Saudade da Sul-Minas
por Jones Rossi11h58
Entre 1999 e 2002 os times paranaenses pareciam no caminho certo. O Atlético ganhou a Seletiva para a Libertadores (99), fez uma primeira fase fantástica no torneio continental e só foi eliminado nos pênaltis (2000), dando a impressão que poderia ir mais longe. No mesmo ano, o Paraná Clube ganhou o modulo amarelo sobre o São Caetano e quase despachou o Vasco do Campeonato Brasileiro, o famigerado Torneio João Havelange. Em 2001, o Atlético foi campeão brasileiro. Mas o Coritiba chegou a semifinal da Copa do Brasil e a final da Sul-Minas. Em 2002 seria a vez do Atlético disputar - e perder - a final contra o Cruzeiro, não sem antes aplicar uma goleada de 5 a 1 sobre o Grêmio no Olímpico.
Com adversários fortes - Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Coritiba, Figueirense, Paraná e até, na época, o América-MG - o torneio Sul-Minas não deixava os times paranaenses se iludirem. Era uma senhora preparação para o que viria no Campeonato Brasileiro. Mas acabou. Certa vez, entrevistando Mario Celso Petraglia, em 2007, perguntei o porquê da Sul-Minas ter sido extinta. A resposta: por puro interesse da TV, que ainda prefere os terríveis estaduais. E por covardia dos clubes, que não tiveram a coragem de enfrentar as emissoras. Times do tamanho do Cruzeiro acharam por bem não aborrecer as tvs. E deu no que deu.
O fim da Copa Nordeste teve efeito semelhante para os times nordestinos. O regional fortíssimo deu lugar aos velhos estaduais, que estão caindo de podre, dominados por times de empresário. Não há mais romantismo nenhum, como alguns querem fazer crer. Enquanto isso, os times do Sudeste ficam cada vez mais fortes, impulsionados pela grana da TV e pela complacência do governo com as enormes dívidas trabalhistas contraídas em décadas de má administração.
Para nós só restam esmolas. E os estaduais, para alegrar os bobos por pelo menos um final de semana.
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Comentários:
Mas, diante da força da Federação Paulista de Futebol, acho quase impossível que o Campeonato Estadual de São Paulo acabe, para a tristeza do Jones.
Abs
Logo mais o campeonato paranaense vai se chamar copa malucelli de futebol.
-Esta declaração do ex-presidente do Atlético é surpresa pra mim... Pelo que sei quem não quer os regionais são as FEDERAÇÕES.
(Uma informação: sairia bem mais barato para a TV, juntar emissoras como RBS, RPC e Globo Minas e pagar UM torneio com 16 times, do que QUATRO estaduais e com "inúmeros" times) Em tempo: os estaduais não estão tão 'baratinhos' como pode parecer aos menos avisados...
Mas tem um outro detalhe: eu realmente não tenho certeza se os 'grandes' do Rio grande do Sul, por exempo preferem mesmo a Sul-Minas... (ainda mais agora com o Brasileirão em dois turnos e sem espaço no calendário para a Copa do Campeões).
Enfim...
Olhem o que escreveu Ubiratan Leal do Balipodo que é muito esclarecido em tudo que escreve...
Desde uma tentativa fracassada do SBT de comprar o Campeonato Paulista com exclusividade em 2003, a Globo pareceu tranquila no domínio das principais competições do futebol brasileiro. Isso quase mudou em 2007. A Record fez uma proposta milionária pelo Paulistão e seduziu o São Paulo, obrigando a emissora carioca a botar a mão no bolso para manter os direitos de transmissão do torneio.
Essa valorização do Paulistão marcou definitivamente o abismo financeiro que separa os estaduais de São Paulo e Rio de Janeiro dos demais. Tanto que o Cade, ao quebrar o monopólio da Globosat no futebol brasileiro na TV por assinatura, determinou que a empresa deveria abrir mão da exclusividade de dois dos cinco principais torneios para a TV. No caso, Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil e apenas dois estaduais, o fluminense e o paulista.
Pelo fato de terem os clubes com torcida que mais se espalhou pelo país, é compreensível que Rio de Janeiro e São Paulo tenham vantagem. No entanto, o modelo acaba sufocando os demais estados, até porque a cultura da TV brasileira é de, nos estaduais, isolar cada Estado. Com exceção, claro, dos dois maiores. Clubes gaúchos, mineiros, baianos, paranaenses, pernambucanos, goianos, catarinenses, cearenses e tantos outros ficam em evidente desvantagem de mercado. O que se reflete não apenas nos direitos de TV de seus estaduais, mas até na menor atratividade para conseguir patrocínios.
A lógica cruel do mercado explica o porquê de cariocas e paulistas terem mais atenção da Globo. Mas não dá para ignorar que esse tipo de diferença não dá as mesmas condições de competitividade a todos os clubes do país, mesmo entre os grandes. Essa realidade está por trás dos protestos de muitos mineiros, gaúchos e paranaenses a respeito do prejuízo que dá dedicar tanto tempo do calendário brasileiro aos estaduais.
Uma solução clara seria reduzir o tempo dessas competições, para algo entre um mês e um mês e meio. Outra possibilidade, politicamente mais trabalhosa, seria os clubes dos Estados “secundários” se unirem para tentar negociar todos os seus torneios em conjunto, criando um pacote mais atrativo para a TV. Mesmo assim, dificilmente chegariam perto dos valores pagos a cariocas e paulistas.
Problemas como esse mostram como o futebol brasileiro até evolui no trabalho de marketing, mas ainda não sabe tratar suas competições como eventos. E também não têm um planejamento global, vendo o esporte como um universo em que cada clubes e cada competição depende uma da outra.
Ubiratan Leal