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Jul 23

Grenal a granel

por Equipe De Primeira00h46

Por Felipe Martynetz

Mais, muito mais do que o Gre-Nal de número 377, o jogo do último domingo marcava o centenário do mais antigo clássico do Brasil. No dia 18 de julho de 1909, o Sport-Club Internacional realizava sua primeira partida; e, propositadamente, o adversário escolhido fora o então soberano Gremio Foot-Ball Porto-Alegrense – denotando, assim, uma rivalidade a priori. Não à toa que a sugestão da direção gremista, de usar o “quadro B” do elenco, foi prontamente recusada pelo recém-nascido clube, que pretendia enfrentar a força máxima do rival.

Pecou, por assim dizer, pela ousadia: Gremio 10x0 Internacional.
Um aniversário não é senão um dia a mais, marcado apenas pela formalidade da data, pela curiosidade de se estar completando X anos naquela ocasião. No caso de tão fundamental patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, entretanto, os cem anos cumpridos merecem celebração por conta das memórias, saudades e consequente nostalgia que encerram. Um século de história, 377 confrontos, com 141 triunfos colorados, 118 gremistas e 117 empates. Equilíbrio, portanto, é o que não falta. Mas chega de números; vamos à batalha.

A rivalidade é tão acirrada que até os respectivos momentos são semelhantes: tanto Grêmio quanto Inter vêm de recentes traumas – os vermelhos perdendo, em casa, a final da Copa do Brasil para o Corinthians e os azuis sucumbindo, igualmente em casa, na semifinal da Copa Libertadores ante o Cruzeiro. O Brasileirão, dessa forma, apresenta-se a ambos como chance de recuperação. O Grêmio, após sacudir Atlético Paranaense e Corinthians com goleadas (4x1 e 3x0), perdeu para o Coritiba no Couto Pereira, de virada, por 2x1; o Internacional, por sua vez, perdera também em Curitiba, também de virada, mas para o Atlético Paranaense (3x2), reabilitando-se no meio da semana com um 4x2 sobre o decadente Fluminense.

No segundo anel de um Olímpico Monumental (quase) lotado, uma faixa com os onze nomes da formação gremista no primeiro Gre-Nal e, depois do último nome, a expressão “100 anos” – o 1 em azul, o primeiro 0 em preto e o segundo 0 em vermelho, numa bem-humorada alusão ao placar daquele confronto. Leonardo Gaciba dá início à partida, cujos primeiros movimentos mostram um Grêmio sedento por quebrar o tabu de sete jogos – quase dois anos – sem vencer o clássico. O tricolor explora, sobretudo, o lado esquerdo do campo, com boas investidas de Fábio Santos. O direito é, curiosamente, guarnecido por Mário Fernandes com seus tenros 18 anos, que parece imerso numa mescla de nervosismo, ansiedade e precipitação.

Embora apresentasse maior volume de jogo, o Grêmio não era contundente em sua aparente superioridade. O Inter, que tinha o aspirante a coringa Andrezinho em lugar de Magrão na meia cancha, começava a mostrar os dentes, a crescer na partida, a acionar o sempre exuberante potencial de Nilmar. Eis o problema – para o Grêmio, é claro. Aos 24 da primeira etapa, um rebote perdido no primeiro escanteio tricolor desencadeia um contragolpe velocíssimo com Andrezinho, que lança Nilmar, que briga com o marcador, que lhe ganha a bola, que é retomada por Nilmar, que faz uma pintura de gol no Olímpico. Pé canhoto, bola no ângulo de Victor. Nilmaravilha, nós gostamos de você – e têm de gostar mesmo, pois o baixinho foi um autêntico estorvo à defesa gremista o tempo todo.

