Jun 28
Proteção ao clube do coração ou dois Corinthians na Série A?
por Felipe Lessa06h30

Diversos sites publicaram que o Atlético Paranaense venceu um time chamado Corinthians B, sabadão, na Arena da Baixada.
Curioso, procurei na tabela do Campeonato Brasileiro 2009 e não encontrei nenhum clube com esse nome. Time B, até onde se sabe, são aqueles clubes inscritos para jogar divisões inferiores dos campeonatos.
Foi o caso do Palmeiras, no Paulistão. No Paranaense, Londrina e Paraná, por exemplo, já inscreveram seus times B. Porém, vasculhei melhor a tabela do Brasileirão e o máximo que encontrei de B corinthiano foi o J. Malucelli, na série D.
Infelizmente, se o grupo do Corinthians tem peças de reposição ruins, caso pretenda poupar atletas para jogos importantes, não creio que seja o papel do jornalista atuar em defesa de seus clubes do coração. Praticar jornalismo é uma coisa, assessoria é outra. Até onde se sabe, Julio, Boquita, Souza, Jucilei,Lulinha, MOrais, entre outros, assinaram Contrato com o Sport Club Corinthians Paulista. Ou não?
Se você não curtiu o que escrevi e acha que é certo o jornalista prestar serviço de assessoria ao Corinthians, clique aqui .Deixe seu currículo, quem sabe não arruma uma vaguinha.
Jun 27
Nomadismo encarecido no Paraná
por Felipe Lessa16h33
Os clubes nômades do Paraná terão que pagar R$200 mil ao departamento de finanças da Federação Paranaense de Futebol caso queiram novas migrações. Basta saber se a FPF vai cumprir a nova resolução, ou conseguir colocá-la em prática. Nos últimos anos, virou moda não ter casa fixa para se jogar bola em nosso estado.
Diversos casos ocorreram apenas em 2009. A Portuguesa Londrinense esqueceu a parceria com o CAC e deixou Cambé, para jogar para média de 30 amargas testemunhas no Estádio do Café. Reclamou da falta de incentivo e por pouco não foi parar em União da Vitória, já que o Iguaçu caiu para a segundona e a Lusinha é uma das candidatas ao acesso.
Em Maringá, a Secretaria de Esportes da prefeitura de Silvio Barros está em negociação com diretores do Engenheiro Beltrão, para uma possível migração até a cidade canção. O próximo passo seria a mudança de nome, que ressuscitaria o Grêmio de Maringá. Uma das questões que ainda estavam em debate é: montar um novo GEM ou reativar algum dos tantos já finados? Alias, os bastidores afirmam que existe, também, uma negociação com Paranavaí e Cianorte.
Outro clube que pretende a migração é o Iraty. O empresário Sérgio Malucelli construiu um centro de treinamento em Londrina, está fazendo esquemas com o prefeito Barbosa Neto e disse que até 2010 pretende solucionar a questão. A idéia inicial do empresário seria uma parceria com LEC ou Lusa. Porém, nos bastidores do Conselho Deliberativo do Londrina, se diz que antigos diretores o convenceram a mudar de idéia. O argumento é que a transferência do azulão ou a criação de um novo clube seria mais vantajosa financeiramente.
Isso para não falar dos Amérios, de Umuarama, que após rebaixamento do Foz na elite do futebol paranaense negociou para jogar a segundona do estadual na cidade da fronteira.
Não podemos esquecer do Real Brasil, o time do Aurélio Almeida. Seus times jogaram em Toledo, Curitiba, São José dos Pinhais, Maringá e Ponta Grossa. Atualmente, os galácticos do terceiro mundo migraram à Brasília, junto com Inri Cristo.
E a Adap? Passou em Jacarezinho, Campo Mourão e depois largou o profissionalismo nos domínios maringaenses. Alias, lá ainda tem o Maringá Iguatemi. Esse aí nasceu em Pitanga, trocou de nome e sede, mas foi rebaixado para a terceira divisão do paranaense, em 2009, jogando diante de silenciosas arquibancadas em Paranavaí.
Termino tudo com o Corinthians Paranaense. Nasceu Malutrom, em São José dos Pinhais, morreu Malucelli, em Curitiba. Cogitou mudar para Maringá (poutz, sempre lá), mas agora planeja apenas algumas turnês pelo interior.
Resumindo. A cobrança desses R$200 mil pode ser o início de uma nova postura da FPF (algo que não acredito). Se não tomarem medidas mais energéticas para conter o assassinato do futebol local, o torcedor vai continuar vendo jogo na TV - reforçando as estatísticas que pregam o fim dos estaduais. Permanecer com estádios vazios, equipes sem identificação nas cidades onde atuam e atletas sem vínculos com seus clubes realmente não tem sentido. Mas vamos ver no que dá. Ao menos alguém vai ganhar com o nomadismo encarecido. O tempo nos dirá quem...
Jun 25
Qual será a pena?
por Felipe Lessa22h14
A condição de Maxi Lopez ser argentino, branco e jogar no Grêmio de Porto Alegre o coloca como alvo fácil de acusações como as de ontem, no Mineirão. Na ocasião, o cruzeirense Elicarlos afirmou que o hermano tricolor havia o chamado de macaco.
Houve bate boca, empurrões e troca de acusações com direito a bater o cartão na delegacia de polícia – aquele clima sangue nos olhos que só uma Libertadores da América pode oferecer. Tanto o acusado como o denunciante se mantém irredutíveis em seus testemunhos. Um nega, outro afirma. Aquela conversa toda sobre a existência ou não do racismo.
Enquanto isso, nós gostaríamos de saber o que vai acontecer. Trata-se de um caso sério, que vai servir de exemplo para muita gente. Tanto pelo lado positivo, como pelo negativo.
Cito isso por dois motivos. O primeiro é que desde a fundação do Internacional, pelos irmãos Poppe, até os atuais vínculos neonazistas da Geral do Grêmio, esse clube gaúcho já carrega em seu contexto traços polêmicos de exclusão social e racismo.
Maxi Lopez, por sua vez, vêm de uma pátria onde um dos maiores orgulhos é ter sua capital considerada parte européia da América Latina. Isso para não falar nos antigos massacres étnicos na Argentina, que de remanescentes dos negros deixou pouca coisa a se contar. Ao menos, sobrou o brilhante futebol do meio-campista Verón para contar história.
