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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Foto ilustrativa

Set 27

Um segundo de primeira

por Ana Carolina Moreno18h05

O pior é que a cada dia que passa o Rogério Ceni vai ficando mais velho. Logo ele se aposenta, contra a vontade dele mesmo e de todo o resto da nação são-paulina. Mas é uma verdade inexorável.
Provavelmente nunca mais teremos um goleiro-artilheiro. Sequer um goleiro-capitão. E essa não é uma idéia triste, apenas é a regra. Rogério Ceni é uma exceção. Uma valiosíssima exceção que será para sempre lembrada pela torcida, pela diretoria, pelos jogadores.
Ainda assim, ele não é eterno, no sentido materialista da palavra. E não será fácil substituí-lo. Mas cogitar o Bosco para esse papel é ridículo. É um insulto a um time desse nível.
Um homem acomodado em ser o segundo e que, nos últimos anos, SEMPRE falha nas raríssimas vezes em que é requisitado, não pode nunca ser o primeiro goleiro. Um homem fraco, injusto, que mente para incriminar o adversário, e por isso está suspenso quando o titular se machuca. Ou então ele mesmo sofre uma contusão e está em recuperação.
Temos três grandes sortes. Temos Rogério Ceni, que ainda está aí firme e forte. E temos Fabiano, que é promissor e agora acumulando experiência. Sem contar o Denis, que já mostrou seu potencial, mas também precisa de umas cicatrizes até ganhar a camisa 1. Mas também temos um cabeça-dura que atende pelo nome de Juvenal Juvêncial e está jogando contra o relógio. Não percebe a importância de ter um segundo goleiro regular, confiável, experiente e profissional o suficiente para estar pronto a qualquer momento para defender o time à altura. Hoje, não tem.

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FutebolCampeonato BrasileiroSão Paulo

Set 23

E o Kléber não aprende

por Ana Carolina Moreno14h43

Nem é tanto por culpa do Kléber que a torcida do Cruzeiro quer que ele suma do time. Eu acho que ele joga muito bem, e se dedica muito ao futebol. Todo jogador tem algum clube onde se deu melhor, foi mais feliz, se encaixou. Acontece o mesmo com você, que já trabalhou em lugares legais e em lugares chatos.

Mas o futebol é mais do que os chefes, os colegas de trabalho e uns clientes chatos. O torcedor não é cliente. É o guardião do passado e do futuro do seu escritório. Deve ser um saco ter que aturar a torcida... Mas essa é uma das razões pelas quais te pagam tão bem. Se você escolheu esse ramo, tem que agüentar e dar graças.

Uma coisa é manter uma afinidade muito grande com o Palmeiras. É normal, é louvável que ele não seja de todo mau-caráter, que cuspa no prato só de alguns times pelos quais passou. Mas bater uma pelada com a torcida organizada do do time adversário, justo antes do jogo contra esse mesmo rival, é uma ofensa imperdoável.

Parênteses: que, obviamente, não merece qualquer reação violenta por parte de ninguém, porque a violência é muito pior do que a ofensa.

A reação da torcida da Raposa era óbvia, e demorou para explodir. Os companheiros de time, claro, não podem demonstrar desunião logo antes do jogo que pode pré-coroar o Muricy como tetracampeão brasileiro. O clube lhe deu apenas uma advertência, o mínimo para não deixar passar o episódio em branco (e perder muita moral) e não irritar demais o jogador para não ter problemas no jogo. Um claro alarme de como alguns princípios estão muito distorcidos.

E se o Kléber disser que o que importa é o que acontece dentro das quarto linhas, então precisa se explicar porque não recusou o convite da Mancha Verde. Imagino que seja difícil lidar com a pressão de uma torcida organizada tão forte como essa. Mas pelo visto, já que ele afirmou que “não vai ser intimidado”, parece que não houve qualquer relutância em comparecer ao evento de integração dos palmeirenses.

Daqui a pouco veremos a cor da camisa que ele veste.

PS: Isso não tem nada a ver contra o Palmeiras. Espero que perda, é claro. Mas que o jogo seja justo.

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Futebol

Set 16

O sonho acabou em Londrina

por Felipe Lessa00h00

No domingo, o Estádio do Café foi tomado por 12 mil torcedores do Londrina. Gente carente de bom futebol, que veio não somente dos bairros da cidade como também dos pequenos municípios que rodeiam os domínios londrinenses. A nostalgia dos tempos em que o Londrina bateu a Chapecoense, nos 3 x 1 válidos pela Taça de Prata de 80, bateu forte. Quem sabe em 2010 não estariam essas mesmas pessoas comemorando um acesso para a segundona do Brasileiro? Não custava sonhar.

