Gripe, comodidade, pequenez e uma bola de papel
por Equipe De Primeira17h19
Por Ana Carolina Moreno
A praga pessimista que persegue o Jones Rossi e lhe inspira a escrever posts quase semanais sobre o fim do futebol me infectou. Antes fosse uma gripe – de qualquer tipo – para poder ficar em casa descansando. Deviam inventar essas máscaras pra gente se proteger das más notícias em relação ao futebol. Aí vão as da última semana, e por favor notem que todas são provocadas por quem não está dentro das quatro linhas:
Conmebol constipada e a diretoria do SPFC aproveitando, seguindo o exemplo geral do mundo mundial
Ok, o A(H1N1) foi uma lástima, pegou o México de surpresa e o pânico desmedido se espalhou pelo mundo todo. Tudo bem não querer sujeitar os jogadores brasileiros e uruguaios ao risco de jogar uma partida ao ar livre em um ambiente aglomerado (a única recomendação dos médicos, aliás, é evitar as multidões, a máscara não serve para nada). Agora, é um grande sinal de fracasso da entidade ser incapaz de encontrar um outro estádio no continente inteiro para hospedar essas duas partidas.
Ficam dizendo que o tema não tem nada a ver com futebol e é verdade. Mas usam esse argumento como maneira de fugir da responsabilidade. Deveriam ter vergonha na cara.
As diretorias dos clubes mexicanos também não querem ajudar. Antes já estavam resignadas a jogar fora do país, mas a idéia de fazer apenas um jogo desagradou e eles agora querem ou México ou nada. Se o próprio governo mexicano, que está lidando muito bem com o surto epidêmico, fechou estádios, restaurantes e escolas, não há motivo para essa atitude radical, até porque os jogadores de fora do México não devem ser obrigados a jogar no país morrendo de medo. Entendo que o medo é um tanto exagerado, mas enfim, com a saúde não se brinca.
A diretoria do São Paulo não sei bem o que anda fazendo. Achei muito razoável o jogo ser no Couto Pereira (depois que outros países fecharam suas portas). Na minha opinião, o São Paulo deveria ter ido atrás de conseguir um estádio para o jogo de ida. Jogar as duas no Morumbi, ou fazer apenas um jogo em casa, para mim, é tirar proveito de que o outro time está em situação delicada. Aproveitar que a Conmebol está dando um nó nas pernas e se classificar para a próxima fase sem nem pisar no campo é pura sacanagem. Vocês podem dizer que todos os clubes reagiriam igual e é bem verdade, pois cada um só se importa consigo, e um clube nunca consegue fazer pressão suficiente sobre uma entidade com infra-estrutura e ego inchados.
Exemplo: a maldita taça de bolinhas, que todos os clubes diziam que deveria ser do Flamengo, aí todos passaram anos sem pensar nisso e, na hora que o assunto voltou à tona, cada um foi cuidar do seu umbigo. Agora que São Paulo já tem quatro casos de gripe, quero ver se ela se espalha sem controle, começa a matar quem já tinha outros problemas respiratórios, espalha pânico. O que dirá o Tricolor se chega uma semi-final contra o Boca (nem vi a tabela, não sei se há chance) e a Conmebol diz que vai ser jogo único na Bombonera? Atchim?
Série D
Vide o post do Daniel imediatamente abaixo. Se a gente considera (com razão) que o Avaí é um time pequeno, imagina se alguém vai ligar pro que acontece com o Macaé... O Brasil é a Veneza do futebol, vai submergindo de pouco em pouco até desaparecer por completo.
Quando torcer demais pode voltar como um bumerangue na testa
Aconteceu nessa semana na Alemanha, quando faltavam sete minutos pra acabar a partida contra o Werder Bremen e o Hamburguer garantia, em casa, sua vaga na semi-final da Copa da Uefa. Uma bola ia perdida na linha de fundo e o zagueiro do Hamburguer foi salvar do escanteio e mandá-la pro goleiro começar a jogada. Quando ele foi chutar, a bola “tropeçou” numa bola de papel, o jogador furou o chute e lá foi a pelota pra escanteio. O futuro imeditado você já adivinhou né? O Werder Bremen cruzou, marcou e se classificou para a final.
Podia ter sido uma poça d’água, o vento ou qualquer outro fenômeno natural. Mas não, foi a beleza da mão humana. A bola de papel, pelo que dizem, fazia parte de uma grande coreografia dos torcedores do Hamburguer para a partida. O time já havia ganhado de um a zero no jogo de ida e começaram o de volta com um pé na final. A gente acha que aquele monte de papel higiênico que os latino-americanos despejam no campo do adversário (que no segundo tempo vira o campo do anfitrião), mas pelo visto nem é preciso tanto para mudar o destino da bola.
Eis o vídeo, para quem gosta de uma boa tragédia:
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Comentários:
Parabéns pelo texto!!! Encontrei-o no Cruz de Savóia