Reforcei a questão dos estereótipos de Grêmio para questionar: e se o jogador cruzeirense estiver mentindo? Talvez o xingamento seja outro, ou até mesmo nem tenha existido. No caso dessa hipótese, se reforçaria na marca Grêmio de Football Porto Alegrense mais uma condenação midiática por atos de intolerância.
Algo a ser bem analisado, pois estão errados aqueles que generalizam o tricolor dos pampas como time dos reacionários. Basta voltar no tempo e lembrar que no mesmo local onde agita a ultra-radical-Geral-do-Grêmio, já esteve presente o ultra-liberal-grupo de-torcedores-da-Coligay. Isso é só para dar um exemplo que toda generalização é burra, em especial no futebol brasileiro.
Mas agora segue o segundo motivo. E se o cruzeirense falar a verdade? O que vai ser feito? Será dado um exemplo aos torcedores, dirigentes, jogadores ou até mesmo pessoas que não gostam de futebol? A função do estado é cumprir aquele slogan do governo Lula: Brasil, um país de todos. E aí? Caso seja verdade, o argentino será expulso das terras tupiniquins da mesma forma como aquele jornalista gringo que chamou nosso presidente de bêbado?
Queremos ver o que a Polícia Civil de Minas Gerais irá fazer. Gostaria de saber se terão peito para não abafar o caso, se vão investigar a fama, idioma, conduta, entre outros fatores dos envolvidos junto aos parentes, vizinhos e conhecidos. Aquele que estiver errado merece ser punido pela atitude. Ou então, o que ocorreu no Mineirão será apenas mais um capítulo de histórias bizarras que rodeiam o futebol, o nosso querido futebol brasileiro.
Jun 24
Estados Unidos derruba a Espanha da nuvem*
por Ana Carolina Moreno17h46
O título deste post é a tradução do título da notícia que o meu jornal aqui da Galícia publicou sobre a semifinal da Copa das Confederações.
Nem me lembro há quantos meses espero para escrever este texto. Todas as análises iam em contra ao meu desejo, mas ele ardia cada vez que se fechava mais um ciclo de 90 minutos. No começo, gostei das vitórias contra a Estônia e a Bélgica, mesmo sabendo que, bem, os adversários eram a Estônia e a Bélgica. Daí veio o Chile, e ganharam, a Inglaterra, e ganharam, a Turquia, e ganharam duas vezes, um amistoso contra o Azerbaijão, e ganharam de lavada.
Chegaram à Copa das Confederações e estrearam com um kiwi achocolatado. Cozinharam o Iraque e passearam contra os anfitriões para comemorar o tal do recorde histórico de vitórias seguidas. Até hoje, aliás, parece que o título da Eurocopa vive na flor da pele de todos (menos, claro, os independistas que defendem a participação das seleções galega, basca e catalã nos campeonatos internacionais. Mas isso é outra história).
Já faziam a contagem regressiva para o tal do outro recorde de partidas sem perder e ligaram a televisão hoje às 20h30 apenas para cumprir tabela, porque só falavam e pensavam no jogo contra o Brasil do próximo domingo.
E por isso agora só lhes resta torcer contra a África do Sul para poder jogar contra o Brasil no sábado. Bom, também porque faltaram duas peças chaves do meio de campo espanhol, Iniesta e Marcos Senna. E um pouco de reflexão sobre os motivos pelos quais foram os EUA que a Espanha enfrentou, e não a Itália. Pensaram muito mais nos pontos fracos dos italianos que nos méritos desses moleques que chamam o nosso esporte de soccer.
Para os mais curiosos, digitei algumas frases soltas que os jornalistas aqui do meu trabalho disseram depois do segundo gol estadunidense (algumas frases traduzi, outras nao):
- Las claves son la ausencia de Iniesta e Marcos Senna.
- Brasil campeón del mundo.
- Está claro que Xavi no puede jugar con Xabi Alonso.
- Faltan 15 minutos. Está muerto ya el partido.
- Esos tíos practican deportes desde que son chavales. (Esses caras –os americanos– praticam esportes desde pirralhos)
- Telecinco (o canal de televisao dono dos direitos de transmissao) ya estaba vendendo la final el domingo...
- Ostia, roja! Que huevos tiene el árbitro. No es roja, es para una amarilla. (Caralho, cartão vermelho! Que cara-de-pau tem esse juiz. Nao é vermelho, é para cartão amarelo.)
- Hay tres periodistas de Estados Unidos cubriendo esto.
- Nunca jugamos una Copa de estas, no es nada. – Ni volveremos a jugar.
- 0-2 contra esta potencia mundial que es Estados Unidos... Hay más licencias de billar y patinaje artístico en Estados Unidos que de fútbol.
- Menudo ridículo... (Que ridículo...)
- Mañana van a decir que era el césped. (Amanha vao dizer que foi o gramado.)
Jun 23
Momentos históricos: Valmir Gomes, a lenda
por Felipe Lessa11h19

Essa foto de 2008 ilustra uma das maiores lendas do jornalismo esportivo do Paraná: Valmir Gomes. Trata-se de uma imagem para a eternidade, onde flagramos o mestre comemorando os 95 anos do Leão da Estradinha, junto de Jeferson da Mancha, presidente de uma das organizadas do Rio Branco.
Depois do encontro, o líder das bancadas alvirubras fez uma promessa: imortalizar a imagem do mestre em materiais da torcida do Rio Branco. "Sendo ele [Valmir] uma pessoa de destaque a nivel nacional e até internacional, essa bandeira ajudaria a divulgar Rio Branco e Mancha Vermelha pelo mundo", disse Jeferson.
Recentemente, a torcida do Leão se dividiu após divergências ideológicas. Aguarda-se com ansiedade que a nova uniformizada, a Camisa Vermelha, presidida por Jajá do Reggae, disponibilize o semblante de Valmir em seus futuros materiais.
Atualmente, o Rio Branco está fora do futebol de campo - já que ainda não se inscreveu na Copa Paraná 2009. Porém, a torcida continua ativa frequentando partidas do Leão no futsal. A equipe parnanguara é uma das classificadas para disputa da segunda fase do Paranaense Série Ouro.
Valmir Gomes, a lenda, continua dando o ar de sua graça como comentarista de televisão e rádio. Entre suas passagens destacadas, o Mesa Redonda e o Balanço Esportivo, da CNT, além das jornadas esportivas da Rádio Banda B.