O Alviceleste precisava de uma vitória para ficar a duas partidas da Série C. Mas ela não veio. Empatou em 1 x 1 com a equipe catarinense. Disse adeus ao povo que acolheu a equipe como nos tempos em que ela era digna de ser apelidada de Tubarão.

Não houve vaias. Muito menos xingamentos. O torcedor londrinense apenas aplaudiu a honra de cada um dos presentes em campo e voltou para casa de cabeça baixa. Era o que lhes restava, já que os atletas estavam com os salários atrasados. Funcionários e comissão técnica do clube também. Isso fora outros problemas que Peter Silva não resolveu.

Boa parte destes aguardará o pesadelo para voltar a pensar no time. Em fevereiro de 2010 tem Copa do Brasil. Mas no meio do ano, o que espera pelo LEC é a segundona do Paranaense. Por causa disso, alguns ainda esperam a cura da ressaca para pensar em questões do clube, que ainda estão para ser resolvidas. Na quinta-feira (17), conselheiros e diretoria devem se reunir no VGD. Peter Silva descumpriu o acordo com a Justiça do Trabalho e o clube perdeu 15% da renda do jogo contra a Chapecoense.

Questões relacionadas aos gastos e receitas do Londrina também serão debatidas. Ainda existe o receio sobre a prestação de contas de Peter Silva. Todo e qualquer documento a ser mostrado por ele deveria ser minuciosamente analisado pelos conselheiros – inclusive com cópia para imprensa. Não creio que isso ocorra.

E o Tubarão amarga um novo capítulo da pior crise de sua história. Dois grupos de empresários mobilizam-se para assumir o LEC, nas eleições que ocorrerão em novembro.

Um deles é composto por Luiz de Soto, o Luizão. Presidente da Leel, grupo que teve contrato rompido com o LEC sem maiores explicações, é o favorito dos torcedores alvicelestes. Foi presidente da Sede Campestre, hoje abandonada por Peter, e vice do clube na gestão de Agostinho Garrote.

Por outro lado, o empresário Gilberto Ponce afirma que está na disputa. Com apoio de empresários de futebol, entre eles o grupo que comandou o Nacional de Rolandia, ele pretende assumir o LEC. Trata-se de um nome muito cogitado nos bastidores da socialite londrinense (se é que ela existe). Um dos apoiadores supostamente seria o prefeito Barbosa Neto.

Aos torcedores, resta aguardar. Um protesto a ser realizado no calçadão de Londrina está sendo articulado. Todos querem saber se o interventor colocado no clube, por ordem da justiça do trabalho, está cumprindo sua função. Querem cobrar inclusive uma auditoria no LEC, por parte do Ministério Público.

O futebol promete transformar essa cidade em uma praça de guerra política. Esperamos que essa guerra seja para unir quem realmente torce, se preocupa e quer ajudar o Tubarão. Ou então, o último representante vivo do interior do Paraná vai continuar servido apenas de chacota no estado....e para ajudar as finanças de terceiros. Enquanto isso, londrinenses continuam sendo vítimas de um pobre futebol.

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Set 13

A paixão pelo Londrina em quatro rodas

por Felipe Lessa06h45

Sempre que o Corcel I de Marcos Reis da Silva desfila pelas ruas de Londrina, é alvo dos olhares curiosos de pedestres e motoristas. Alguns gritam, outros acenam sorridentes ou até mesmo chegam a desacreditar no que estão vendo. Foi com o veículo modelo 76 que o vidraceiro de 40 anos, conhecido pelo apelido de Migrão, encontrou a melhor forma de homenagear o time de coração: o Londrina Esporte Clube. O carro velho, mas muito bem conservado, é todo estilizado com as cores do Londrina. São 18 tubarões, o mascote do time, pintados na lataria.

Carinhosamente apelidado por amigos como “Tuba Móvel”, o Corcel I de Migrão é a grande atração nos dias de jogo, quando transita pelas redondezas do Estádio do Café, na zona norte de Londrina. O proprietário inclusive deixou de sair para as ruas apenas em ocasiões especiais para ajudar a divulgar o clube.

