De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Jul 31

Saudades do Campusca

por Equipe De Primeira00h31

*Por Daniel Soares

Hoje eu tirei a tarde pra matar as saudades do Campusca. Campo Grande Atlético Clube, o clube do meu bairro. Do estádio, 15 minutos a pé da minha casa. O clube que trazia o Flamengo, o Vasco, o Fluminense e o Botafogo pra jogar aqui pertinho. Todos os craques do futebol carioca até os anos 90 botaram os pés no Estádio Ítalo del Cima, que chegou a ser palco de um Fla x Flu, em 1992, ano em que o Maracanã estava fechado. O estádio que tinha placas de publicidade das lojas aqui da esquina: Roberto Eletrônica, Borracheiro Boca Rica e Auto Escola Jorge. Uma época em que o bairro se envolvia com o clube, que contava com o apoio do comércio local.

Hoje o Roberto se aposentou, foi morar na Costa Verde e sua loja de eletrônica virou uma livraria evangélica. O Borracheiro Boca Rica virou franquia de uma grande rede. Apenas a auto escola prosperou. O Ítalo del Cima está literalmente caindo aos pedaços. Rebocos caindo, infiltrações, vergalhões aparentes, torres de iluminação tombando. Interditado há mais de dois anos.

O Campo Grande AC é um fantasma do que foi. Promovido à primeira divisão carioca nos anos 60, teve seu auge nos anos 80, quando foi campeão da Taça de Prata do Brasileiro em 1982 e tendo disputado a primeira divisão carioca seguidamente até 1992. Rebaixado, foi campeão da segundona em 1993. Lanterna em 1994 não foi rebaixado porque naquele ano não houve rebaixamento. Mas de 1995 o clube não escapou. Depois de quase subir em 1997, penou na segunda divisão até o buraco aumentar com a queda para a terceira divisão em 2002. Nesse tempo o clube viu sua infraestrutura desmoronar, os campos de treinamento virarem casa de funk e pagode - e o bairro se afastar completamente. Ninguém lembrava mais da existência do clube. O futebol do estado foi dominado pelos times de prefeitura do interior e da Baixada, em detrimento dos clubes tradicionais do Subúrbio.

Inusitadamente, o orkut deu uma sobrevida à torcida. Os mais jovens se lembraram que existia um clube no bairro. Mais de mil associados à comunidade, o que passou a render umas 100 pessoas por jogo no estádio. O problema é que, em 2007, o estádio foi interditado e o CGAC foi obrigado a perambular por aí, como cabe a um bom fantasma. Se já era difícil atrair os moradores do bairro para jogos em casa. Imagina em estádios distantes, às 15h de um dia de semana?

Inexplicavelmente, dessa maneira errante, o Campo Grande conseguiu fazer uma incrível campanha de recuperação, ser vice-campeão da terceira divisão carioca de 2008 e ser promovido para a segundona.

De volta após 7 anos, o time faz campanha errante. A disputa é para não cair. Hoje mandou o jogo no Estádio Romário de Souza Faria, o popular Marrentão. O pequeno estádio fica em Xerém, distrito do município de Duque de Caxias, num pé de serra muito verde onde a Região Metropolitana se encontra com a Serrana. A 85km de Campo Grande.

O Marrentão é a casa do Duque de Caxias FC, e ao ve-lo se compreende porque o tricolor da Baixada tem que mandar seus jogos na Série B do Brasileiro no Estádio do América, em outro município. O estádio não tem arquibancadas atrás dos gols e as "cabines" estão inacabadas. Não têm energia elétrica. O gramado é lamentável. Todo um lado estava inexplicavemente encharcado num dia de sol.

O jogo? Foi contra a Portuguesa Carioca, da Ilha do Governador. Encontro outrora comum na primeira divisão. A Portuguesa vem de dias melhores recentes. Disputou a primeira divisão pela última vez em 2006. Tem estádio bem conservado e mais apoio da comunidade local.

Foi 3x1 para os lusos. Teve gol de bicicleta, montinho artilheiro, um zagueiro driblado pela poça d'água e jogadores seguindo orientações da torcida em detrimento das do técnico. Foi divertido, apesar de tudo. Pretendo voltar. Antes que acabe.

*Daniel Soares, formado em economia, tem um texto de deixar macaco velho do jornalismo esportivo envergonhado. Hoje, nos deixou com saudades dos tempos em que o futebol honrava cada letra de sua palavra.