Jeferson da Mancha disputou vaga de vereador, nas últimas eleições, em Paranaguá. O subversivo candidato do PC do B conquistou apenas 217 votos e ficou fora da Câmara Municipal. Após o término do Campeonato Paranaense 2009, a Mancha deu um tempo nas atividades e ninguém sabe quando volta.
Jun 21
Muricy na Seleção
por Ana Carolina Moreno07h58
Para consertar o que está quebrado no SPFC, Juvenal Juvencio se desfez da única coisa que era ao mesmo tempo BOA e CONSISTENTE. Sim, porque a lista de coisas consistentes, recorrentes, sólidas e estáveis, mas também RUINS, continua firme e forte. Encabeçada por dois itens que, a meu ver, são a base que alimenta os demais problemas: uma política de contratações irresponsável e uma postura elitista e arrogante em relação a tudo e a todos, incluindo, o que é pior, a própria torcida.
À diretoria do São Paulo, eu recomendaria um pouco mais de coerência. Todo ano dizem que a Libertadores é o principal objetivo. Em inglês, há uma frase que diz "put your money where your mouth is", que em português, poderia ser facilmente traduzido para um alto e contundente "TRUCO!". Ou o SPFC acredita piamente que ganha a Libertadores o time que for mais otimista, ou está blefando.
Seria prudente, além disso, parar de ficar repetindo que é irresponsabilidade gastar uma fortuna na contratação de um jogador. Todo mundo sabe da importância da austeridade financeira e concorda com isso. Não é preciso ir à Oscar Freire toda semana. Mas também não é o caso de sair pechinchando pela 25 de Março à procura de especiais "dois por um" durante a liquidação de janeiro.
Ao Muricy, desejo toda a sorte do mundo, mesmo sabendo que sorte é bobagem para uma pessoa que conquistou seu espaço com muito esforço, respeito e, acima de tudo, um baita talento. Se ele está triste agora, imagino que seja por causa do amor que sente pelo clube (um amor recíproco, diga-se de passagem). Mas aposto que respira aliviado agora que não precisa mais aturar a teimosia cega de Juvenal.
Começo agora o movimento "Muricy na Seleção". Por uma derrota feia, tragicômica, histórica do Brasil hoje contra a Itália, para que a fila ande e o meu rabugento favorito possa rechear as 22 amarelinhas com um time do carvalho e ganhar mais um hexa inédito.
Jun 16
O torcedor de futebol e a transformação do Brasil*
por Felipe Lessa20h58
Eu, assim como milhares de brasileiros, passei a viver o futebol desde cedo. E nessa vida, a mensagem que todos estampam é: O esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos. Não importa se no pequeno e sujo Vitorino Gonçalves Dias, o VGD londrinense, ou no gigante e charmoso Estádio Jornalista Mario Filho, o Maracanã carioca, aquele que vai ao estádio sempre aprende um pouco de boas maneiras.
Quando nosso time perde, aprendemos a desconfiar do juiz. É analisando cada jogada que com uma sacada um pouco maior percebemos que todos os juízes, em especial os que fogem da área desportiva, merecem ser fiscalizados (méritos aos inocentes). Uma falha dele, no futebol, pode render uma surra no seu time. Fora do 11 contra 11, pode te deixar na miséria.
Para te citar um pequeno exemplo. Alguém se lembra do Edílson? E do Lalau?
Basta conversar um pouco no estádio para ver que todo mundo deve ser fiscalizado, independente do título que carrega.
Quando nosso time beira a falência, aprendemos a desconfiar do patrão. É analisando cada negócio mal-sucedido do querido clube do coração que percebemos: desconfiando quando seu time começa a perder muito, você também pode desconfiar de quando começa a receber pouco.
É só lembrar daquele jogador bom que passou na base do seu time, sumiu, e depois apareceu em outro clube. É um daqueles negócios em que seu time não ganha nada, mas aquele falso líder que disse investir sempre leva – como na situação do Rafinha, ex-Londrina.
Um jovem quando percebe tamanha sacanagem, pode perceber também que tem alguém recebendo parte do salário dele quando presta um serviço terceirizado. Ele, que é realizado para reduzir futuros custos de uma grande empresa, também diminui as moedas no seu bolso final do mês: afinal, metade daquilo que você ganha fica com o empregador, aquele sujeito bonzinho que sempre quis te dar uma oportunidade.
Quando algum delinquente saca uma pistola para atirar contra um torcedor qualquer, descobrimos que essa arma veio de algum lugar.....geralmente, de onde menos poderia ter vindo. Quando o ingresso é muito caro, descobrimos que alguém não quer a gente torcendo para acabar com essa fiscalização. Quando descobrimos que os investimentos na construção de estádios estão superfaturados, percebemos que somos nós que pagamos essa conta.
Bom, quando descobrirmos todas as falcatruas do futebol, no Brasil tão associado ao termo malandragem, vamos descobrir o quanto não gostamos de malandros. Afinal, na paixão de cada torcedor existe um investigador. E no dia que cada torcedor investigar suficiente para saber que a corrupção no seu clube pode ser combatida, poderemos viver em uma sociedade transformada de um modo geral. Basta querer combater os problemas de nosso país, ao invés de aceitá-los.
*Esse texto faz parte de uma postagem coletiva sobre o tema: “O esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos”. A proposta organizada pelo www.rolablog.com.br é a de celebrar o Dia Universal Olímpico, lembrado todo 23 de junho.
Jun 15
Voltamos a sorrir
por Felipe Lessa04h18


Jun 11
Pela vitória do Brasil, precisávamos perder
por Felipe Lessa10h27

Nossos vizinhos perderam oportunidade única de vingança pelo extermínio que cometemos na Guerra do Paraguai. De lambuja, poderiam ajudar o futebol canarinho. Uma derrota do Brasil poderia acarretar no início da queda do império. Afinal, Recife é a última base em que Ricardo Teixeira e CBF conseguem manter vestígios ideológicos e sentimentais por seu exército particular.
Toda vez que a amarelinha desembarca no Recife, os aparelhos ideológicos são acionados para reforçar, e forjar, um alienado carinho. Perdeu a graça.
Tudo começou em 93, no mesmo mês de junho, quando a velha guarda de aríetes do RT aplicou devastadora surra nos então humildes desafetos do futebol brasileiro. O Brasil estava vingado da humilhação infernal aplicada pelo diabólico capitão Etcheverry, na boliviana La Paz – quando o imbatível escrete conhecia pela primeira vez o gosto salgado da derrota em uma eliminatória da Copa. Pela primeira vez, havíamos sentido medo de lembrar do mundial.