“Todo mundo gosta e acaba se animando com o Tubarão. Quem olha acha até mesmo que somos funcionários do Londrina. Muito pelo contrário, os diretores do LEC nunca nos procuraram para envolver o carro em alguma ação do clube pela cidade, algo que eu faria com prazer e jamais cobraria”, lamenta.

Para conservar aquele que considera ser seu xodó em bom estado, o carro é religiosamente lavado aos sábados. Por precaução, é o próprio Migrão quem passa água, sabão e encera o veículo. “Dá uma agonia deixar lavando fora, pois nunca se sabe qual o time da pessoa que fará o serviço. Se o cara for cabeça meio fraca, risca meu Tuba Móvel. Aí eu morro”, conta ele, que diariamente também faz pequenas limpezas no seu Corcel. “Tem que conservar, né. Sonhei com essa caranga desde que comecei a torcer pelo LEC. Agora que eu tenho, é pra vida inteira”, enfatiza.

A paixão de Migrão pelo Londrina surgiu em 1976. Após acompanhar uma rodada dupla, onde o time de juniores enfrentou o Matsubara e o profissional duelou contra o Vasco da Gama, no Estádio do Café, o torcedor afirma que jamais abandonou o Tubarão. “Foi quase um casamento. Desde então, o azul e branco faz parte da minha vida. É com o LEC que estou na alegria e nas tristezas, na saúde e na doença. E assim vai ser até o dia que eu morrer”.

Esses laços afetivos foram tão fortes que há três anos Marcos trocou sua antiga motocicleta pelo carro. “Foi uma forma de homenagear o Tubarão e retribuir tantas conquistas que o Alviceleste me deu”.

Para decorar o carro, Marcos pediu ajuda ao amigo Sidney Branco, que saiu de Curitiba, onde mora, só para ornar o Corcel I de Migrão em Londrina. “Ele passou uma semana fazendo as ilustrações sem cobrar nada. Quando tudo ficou pronto, eu queria ficar andando com esse carro pela cidade inteira, sem parar. Gastei horrores de combustível nos primeiros dias, só para mostrar aos londrinenses o quanto eu estava orgulhoso do meu carro do Tubarão. Mas como eu não sei dirigir, quem boléia é a minha namorada”, ressalta.

No volante
Pouco antes de adquirir o Corcel I, Marcos passou a namorar a gerente administrativa Flávia Fernandes Navarro, de 28 anos. Apesar de terem se conhecido nas arquibancadas do Estádio Vitorino Gonçalves Dias, em um jogo contra o Atlético, pelo Campeonato Paranaense, ela conta que ficou um pouco espantada com a idéia de estilizar o carro.

“Na época era algo fora da minha realidade, mas totalmente dentro da dele. Eu apoiei, só que era estranho sair dirigindo um carro totalmente pintado com símbolos e mascotes do Londrina. Muita gente acha que sou doida. Até comentam como que pode uma mulher ser tão fanática por um time de futebol. Eu me espantava. Mas hoje, eu me divirto”, conta Flávia.

Segundo a namorada, Migrão só permite que outra pessoa dirija o Tuba Móvel se for tão fanática pelo LEC quanto ele. “Geralmente sou eu que estou com o carro. Mas o Marcos já deixou alguns amigos da torcida o dirigirem”. A fala de Flávia é completada pela do proprietário: “Tenho que conhecer bem a pessoa e saber que ela vai tomar tanto cuidado com o carro quanto se deve tomar pelo manto alviceleste. Não é algo tão simples assim”, diz.

Apesar das campanhas do Tubarão de hoje não serem como a do Brasileirão de 1977 (quando chegou em quarto lugar e ganhou o apelido de Tubarão em referência ao filme de Steven Spielberg, coqueluche das telas naquele ano) e a do Paranaense de 1992 (quando o clube conquistou o último título de expressão na final caipira contra o União Bandeirante), o vidraceiro afirma que gasta 40% de seu salário com o clube do coração – incluindo o carro.

Compra camisas, quadros, bandeiras e também segue religiosamente o Londrina não só no Estádio do Café. Jogue onde jogar o Tubarão, e o vidraceiro lá estará. Apesar de já ter viajado o Brasil inteiro para acompanhar o Tubarão, Marcos ainda tem receio de colocar seu Corcel I na estrada. “Ultimamente o público do futebol ficou muito violento e ainda tenho medo de ir até o estádio de outro time com meu Tuba Móvel. Nunca agredi, nem joguei uma pedra que seja em alguém. Mas vai saber o que pode acontecer, não é? Qualquer dano nesse carro seria tão doloroso quanto um rebaixamento do time”, explica.

