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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Ago 26

Todo romance dos hooligans

por Felipe Lessa02h17

Em 2005, Hollywood mostrou romanticamente ao mundo que um jogo entre West Ham x Millwall cheira sangue, álcool e violência. Como desde o ano de lançamento do filme Green Street Hooligans as duas equipes ainda não haviam se encontrado, o confronto desta terça-feira, válido pela Copa da Liga Inglesa, serviu para matar a saudade. Nas quatro linhas, foi 3 x 1 para os Hammers. Fora delas, o placar só pode ser computado por quem esteve presente.

Houve invasão de campo, que começou semelhante a uma glorificada cena do filme e terminou em multidão se divertindo nos gramados, diversos feridos e um hammer esfaqueado. Era o velho e cruel hooliganismo voltando a deixar sua marca na região do Upton Park Stadium. Desta vez sem Frodo, do Senhor dos Anéis, os súditos da rainha puderam rever e praticar um pouco da anarquia que parecia estar adormecida na Inglaterra desde a morte dos Sex Pistols, ou até Cass Pennant deixar de lado sua firma de torcedores do West Ham.

Relatos de torcedores indicam que até mesmo os policiais ficaram chocados com as cenas de selvageria e preferiram não se envolver nos tumultos.

Todos haviam esquecido que o ódio entre os Millwall Bushwackers e a Inter City Firm do West Ham é tão sincero quanto o que norteia guerras religiosas no oriente médio. Apesar dessas firmas – espécie de organizada brasileira para ingleses – não representarem o sentimento de todos os torcedores, é nelas onde está mais bem enraizada a lembrança de um conflito que começou antes mesmo da pelota rolar entre as duas equipes, nos tempos em que a rivalidade era entre docas e estivadores da zona leste londrina.

Os clubes surgiram compostos por funcionários de dois estaleiros localizados às margens do Rio Tamisa. Diferenças entre horários de trabalho e falta de unidade de pensamentos entre funcionários também foram ajudaram a criar um clima de rivalidade. Funcionários da Thames Ironworks and Shipbuilding foram responsáveis pela fundação do West Ham, enquanto os da Morton´s Jam se encarregaram de formar o Millwall.

Apesar do pequeno número de confrontos entre os clubes, essas lembranças de intolerância recíproca e dominação de território foram reaquecidas com o filme. Bastava sortearem o confronto e pronto, iria acontecer.

As novas firmas de casuals nunca deixarão de ser o que são. A glorificação de como barbarizavam os velhos hooligans nos anos 70 e 80 trouxe gente nova no pedaço, sedenta por diversão e por aparecer na telinha de cinema.

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Ago 25

El Arenazo Sub-20

por Felipe Lessa00h42

Na chuvosa tarde desta segunda-feira, a Seleção do Uruguai venceu o Atlético Paranaense em amistoso válido pela categoria Sub-20. Apesar do clima de jogo que não vale nada, os desocupados de plantão aproveitaram para seguir até a Arena da Baixada acompanhar a peleja internacional e apoiar o Rubro-Negro.

La Celeste Olímpica, representada por jogadores de tradicionais uruguaios como Peñarol e Nacional, mostrava então sua fina forma de tratar a pelota. Mostrava ao curitibano como joga a vieja escuela, mesmo quando não poupou grosserias. Desde o apito inicial, aproveitaram da falta de pulso do árbitro, desceram o sarrafo e ainda iniciaram um tumulto para ganhar tempo. Para conter a situação, os jogadores rubro-negros encararam. Partiram para os empurrões e deram sua pequena amostra de “patriotismo”.

No entanto, foi só o que os atleticanos tiveram para apresentar. O time da casa jogou sem vibração, personalidade ou vontade de vencer, forçando então os favoritos uruguaios a mostrar um pouco da classe de seu futebol para vencer a peleja por 1 a 0.

Após escanteio pela esquerda, no fundo do gol onde estavam as esvaziadas dependências da organizada Os Fanáticos, Sebastian Coates, o camisa 10 da Albiceleste, subiu para cabecear com requinte platino. Balançou as redes do Furacãozinho e festejou abraçando a los parceros.

