Série D é vida ou morte para o LEC
por Felipe Lessa00h37
Na tarde de domingo, quando os 11 titulares do Londrina Esporte Clube deixarem os vestiários e partirem para o gramado do Estádio do Café, estarão construindo a história do futebol local. Serão recepcionados por foguetórios e festejos, na tentativa de disfarçar as incertezas da torcida sobre o futuro do alviceleste.
Vencer a estréia na Série D do Campeonato Brasileiro de Futebol não é mais questão de honra. Levar os três pontos é questão de sobrevivência como clube. A esperança por uma vitória é o que daria alguma racionalidade na fé do torcedor. Entre os que enfrentarão o Naviraiense, estarão jogadores que foram rebaixados para a segunda divisão do estadual deste ano, junto de uma base de atleta emprestada por Nacional de Rolândia e Iraty.
Jamais imaginei ver o Londrina disputando uma quarta divisão de um nacional, esmolando ajuda de clubes que o Tuba estava acostumado a atacar sem piedade. Pior que isso é lembrar o fato de sermos reféns do empresariado. No entanto, dessa vez foi o LEC quem pediu clemência.
Chegamos ao extremo do ridículo quando a inexistente gestão do presidente Peter Silva permitiu ao elenco que cruzasse os braços, realizando greve para cobrança de dois meses de salários atrasados.
Com a verba da Sercomtel reduzida, não houve o que fazer. Aqueles que contavam com o apoio do prefeito Barbosa Neto (PDT) viram suas esperanças naufragarem, assim como a moral do Tubarão. Diante de tantas mentiras contadas por Peter Silva, nenhuma empresa local confia mais no clube. A transparência do presidente expulso da Futebol Brasil Associados (FBA), acusado de assinar acordos nebulosos para deixar uma dívida milionária nas contas da entidade, não passou de marketing. Acrescentando-se as gestões que assombram o clube desde os anos 90, o nome Londrina Esporte Clube virou sinônimo de corrupção e dinheiro fácil para quem não gosta de trabalhar.
Quando Peter Silva anunciou o Londrina jogando no Estádio do Café, os torcedores decidiram que comparecer aos jogos vai ser somente uma questão de respeito a história que eles mesmos construíram. Na atual situação, jogar no sujo, pequeno e temido templo alviceleste, o Vitorino Gonçalves Dias, parecia ser a chance do torcedor acreditar – com um pouco de racionalidade – no sonho do acesso à terceirona.
O plantel é fraco. Jayme, Vitor e Warley fazem parte de alguns poucos da lista a receber confiança dos adeptos. E, mesmo assim, os diretores, que são investigados pela Federação Paranaense de Futebol por fraudes na comercialização de ingressos, preferiram o Café. Preferiram a dificuldade de fiscalização de público e renda ao buscar ajuda e reformar um dos únicos patrimônios que o Londrina não perdeu.
Ao final do jogo de domingo, teremos uma noção bem clara do que se deve fazer para salvar o LEC. O Tubarão não nada mais, teve seus dentes quebrados e não pode mais morder....respira por aparelhos. Os próprios formadores de opinião do município parecem não se importar. A cidade não se importa. O prefeito prefere seus negócios. E os cerca de dois mil torcedores que restaram...já perderam a paciência.
E quando abordei o fato dos jogadores entrarem para história do clube, ressalto que isso ocorre pela seguinte questão. O sucesso ou fracasso no domingo será marcante para o restante da Série D. É o que vai direcionar torcedores a escolher: deixar o Londrina Esporte Clube morrer nas mãos de quem pouco se importa com sua história ou o assumir nas eleições de novembro.
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