É por isso que digo: tínhamos tudo para perder felizes. O fato de ver a seleção não entrar de mãos dadas simbolizaria perfeitamente o fim da era Teixeira. A derrota iria mostrar que a união não existe, e que a seleção só será brasileira quando valorizar a aclamação de seu verdadeiro povo. Por isso, eu adoraria ver um Paraguai arrasador.
Apenas para poder analisar a munição da mídia contra o Médici do futebol brasileiro. Um desastre no Arruda teria o valor simbólico da punhalada que toda ditadura merece tomar. Sem falar que ajudaria a aliviar o sentimento de culpa, pelo extermínio que meus compatriotas ajudaram a proporcionar entre 1864 e 1870.
O Duelo
Tomamos o primeiro golpe quando o Ronaldo paraguaio, Cabanas, estufou um balaço para cima de Julio César. Parecia ser a redenção brasileira. Realmente acreditei que iríamos perder. O jogo e também o cabresto.
Porém, quando as estratégias de cada agrupamento foram colocadas na mesa, Dunga levou sorte. Deixou o encargo da missão aos seus comandados – como tudo deve ser no futebol. Na falta de Luís Fabiano, nomeou Robinho. Deu-lhe um pouco mais de autoridade. E foi retribuído com o tiro de empate, ainda no primeiro tempo.
Apesar do combate disputado, a munição paraguaia acabou no segundo tempo. Sem balas, sem pistolas ou estilingues, nada puderam fazer. Quando Nilmar virou o escore do embate, com permissão de Robinho, ficou claro: só haviam matracas do lado de lá da fronteira. Enquanto do lado de cá, o matador colorado consolidava a confiança que Dunga deu ao ex-santista: o pedido para que com ele fosse formada a linha de frente brasileira.
E o Brasil venceu no Arruda. Para a explosão de Ricardo Teixeira, novo alívio de Dunga e o sentimento de dever cumprido por parte dos defensores da CBF. Talvez perdemos pois a munição inimiga ficou em Ciudad del Lest. Os paraguas estão fortes, mas foram humildes. Infelizmente, vão precisar de tempo: para perder a humildade, e ganhar nova oportunidade de deixar o Brasil completamente desmoralizado.
Jun 09
Trocou de lar, permaneceu na mesma rua
por Felipe Lessa23h32

Errou o torcedor paranista, quando pensou que uma das grandes punhaladas sofridas na história do clube foi ter visto seu ex-presidente no lado adversário da Vila Capanema. Mesmo vencendo por 1 a 0 a partida contra o Marília, pela segunda divisão do Campeonato Brasileiro de 2008, a presença de Ocimar Bolicenho era vista como tormenta pelos tricolores.
Erraram aqueles que pensaram ser um choque único, daqueles que merecem o esquecimento eterno. Uma tormenta de proporções muito mais incômodas estaria por vir. Ele agora se muda para o outro lado da Engenheiro Rebouças, na Arena da Baixada. Bolicenho é o mais novo diretor de futebol do Atlético Paranaense.
No currículo, os grandes feitos fazem parte de uma história que parecia ser eterna pelo então clube de seu coração. Porém, talvez para ele, a promiscuidade clubística não pareça ser problema grave. Mesmo praticada na vizinhança. Há tempos, o novo diretor atleticano decidiu que no futebol moderno deve se deixar a paixão em segundo plano.
Começou sua carreira no Água Verde, clube da elite curitibana. Nos anos 80, era no Pinheiros onde coordenava o mesmo cargo que vai ocupar na baixada. Depois da fusão com o Colorado, mostrou audácia. Foi presidente do Paraná Clube na gestão 94/95. Até então, tinha seu nome vinculado a conquistas e títulos.
Mas pensando que a simples paixão não enche a barriga da família, licenciou-se do cargo de presidente do conselho normativo tricolor. Nunca mais levantou nenhum caneco, mas conquistou prestígio profissional. Para isso, teve sorte. Aproveitou-se da ascensão de seu ex-funcionário paranista, Vanderlei Luxemburgo. Pediu generosidade em uma possível oportunidade de emprego.
Foi parceiro no Instituto Wanderley Luxemburgo. Pela WL Sports, tomou frente do Joinville. Só que diante da derrotada campanha na equipe catarinense, decidiu caminhar por outros rumos. Por nova indicação do amigo, ex-funcionário, consegue novo emprego: assume o Marília.
Por lá, viu a equipe ser rebaixada para a terceira divisão do Campeonato Brasileiro, ano passado. Preferiu colaborar com os cofres...do clube... organizando uma das partidas desse campeonato, contra o Corinthians, em campo rival. Levou o jogo para Londrina, renomado quintal corinthiano, onde o MAC foi pressionado por uma multidão de alvinegros. O bicho pegou. Apesar da lavada, deu empate.
Apesar da queda futebolística de sua equipe, no interior paulista, Bolicenho não deixou de ascender. Conquistou uma vaga no Santos. Na Vila Belmiro, a grande amizade com Luxa foi uma das qualidades mais enaltecidas durante sua contratação. Porém, o sonho acabou. Após grave desentendimento com o treinador do Peixe, Vagner Mancini, foi despedido.
Mas Boli voltará ao lar. Quase isso. Afinal, vai comandar o outro clube do Rebouças. Poderá até, quem sabe, voltar a comparecer no Tribunal de Contas do Estado do Paraná. Por lá, nomeado desde 93, sua situação funcional estaria “à disposição”. Ou seja, emprestado a algum outro órgão público. Porém, não creio que o ilustre diretor de futebol esteja recebendo pelo cargo de economista. Seria impossível estar em dois lugares ao mesmo tempo, e Bolicenho quer mesmo ganhar sua vida no futebol.
Afinal, Juca, como é apelidado, sempre foi conhecido pelo esforço e dedicação no trabalho - desde sua infância. Não mancharia a reputação dos humildes vendedores de flores nos dias de finados. Nem daquelas crianças pobres que vendem sorvete, às vezes apenas para poder saborear um lanche no final do dia. Juca é trabalhador, deixou de lado a paixão futebolística para faturar seu ganha pão honesto no outro clube do Rebouças.
E garanto que no Atlético Paranaense, junto com o nobre patrício rubro-negro Marcos Malucelli, irá ajudar a construir uma história de riquezas. Ajudará nossa excelência a provar que o marketing não está com nada. E que o negócio é futebol. Mesmo no lado oposto da rua.