Pouco depois, o destaque celeste, um jovem de número 14 e que até agora não descobri o nome, foi substituído. Parecia acabar a graça do espetáculo dentro de campo. Foi ele o autor da cobrança do escanteio no gol uruguaio. Também realizou pelo menos três grandes jogadas de ataque no mano a mano, fora as inversões de jogo com perfeição. No entanto, o carregador de piano da roja alviceleste de hoje teve que dar seu lugar a um companheiro, de futebol mediano e igual ao dos outros.

Chegava a hora das atenções na Arena voltarem a ter o povão das arquibancadas como protagonistas. Os cerca de 300 “plantonistas” atleticanos não perdoaram o cumprimento dos atletas uruguaios que trocavam beijinhos logo após cada substituição. Elogios não faltaram por parte dos torcedores, que a cada cena de carinho também gritavam: “Ronaldo”, imitando o personagem Zina, corinthiano que aparece aos domingos no programa Pânico na TV...mas com simbologia um pouco diferentes para o aceno. Isso quando não gritavam “beija, beija, beija” ou algo mais agressivo, relacionado com a sexualidade de cada atleta.

Uma turma de maria chuteiras também não perdeu sua pose na hora de “participar” do jogo. A cada dividida, passe de bola ou tentativa de ataque, a mais velha delas, uma loira que aparentava não ter mais que 25 anos, gritava: “Vai amor, força”. Porém, apesar de ser a única pessoa que sabia o nome de cada um dos jogadores atleticanos, não foi somente um deles que escutou o incentivo carinhoso.

Um casal de estudantes também pagou seus R$ 2 da aposta da Time Mania para entrar no estádio. No entanto, os adolescentes ao invés de olhar a partida, ficavam brincando de pega-pega. Depois passearam pelo estádio. Olharam um pouco das bolas, amarelas ou brancas que estavam no gramado. Fizeram de tudo. Mas para a agonia da platéia, além de não verem a bola entrar, não se beijavam. Esse jogão ficou no oxo brabo.

Na hora de ir embora, antes mesmo de acabar a partida, a garota parecia emburrada. Nem parecia dar bola para os cerca de 20 garotos que se juntaram atrás do gol para cantar as músicas do Atlético. Ficaram lá tietando os juniores do Furacão, mas não ganharam camisas e ainda ficaram tristes com o futebol de péssima qualidade apresentado pela sua equipe. O mesmo motivo também deixou a turma dos aposentados com cabeça dolorida.

Faz parte. Apesar do Arenazo, sempre é bom acompanhar um combate diferenciado, como o que foi visto na tarde de hoje. Mas algo inquestionável foi comentado pelos atleticanos presentes: a qualidade dos futuros sucessores de Palo Baier, Alex Mineiro, Galatto & cia.

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Ago 24

O Londrina já pensa na C

por Felipe Lessa09h57

O Londrina perdeu sábado para o São José no Estádio Passo D´Areia, na capital gaúcha, mas segue adiante na Série D do Campeonato Brasileiro. Foi uma partida difícil, dominada pela equipe da zona norte de Porto Alegre. Foi uma classificação tão dramática quanto as histórias de bastidores que norteiam os dias atuais do LEC.

Se logo aos 14 minutos do primeiro tempo o Zequinha marcou, em gol contra do zagueiro Victor, o alento da alcoolizada caravana alviceleste presente nas arquibancadas dava força aos jogadores do Tubarão. Resistiram contra tudo, e a cada carrinho ou dividida ganhavam aplausos dos torcedores. "Só assim para ganhar a Série D. Na raça", dizia o valente treinador Gilberto Pereira.

Nem mesmo a cobrança dos R$10 exclusiva aos torcedores visitantes espantava a festa dos cerca de 100 londrinenses que compareceram ao estádio. Até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, deu o ar de suas graças. Não que tenha se tornado torcedor do Tubarão. Ele desfilava e dava autografos ao lado do não tão bem aclamado presidente Peter Silva, com quem mantém negócios - inclusive empresta dinheiro, que deveria pagar salário de jogadores do Londrina.