No entanto, não descarta a possibilidade de encarar uma viagem com o carro. “Quem sabe se o Londrina for jogar uma final de campeonato em algum lugar onde as torcidas já terem amizade, aí dá pra encarar esse passeio. Seria um novo orgulho para mim, que gosto de festa, alegria e odeio brigas”, diz.

Sobre o fato de a equipe estar na série D do Campeonato Brasileiro e ter caído para a série B do Paranaense esse ano, Migrão acredita que a reviravolta desse quadro está na própria torcida. “Já passou muito jogador bom por aqui. Eu vi Elber, Paulinho e Carlos Alberto Garcia. Agora estamos nessa situação, lutando para sobreviver. Mas tenho fé de que no dia em que torcedores de verdade assumirem o Londrina, a cidade voltará a apoiar em peso nas arquibancadas”, confia o torcedor.

Para Migrão, que já pedalou 600 quilômetros de bicicleta até Santa Catarina para pagar uma promessa pela conquista da Copa Paraná 2008, agora é o momento de manter a fé para o sucesso do clube na quarta divisão do Brasileirão. No entanto, quando desafiado pela namorada Flávia e por amigos da Falange Azul - organizada do clube - a tirar sua carteira de motorista caso o LEC suba para a Série C do campeonato nacional, ele ainda prefere a precaução.

“Tem que ter calma nessa hora. Eu sou muito ruim de boléia e se eu bato esse carro, ia ficar em depressão eterna. Por enquanto eu prefiro ficar na carona com a namorada ou andando de bicicleta. Mas vamos ver. Quem sabe na reta final do campeonato eu não me anime”, brinca o torcedor.

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Set 07

Futebol e identidade nacional - parte 1

por Ana Carolina Moreno14h59

Na Espanha, NADA se pensa, discute ou opina sem que alguém leve em consideração o fator "nacionalismo". Que, aqui, não significa o mesmo que no Brasil. Um "nacionalista" gaúcho é um cidadão que quer que o Rio Grande do Sul rompa com o Brasil e forme seu próprio país. Aqui, ele seria considerado "independista", enquanto os "nacionalistas" são os que consideram todas as comunidades autônomas (os "estados" espanhóis) primeiro espanholas, depois galegas, catalãs, valencianas e por aí vai.

O futebol não só não escapa dessa polarização automática, como é um dos principais pivôs de debate. Exemplos não faltam, e um deles apareceu agora há pouco, enquanto eu divagava durante o fechamento do jornal.

Segundo o Globoesporte.com, há exatos 75 anos (7 de setembro de 1934) o Brasil jogou, em Salvador, uma partida contra a seleção de futebol da Galícia. O resultado foi 10 a 4 pra gente (ou melhor, pra vocês, ou sei lá... o Brasil ganhou). Entre todos os jogos que a seleção já disputou em Salvador, foi o que mais teve gols a favor, e gols em contra.

Alguns comentários dos galegos que me escutaram contar essa história:

- A notícia não é que o Brasil ganhou de 10 a 4, e sim que nós conseguimos fazer 4 gols no Brasil! (Joel Santana feelings?)

- Estávamos em desvantagem, muitos jogadores foram fuzilados durante a Guerra Civil. (esse comentário é mentira, a guerra só começou em 1936, mas é fato que muita gente morreu. os jogadores da seleção vasca, por exemplo, estavam jogando no exterior e por isso se salvaram, e ainda aproveitaram para arrecadar dinheiro em jogos para cuidar das vítimas. de qualquer maneira, em 1934 a Espanha era uma república ainda não de todo desesperançada, e só unas anos mais tarde seria totalmente devastada.)

- Tudo bem, mas temos é que promover o jogo de volta pra ver como é que fica o placar final! (não pensem que só porque ganhamos da Argentina na casa dela que ganhar da Galícia vai ser fácil... aqui eles são especialistas em adotar novos cidadãos, eu não me surpreenderia se logo logo Iniesta, Xavi e Casillas vestissem a camisa braca com listras azul claras. é claro que, por outro lado, o mero fato de decidir se a seleção galega deve ser tratada de novo com tanta importância, destaque e autonomia, é um debate que nem esse post, nem mil comentários, nem uma nova guerra civil, poderão esgotar.)