Jun 08
Por que o futebol paranaense vai tão mal?
por Equipe De Primeira17h56
Uma conversa sobre o futebol paranaense, que está vivendo uma crise terrível. Este não é um textão corrido, nos moldes tradicionais. Abaixo estão algumas ideias e diagnósticos feitos pela equipe do blog em nossa lista de discussão.
Ricardo Sabbag diz:
"Li este post aqui no blog do Léo Mendes: http://portal.rpc.com.br/gazetadopovo/blog/arquibancadavirtual?id=894445
mas vou comentar "publicamente", pra quem quiser entrar na discussão.
Os clubes paranaenses - como a maioria dos brasileiros - não sabem ser profissionais. Têm arroubos de profissionalismo, mas, no fundo, são vítimas de politicagem de determinadas facções de conselheiros, que vão se alternando no poder. Quem assume dá voz aos seus e comete os mesmos erros de sempre. Os dirigentes são incapazes de estabelecer uma relação profissional com sua atividade e prejudicam o futuro do clube com suas atitudes intempestivas.
No caso do Coxa, Moro e Vialle foram, sem dúvida, os melhores diretores de futebol que passaram ali na última década. Mas cometeram seus excessos. O "problema" dos contratos de Keirrisson, Mancha e Marlos, por exemplo, foi resultado direto daquela administração. E ambos foram pródigos e contratar jogador de prateleira. Basta lembrar do elenco do Coxa que caiu em 2005. Uma vergonha.
A atual administração, que parece minimamente mais séria que a anterior, comete os mesmos erros do passado. Não sabe profissionalizar a gestão do futebol, ficando refém das vontades de um ou outro diretor mais próximo do comando. O que acontece quando um técnico está na corda bamba? Quem decide? O presidente? O diretor de futebol? O presidente após consultar os diretores mais próximos? Ora, toda essa gente é amadora. Tomam decisões no calor da emoção. O exemplo maior, no caso do Coxa, foi a demissão de Jamelli seguida da de Ivo Wortmann. Demonstra o total descompromisso com qualquer ideia de planejamento para o ano. Resultado: falta comando para resolver os problemas imediatos do time, e a consequência é essa que estamos vendo.
Podemos apontar o mesmo problema com os departamentos de marketing. Sucessivas campanhas de arrecadação de sócios que jogam fora o que foi construído anteriormente. Ou seja: o cara fidelizado hoje pode se "desfidelizar" na próxima gestão. Isso é de uma burrice tremenda. Outra: incapacidade de conquistar contratos de patrocínio. Nem preciso me aprofundar nisso, basta ver o que temos aí. Não se constitui uma fonte de renda, não se valoriza o espaço da camisa etc.
Mas o ponto principal é que nada disso vai mudar enquanto não houve uma alteração profunda nos estatutos dos clubes. E isso não deve acontecer tão logo. Até lá, seremos vítima do bom ou mau desempenho de quem estiver ocupando o trono. É o caso do Atlético. Malucelli pode ser bem intencionado, mas não está apresentando resultados. Então de quê adianta a boa intenção?
Ricardo Sabbag Zipperer
interney.net/blogs/pandorga"
Jones Rossi diz:
A solução é se endividar
"Eu gostaria de concordar com tudo o que vc e o Léo escreveram. Mas tudo o que vocês disseram se aplica a praticamente TODOS os clubes do Brasil. Talvez somente o São Paulo seja diferente. O resto é igual ou PIOR. Não dá para falar que Flamengo, Corinthians ou Grêmio sejam melhores administrados. Tem algum clube por aí, fora o São Paulo, que seja exemplo para alguém? E até o São Paulo está numa draga terrível. Com este elenco, há dez anos, o São Paulo seria uma piada. Mas, enfim, se sustenta. O problema de Coxa e Atlético é falta de crédito. Financeiramente falando. Eles não têm como se endividar. As grandes empresas crescem fazendo dívidas. Gigantes. Enormes. É uma política que funciona para o Flamengo, para o Corinthians. Mesmo assim com ressalvas. O Flamengo passou anos lutando apenas para não cair. E o Corinthians caiu.
Não é uma política que possa ser seguida por todos os clubes. O São Paulo não a segue porque sabe que se daria mal em pouco tempo. E a dupla Atletiba simplesmente não tem condições de implantar essa política, pelo menos por enquanto. O Atlético deveria ter feito isto logo depois do título brasileiro de 2001. Contratar grandes jogadores para ganhar um bi ou um tri nacional, reforçar a marca, e depois se segurar com a base, o que é arriscado. Mas os títulos proporcionariam mais grana. Um time tricampeão brasileiro teria mais poder para pedir grana à TV e negociar patrocínios mais altos. Daria para fazer em 2001, aproveitando a onda em cima do time moderno, da Arena e do CT "de Primeiro Mundo", e o resto da papagaiada que seria útil para atrais jogadores e técnicos em ascensão, com vontade de vencer. Mas não dá para fazer hoje.
O que pode ser feito hoje? Não dá para endividar-se como o Flamengo ou Corinthians, que paga mais de 1 milhão por mês ao Ronaldo. Mas um Paulo Baier aqui, um técnico de ponta ali, um jovem promissor ali podem vir se tudo for feito com critério. Trazer gente que está dando certo, como o Marcelinho Paraíba, mesmo que seja caro. Marcinho e outras babas vindas do futebol português, como Julio Cesar, não dá.
Não sei de fato o que Atlético e Coritiba podem fazer. Não sou administrador e acho bem complicado achar que temos as respostas para lidar com algo tão imprevisível quanto o futebol. Você pode contratar o Marcinho e ele simplesmente não jogar nada. Ou achar o Kleber no Moto Clube e ele se tornar artilheiro do Brasileiro. Não vejo nada em termos administrativos que os clubes paranaenses façam de pior que os rivais para que estejam tão mal. No fundo, acho que é falta de dinheiro. Que se resolve com patrocínio forte (Unimed), parceiro forte (Traffic) ou dívidas (Flamengo e Corinthians). Mas se endividar para não cair não é vantagem. Tem de se endividar para ser campeão. Para depois aumentar o próprio valor de mercado. Senão é melhor cair para a segunda e reduzir os custos com futebol até pintar uma boa geração. Isso pensando pelo lado frio dos negócios. O diabo é convencer a torcida."
O publicitário Leandro Pinheiro dá seu pitaco:
"Vou falar um pouco do meu ramo: construção de marca.