Apesar da situação, enquanto a presidência parecia indiferente pelo jogo, o cantor chegou até a gritar “uhhhhh”, no peixinho de Fabinho do Londrina, aos 7 do segundo tempo.

Vencendo por 1 a 0, a equipe da casa se desesperou em busca de novo balanço das redes. Até mesmo seu goleiro partiu para o ataque, nos minutos finais. No entanto, a classificação não veio para os gaúchos.

A simpática torcida do Zequinha não acreditava no que estava vendo. Pareciam sinceramente agonizar pela eliminação do time do bairro. Apesar de boa parte dos presentes terem como clube do coração a dupla Gre-Nal, era nítido que os laços entre São José e sua torcida eram muito estreitos. Com a classificação do Londrina, era um bairro inteiro que parecia chorar.

Apenas os forasteiros londrinenses festejavam. Já no lado de fora da cancha, os torcedores do Tubarão se esforçavam para devastar todo tipo de bebidas que encontrassem pela frente. Cerveja, cachaça e conhaque passaram a ser raros nos bares que rodeiam a região da Avenida Rio São Gonçalo.

Com a saída de ônibus, carros e vans que transportavam os alvicelestes, os gritos de “É, Tubarão” ganharam as ruas de Porto Alegre. Alguns colorados desavisados chamavam os londrinenses de gremistas vagabundos. Os mesmos continuavam a cantar, sem entender nada.

Apenas pensavam nas mais de 15 horas de viagem que teriam pela frente, e no jogo entre Chapecoense x Corinthians Paranaense, domingo, no Índio Condá. Como o jogo terminou empatado, sem gols, o Londrina vai reencontrar a equipe catarinense. Além das partidas na primeira fase, uma vitória para cada lado, as equipes já duelaram em 1980, quando o Tubarão foi campeão da Taça de Prata.

Resumindo: faltam apenas quatro jogos para o Londrina garantir acesso à Série C do Brasileirão. Os problemas internos continuam, novas rifas podem ser feitas se os jogadores precisarem viajar de avião e o presidente Peter Silva continua a não prestar contas. Mesmo assim, os torcedores estão confiantes na vaga. Prometem agora invadir Santa Catarina e lotar o Estádio do Café para empurrar o Tubarão.

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Ago 21

O novo assassinato do Tubarãozinho

por Felipe Lessa18h47

Quando o presidente Peter Silva anunciou o rompimento da parceria com o grupo de torcedores que administrava as categorias de base do Londrina Esporte Clube, a depressão foi grande nas dependências do Vitorino Gonçalves Dias. Na casa do Tubarão, cerca de 50 pessoas, entre empresários e torcedores, foram beber unidos para chorar as mágoas do fim de um sonho. A Leel (Londrina Empreendimentos Esportivos Ltda), que há pouco nascia para moralizar o clube, recebia um duro golpe daqueles que apenas pensava em ajudar.

No entanto, foi com a notícia sobre um pedido de licenciamento do futebol de base do Londrina na Federação Paranaense de Futebol que surge um novo pesadelo na árdua e desgostosa vida alviceleste. O time, que já estava inscrito no Campeonato Paranaense de Juniores, talvez não dispute o torneio - assim quer a diretoria.

Os encargos dos atletas do Tubarãozinho estão em atraso e todos podem ser liberados em breve. Diversos devem sumir, aparecer em novos clubes e o Londrina nada ganhará. A iniciativa vem de encontro com o que foi debatido em uma das últimas reuniões do simbolicamente finado Conselho Deliberativo do clube. Permitiram que a gestão Peter Silva administrasse novamente a base desde que os atletas de categorias menores não fossem negociados – com ressalvas em relação aos que a diretoria profissionalizasse em seu mandato.

Mas o mandato do presidente se encerra em novembro. É pública a existência de negociações com empresários e clubes de futebol. Recentemente, até mesmo o rapper Gabriel, o Pensador, escreveu seu nome na história do Tubarão.