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Set 06

Maradona, Maradona, que amargado se te ve...

por Felipe Lessa02h45

Nem mesmo a simbologia de Maradona, Che Guevara e do Estádio Gigante de Arroyito pôde parar a Seleção Brasileira. Pelo contrário: se em 90, criar um ambiente psicologico de guerra deu certo...ontem, não. Foi o combustível de motivação que inflamou o time canarinho e o fez vencer a Argentina por 3 x 1, em Rosário.

Se para los hermanos faltou a pegada típica que todos estamos cansados de repetir, no conjunto visitante a apatia quase não existiu. Mesmo com Robinho viajando apenas a passeio, nomes como Kaká, Luisão, Luís Fabiano e Julio César foram fundamentais para que Messi e Tevez se tornassem simples figurantes.

Dentro de campo, todo clima de guerra que antecedeu a partida foi por água abaixo após pouco mais de 10 minutos do apito inicial. A sonolência argentina prevaleceu e foi fundamental para a marcação dos dois primeiros gols canarinhos. No primeiro, a zaga alviceleste deixou Luisão subir sozinho para marcar. No segundo, ela bateu cabeça. Bastou Luis Fabiano prestar atenção na jogada para fazer o gol no rebote do goleiro Andujar.

Tudo parecia dar certo para o Brasil. Na segunda etapa, até mesmo o gol argentino feito por Dátolo, que viu Julio César adiantado e arriscou de fora da área para balançar as redes, foi bom para a Seleção. Os donos da casa partiram para cima e deram brecha para Kaká mostrar o que pode fazer com a pelota. Esqueceu da misericórdia pregada pelos pastores de sua igreja para lançar Luís Fabiano nas costas do zagueiro. Sem piedade, o fabuloso decretou a sentença tocando por cima do goleiro.

Agora, os argentinos terão que somar pontos importantes em partidas difíceis como contra Paraguai e Uruguai fora de casa. Los hinchas e Maradona amargaram o resultado em silêncio tão triste quanto o tango de Horacio Sanguinetti. Ao Brasil pouco importa os desfalques contra o Chile, na Bahia. Com a seleção classificada para a Copa da África do Sul, o único medo é que falte motivação do escrete brasileiro para a partida. Mas se quiserem jogar bola, o samba continua...

Extra:
Um consolo para los hermanos....

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Set 02

LEC: Acabou a cerveja, mas a esbórnia continua

por Equipe De Primeira03h55

POR FELIPE LESSA

Londrina Esporte Clube e Ministério Público do Paraná devem assinar na tarde de hoje um termo que impede a venda de bebidas alcoólicas nos jogos com mando do Tubarão. Segundo o site do MP, a medida serviria para “propiciar maior segurança e bem-estar aos torcedores, bem como contribuir para a redução da violência”. No entanto, o que já é feito pela atual gestão para trazer essa segurança aos torcedores?

Em 2007, durante o trabalho, o repórter Sérgio Ribeiro foi espancado após uma partida no VGD. Teve fratura no nariz e um dente foi quebrado pelo agressor, um dos seguranças contratados pelo presidente Peter Silva para “propiciar maior segurança e bem-estar” no estádio. Nada foi feito com o protagonista da violência, que sumiu, como se nada ocorresse...sem passar pelo bafômetro. Apenas para recordar, eram tempos em que a diretoria de um homem só estava contra a imprensa.

O bem-estar também é esquecido quando falta água e refrigerante para os torcedores. Esse fato ocorreu na última partida em casa, contra o São José-RS. No mesmo jogo, válido pelo Campeonato Brasileiro Série D, boa parte dos 6 mil torcedores que foram ao Estádio do Café se assustaram na hora de ir ao banheiro. Precisaram voltar até a arquibancada e apelar para o papel higiênico utilizado na festa da torcida organizada. Houve gente que preferiu ir embora para casa, pois as privadas estavam todas sujas e não havia sinalizações indicativas para higiene do local.

Falta também no Londrina um programa para os harmonização dos torcedores, apesar de nunca ter sido feito uma pesquisa relacionada com as brigas – que raramente existem – nos jogos do Tubarão. Policia Militar, diretoria do LEC, Ministério Público e torcida organizada poderiam sentar para definir o que fazer com aqueles que vão com camisas de outros times para o estádio. É um começo, embora o estudo seja necessário.

É melhor começar logo. Muita coisa ainda precisa ser realizada. Falta também um projeto de Sócio Torcedor. Falta transparência. Falta diálogo com a torcida – já que os adeptos constantemente são vetados de reuniões do clube. Falta um sistema de identificação de torcedores. Falta dar aquela conferida para ver se pequenas garrafas de wisky não estão entrando com os convidados nas cadeiras cativas. Mas acabar com a cerveja do povão é mais fácil....e ainda pode render alguma promoção pessoal no portifólio.