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FutebolSérie BFutebol CariocaMemória

Inter: Nem a Suruga sem amor à camisa

por Equipe De Primeira00h25


Por Felipe Lessa

No início do ano, o Internacional de Porto Alegre era favorito para ser campeão de tudo. Quando atropelou o Caxias, na final do Gauchão, o time era comparado ao glorioso "Rolo Compressor", de 1940. Até então, a expectativa era de um centenário repleto de taças.

No entanto, a esquadra formada por Taison, Nilmar e D´Alessandro desapontou logo adiante. Copa do Brasil e Recopa foram perdidas. No Brasileiro, uma campanha normal. A torcida acusa os jogadores de corpo mole. Pede raça.

Até mesmo a Guarda Popular, BarraBrava do Inter, está cordial. Permitem que os "boleiros" farreiem na noite, desde que o time entre em campo pra vencer. Afinal, estão com saudades dos jogadores que deram amor à camisa colorada. Pois é, Inter. Se esse amor não voltar, nem mesmo a Suruga* levará.

*Copa Suruga. Competição a ser disputada no Japão, diante do Oita Trinita.

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Futebol Gaúcho

Jul 29

Punição desviada e impunidade

por Equipe De Primeira21h49

Por Ricardo Campelo

No último clássico estadual entre Atlético x Coritiba, alguns torcedores proporcionaram cenas lamentáveis dentro do estádio. Arremesso de bombas, cadeiras e até de azulejos deixaram alguns feridos e todos os demais aterrorizados. Os incidentes duraram praticamente todo o intervalo do jogo (cerca de quinze minutos) sem nenhuma resposta ou coerção eficiente por parte da polícia presente.

Ao final do jogo, o árbitro relatou os acontecimentos na súmula da partida. Em tempo recorde, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva apresentou sua decisão: punição a Atlético e Coritiba, que perderam mando de campo e terão que pagar multas de, respectivamente, R$ 20.000,00 e 10.000,00. Ambos os clubes recorreram, mas tudo parece se encaminhar para a manutenção da pena.

Compreensivelmente, muitos dos – verdadeiros – torcedores de Atlético e Coritiba classificaram como justa a condenação imposta. Ninguém gosta de presenciar violência, e a ausência de punição proporcionaria uma inaceitável sensação de insegurança para quem quer apenas torcer por seu time.

O próprio Código Brasileiro de Justiça Desportiva é que estabelece punições deste tipo. Seu art. 213 determina que as entidades que abrigam jogos em suas praças devem tomar medidas para prevenir e reprimir situações de violência, como esta que ocorreu na Baixada. E o mesmo artigo prevê a possibilidade de punição do time visitante pelos atos de sua torcida – muito embora se saiba que não há nenhuma medida ao alcance de seus dirigentes capaz de evitar estes incidentes.

Particularmente, considero este tipo de punição (ou sua própria previsão) injusta. Não vejo formas eficazes que os clubes possam adotar para evitar totalmente este tipo de ocorrência. Me parece utópico imaginar que os seguranças contratados pelos mandantes irão revistar integralmente o corpo de todos os torcedores, impedindo que estes ingressem no estádio com artefatos perigosos. Aliás, creio que não demorará para que elementos passem a se infiltrar em torcidas adversárias para promover atos de arruaça com o intuito provocar a punição desportiva ao clube rival do seu. Mas não é isso que quero debater.

Minha intenção não é discutir se a punição aos clubes é justa. Mas sim se ela é suficiente. Veja-se bem: marginais ingressaram em um estádio de futebol e arremessaram bombas e azulejos contra a torcida adversária, onde estavam pessoas comuns, que nada tinham a ver com o conflito. E nós estamos a achar suficiente “puni-los” meramente com a subtração de mandos de campo do seu time?

Parece-me um total absurdo, e esta situação é, sim, de impunidade. Estes elementos praticaram crimes de, no mínimo, lesão corporal (talvez tentativa de homicídio). Para este tipo de conduta, o Código Penal prevê prisão. Isto mesmo, pena privativa de liberdade. Esta é a condenação que deve incidir para estas práticas, e não meras perdas de mando de campo. Estamos diante de fatos que demandam coerção na esfera criminal, independente do que ocorre na esfera desportiva.

Alguns defendem que este tipo de punição é eficiente, pois faz com que os demais torcedores, preocupados com possíveis prejuízos para o clube que torcem, policiem e delatem a conduta dos arruaceiros. Como se esta atribuição fosse minha, sua, nossa, e não da polícia. Ora, se alguém ameaça arremessar-me um azulejo na cabeça, eu quero que a polícia me proteja, e não o colega de arquibancada do agressor.