Diferente do ator Nuno Leal Maia, que nas dependências da Jorge Casone deu o ar de suas atuações globais treinando o alviceleste, o rapper jamais pretendeu criar seus vínculos com o clube. Solicitava esclarecimentos sobre certa quantia em dinheiro emprestada por ele ao presidente Peter Silva. Tenho minhas dúvidas se não chegou cantando “playboy, filhinho de papai”.

Esse dinheiro do rapper, supostamente, foi utilizado para pagamento de salários de atletas profissionais e a negociação havia sido omitida pelo presidente. Pois Peter, em contrapartida, oferecia para Gabriel, o Pensador, uma parcela nos direitos federativos do atacante Jayme, jovem promessa londrinense, que recentemente entrou na justiça contra o clube. Pedia seu desligamento do Londrina, acusando pendências contratuais do dirigente máximo do LEC, e até o momento conta com uma liminar que o dá liberdade para “se negociar” com outras agremiações. Até mesmo com a SM Sports, que pretendia montar um time na cidade e já o pagou alguns cafezinhos em sua sede.

Toda história explodiu em um momento delicado para Peter. Pouco depois de alguns integrantes do Conselho Deliberativo e Leel ameaçarem um levante para assumir o Londrina - antes mesmo do fim da gestão da presidência. Sem dinheiro em caixa, com muita publicidade no estádio e no uniforme do clube, eles pediam transparência. Receberam de brinde o fim do contrato com a base e agora, por fim, o decreto do fim das categorias de base do LEC – o que está prestes a ocorrer.

Pelo menos três manifestações públicas contra Peter Silva já foram realizadas por torcedores. O presidente tenta comprar o silêncio por meio de colaborações junto aos setores que podem aumentar o tom dos gritos de justiça no Londrina. Mas nem todos aceitam se calar. Trágica novela que se repete.

O que se passa? Retaliação? Conspiração? Desinteresse? Mais uma vez morre o Tubarãozinho. Se a ressurreição ocorrer somente por interesses financeiros de terceiros, em 2011 a novela se repete. Até quando haverá conivência? O VGD pode ser demolido a qualquer momento. A sede social está condenada e praticamente perdida. Restam apenas marco zero e alguns ferrenhos torcedores.

Lamentável. O Londrina só voltará a ser o que foi quando voltar a ser dos londrinenses. Os munícipes ainda carregam no peito a saudade dos tempos em que dava gosto de chegar cedo no estádio, apenas para ver o Tubarãozinho em campo.

Que a cachaça do próximo encontro seja estimulante para um quebra pau, e assim a torcida assuma o clube. Pois a cada choro, diminui o número de pessoas interessadas pelo LEC na cidade. Algo que não se supera apenas cumprindo o dever na Série D do Campeonato Brasileiro. Do jeito como está, em pouco tempo, só restarão os lenços encharcados e as garrafas de bebida vazias para marcar história de um finado caçula gigante que existiu no norte do Paraná.

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Ago 18

Londrina, amor e ódio, Tubarão e Peter Silva

por Felipe Lessa16h38

Havia mais de 10 anos que o povo londrinense não mantinha tanta sintonia positiva com o Tubarão. A vitória contra o São José-RS, pela rodada inicial do mata-mata na Série D, reverteu a situação e ajudou a esquecer o rebaixamento no Campeonato Paranaense, os escândalos constantes de corrupção e a chacota que haviam feito com que o povo se afastasse do Londrina Esporte Clube. Chegava o momento de perfumar a cidade com o cheiro de naftalina das bandeiras alvicelestes, até então escondidas no fundo do guarda roupa de muitos torcedores.

Nomes de jogadores até então desconhecidos na cidade, como Silvinho, Japinha, Victor, entre outros, já passam a ser lembrados pelos moradores. Vencer por 3 x 1, em um jogo com bolas na trave, gol de carrinho e mais de 6 mil torcedores eufóricos de azul e branco nas arquibancadas, pode ser considerado um ato heróico. Afinal, os jogadores e comissão técnica ainda estão com boa parte dos salários atrasados.

