelota proporcionaram uma espécie de prorrogação previamente anunciada, sendo o árbitro Anderson Fernandes um dos acusados: pela negligência.
O pau comeu. Ou melhor, as diferenças e qualquer covardia dentro de campo foram tiradas a limpo. Sem armas e sem vandalismo. Queriam apenas um acerto de contas e nada mais. Na mão, ou no máximo com as travas da chuteira, como prega o simbólico código de conduta do futebol. O que nasce no gramado, morre ali. Fim de papo.
O clímax de toda cena está no momento em que a número 3 do Alviceleste Cesmac estava fora de combate. No meio da lavação de roupa suja, ela parece ter sido intimidada por uma jogadora da equipe Amarelão Sóesporte. Sua adversária retira a chuteira e, com ela em punhos, agride uma garota do Cesmac aplicando friamente a chuteirada. Sim, usou seu calçado para bater na outra atleta com as travas.
E então, a personagem do dia, nossa camisa 3 que parecia tranquila e contente com sua única voadora em uma adversária, supostamente toma gosto pela boa e velha ultraviolência. Sem dever nada àquela praticada por gente como Alex e seus Druggies.
A defensora começa a distribuir socos e pontapés. Bica uma, bica duas, corre atrás de outra. Estava ensandecida. Tenta atingir a rival com nova voadora. Até mesmo um garoto, provavelmente irmão de alguma das meninas, tenta separar a treta. Resultado: leva de cara um tabefe na orelha.
Sem polícia ou ambulância no estádio, quem caiu em combate precisou aguardar tudo terminar para ir ao hospital. Wítala, do Sóesporte, foi um exemplo. Levou um chute no rosto e precisou ser transferida para cuidados médicos em uma clínica de saúde.
Para fechar com chave de ouro, a mídia noticiou o confronto nacionalmente. Mesmo o poderoso Globo Esporte relatou como lamentável o ocorrido. Era a primeira vez que a Alviceleste ganhava destaque no site do programa. No restante, restavam apenas estatísticas. Ou seja, o todo-poderoso meio de comunicação falhou. Preferiu omitir a constante falta de ambulância e policiamento nos jogos, e até mesmo a estrutura deste campeonato, para punir as atletas por resolverem tudo como deve ser resolvido.
A Federação Alagoana de Futebol também resolveu dar destaque para a briga em seu site. Incrível a moralidade, já que o presidente da mesma federação é acusado de orquestrar um espancamento contra dois jornalistas que cobriam a partida entre Asa de Arapicara x América Mineiro, em setembro deste ano, pela Série C do Brasileirão.
Uma baita hipocrisia culpar essas meninas por resolverem seus desentendimentos de forma honesta. A violência ocorreu, mas sem a covardia das vangloriadas gangues de torcidas organizadas que se municiam até mesmo de armas de fogo para realização de tocaias contra facções rivais. Essas garotas são apenas vítimas, que inclusive chegaram a se retratar e pedir desculpas em seu blog oficial. Foram comparadas ao mesmo nível de gente que apenas se utiliza do esporte para praticar violência e ganhar dinheiro. Mas recurso é o que mais falta no desprezado futebol feminino. Essas meninas sempre sonharam com o dia que iriam aparecer na grande mídia. Sonhavam en receber devido reconhecimento por seu futebol. Mas estão sendo tratadas como marginais, o que não são.
E como a briga acabou, podemos voltar a falar de futebol. O Blog De Primeira realizou contato inicial com o time do Cesmac em seu Orkut oficial. Tentaremos descobrir também quem é a guerreira combatente Camisa 3. Pretendemos acompanhar, desde já, a trajetória do glorioso Alviceleste na Copa Brasil de futebol feminino. Depois de detonarem o Potiguar por 3 x 1 em casa, elas enfiaram 4 x 1 no Rio Grande do Norte. Estão classificadas e no dia 22 de outubro enfrentam as meninas do São Francisco da Bahia no Estádio Nelson Feijó, em Alagoas. Outra destaque do time é Karine, que com 2 gols na competição balançou as redes o mesmo número de vezes que renomadas como Marta e Cristiano, do Santos. Com os votos de apoio do Blog de Primeira: Avante, Cesmac Futebol Feminino! Rumo ao título nacional.

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suav, to ligado como foi o lance. tretantiga das minas. sertou erradp, fodase sóesporte.