O Grêmio, notavelmente, sentiu o gol colorado. O time, que perdia o jogo, perdeu o controle das ações e perdeu o ritmo como um todo. Só não perdeu a vontade, personificada especialmente na figura de Souza. A reação não tardou: dez minutos depois, bola para Tcheco, que solta para Souza, que dispara... opa!, dribla Guiñazu e para na falta cometida. Fábio Santos e Souza na bola. Souza p/arte. Não, não é erro de digitação: a cobrança do meia gremista foi, não só para as redes coloradas, mas para a arte. Outro belíssimo gol no Estádio Olímpico. Sou zangado, Souzangado com meu próprio erro – porque, afinal, o gol de Nilmar nascera de uma pequena displicência de Souza, o marcador envolvido no lance. Que atitude: Souza, corajoso, chamou a responsabilidade para si, sofreu a infração e ele mesmo a converteu em gol. Golaço de uma das quatro vértebras da espinha dorsal do atual time, ao lado de Victor, Adílson e Réver.

A última palavra do parágrafo anterior é oportuna para começar a comentar o segundo tempo do clássico. Logo aos dois minutos, escanteio pela esquerda e Réver sobe, quase sobrevoa a zaga colorada e cabeceia rente à trave direita do goleiro Lauro. Um monstro tanto por cima quanto por baixo que, desde o Brasileirão do ano passado, é um dos mais importantes jogadores gremistas – e, de longe, o melhor zagueiro. Aqueles que insistiam em destinar os louros a Léo têm de “réver” seus conceitos: combativo, ágil, veloz e altamente técnico, Réver é essencial à equipe e um dos melhores defensores do Brasil. Foi um dos maiores destaques do Gre-Nal, jogando água no chopp colorado, ou melhor, tirando água do radiador do incansável motorzinho Nilmar.

A principal diferença da segunda para a primeira etapa foi a forma como o Grêmio conseguiu comprimir o Internacional em seu próprio campo. O volume de jogo era maior, as ações eram predominantemente gremistas e os arremates a gol, mais ainda; até Mário Fernandes, ousada aposta de Autuori, passara de nervoso estreante a surpreendente revelação. Com naturalidade, aos 25 minutos, o mérito. Souza cobra escanteio, Réver aproveita o rebote para encher o pé, a bola resvala em Guiñazu, sobra para Maxi López que, de cabeça – como que para coroar sua aguerrida atuação –, vira o placar. Explosão tricolor no Olímpico.

Aos 32, o também aniversariante Herrera, 74 anos mais novo que o Gre-Nal, recebe ótimo passe de Maxi López e carimba a trave direita de Lauro. Ademais, o Grêmio procurava trabalhar a bola para administrar a vitória, ameaçando em eventuais ataques, e o Internacional se esforçava para, ao menos, empatar o jogo – esforço debalde, contudo. Fim de um duelo que, embora nada além do normal, fica marcado como histórico. Fim de uma tarde cujo tradicional céu azul de Porto Alegre prevaleceu sobre o não menos tradicional avermelhado entardecer.

*Torcedor fanático do Grêmio de Porto Alegre, apesar de nascer e morar em Curitiba - e ter sotaque de gaúcho. Sabe tudo de Grêmio, compra tudo do Grêmio e só deixa de vestir a camisa do Grêmio nos momentos em que veste aquele que para ele é um outro manto sagrado: a camisa do Iron Maiden.

4 comentários
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Comentário de: saulo · http://saulobotafogo.blogspot.com

Sem dúvidas que o Gre-Nal é um dos maiores clássicos do mundo.

PermalinkPermalink 23.07.09 @ 18:16



Comentário de: Equipe De Primeira Email

concordo, tem até um texto aqui no dp que descreve isso....

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 09:51



Comentário de: Equipe De Primeira Email

ops, quem escreveu foi eu, felipe lessa. esqueci de mandar um logout

PermalinkPermalink 29.07.09 @ 09:52



Comentário de: Richard Keller · http://www.golsdocampeonatobrasileiro.com.br

Grenal realmente é um dos melhores clássicos do futebol brasileiro, eu gosto ainda mais de um São Paulo x Palmeiras ou São Paulo x Corinthians.

Ahh tem vídeo dos melhores momentos do centenário do grenal nesse site:
http://www.golsdocampeonatobrasileiro.com.br/internacional/gre-nal-ao-vivo-classico-gremio-x-internacional/

Abraço

PermalinkPermalink 16.08.09 @ 22:36



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