O presidente Peter Silva não explica onde está o dinheiro das receitas do clube. Se não tem, todo mundo quer saber quanto entra e onde está sendo gasto. Após o jogo contra o Zequinha, fala-se que o diretor de futebol, Adriano Coelho, teve que correr às pressas buscar a renda do jogo, para que a grana não caísse “em mãos erradas”. O bom público presente garantiu cerca de R$50 mil para o pagamento de algumas das despesas pendentes no Londrina.

Jogadores não são bobos e estão muito putos. Sabem que enquanto comem o pão que o diabo amassou, tendo que trocar de hotel de tempos em tempos por falta de pagamento, Peter Silva costuma desfilar no granfino Iate Clube de Londrina. Por lá, mesmo com os rumores de que a autoridade máxima do LEC esteja desempregada, as pomposas companhias, mesas regadas de aperitivos e a camisa do Corinthians Paulista não deixam de acompanhar a presidência.

Enquanto isso, para viajar ao Rio Grande do Sul, no jogo de volta, uma televisão de 40 polegadas está sendo rifada pelo diretor de futebol do LEC. A intenção é fretar um ônibus e poder pagar um lanche aos atletas que, apesar das condições absurdas impostas pela gestão Peter Silva, estão se esforçando muito para vencer a Série D.

Os torcedores prometem seguir a condução dos atletas até o território dos pampas, onde juntam-se com o pessoal do Londrina Futebol Clube (equipe amadora de Porto Alegre que surgiu em 73, por homenagem ao Tubarão do norte paranaense), calibram a mente, esticam as pernas e rumam para o campo do Zéquinha. A zona norte da capital gaúcha será local de alento dos londrinenses.

Essas próprias barreiras e atos simbólicos estão sendo o principal combustível de superação dos jogadores alvicelestes. Eles sabem que os torcedores não tem culpa das palhaçadas. Sabem que enquanto Peter reclama do abandono da cidade, as rifas da TV - custa R$100 o número - estão sendo vendidas aos montes pelas ruas londrinenses. Diante das condições, o grupo liderado pelo treinador Gilberto Pereira pode até não conseguir o acesso à Série C, mas, por tudo o que está fazendo, já merece eterna gratidão do povo local. Vão deixar saudades. O mesmo não vale para o presidente Peter Silva, que terá que abandonar o posto em novembro e deve negociar boa parte dos atletas antes do fim de seu mandato.

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Ago 09

Dramática classificação londrinense

por Felipe Lessa19h53

Quando sintonizei o rádio, passavam das 15h. O Londrina estava aquecendo no acanhado vestiário do Estádio Virotão, no Mato Grosso do Sul. Por ali, enfrentaria a Naviraiense, na rodada decisiva da Série D do Brasileiro. Para se classificar, havia necessidade de vitória e de uma ajuda do Chapecoense, que jogaria no Índio Condá, contra o Ypranga de Erechim.

Longe do campo em Naviraí, como também dos amigos londrinenses que se juntavam para escutar o jogo na sede da Falange Azul, nada me resta a não ser organizar meu alento pessoal ao Tubarão. A ausência de arquibancadas ou de parceiros não impediria de que meu quarto se tornasse um reduto de culto ao Londrina esporte Clube. Se classificar na Série D é de extrema importância para a vida do clube. Junto um rádio, umas 30 camisas, bandeiras e livros para torcer e espantar as mandingas que se aproximam do LEC a cada besteira cometida pelo presidente Peter Silva.

A semana foi extremamente conturbada nas dependências do Vitorino Gonçalves Dias. De segunda até sexta, diversas irregularidades cometidas por Peter foram desmascaradas pela imprensa local. Fatos como o de vender direitos da grande revelação sem comunicar ao mesmo, como também ao restante da diretoria do LEC. Fatos como a falsificação de documentos de médicos, o que fez com que a equipe do Dr. Carlos Miguita – que há mais de 30 anos colaborou com o clube – deixasse de prestar serviços ao Alviceleste.

