Punição desviada e impunidade
por Equipe De Primeira21h49
Por Ricardo Campelo
No último clássico estadual entre Atlético x Coritiba, alguns torcedores proporcionaram cenas lamentáveis dentro do estádio. Arremesso de bombas, cadeiras e até de azulejos deixaram alguns feridos e todos os demais aterrorizados. Os incidentes duraram praticamente todo o intervalo do jogo (cerca de quinze minutos) sem nenhuma resposta ou coerção eficiente por parte da polícia presente.
Ao final do jogo, o árbitro relatou os acontecimentos na súmula da partida. Em tempo recorde, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva apresentou sua decisão: punição a Atlético e Coritiba, que perderam mando de campo e terão que pagar multas de, respectivamente, R$ 20.000,00 e 10.000,00. Ambos os clubes recorreram, mas tudo parece se encaminhar para a manutenção da pena.
Compreensivelmente, muitos dos – verdadeiros – torcedores de Atlético e Coritiba classificaram como justa a condenação imposta. Ninguém gosta de presenciar violência, e a ausência de punição proporcionaria uma inaceitável sensação de insegurança para quem quer apenas torcer por seu time.
O próprio Código Brasileiro de Justiça Desportiva é que estabelece punições deste tipo. Seu art. 213 determina que as entidades que abrigam jogos em suas praças devem tomar medidas para prevenir e reprimir situações de violência, como esta que ocorreu na Baixada. E o mesmo artigo prevê a possibilidade de punição do time visitante pelos atos de sua torcida – muito embora se saiba que não há nenhuma medida ao alcance de seus dirigentes capaz de evitar estes incidentes.
Particularmente, considero este tipo de punição (ou sua própria previsão) injusta. Não vejo formas eficazes que os clubes possam adotar para evitar totalmente este tipo de ocorrência. Me parece utópico imaginar que os seguranças contratados pelos mandantes irão revistar integralmente o corpo de todos os torcedores, impedindo que estes ingressem no estádio com artefatos perigosos. Aliás, creio que não demorará para que elementos passem a se infiltrar em torcidas adversárias para promover atos de arruaça com o intuito provocar a punição desportiva ao clube rival do seu. Mas não é isso que quero debater.
Minha intenção não é discutir se a punição aos clubes é justa. Mas sim se ela é suficiente. Veja-se bem: marginais ingressaram em um estádio de futebol e arremessaram bombas e azulejos contra a torcida adversária, onde estavam pessoas comuns, que nada tinham a ver com o conflito. E nós estamos a achar suficiente “puni-los” meramente com a subtração de mandos de campo do seu time?
Parece-me um total absurdo, e esta situação é, sim, de impunidade. Estes elementos praticaram crimes de, no mínimo, lesão corporal (talvez tentativa de homicídio). Para este tipo de conduta, o Código Penal prevê prisão. Isto mesmo, pena privativa de liberdade. Esta é a condenação que deve incidir para estas práticas, e não meras perdas de mando de campo. Estamos diante de fatos que demandam coerção na esfera criminal, independente do que ocorre na esfera desportiva.
Alguns defendem que este tipo de punição é eficiente, pois faz com que os demais torcedores, preocupados com possíveis prejuízos para o clube que torcem, policiem e delatem a conduta dos arruaceiros. Como se esta atribuição fosse minha, sua, nossa, e não da polícia. Ora, se alguém ameaça arremessar-me um azulejo na cabeça, eu quero que a polícia me proteja, e não o colega de arquibancada do agressor.
Portanto, me preocupa esta sensação de saciedade que tenho visto, por parte de muitos, com a punição imposta a Atlético e Coritiba. As dezenas de marginais que provocaram a algazarra no Atletiba continuam soltos, impunes, aguardando nova oportunidade para se confrontarem. Não estão pouco aí para o fato de que seus clubes foram prejudicados, pois para eles a preocupação não é o futebol, e sim a violência. Isso tem nome: impunidade, com a qual infelizmente estamos tão acostumados a conviver no Brasil.
A César o que é de César: a polícia é a responsável por reprimir estes crimes. Ela é que deve ser cobrada. Assim, cabe a pergunta: alguém foi preso neste incidente?
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Comentários:
Tem que botar na cadeia quem faz arruaça. E ao invés de trocar a pena por cestas básicas, eles seriam proibidos de irem ao estádio assistir jogos do seu time. Sempre que tiver algum jogo do seu time, ele teria que comparecer a uma delegacia uma hora antes do início do jogo, e só poderia deixá-la duas horas após o término do jogo. Isso por um período de sei lá, 1 ano, 2 anos, 5 anos. Assim os arruaceiros não iriam mais nos jogos e somente eles sofreriam as consequências.
Simples, fácil e eficiente.
2 - os clubes precisam, sim, ser punidos. É a única forma de estreitar a relação entre clubes e torcedores. Assim sendo, aqueles que realmente torcem pelo clube e que não estão jogando bombas dentro do estádio serão punidos, cabendo ao clube desejar se vai punir os vandalos ou os comportados. Sim, punir vandalos ou comportados. Pois se permite que os arremessadores de bombas continuem jogando bombas, sem tomar providencias (como tomam nos casos de pessoas que arremessam copos, por exemplo), ele estará punindo ao comportado, que paga sua mensalidade, paga seu ingresso e não poderá ver seu time. Logo, pode ficar descontente e deixar de se associar ao clube. Se punir quem está no meio apenas pela algazarra, ganhará a confinança dos torcedores e vai conquistar mais adesões. É uma questão de escolha. A punição dos clubes deu certo na Argentina e na Europa...isso força os clubes a obrigar (incrivel, ter que obrigar) a policia a tomar atitudes. Logo mais a policia deve ser criminalizada por nao fazer nada tambem, pois policia em estádio serve apenas para ficar brincando de atirar bala de borracha, e tambem bombas, em torcedores....
3-acabou a impunidade e o obaoba, diminuem as brigas...inclusive por iniciativa das organizadas, que ganham dinheiro com comercio em suas sedes nos dias de jogo em casa e com certeza nao estao afim de deixar de ter lucro (que nao é pequeno).
Julgo entretanto que o texto não traz diretrizes para que isto ocorra: a punição dos causadores dos tumultos.
Uma sugestão seria a implantação de câmeras de vigilância obrigatória das arquibancadas. Câmeras que estariam vigiando o público durante todo o evento. Não entendo que seria muito oneroso. 2 horas de gravação abarcaria todo o estãdio com zoom nos conflitos, identificando os causadores das agressões, com fácil identificação e punição criminal.
Realmente é um crime. Para que nossos estádios sejam confiáveis, e possamos levar nossos filhos a prestigiarem este esporte que é paixão nacional, pentacampeão mundial e reconhecido como o melhor do mundo.
Que seja também nas arquibancadas...
Mauro Silveira