Portanto, me preocupa esta sensação de saciedade que tenho visto, por parte de muitos, com a punição imposta a Atlético e Coritiba. As dezenas de marginais que provocaram a algazarra no Atletiba continuam soltos, impunes, aguardando nova oportunidade para se confrontarem. Não estão pouco aí para o fato de que seus clubes foram prejudicados, pois para eles a preocupação não é o futebol, e sim a violência. Isso tem nome: impunidade, com a qual infelizmente estamos tão acostumados a conviver no Brasil.

A César o que é de César: a polícia é a responsável por reprimir estes crimes. Ela é que deve ser cobrada. Assim, cabe a pergunta: alguém foi preso neste incidente?

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FutebolFutebol ParanaenseAtléticoCoritiba

O Brasil odeia armadores

por Equipe De Primeira01h22

Por Raphael Pinheiro

O brasileiro teve de engolir Zidane de vez depois daquele gol de placa sobre o Bayer Leverkusen na final da Champions League. Ali, ele reincidiu e cravou de vez que era dos melhores da história. Mas a despeito deste e de outros feitos, odiamos Zidane. Será? Não é bem assim, dirão os fãs do jogo refinado. Porém, se dependesse de nossos treinadores, ele jamais jogaria com a camisa amarela, se brasileiro fosse.

Nada a ver com o recalque de 98. Há uma suspeita rejeição à figura do armador, esse mítico ser tão desejado e logo em seguida deixado de lado no primeiro sinal de aparecimento - qual foi nosso último titular absoluto que fazia a bola rolar, ditava o ritmo do jogo, cerebral? Zinho? Vixe.

Houve levante considerável para tentar viabilizar Alex ou Juninho Pernambucano a sério nos últimos anos - em vão. Juninhô pediu aposentadoria no momento em que poderia virar finalmente o dono do meio, e o churrasqueiro Alex vai se aposentar sem nem ao menos ter sentido o gostinho da Copa.

Ambos sairão da Europa tendo sido capitães, líderes, venerados em seus clubes, nomes que os torcedores jamais esquecerão. E preparem-se, um terceiro mosqueteiro caminha a passos largos para se juntar ao grupo. Hoje, Diego estreou pela Juventus marcando gol e, segundo relatos, atuando bem. Evoluiu um monte em sua passagem pela Alemanha e tem tudo pra virar um dos principais nomes do Calcio. Corre seríssimo risco de não conferir de perto as vuvuzelas. A reclamação pelo "homem de ligação" sempre será eterna - mas não estamos preparados para aceitar a redução de marcha que isso implica. O Dunga sabe disso. E marotamente, vai esquecendo nosso melhor armador nas convocações.

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FutebolMemória

Jul 23

Grenal a granel

por Equipe De Primeira00h46

Por Felipe Martynetz

Mais, muito mais do que o Gre-Nal de número 377, o jogo do último domingo marcava o centenário do mais antigo clássico do Brasil. No dia 18 de julho de 1909, o Sport-Club Internacional realizava sua primeira partida; e, propositadamente, o adversário escolhido fora o então soberano Gremio Foot-Ball Porto-Alegrense – denotando, assim, uma rivalidade a priori. Não à toa que a sugestão da direção gremista, de usar o “quadro B” do elenco, foi prontamente recusada pelo recém-nascido clube, que pretendia enfrentar a força máxima do rival.

Pecou, por assim dizer, pela ousadia: Gremio 10x0 Internacional.
Um aniversário não é senão um dia a mais, marcado apenas pela formalidade da data, pela curiosidade de se estar completando X anos naquela ocasião. No caso de tão fundamental patrimônio cultural do Rio Grande do Sul, entretanto, os cem anos cumpridos merecem celebração por conta das memórias, saudades e consequente nostalgia que encerram. Um século de história, 377 confrontos, com 141 triunfos colorados, 118 gremistas e 117 empates. Equilíbrio, portanto, é o que não falta. Mas chega de números; vamos à batalha.

A rivalidade é tão acirrada que até os respectivos momentos são semelhantes: tanto Grêmio quanto Inter vêm de recentes traumas – os vermelhos perdendo, em casa, a final da Copa do Brasil para o Corinthians e os azuis sucumbindo, igualmente em casa, na semifinal da Copa Libertadores ante o Cruzeiro. O Brasileirão, dessa forma, apresenta-se a ambos como chance de recuperação. O Grêmio, após sacudir Atlético Paranaense e Corinthians com goleadas (4x1 e 3x0), perdeu para o Coritiba no Couto Pereira, de virada, por 2x1; o Internacional, por sua vez, perdera também em Curitiba, também de virada, mas para o Atlético Paranaense (3x2), reabilitando-se no meio da semana com um 4x2 sobre o decadente Fluminense.