A bomba esteve prestes a explodir na quinta-feira. Cerca de 50 integrantes da Falange foram ao VGD protestar contra Peter Silva. O presidente encerrou um contrato feito com a Leel, empresa composta por torcedores e que estava financiando a base do clube. Ninguém sabe quais as pretensões de Peter, já que segundo ele os cofres estão vazios.

Xingamentos e palavras de ordem criaram um repertório de tensão na Jorge Casone. Os fanáticos pediam a saída de Peter e também a prestação de contas. Peter sequer respondeu. Simplesmente encontrou uma nova saída e nem mesmo conversou com os torcedores. Para piorar, na sexta-feira, não foi feito o pagamento dos jogadores alvicelestes. Há tempos que os atrasos são constantes e a presidência não explica para onde está indo o dinheiro.

Apesar do ambiente desfavorável, a rádio anunciava a chegada de um bom contingente de londrinenses no Virotão, em Naviraí. Dos cerca de 150 pagantes, a Paiquere anunciava que mais da metade era composta por alvicelestes que gritavam: “Para cima, Tubarão!”.

O chamado foi atendido dentro de campo. Mesmo com salários e encargos não depositados pelo presidente Peter Silva, os atletas esqueceram das adversidades impostas por aquele que deveria fazer o contrário. Partiram para cima, como pediram os torcedores.

Aos 11 do 1º tempo, Fabinho marcou o primeiro de pênalti. Antes de se completar o primeiro minuto da segunda etapa, Japa ampliou para o Londrina. Mesmo quando a Naviraiense descontou, as atenções já pareciam estar mais antenadas com o outro jogo da rodada. Na Arena Chapecó, aos 45 do segundo tempo o placar apontava 3 x 3. Borges desperdiçou uma penalidade para o LEC e ninguém se importou.

Mesmo com os locutores catarinenses - que sucederam as transmissões na rádio londrinense após o término do jogo do Tubarão – afirmando que estava tudo bem, a tensão de cada torcedor alviceleste era nítida. Quem não estava perto usava telefone, skype ou msn para torcer em conjunto. Era hora de ter fé. Duas rodadas antes, quando o LEC perdeu para o Ypiranga fora de casa, diziam que estava tudo perdido.

Enquanto eu mirava a quinta bicuda na parede de casa, para conter o nervosismo, os gaúchos pressionavam a Chapecoense. Era momento de desconcentração e xingamentos, mas surge um contra-ataque. Sem escutar o nome de quem fez, ou até mesmo prestar atenção na jogada, escuto o grito de gol. A empolgação londrinense se juntava a do radialista quando ele anunciava: “ÉÉÉÉÉÉ DO VERDÃÃÃÃOOOOOOOOO, é o quarto da Chapecoense!!!! Um presente para todos amigos torcedores do Tubarão do Norte do Paraná!!!”.

Londrina Esporte Clube classificado. Mesmo vivendo a maior crise de sua história, tudo deu certo para o Tubarão. O próximo jogo será contra o São José, líder do grupo 10. A disputa contra os gaúchos será apenas mais uma batalha. Novos dramas devem surgir...

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Ago 07

Que o Léo Moura queime!

por Equipe De Primeira01h41

*por Felipe Oliverote

Arrancaram o couro do Léo Moura por conta dos palavrões dirigidos à torcida do Flamengo após o gol de empate contra o Náutico. O sujeito já não é uma das figuras mais legais do futebol, longe disso, e na bocada de seus 30 anos, o surto de raiva pode mesmo ter sido o que de mais bacana aconteceu na carreira do lateral direito.

Talvez, no caso do flamenguista, a única coisa que poderia entrar na galeria dos acontecimentos que fazem o futebol ser o que é - tudo aquilo que não representa rios de dinheiro, nem toneladas de troféus.

E aí o pessoal que reclama do mecanicismo das respostas dos jogadores posa de tribunal da inquisição ao receber o pedido público de desculpas de Léo Moura - como se o jornalismo esportivo fosse mesmo essa bancada de jurados, pessoas que representam e defendem os valores de uma sociedade ideal.

