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Jul 31

Saudades do Campusca

por Equipe De Primeira00h31

*Por Daniel Soares

Hoje eu tirei a tarde pra matar as saudades do Campusca. Campo Grande Atlético Clube, o clube do meu bairro. Do estádio, 15 minutos a pé da minha casa. O clube que trazia o Flamengo, o Vasco, o Fluminense e o Botafogo pra jogar aqui pertinho. Todos os craques do futebol carioca até os anos 90 botaram os pés no Estádio Ítalo del Cima, que chegou a ser palco de um Fla x Flu, em 1992, ano em que o Maracanã estava fechado. O estádio que tinha placas de publicidade das lojas aqui da esquina: Roberto Eletrônica, Borracheiro Boca Rica e Auto Escola Jorge. Uma época em que o bairro se envolvia com o clube, que contava com o apoio do comércio local.

Hoje o Roberto se aposentou, foi morar na Costa Verde e sua loja de eletrônica virou uma livraria evangélica. O Borracheiro Boca Rica virou franquia de uma grande rede. Apenas a auto escola prosperou. O Ítalo del Cima está literalmente caindo aos pedaços. Rebocos caindo, infiltrações, vergalhões aparentes, torres de iluminação tombando. Interditado há mais de dois anos.

O Campo Grande AC é um fantasma do que foi. Promovido à primeira divisão carioca nos anos 60, teve seu auge nos anos 80, quando foi campeão da Taça de Prata do Brasileiro em 1982 e tendo disputado a primeira divisão carioca seguidamente até 1992. Rebaixado, foi campeão da segundona em 1993. Lanterna em 1994 não foi rebaixado porque naquele ano não houve rebaixamento. Mas de 1995 o clube não escapou. Depois de quase subir em 1997, penou na segunda divisão até o buraco aumentar com a queda para a terceira divisão em 2002. Nesse tempo o clube viu sua infraestrutura desmoronar, os campos de treinamento virarem casa de funk e pagode - e o bairro se afastar completamente. Ninguém lembrava mais da existência do clube. O futebol do estado foi dominado pelos times de prefeitura do interior e da Baixada, em detrimento dos clubes tradicionais do Subúrbio.

Inusitadamente, o orkut deu uma sobrevida à torcida. Os mais jovens se lembraram que existia um clube no bairro. Mais de mil associados à comunidade, o que passou a render umas 100 pessoas por jogo no estádio. O problema é que, em 2007, o estádio foi interditado e o CGAC foi obrigado a perambular por aí, como cabe a um bom fantasma. Se já era difícil atrair os moradores do bairro para jogos em casa. Imagina em estádios distantes, às 15h de um dia de semana?

Inexplicavelmente, dessa maneira errante, o Campo Grande conseguiu fazer uma incrível campanha de recuperação, ser vice-campeão da terceira divisão carioca de 2008 e ser promovido para a segundona.

De volta após 7 anos, o time faz campanha errante. A disputa é para não cair. Hoje mandou o jogo no Estádio Romário de Souza Faria, o popular Marrentão. O pequeno estádio fica em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, num pé de serra muito verde onde a Região Metropolitana se encontra com a Serrana. A 85km de Campo Grande.

O Marrentão é a casa do Duque de Caxias FC, e ao ve-lo se compreende porque o tricolor da Baixada tem que mandar seus jogos na Série B do Brasileiro no Estádio do América, em outro município. O estádio não tem arquibancadas atrás dos gols e as "cabines" estão inacabadas. Não têm energia elétrica. O gramado é lamentável. Todo um lado estava inexplicavemente encharcado num dia de sol.

O jogo? Foi contra a Portuguesa Carioca, da Ilha do Governador. Encontro outrora comum na primeira divisão. A Portuguesa vem de dias melhores recentes. Disputou a primeira divisão pela última vez em 2006. Tem estádio bem conservado e mais apoio da comunidade local.

Foi 3x1 para os lusos. Teve gol de bicicleta, montinho artilheiro, um zagueiro driblado pela poça d'água e jogadores seguindo orientações da torcida em detrimento das do técnico. Foi divertido, apesar de tudo. Pretendo voltar. Antes que acabe.

*Daniel Soares, formado em economia, tem um texto de deixar macaco velho do jornalismo esportivo envergonhado. Hoje, nos deixou com saudades dos tempos em que o futebol honrava cada letra de sua palavra.

4 comentários
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Comentário de: Dimas

Muito bom o texto

PermalinkPermalink 31.07.09 @ 01:02



Comentário de: Henrique

É muito triste a situação que o Campusca chegou. Ainda torço e vou aos jogos quando posso, mas essa situação é cada vez mais rara.

Acho que nós que ainda temos algum carinho pelo clube deveríamos tentar nos aproximar da diretoria e transformar essa situação. Existem torcedores das mais variadas formações que poderiam contribuir nessa retomada. Vamos?

PermalinkPermalink 31.07.09 @ 11:41



Comentário de: Daniel Soares

Henriquem me passa o teu contato. A gente conversa e vê no que pode ajudar o clube. Meu email: dansoares3@hotmail.com

PermalinkPermalink 31.07.09 @ 16:16



Comentário de: Felipe Lessa Email

Belíssimo texto do Daniel - tanto na escrita, como na história. O Campusca passou a chamar minha atenção quando pesquisei um pouco sobre a decadência dos campeões da segundona para um post no DP: foi dificílimo conseguir informações sobre o clube. Tal fato me deixou um pouco receoso sobre o Campo Grande....mas depois de ser esse texto, vou começar a torcer por esse time no Rio de Janeiro.

PermalinkPermalink 04.08.09 @ 03:56



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