Ressurge o Seleto de Paranaguá
por Equipe De Primeira00h22

Por Felipe Lessa e Felipe Oliverote
Na tentativa de reviver a nostalgia dos clássicos Sele-Rio, em Paranaguá, o Clube Atlético Seleto articula sua volta aos campos. Apesar do nascimento em 1926, com o sobrenome Esporte Clube, o eterno rival do Rio Branco ganhou o grande posto em 47, após fusão com o Clube Atlético DNC.
Além do vice-campeonato estadual de 64 (na primeira final do Paranaense sem presença de equipes de Curitiba), a equipe ficou conhecida pelo episódio em que conheceu as habilidades do coronel Serafim Meneghel. O presidente de honra do União Bandeirante deu um tiro na bola, após marcação de uma penalidade para o Seleto contra seu time na Vila Maria.
Para honrar os velhos tempos, a diretoria do Seleto afirma ter se inscrito para disputa a Copa Litoral 2009*. De quebra, faz pressão política e organiza sua estrutura para conseguir uma vaga na Série C do Campeonato Paranaense 2010.
Os planos do time para se reerguer começam a sair do papel desde já. Atletas profissionais da cidade foram contratados, entre eles Willian Carlos, Duda e Baiano. O último citado disputou o estadual pelo Leão da Estradinha e conta com experiência internacional: foi lateral direito do Paok, da Grécia. Voltou por problemas com o empresário.
Desde 1971, quando fechou as portas, é a primeira vez que o rubro negro parnanguara sai do ensaio para voltar ao futebol profissional e começa a montar um time. O fato já preocupa o clube rival, que, nos bastidores, articula a contratação de um goleiro europeu para disputa do Paranaense em 2010.
Os três livros que retratam as vidas da dupla Sele-Rio, dois riobranquistas e um seletense, demonstram um pouco do que é a rivalidade. Em “Um Leão No Meu Caminho”, João Lima chega a descrever o drama do pai que perdeu o filho, pois deixou de comprar os remédios do garoto para ir até o Estádio Nelson Medradas ver o clássico.
Do lado rubro negro, em “Caminhos Percorridos: cincoentenário do Seleto”, Joaquim Tramujas prefere lembrar do futebol profissional que iniciou-se em 1961 e acabou dez anos depois. Fala da união com o DNC, que fortaleceu o clube, e recorda euforicamente da campanha de 1964.
Foi na ocasião que o Seleto venceu a fase disputada pelos clubes da Zona Sul do Campeonato Paranaense. Heroicamente, nomes como Chapadão, Cosminho, Djalma e Saracotê manejaram tão bem a pelota que deixaram para trás Atlético, Coritiba e Ferroviário. Quem também bailou no mesmo grupo foi o rival Rio Branco, que comemorou quando o Seleto parou. Nas finais, caiu diante do então temido Grêmio de Maringá e ficou com o vice-campeonato.
Entre os nomes que fizeram parte da vida do clube, destaque para o atacante Madrake. Ele também passou pelo Leão da Estradinha, nas temporadas de 1964 e 1965. Deixou muitos relatos de bom futebol, vida boemia e malabarismos com a bola. Em 1967, jogou pelo Seleto e o filme se repetiu. Assíduo frequentador de bordéis e mesas de baralho, o atleta sumiu da cidade portuária. Uma lenda parnanguara afirma que ele voltou para Santos. Por lá, morreu assassinado – supostamente em uma invasão de traficantes contra uma “casa de business colombiano”, na zona meretrícia.
Por lembranças como essa, até os dias de hoje existe rivalidade entre famílias riobranquistas e seletenses de Paranaguá. O berço da civilização paranaense aguarda com ansiedade o clássico, pois atualmente os torcedores do Leão dizem que ele só existe quando adeptos do peixe jogam alguma praga contra seu time. Será verdade? Ou são os alvirubros que estão a volta rubro-negra e faziam mandingas? O litoral aguarda com ansiedade.
*Torneio amador que reúne as seleções das 7 cidades do litoral paranaense
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Comentários:
Hoje faleceu o ponta direita do SELETO de 64, IBANEZ FERNANDES...sou filho dele, gostaria de toda informação de quem conheceu meu pai.