No segundo anel de um Olímpico Monumental (quase) lotado, uma faixa com os onze nomes da formação gremista no primeiro Gre-Nal e, depois do último nome, a expressão “100 anos” – o 1 em azul, o primeiro 0 em preto e o segundo 0 em vermelho, numa bem-humorada alusão ao placar daquele confronto. Leonardo Gaciba dá início à partida, cujos primeiros movimentos mostram um Grêmio sedento por quebrar o tabu de sete jogos – quase dois anos – sem vencer o clássico. O tricolor explora, sobretudo, o lado esquerdo do campo, com boas investidas de Fábio Santos. O direito é, curiosamente, guarnecido por Mário Fernandes com seus tenros 18 anos, que parece imerso numa mescla de nervosismo, ansiedade e precipitação.

Embora apresentasse maior volume de jogo, o Grêmio não era contundente em sua aparente superioridade. O Inter, que tinha o aspirante a coringa Andrezinho em lugar de Magrão na meia cancha, começava a mostrar os dentes, a crescer na partida, a acionar o sempre exuberante potencial de Nilmar. Eis o problema – para o Grêmio, é claro. Aos 24 da primeira etapa, um rebote perdido no primeiro escanteio tricolor desencadeia um contragolpe velocíssimo com Andrezinho, que lança Nilmar, que briga com o marcador, que lhe ganha a bola, que é retomada por Nilmar, que faz uma pintura de gol no Olímpico. Pé canhoto, bola no ângulo de Victor. Nilmaravilha, nós gostamos de você – e têm de gostar mesmo, pois o baixinho foi um autêntico estorvo à defesa gremista o tempo todo.

O Grêmio, notavelmente, sentiu o gol colorado. O time, que perdia o jogo, perdeu o controle das ações e perdeu o ritmo como um todo. Só não perdeu a vontade, personificada especialmente na figura de Souza. A reação não tardou: dez minutos depois, bola para Tcheco, que solta para Souza, que dispara... opa!, dribla Guiñazu e para na falta cometida. Fábio Santos e Souza na bola. Souza p/arte. Não, não é erro de digitação: a cobrança do meia gremista foi, não só para as redes coloradas, mas para a arte. Outro belíssimo gol no Estádio Olímpico. Sou zangado, Souzangado com meu próprio erro – porque, afinal, o gol de Nilmar nascera de uma pequena displicência de Souza, o marcador envolvido no lance. Que atitude: Souza, corajoso, chamou a responsabilidade para si, sofreu a infração e ele mesmo a converteu em gol. Golaço de uma das quatro vértebras da espinha dorsal do atual time, ao lado de Victor, Adílson e Réver.

A última palavra do parágrafo anterior é oportuna para começar a comentar o segundo tempo do clássico. Logo aos dois minutos, escanteio pela esquerda e Réver sobe, quase sobrevoa a zaga colorada e cabeceia rente à trave direita do goleiro Lauro. Um monstro tanto por cima quanto por baixo que, desde o Brasileirão do ano passado, é um dos mais importantes jogadores gremistas – e, de longe, o melhor zagueiro. Aqueles que insistiam em destinar os louros a Léo têm de “réver” seus conceitos: combativo, ágil, veloz e altamente técnico, Réver é essencial à equipe e um dos melhores defensores do Brasil. Foi um dos maiores destaques do Gre-Nal, jogando água no chopp colorado, ou melhor, tirando água do radiador do incansável motorzinho Nilmar.

A principal diferença da segunda para a primeira etapa foi a forma como o Grêmio conseguiu comprimir o Internacional em seu próprio campo. O volume de jogo era maior, as ações eram predominantemente gremistas e os arremates a gol, mais ainda; até Mário Fernandes, ousada aposta de Autuori, passara de nervoso estreante a surpreendente revelação. Com naturalidade, aos 25 minutos, o mérito. Souza cobra escanteio, Réver aproveita o rebote para encher o pé, a bola resvala em Guiñazu, sobra para Maxi López que, de cabeça – como que para coroar sua aguerrida atuação –, vira o placar. Explosão tricolor no Olímpico.

Aos 32, o também aniversariante Herrera, 74 anos mais novo que o Gre-Nal, recebe ótimo passe de Maxi López e carimba a trave direita de Lauro. Ademais, o Grêmio procurava trabalhar a bola para administrar a vitória, ameaçando em eventuais ataques, e o Internacional se esforçava para, ao menos, empatar o jogo – esforço debalde, contudo. Fim de um duelo que, embora nada além do normal, fica marcado como histórico. Fim de uma tarde cujo tradicional céu azul de Porto Alegre prevaleceu sobre o não menos tradicional avermelhado entardecer.