OFF:
Sugestão de leitura ao presidente Peter Silva e promotoria do Ministério Público do Paraná em Londrina
http://www.culture.gov.uk/images/publications/footballtaskforcereport.pdf

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Set 01

Ressurge o Seleto de Paranaguá

por Equipe De Primeira00h22

Por Felipe Lessa e Felipe Oliverote

Na tentativa de reviver a nostalgia dos clássicos Sele-Rio, em Paranaguá, o Clube Atlético Seleto articula sua volta aos campos. Apesar do nascimento em 1926, com o sobrenome Esporte Clube, o eterno rival do Rio Branco ganhou o grande posto em 47, após fusão com o Clube Atlético DNC.

Além do vice-campeonato estadual de 64 (na primeira final do Paranaense sem presença de equipes de Curitiba), a equipe ficou conhecida pelo episódio em que conheceu as habilidades do coronel Serafim Meneghel. O presidente de honra do União Bandeirante deu um tiro na bola, após marcação de uma penalidade para o Seleto contra seu time na Vila Maria.

Para honrar os velhos tempos, a diretoria do Seleto afirma ter se inscrito para disputa a Copa Litoral 2009*. De quebra, faz pressão política e organiza sua estrutura para conseguir uma vaga na Série C do Campeonato Paranaense 2010.

Os planos do time para se reerguer começam a sair do papel desde já. Atletas profissionais da cidade foram contratados, entre eles Willian Carlos, Duda e Baiano. O último citado disputou o estadual pelo Leão da Estradinha e conta com experiência internacional: foi lateral direito do Paok, da Grécia. Voltou por problemas com o empresário.

Desde 1971, quando fechou as portas, é a primeira vez que o rubro negro parnanguara sai do ensaio para voltar ao futebol profissional e começa a montar um time. O fato já preocupa o clube rival, que, nos bastidores, articula a contratação de um goleiro europeu para disputa do Paranaense em 2010.

Os três livros que retratam as vidas da dupla Sele-Rio, dois riobranquistas e um seletense, demonstram um pouco do que é a rivalidade. Em “Um Leão No Meu Caminho”, João Lima chega a descrever o drama do pai que perdeu o filho, pois deixou de comprar os remédios do garoto para ir até o Estádio Nelson Medradas ver o clássico.

Do lado rubro negro, em “Caminhos Percorridos: cincoentenário do Seleto”, Joaquim Tramujas prefere lembrar do futebol profissional que iniciou-se em 1961 e acabou dez anos depois. Fala da união com o DNC, que fortaleceu o clube, e recorda euforicamente da campanha de 1964.

Foi na ocasião que o Seleto venceu a fase disputada pelos clubes da Zona Sul do Campeonato Paranaense. Heroicamente, nomes como Chapadão, Cosminho, Djalma e Saracotê manejaram tão bem a pelota que deixaram para trás Atlético, Coritiba e Ferroviário. Quem também bailou no mesmo grupo foi o rival Rio Branco, que comemorou quando o Seleto parou. Nas finais, caiu diante do então temido Grêmio de Maringá e ficou com o vice-campeonato.

Entre os nomes que fizeram parte da vida do clube, destaque para o atacante Madrake. Ele também passou pelo Leão da Estradinha, nas temporadas de 1964 e 1965. Deixou muitos relatos de bom futebol, vida boemia e malabarismos com a bola. Em 1967, jogou pelo Seleto e o filme se repetiu. Assíduo frequentador de bordéis e mesas de baralho, o atleta sumiu da cidade portuária. Uma lenda parnanguara afirma que ele voltou para Santos. Por lá, morreu assassinado – supostamente em uma invasão de traficantes contra uma “casa de business colombiano”, na zona meretrícia.

Por lembranças como essa, até os dias de hoje existe rivalidade entre famílias riobranquistas e seletenses de Paranaguá. O berço da civilização paranaense aguarda com ansiedade o clássico, pois atualmente os torcedores do Leão dizem que ele só existe quando adeptos do peixe jogam alguma praga contra seu time. Será verdade? Ou são os alvirubros que estão a volta rubro-negra e faziam mandingas? O litoral aguarda com ansiedade.

*Torneio amador que reúne as seleções das 7 cidades do litoral paranaense

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