Acho que o Atlético jogou no lixo 3 chances de ouro para dar um puta upgrade na sua marca (o que resulta em dim-dim, bufunfa, $$$):
brasileirão 2001, vice-brasileirão 2004 e vice-libertadores 2005.
Nestes momentos, principalmente 2005 a marca Atlético estava mto, mas mto em alta.
Respeitada, etc.
Teria que ter sido feito um trabalho de marketing muito mais sólido, mais simpático, de aproximação, criativo.
Ao contrário, começou a arrogância. Junto com uma queda impressionante no desempenho do time.
Tiro no pé."
O economista Daniel Soares comenta:
"As grandes empresas funcionam com crédito. Só que, em geral, contratam créditos em cima de estudos de viabilidade. Se vai investir R$100 milhões na ampliação de uma unidade, tem na mão um estudo dos diversos cenários possíveis de futuro com as respectivas expectativas de retorno. O ideal é que com o retorno previsto, seja possível rolar a dívida, pagar as contas, distribuir lucros e contratar novos financiamentos. Isso de modo geral. Há na economia capitalista muitas variáveis sobre as quais uma empresa não tem controle. Às vezes dá errado e o cenário previsto muda. Na segunda metade dos anos 1990, por exemplo, muita gente começou a se endividar em dólar. O real estava sobrevalorizado pela política cambial do governo, pela primeira vez em muito tempo o câmbio era estável no Brasil e os juros internacionais eram muito mais baixos que os nacionais, com os bancos pedindo pelo amor de Deus pra emprestar dinheiro. Só que uma empresa em particular não tem o controle da política cambial do governo (às vezes nem o governo tem, mas isso é outra história...). Em janeiro de 1999 a crise cambial estourou, o dólar pulou de R$1,20 pra R$1,80 em duas semanas e quem tinha se endividado muito em dólar viu sua dívida crescer 50% de uma hora pra outra.
No caso dos nossos clubes, Flamengo e Corinthians à frente, o endividamento é feito sem nenhum planejamento ou critério. Pelo menos critério financeiro. Um critério básico é que endividamento só deve ser feito para financiar investimentos, ou seja, para pagar por coisas que darão retorno no futuro. O retorno futuro garante a rolagem da dívida. Quem se endivida para fazer custeio, ou seja, para pagar contas que vão se repetir todo mês, tende a se emburacar cada vez mais. E nossos clubes pegam empréstimo para pagar os funcionários...
Outra coisa é que a maior parte do endividamento dos clubes parece não ser com instituições financeiras das quais contrataram créditos (digo parece porque não olhei o balanço de ninguém pra escrever isso, parto da percepção que temos com o noticiário), mas surge a partir da quebra de contratos acertados. Tipo comprar o Gamarra e não pagar. Acertar salário milionário com o Pet e não pagar, e assim por diante. Dívida gerada a partir de quebra de contratos. Que gera perda de credibilidade. E sem credibilidade não se consegue fechar novos contratos, assim por diante.
E mesmo que se tenha critério, estudo de viabilidade, gente profissional do ramo, etc, o futebol consegue ser mais imprevisível que o capitalismo. Investimento em clube grande é construção de estádio/CT e contratação de jogadores/técnicos de peso. Um estádio grande e bonito nas mãos de um clube que não consegue empolgar sua torcida para ir no estádio come mais dinheiro do que gera (vide Botafogo e seu Engenhão, que veio praticamente de graça). Sem falar que construção de estádio e de CT não dão retorno em curto prazo, a pressão da torcida pesa e tal. E um jogador/técnico pode simplesmente não dar certo. Mas é claro que com tudo isso que eu escrevi no início deste parágrafo, nossos clubes poderiam estar bem melhor estruturados."
Jun 05
Quantos mais terão que morrer?
por Felipe Lessa01h09

Na noite de quarta-feira, uma briga entre torcedores de Vasco e Corinthians terminou com um assassinato e oito pessoas feridas. Cerca de 15 ônibus da Força Jovem do Vasco passavam pela Marginal Tietê, na capital paulista, quando se depararam com um ônibus e alguns carros de corinthianos.
Sem o reconhecimento de “torcida organizada”, não havia escolta para o grupo pertencente a Gaviões da Fiel, denominado Movimento Rua São Jorge, parado por outro grupo de policiais para uma revista – no momento em que também se dirigiam da zona leste ao Pacaembu.
Foi o suficiente para que paus, pedras e barras de ferro estivessem em punhos de “torcedores” para um combate brutal, supostamente iniciado por vascaínos que correram em direção dos donos da casa, em número bem menor. Os 20 batedores da Polícia Militar, que realizavam a escolta, afirmaram que nada puderam fazer até a chegada de reforço. Realmente, o contingente policial era pequeno para acalmar e controlar os mais de 500 vascaínos ali presentes.
Um promotor afirmou que o ataque foi realizado pelos corinthianos. Ele deveria nos responder a razão de não haverem disparos da calibre 12, portada pelos mesmos – já que a policia paulistana não realiza escolta para quem não reconhece como torcida. No mundo das organizadas, se a polícia resolve não escoltar, é cada um por si. A qualquer momento pode ser realizado um ataque rival.
Com isso, o despreparo policial permitiu 15 minutos de violência e um saldo trágico. Algo que torcedores comuns, daqueles que vão ao estádio apenas para ver futebol, jamais teriam vontade de experimentar. Mas que os organizados sabem que pode ocorrer a qualquer momento. Os policiais também.
No final do jogo, ainda houve tempo para que um dos ônibus da “torcida” carioca fosse incendiado. Ficou no prejuízo o motorista que, sem seguro e ainda pagando as parcelas do veículo, não sabe o que fazer da vida.
A promotoria pública de São Paulo agora fala em jogos com torcidas únicas. Mas seria essa a solução? Imagino que um torcedor do Vasco, não pertencente a uma organizada, jamais iria ao Pacaembu com a intenção de defender a bandeira cruzmaltina na porrada, antes ou após eliminação na Copa do Brasil. Simplesmente vive longe, ou até na própria São Paulo, e gostaria de ver seu clube em campo. Eles, e outros tantos torcedores que não querem brigar, para variar serão penalizados? A secretaria de segurança pública paulistana também vai ser investigada? Se a corda arrebentar, dessa vez que não seja somente no lado mais fraco.