*Torcedor fanático do Grêmio de Porto Alegre, apesar de nascer e morar em Curitiba - e ter sotaque de gaúcho. Sabe tudo de Grêmio, compra tudo do Grêmio e só deixa de vestir a camisa do Grêmio nos momentos em que veste aquele que para ele é um outro manto sagrado: a camisa do Iron Maiden.

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FutebolCampeonato BrasileiroMemóriaFutebol Gaúcho

Jul 20

Gre-Nal faz 100 anos, mas não é verdade que ontem foi o 377º embate!

por Equipe De Primeira23h38

Por Airton Gontow

O turista que entra em Porto Alegre pela Freeway se depara com um grande outdoor colocado ao lado da estrada: “S. C. Internacional – campeão do mundo”. Algumas centenas de metros depois, um outro outdoor recebe o visitante: “Bem-vindo à Terra do Campeão do Mundo – Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense”. Já na capital, gaúcha, percebe nas calçadas centenas de pessoas caminhando, mesmo em dia de trabalho, com camisetas gremistas ou coloradas. Se observa um pouco para cima, vê em inúmeras janelas de prédios ou nas fachadas das residências bandeiras azuis e vermelhas, ainda que não seja dia de jogo ou semana decisiva de campeonato.

Quando ruma para o litoral ou para a charmosa Serra Gaúcha, o cenário que encontra é o mesmo. Camisetas nas ruas e bandeiras nas janelas. Se esticar o ouvido, sempre poderá escutar uma criança gaúcha dizendo feliz para os pais: “Contei 27 camisetas e 14 bandeiras do nosso time, contra 23 camisetas e 12 bandeiras deles”.

Isso porque, ao contrário do que a totalidade da mídia brasileira escreve neste final de semana, o grande clássico gaúcho Gre-Nal, que no dia 18 de julho completou 100 anos de existência, não teve neste domingo no estádio Olímpico Monumental o seu 377º. embate. Quem já viu de perto a incrível rivalidade gaúcha sabe ontem foi nada mais nada menos que o 36500º. dia* de confronto entre gremistas e colorados, já que no Rio Grande do Sul o Gre-Nal acontece todos os dias do ano! (* O cálculo do número de dias em 100 anos é aproximado, já multiplicamos por 365 sem considerar o dia a mais dos anos bissextos.)

Segundo disse certa vez o grande cronista Luís Fernando Veríssimo, os gaúchos costumam dizer que “Deus fez o mundo em sete dias, porque precisava do ano para caprichar no Rio Grande”. É, obviamente, um exagero. Mas o povo do Sul não pode ser acusado de bairrismo quando afirma que “o Gre-Nal é o maior clássico do País”

Há poucos meses uma pesquisa realizada entre jornalistas de todo o Brasil pela revista “Trivela”, da Editora Confiança, apontou que clássico do Rio Grande do Sul é, mesmo, o maior do País. Quem percorre os vários estados em coberturas esportivas pôde comprovar que nenhum outro clássico supera o Gre-Nal.

Muitas podem ser as explicações para a rivalidade que divide o Rio Grande entre vermelhos e azuis. Algumas podem ser sociológicas, já que a bipolaridade sempre esteve presente no estado - desde os Maragatos e Chimangos. Mas a principal explicação se encontra no próprio futebol: em nenhum estado dois times se confrontam há tantos anos e com tamanho equilibro de forças (veja o incrível box estatístico ao final deste artigo).

No Rio de Janeiro e, especialmente, em São Paulo, os campeonatos estaduais são mais difíceis e equilibrados, mas as rivalidades são diluídas entre as grandes equipes. Para muitos corintianos, hoje o grande inimigo não é o Palmeiras, mas o São Paulo. O Fla-Flu é o jogo mais charmoso do futebol carioca, Flamengo e Vasco reúnem as maiores torcidas, mas recentemente é Flamengo e Botafogo que protagonizam os grandes embates.

Em Minas, os dois clubes jogam no mesmo estádio e até a década de 60 era o América, não o Cruzeiro, que fazia contra o Galo o chamado “Clássico das Multidões”. Clube de uma das torcidas mais apaixonadas do Brasil, o Atlético – time historicamente mais prejudicado pelas arbitragens no país – está hoje bem atrás do rival em qualquer ranking que se faça. Além disso, quem já esteve no norte de Minas ou mesmo na região de Juiz de Fora sabe que é mais fácil encontrar gente vestindo a camisa de uma equipe carioca que do próprio estado. O mesmo acontece no sul do estado, onde os times paulistas competem de igual pra igual com os mineiros pela preferência da torcida.