Engrosso o coro de Mauro Cézar Pereira, da ESPN: o politicamente correto está aleijando o futebol brasileiro, o deixando careta e corporativo(no pior sentido da palavra). Em nome de um ideal de profissionalismo tacanha e na tentativa de produzir, em série, bons moços à lá Kaká, acabamos construindo robôs que, se nunca serviriam como modelo, muito menos representam ídolos.

Por isso, o que sobra é essa carência de figuras que alimentem a mitologia do futebol. Nada mais triste. Nada mais distante da verdade. Nada mais entediante para o torcedor.

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Ago 04

Corinthianos, sem título de fidelidade

por Felipe Lessa02h25

Quando o empresário Joel Malucelli anunciou a parceria entre o clube que levava o nome de sua família e o Corinthians Paulista, falava-se em ganho de torcida – com base na pesquisa publicada pela Gazeta do Povo, que apontou o time paulista como detentor do maior contingente de torcedores no Paraná.

O nome do clube mudou, permaneceu a bandeira de São Paulo no símbolo da filial, mas as arquibancadas não foram tomadas por uma massa alvinegra. Ironicamente, o que se vê, é um estádio completamente tomado pelo verde.

Não que os rivais palmeirenses tenham decidido comparecer aos jogos da Série D para gorar o Corinthians dos pinheirais, mas pela razão do público quase inexistente. Os dirigentes do clube pelo visto não previram a parceria com a equipe paulista quando, em 2007, foi construído e inaugurado o Eco-Estádio Janguito Malucelli, onde a grama substitui os blocos de cimento nos 6 mil assentos destinados ao público.

A trágica pretensão de conquista por torcedores pode ser vista a partir da comparação dos borderôs publicados nos sites da Federação Paranaense de Futebol (FPF) e Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Ao invés de crescer, a quantidade de pagantes no estádio localizado nas redondezas do parque Barigui, em Curitiba, diminuiu – ou no máximo se manteve.

Na segunda rodada da Série D do Campeonato Brasileiro, o Corinthians Paranaense registrou seu maior público. Um total de 108 testemunhas acompanharam a vitória por 2 x 1, contra o São José (RS). O público foi menor que o recorde do J. Malucelli* no Eco-Estádio, pelo Paranaense 2009. No empate de 0 x 0 contra o Iguaçu, 181 torcedores do Jotinha estiveram presentes.

Quando os números comparam o menor público em cada torneio, o calvário do Timãozinho ocorreu na estréia em casa. Somente 91 espectadores assistiram a vitória contra o Brusque (SC), por 2 a 1, pela Série D. Apenas dois a mais que no confronto contra o Cascavel, pelo estadual, que ficou no 0 x 0.

Sem contar com o apoio das mais de 8 mil pessoas presentes na comunidade do novo clube no orkut,Joel Malucelli também parece ter perdido o carisma dos pouco mais de 600 simpáticos pertencentes da remanescente comunidade do Jotinha na rede social. Eles afirmam que foram traídos. Negam-se a dar apoio ao clube que virou uma mera filial da equipe do estado vizinho – a exemplo do que fez a Fiel Curitiba, torcida do Corinthians Paulista na capital paranaense, que boicotou e disse repudiar a nova agremiação.

Na próxima partida, última rodada da primeira fase na Série D, o Corinthians Paranaense enfrenta o Pelotas em casa. Para se classificar sem depender do resultado do confronto entre Brusque x São José, a filial do Timão terá que vencer a equipe gaúcha. Nessa hora, seria fundamental o apoio dos fiéis torcedores aos funcionários de Joel Malucelli. Mas será que a Fiel paranaense merece o título de fidelidade?

Campeonato Brasileiro de Futebol
Classificação 1ª fase / Grupo 10 - Série D
Pos. Clube PG

1º SÃO JOSÉ/RS 12
2º CORINTHIANS/PR 8
3º BRUSQUE/SC 7
4º PELOTAS/RS 1

*Não foram computados os jogos do Jotinha contra Paraná e Coritiba no Janguito Malucelli, onde predominou a presença dos torcedores "visitantes".

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