Mortes no futebol brasileiro
A violência relacionada com as bancadas do futebol brasileiro chegou ao extremo no dia 17 de junho de 1988. Minutos depois de sair de um bar, próximo ao Parque Antártica, Cléo Sostenes dirigia-se até a sede da torcida Mancha Verde do Palmeiras. Precisava realizar um telefonema, deu alguns passos e foi atingido por três tiros. Os suspeitos do assassinato eram integrantes da Gaviões da Fiel, que antes do ataque teriam assaltado o veículo utilizado para cumprir a missão.
No estádio Nicolau Alayon, localizado na Zona oeste da capital paulista, em janeiro de 1992, ocorre a primeira morte dentro de um estádio. Integrantes da Independente, do São Paulo, arremessaram uma bomba contra a torcida do Corinthians. Rodrigo Gaspari, de 13 anos, morreu ao ser atingido. Ele assistia seu time pela Copa São Paulo de Juniores.
No Pacaembu estádio, pelo mesmo torneio, em 1995, houve a maior briga entre torcidas organizadas do futebol brasileiro. São-paulinos indignados com a perda do título invadem ao gramado para brigar contra palmeirenses que comemoravam a conquista. Uma batalha campal como jamais foi vista em estádios brasileiros é traçada.
Integrantes da torcida Independente aproveitam o grande número de entulhos localizados na região onde estavam para carregarem-se de munição. Mastros de bandeiras também são utilizados no conflito que deixa como vítima o tricolor Marcio Gasparim.
No final dos anos 90, um jovem morreu ao ser atingido por uma bomba após briga entre atleticanos e coxas, em um terminal de Curitiba. Em 2007 um integrante da Jovem Fla morreu após emboscada das torcidas organizadas de Vasco e Botafogo.
No decorrer dos anos, uma das principais bandeiras do Ministério Público foi a extinção das organizadas e a proibição das faixas nos estádios de diversos estados. As organizadas voltaram e os atos violentos continuam acontecendo até hoje em grandes centros como São Paulo, Curitiba, Belém, Natal, Porto Alegre, Recife, Florianópolis, Rio de Janeiro, entre outros.
Falha policial
Em 2005, um integrante da Leões da TUF, do Fortaleza, foi assassinado após perseguição proporcionada por integrantes da torcida Fúria Jovem do Botafogo. O fato ocorreu no Rio de Janeiro, e integrantes da torcida afirmam que a polícia mudou os planos na hora da volta. Um integrante da facção carioca também foi morto na troca de tiros.
São diversas as ocasiões em que integrantes de torcidas organizadas seguem integrantes de grupos rivais para efetuar disparos. Vale deixar a questão: Como essas armas da torcida visitante entraram no Rio de Janeiro? Se a polícia permitiu a troca de tiros na estrada, algo que ocorre constantemente nesse estado, a escolta foi falha? A secretaria de segurança fluminense deveria investigar a questão de “acordos” entre policiais e componentes de organizadas.
Agressões
Não existem estatísticas que provem o contrário, porém, durante conflitos de torcidas é maior o número de feridos ou o detidos? Em uma das ações policiais, uma torcedora do Paraná Clube perdeu a visão – após incidente ocorrido na saída da Arena da Baixada.
Outro incidente que mostra operação policial questionável envolve faixas dos torcedores.Entre os casos mais conhecidos, a ocasião em que policiais paulistanos revistavam a faixa de uma organizada do Cruzeiro, no início dos anos 2000. Não permitiram a entrada da mesma no estádio e horas depois o material apareceu na mão de torcedores do Corinthians, supostos integrantes da Gaviões da Fiel. Um caso similar ocorreu também com o desaparecimento de uma faixa da torcida do São Paulo, na mesma época, durante embarque em um aeroporto da cidade.
Entrevista
Apesar da Guarda Popular do Internacional não ser uma torcida organizada, passa pelos mesmos problemas. Ao viajar, o movimento de torcedores independente de facções depende de escoltas e precisa lidar com o desgosto de torcidas rivais. Por isso, entrevistamos Hierro Martins, um dos organizadores do grupo. Ele fala sobre alguns problemas relacionados as bancadas de futebol e uma possível solução.
DP - Existe solução para a violência no futebol?
Hierro - Existe, sim. E a solução começa por cada um de nós. A conscientização de que violência no futebol não precisa existir é o primeiro passo a ser dado por todos que vivem o futebol, principalmente as lideranças de torcidas - pra ser a melhor, não precisa ser a mais violenta!
DP - Acha que o fim das organizadas vai acabar ou amenizar a violência?
Hierro - Podem acabar com as organizadas. Vão somente acabar com o comando, vão acabar com o elo aliado contra a violência, mas as organizadas não acabarão, as pessoas vão continuar organizadas dentro do estádio de futebol, organizadas e sem comando, onde o que vale é quem dá mais porrada, e não o que um líder recomenda.
Temos o maior exemplo disto no Rio Grande do Sul, onde as maiores torcidas não são organizadas como entidade, mas se organizaram e se agrupam dentro do estádio. No RS, os estádios estavam propícios a se tornarem campo de guerra. Antes das primeíras vítimas fatais aparecerem, a conscientização anti-violência falou mais alto.
DP - Voce falou no elo aliado contra a violência. E nos casos em que esse elo não pretende ser um aliado contra a violência?
Hierro - Se o elo não é aliado contra a violência, ele não tem que existir !
DP - Qual o papel da polícia e poder público para contribuir com a violência?
Hierro - Eu incluo na sua pergunta o papel da grande mídia também. Se ela publicasse e tornasse informativo toda realidade que acontece quando, por exemplo, o poder público não pune quem tem que ser punido, a polícia não previne. Somente dá borrachada
Tem muitas outras coisas que todos nós que vivemos o futebol sabemos que estes órgãos continuam falhando e deixando acontecer errado. A partir do dia que a grande mídia noticiar e informar as falhas e conivências - torcedor escoltado largado na mão de torcida inimiga, faixa de torcida recolhida e depois vendida pra torcida rival e etc - de quem é pago pra prevenir e proteger, toda sociedade saberá e cobrará muito mais. A generalização de marginal não caberá somente ao torcedor. Extorsões, conivências, cacetada e spray de pimenta não conscientiza, só gera violência.
DP - Comente algumas das ações da popular que ajudaram a diminuir os atos de violência
Hierro - A principal de todas foi quando na véspera de um clássico, num churrasco no pátio do Beira-Rio, fomos alvo de disparos de arma de fogo por torcedores rivais. No momento havia um mutirão de preparativos para o clássico (Grenal), onde tinha mulher e crianças ajudando pra fazer a festa do dia seguinte.