Há duas equipes rivais na Bahia. Mas o tricolor tem 43 títulos contra apenas 25 do Vitória. Isso sem contar que equipes como Ypiranga, Botafogo e Galícia também já foram forças consideráveis, com 10, sete e cinco títulos, respectivamente. E apenas o Bahia já conquistou um título nacional. Em Pernambuco, são três times: o Sport, com 38 conquistas, está bem à frente de Santa Cruz (24) e Náutico (21 títulos). As equipes são rivais apenas em competições estaduais. Em Curitiba, são 33 títulos do Coxa contra 22 do Atlético. O Paraná Clube tem sete títulos, que chegam a 11 quando somados aos que seu antecessores – Pinheiros e Colorado – conquistaram. Além disso, no Norte do Paraná a maioria torce para times paulistas, enquanto que no Sul, muitos torcem para gaúchos e paulistas.

Somente no Rio Grande do Sul há uma paridade quase que absoluta entre os dois times. Somente no Rio Grande do Sul os dois rivais disputam acirradamente o predomínio na cidade, no estado, no país, no continente e no mundo. Apenas no Rio Grande é que ou se é azul ou se é vermelho.

Em que outra rivalidade os torcedores de um time procuram tanto desqualificar o título do outro? Para os gremistas, o Inter só ganhou a Libertadores porque a final foi contra um time brasileiro e o Mundial porque o Barcelona estava completamente desfalcado. Para os colorados, o Mundial do Grêmio não vale, porque não foi disputado entre todos os continentes, raciocínio que tiraria de Pelé seus dois títulos mundiais de clube e, ainda, a Copa do Mundo de 58 e 62 da Seleção Brasileira, já que foi disputada apenas por europeus e sul-americanos.

Em que outro estado os comícios do PT teriam bandeiras azuis colorindo a paisagem, já que gremista que é gremista se recusa a erguer uma bandeirinha vermelha? Mesma lógica que explica a profusão de Papais Noeis azuis alegrando os lares gremistas nos dias de Natal. Onde mais aviõezinhos sobrevoam o estádio do inimigo com faixas provocativas, como “Eles (o Inter) estão fora”, em 96, e “Inter – o único campeão de tudo”?

Se mesmo com o texto acima e os números estão a seguir você não conseguir entender direito o que é o Gre-Nal, há uma frase exemplar (creditada ao ex-governador do Rio Grande do Sul e patrono colorado Ildo Meneghetti, mas provavelmente de autoria do jornalista gaúcho Carlos Nobre) que é usada pelos gaúchos para traduzir “perfeitamente” o clássico que acontece hoje e em todos os dias de suas vidas:

“Gre-Nal é...Gre-Nal!”

Mundial

Grêmio 1 título
Inter 1 título

Libertadores da América

Grêmio 2 títulos
Inter 1 título

Copa Sul-Americana

Grêmio 0 título
Inter 1 título

Campeonato Brasileiro

Grêmio 2 títulos
Inter 3 títulos


Copa do Brasil

Grêmio 4 títulos
Inter 1 título

Copa do Sul

Grêmio 1 título
Inter 0 título

Campeonato Gaúcho

Grêmio 35 títulos
Inter 39 títulos

Campeonato de Porto Alegre

Grêmio 29 títulos
Inter 24 títulos

Vice-Mundial

Grêmio 1 vez
Inter 0 vezes


Vice da Libertadores

Grêmio 2 vezes
Inter 1 vezes


Vice do Brasileiro

Grêmio 2 vezes
Inter 2 vezes

Vice da Copa do Brasil

Grêmio 2 vezes
Inter 0 vezes

Rebaixamento para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro

Grêmio 2 vezes
Inter 0 vezes

Vitórias em Gre-Nal

Grêmio 118 vezes
Inter 241 vezes

Gols em Gre-Nal

Grêmio 499
Inter 538

Maiores goleadas em Gre-Nal

Grêmio 10 a 0 e 10 a 1
Inter 7 a 0 (maior da era profissional) e 6 a 0


Maior série invicta em Gre-Nal

Grêmio 14 jogos
Inter 17 jogos

Maior sequência de vitórias em Gre-Nal

Grêmio 6 jogos, feito repetido quatro vezes
Inter 5 jogos, feito repetido quatro vezes

Maior artilheiro da história em Gre-Nal

Grêmio Luiz Carvalho - 17 gols em 29 clássicos
Inter Carlitos - 42 gols em 62 clássicos

Maior torcida de Porto Alegre

Grêmio em 1o.
Inter em 2o.

Maior torcida do Rio Grande do Sul

Grêmio em 1o.
Inter em 2o.

Posição no ranking de maior torcida do Brasil

Grêmio em 6o. com 3,5% dos torcedores (6,4 milhões)
Inter em 9o. com 2,6% dos torcedores (4,7 milhões)

Clube de futebol com maior número de sócios no Brasil

Grêmio em 2o. com 55 mil
Inter em 1o. com 100 mil

Maior estádio do Rio Grande do Sul

Grêmio em 2o. com 51 mil lugares no Olímpico Monumental

Inter em 1o. com 58 mil lugares no Gigante da Beira-Rio

Posição do time no ranking da CBF

Grêmio em 1o.
Inter em 8o.

Posição do time no ranking mensal de clubes da Fifa

Grêmio em primeiro entre os clubes brasileiros (10o. lugar)
Inter em 3o. entre os times brasileiros (14o. lugar)


Posição do time no ranking de Todos os Tempos de clubes da Fifa

Grêmio em segundo entre os clubes brasileiros (33o. lugar)
Inter em 9o. entre os times brasileiros (80o. lugar)

Compositor do hino do clube

Lupicínio Rodrigues
Nelson Silva

Início do hino do clube

Até a pé nos iremos, para o que der e vier, mas o certo é que nós estaremos com o Grêmio onde o Grêmio estiver

Glória do desporto nacional, Oh Internacional, que eu vivo a exaltar/Levas a plagas distantes, feitos relevantes/Vives a brilhar

Maiores jogadores da história

Eurico Lara, Airton Pavilhão, Renato Portaluppi e Ronaldinho Gaúcho

Tesourinha, Figueroa, Falcão e Fernandão


Ex-jogador mais conhecido no mundo

Ronaldinho Gaúcho

Dunga

Torcedoras mais conhecidas

Gisele Bundchen e Ana Hickman

Renata Fan e Letícia Birkheuer

Airton Gontow – jornalista e cronista

*Mostrei a um amigo o artigo antes de enviá-lo ao blog. Crítico, ele foi categórico. “Estava equilibrado até o final da ficha, mas o item “Torcedoras mais conhecidas” fez o Grêmio sair levemente vencedor do embate centenário”. Tudo bem. Vou tratar de devolver o equilíbrio à disputa, tão necessário para este artigo e para homenagear os “100 anos de Gre-Nal”. Aí vai: eu sou gremista...Luís Fernando Veríssimo é colorado...

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FutebolFutebol Gaúcho

Jul 13

Como matar um sonho

por Ana Carolina Moreno21h33
Dépor 1 x 1 Barça, última rodada da Liga 2008-2009 (Filipe Luis, no canto inferior direito)
Dépor 1 x 1 Barça, última rodada da Liga 2008-2009 (Filipe Luis, no canto inferior direito)

Talento ele tem. O suficiente para ter sido titular em nada menos que todas as partidas da última Liga española e ser eleito pela Uefa o melhor lateral esquerda do campeonato. Seriedade e profissionalismo, também. Vide as palavras do seu treinador, Miguel Ángel Lotina:

- Sabemos o que o Filipe nos dá. Como jogador y como pessoa é um dez, mas também somos conscientes de que as pessoas têm ilusões e lhe está batendo à porta um Barcelona.
Mas o sonho atual de qualquer jogador são, o de jogar na equipe que, jogando o futebol mais bonito, ganhou três títulos, incluindo a Liga dos Campeões, pode ir por água abaixo para Filipe Luís Kasmirski. E a razão ainda é incerta.

Em junho, ele embarcou para o Brasil com o sétimo lugar no bolso. Por pouco o Deportivo La Coruña não havia assegurado uma vez mais a vaga na Copa da Uefa. Mas, para uma equipe que começou o ano pensando em não ser rebaixada, o resultado não chegou a decepcionar.

Alguns dias depois, a Conmebol européia o incluiria na sua “seleção da Liga”. O brasileiro foi um dos 11 melhores jogadores do futebol espanhol na temporada 2008-2009. Uma honra enorme para um menino calado e educado do interior de Santa Catarina.

Logo, porém, começou a turbulência. Boatos de que o Barcelona queria Filipe. Bar-ce-lo-na.
Junho, na Espanha, é o equivalente para o “jornalismo esportivo” do mês de janeiro no Brasil. Ele muda o nome temporariamente para “jornalismo especulativo”. Para o Dépor, uma possível venda do passe do brasileiro seria o melhor negócio do ano. A oferta inicial era 8 milhões de euros. O clube havia pagado 2,2 milhões pelo jogador.