O momento era de cólera geral. Passados 15 minutos dos disparos, 4 ou 5 motos chegando com armas pro revide. Era uma coisa que até então nem tinha que perguntar nada para ninguém. Tinha que ir no rival e responder do mesmo jeito. Os presentes esperavam isso, as pessoas no clube sabiam que o barril de pólvora iria explodir, o próprio rival esperava e se escondia com medo da resposta.
Um momento de lucidez caiu sobre 3 de nós e surpreendentemente decretamos: "Ao primeiro disparo contra o rival, acabamos com a torcida !" no dia do clássico apresentamos uma faixa de 25 metros de comprimento - A TORCIDA QUE NÃO USA ARMAS! Fizemos uma passeata na avenida principal do estádio, começamos em 100, depois 150 torcedores. Quando chegamos no portão de acesso do nosso setor já éramos 5 mil torcedores. Todos querem a paz nos estádios, basta praticar!
DP - Já passaram algum problema por evitar brigas?
Hierro - Eu respondo processo no fórum de Porto Alegre, por ter evitado de um torcedor rival encontrado no setor ser espancado talvez até a morte. A suposta "vitima" e o poder público me acusam de não ter sido cordial com o torcedor rival e ter tirado ele do meio do espancamento com força bruta!
DP – Deixe uma mensagem aos leitores do blog
Hierro - A cada dia que se notícia um conflito entre torcidas, eu me entristeço, fico triste. Essas pessoas não deveriam de se orgulhar pelo conflito, por terem participado, por terem colocado o dito "inimigo" pra correr. Elas precisam repensar suas vidas e abrir os olhos para o buraco que estão jogando esta "classe" (torcidas). Nós mesmo, os torcedores, estamos nos derrotando. Em um conflito da torcida "x" contra a torcida "y" não tem vencedor. Só derrotados!
Jun 03
Parabéns ao Inter, Coxa e cambistas
por Felipe Lessa18h13
Um amigo torcedor do Coritiba foi até o Couto Pereira, na tarde de hoje, comprar ingressos para a semifinal contra o Internacional (RS). Na dificuldade de conseguir entradas, para o jogo válido pela Copa do Brasil, os cambistas fazem festa: R$50 mangos o mais barato direito do torcedor de entrar nas dependências coxas.
Para avacalhar a coisa, os cambistas estão vendendo entradas da Mauá, território alviverde, aos adeptos do time gaúcho. Será que vai dar merda? A diretoria do Coxa já deu o recado: não vai amansar seus torcedores durante o confronto, devido aos problemas que os coritibanos passaram no Beira-Rio. Território propício para merda. Talvez, a polícia evite confronto entre torcedores organizados. Mas a imprudência e o revanchismo poderão criar tumultos entre aqueles que desejam unicamente ver o jogo.
Considerações:
1 - Parabéns aos diretores do Inter, por criar a polêmica. Ninguém mandou deixar torcedores do Coxa abaixo da torcida colorada. Muita gente reclamou ter tomado saquinhos de mijo, pedriscos e até sapatadas na cabeça. Agora quem paga o pato serão os torcedores – que com certeza são aqueles que no jogo passado apenas assistiram o jogo. Os que fizeram merda não teriam coragem de vir até a capital paranaense.
2 – Parabéns aos diretores do Coxa, pela reciprocidade demonstrada nas mensagens aos jornais. É assim que se conquista a tão esperada paz no futebol. Tudo bem que o jogo é de guerra, pode ser esse um dos jogos mais importantes na história do Coritiba. Mas não justifica o risco que está sendo colocado em jogo.
3 – Parabéns aos cambistas, pela responsabilidade social. A integração de torcidas, pela paz, pelo espetáculo, pela glória do futebol é o que tanto queremos. Sabemos que o valor cobrado é maior que o das bilheterias, pois existe todo um trabalho para a humanização dos torcedores nesses aspectos. No caso de confusões, caso esses torcedores do Internacional resolvam comparecer na bancada coxa caracterizados, esses cambistas devem interceder por qualquer incidente. Com certeza a Polícia Civil do Paraná já solicitou também aos cambistas a permissão para se infiltrar e fotografar cada um desses trabalhadores. Claro, com o intuito de depois premiá-los pela iniciativa de integrar torcidas que historicamente não tem vínculos de amizade.
Jun 01
Saudade da Sul-Minas
por Jones Rossi11h58
Entre 1999 e 2002 os times paranaenses pareciam no caminho certo. O Atlético ganhou a Seletiva para a Libertadores (99), fez uma primeira fase fantástica no torneio continental e só foi eliminado nos pênaltis (2000), dando a impressão que poderia ir mais longe. No mesmo ano, o Paraná Clube ganhou o modulo amarelo sobre o São Caetano e quase despachou o Vasco do Campeonato Brasileiro, o famigerado Torneio João Havelange. Em 2001, o Atlético foi campeão brasileiro. Mas o Coritiba chegou a semifinal da Copa do Brasil e a final da Sul-Minas. Em 2002 seria a vez do Atlético disputar - e perder - a final contra o Cruzeiro, não sem antes aplicar uma goleada de 5 a 1 sobre o Grêmio no Olímpico.
Com adversários fortes - Grêmio, Inter, Cruzeiro, Atlético-MG, Coritiba, Figueirense, Paraná e até, na época, o América-MG - o torneio Sul-Minas não deixava os times paranaenses se iludirem. Era uma senhora preparação para o que viria no Campeonato Brasileiro. Mas acabou. Certa vez, entrevistando Mario Celso Petraglia, em 2007, perguntei o porquê da Sul-Minas ter sido extinta. A resposta: por puro interesse da TV, que ainda prefere os terríveis estaduais. E por covardia dos clubes, que não tiveram a coragem de enfrentar as emissoras. Times do tamanho do Cruzeiro acharam por bem não aborrecer as tvs. E deu no que deu.
O fim da Copa Nordeste teve efeito semelhante para os times nordestinos. O regional fortíssimo deu lugar aos velhos estaduais, que estão caindo de podre, dominados por times de empresário. Não há mais romantismo nenhum, como alguns querem fazer crer. Enquanto isso, os times do Sudeste ficam cada vez mais fortes, impulsionados pela grana da TV e pela complacência do governo com as enormes dívidas trabalhistas contraídas em décadas de má administração.
Para nós só restam esmolas. E os estaduais, para alegrar os bobos por pelo menos um final de semana.