Mas o Deportivo tem dívidas, muitas. Não tem patrimônio. E é comandado por um presidente-dono (não, aqui não é preciso nem roubar na urna, porque não há eleição). Que queria o valor da multa, 20 milhões. E jogou água no chopp, cozinhou a negociação a banho-maria e deu tempo e espaço suficientes para todo tipo de notícia. O Marca publicou que o clube que vendeu o Filipe ao Dépor havia bloqueado as contas do time coruñes porque ele não havia pago os 4 milhões de euros que devia. Veja a inflação de números.

Especulações sobre outros times interessados, idas e vindas dos dois empresários do Filipe à Espanha também fizeram parte do repertório midiático no mês passado. A dupla parece que fez o teatro “good cop, bad cop”. Enquanto um evitava fazer qualquer declaração, o outro caprichava nas críticas ao dirigente deportivista.

Enquanto isso, o catarinense tentava descansar no Brasil. Tentar, tentou. Mas nós, os jornalistas, não deixamos. Tampouco ajudou a possibilidade de vestir as cores do time catalão no ano que vem e quem sabe finalmente abrir os olhos do treinador da seleção que arrisca até lateral direita na ala esquerda do campo.

Então ele viajou aos Estados Unidos de férias. Tentar descansar, ele tentou. Mas ninguém deixou.

Finalmente, ele encurtou as férias e voltou à Espanha quatro dias antes do previsto para tentar arrumar a bagunça que criaram em torno do seu destino. As ofertas sobem e descem, o Barça quer resolver logo, o Dépor prefere esperar. O Barça foge a todo custo de gastar dinheiro em demasia porque precisa se opor ao carnaval monetário do Real Madrid. O Dépor quer ganhar o máximo com a transferência, como tem o direito de exigir

E o Filipe enfrenta agora a tarefa hercúlea de treinar com a camiseta do time que o acolheu na Espanha e suportar a própria frustração pelo circo criado em torno dessa negociação. Uma verdadeira bola de neve cujo desfecho deve acontecer até a próxima segunda-feira. E que, até agora, está completamente indefinido.

Uma coisa é certa: o apoio da torcida, independente de sua permanência ou não, está garantida depois de dois anos de devoção completa à camisa e à cidade. O próprio treinador resume a posição do atleta:

- Se fosse o meu filho, o encorajaria a ir para o Barça.

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Jul 10

Identidade

por Equipe De Primeira19h42

*por Rodrigo Abud

Verde, com um belo dedão no meio e logo acima uma foto que, via de regra, é extremamente tosca. Na minha, por exemplo, tirei com a parte de cima de um terno que caberia com tranqüilidade em um jovem de 14 anos, em dia com o seu físico. Mas ela está na minha carteira, com meu número de registro e pode salvar a minha vida em um geral policial. Esta é minha identidade.

Na sua apresentação, no Real Madri, o português Cristiano Ronaldo, acabou perdendo a sua.

Ao se apresentar para mais de 85 mil pessoas, com a camisa 9, com a inscrição “RONALDO” as costa, o jogador eleito pela FIFA como melhor do mundo em 2008 deu a grande furada da sua carreira.

O sistema de numeração fixa já uma realidade na Europa, Estados Unidos e começa a ganhar corpo no Brasil. São Paulo, Corinthians e Coritiba já adotaram esse sistema.

Nos Estados Unidos, inclusive, muitas equipes de basquete aposentam o números dos seus grandes jogadores. O Boston Celtics, maior vencedor da Liga de Basquete Americana (NBA), já aposentou 22 números até o momento.

Na Europa, em sua passagem pelo Manchester United, David Beckham marcou época com a camisa 7 no costado, e isso alavancou as vendas da mesma e a mesma situação acontece em várias outras equipes, com o seu respectivo astro. Em Milão o número 22 domina a maior parte das arquibancadas em jogos do Milan, Na Bombonera impera o 10, com o nome do argentino ROMAN e por aí vai.

Ao apresentar a grande contratação da temporada mundial, com um ar de Déjà vu, o Real Madri perde e perde também o jogador. Ganha o pioneiro, que hoje desfila pelo Pacaembu, pela Pink Elephant e por alguns motéis do Rio de Janeiro.

A simples presença da letra “C”, nessa mesma camisa, já daria um novo ar para a festa e poderia eternizar o seu usuário.

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Jul 02

Até que eles estão fazendo igual mesmo

por Adriano Brandão11h45

Lembram-se disso?

O ano não acabou ainda. Não acertei em tudo, mas na maioria dos palpites até que mandei bem. Confiram lá.

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