O futebol nas grandes cidades do Paraná
por Equipe De Primeira22h25
por Leonardo Bonassoli
Dia 25 de março de 2009. O Londrina, mesmo vencendo o Coritiba por 2 a 1, no VGD, caía para a Segundona do Paranense pela segunda vez desde 1998. Não só pela tradição do Tubarão que o fato chamou a atenção, pois caía também naquele momento o principal time da segunda maior cidade do Paraná, terceira do Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, era rebaixado o Foz do Iguaçu, que é da quarta cidade do estado. O que será que acontece com o futebol das cidades paranaenses com mais de 100 mil habitantes? Vou destrinchar um pouco de cada uma dessas 16 cidades, segundo estimativa de julho de 2008 do IBGE, para que seja discutida a situação da bola em alguns destes municípios.
Curitiba, com mais de 1,8 milhão de habitantes, é, disparada, a maior cidade do estado. Se contar os 3,1 milhões de habitantes na Região Metropolitana, a capital tem cerca de um terço da população do Paraná. Futebolisticamente, neste ano, a participação foi quase proporcional, com quatro das 15 equipes saindo da cidade. E o título ficará na cidade, principal centro econômico, industrial, comercial e político. A dupla Atletiba, que representa setores de massa da sociedade curitibana em diversos estratos sociais e o J. Malucelli, clube sem apelo popular, mas que representa um importante grupo econômico/político do estado, são os candidatos ao título, faltando duas rodadas para o fim. Outro time da cidade, o Paraná Clube, sem chances no estadual, também possui representatividade social e econômica, como os dois principais coirmãos, mas em escala um pouco reduzida.
Londrina tem mais de 500 mil habitantes e não conseguiu manter seu principal clube, o tradicional Londrina, na elite do Paranaense. É uma cidade relativamente nova (1929) e que sofreu um grande surto de colonização com o café, cujas riquezas resultaram no grande momento do LEC nos anos 70 e 80, com últimos suspiros na década de 90. Más administrações tiraram o time com maior potencial do interior do Paraná da rota do sucesso. Londrina também tem a Portuguesa Londrinense, pouco representativa na sociedade local. Por ser um local de colonização recente, como maior parte do Norte do Paraná, os clubes da cidade acabam por concorrer com os times paulistas. Caso isso não ocorresse, provavelmente mais empresários locais se interessariam em apoiar o Tubarão e mais torcedores, além do que costuma ser a maior média de público do interior, compareceriam, gerando um círculo virtuoso na cidade, que já foi denominada a Capital Mundial do Café.
Maringá, com mais de 330 mil habitantes, sequer teve time na primeira divisão deste ano, pois o Galo/Adap desistiu antes do início. A cidade não se encontrou futebolísticamente depois da paralisação do Grêmio Maringá, cuja marca havia caído nas mãos do empresário Aurélio Almeida. O Maringá iguatemi, time de empresários, não empolgou e virou saco de pancadas na Segundona. O Grêmio Maringá, com grupo de empresários tenta se reerguer a partir da Terceirona. Resta saber se Maringá, cidade mais nova que Londrina (Londrina é do Norte Novo e Maringá, mais ao oeste, do Norte Novíssimo), voltará aos dias de glória em que merecia respeito até do Santos de Pelé. O problema de Maringá é similar ao de Londrina, cidade rival no "Clássico do Café", o maior do interior do Paraná. Inclusive as duas cidades cresceram pelo mesmo motivo.
Foz do Iguaçu, no Extremo Oeste, fronteira com o Paraguai, tem quase 320 mil habitantes, e ficou muito tempo sem representante na elite do futebol. Teve o Foz, antigo Auritânia, como representante neste ano, mas acabou sendo rebaixado na temporada de estreia.Tradicionalmente, a cidade sempre teve dificuldades em manter os times de futebol, bastando ver o retrospecto histórico dos times. Tende a ser um time gangorra, pois os apoios financeiros não são os mais polpudos.
Ponta Grossa, com pouco mais de 310 mil habitantes, tem um dos clubes mais antigos do estado, o Operário Ferroviário, que consegue lotar o Germano Krüger em jogos da Segunda Divisão. Nos últimos anos, sempre acontecia algo para o time não subir, praticamente um Charlie Brown liderando a prova e errando a curva da pista ao sonhar acordado com o reconhecimento da Garota Ruiva. Potencial para subir neste ano o Fantasma tem, mas precisa transformar a energia potencial em energia cinética.
Cascavel, pouco mais de 290 mil habitantes, é um caso curioso. O time, no caso o Cascavel Recreativo, tem enfrentado problemas financeiros há pelo menos duas temporadas, mas mesmo assim se mantém na elite a duras penas. Merece um estudo de caso de como sobreviver no caos e com os cofres no vermelho. A cidade jpa teve um título estadual em 1980, quando o então Cascavel dividiu o título com o Colorado de Curitiba, que deu origem ao Paraná Clube. Atualmente está muito longe de poder repetir a façanha.
São José dos Pinhais, mais de 270 mil habitantes, e Colombo, pouco mais de 240 mil, estão na região metropolitana de Curitiba e sofrem forte influência econômica e cultural da capital. Colombo nunca colocou time na principal divisão do estado e atualmente não tem time profissional ativo. São José dos Pinhais já hospedou por muitos anos o Malutrom, atual J. Malucelli, e em uma temporada o Real Brasil. Curiosamente, a cidade, conhecida antigamente como "Capital dos Moranguinhos", teve duas equipes na última temporada da Terceirona Estadual: o São José e o Juventud, sendo que este último tem o CT no Extremo Sul de Curitiba. Curiosamente, São José dos Pinhais é um importante polo automobilístico inclusive nacionalmente.
Guarapuava, com mais de 170 mil habitantes, não sabe o que é colocar um time na primeira divisão do Paraná há mais de uma década. Nenhum time está ativo na cidade. Todo ano fala-se do retorno do Batel, o último time que representou o município (outros foram o Grêmio Oeste e o Guarapuava), porém, até agora, nada aconteceu de concreto.
Paranaguá e seus quase 140 mil habitantes abrigam o Rio Branco, um dos veteranos do futebol paranaense. O time se segura com dificuldade na Primeira Divisão e tenta traçar planos para o Centenário que está próximo. Esbarra na falta de dinheiro, pois a cidade gira praticamente sobre o porto, tanto que teve que fazer parceria com o Trieste, clube amador de Curitiba, para ter jogadores suficientes.
Apucarana, com pouco mais de 120 mil pessoas, tinha tradicionalmente o Apucarana, clube com uniforme similar ao São Paulo e que foi a melhor equipe do interior em 1997. Em 1998, o time, que era presidido por Jesus Vicentini, fechou as portas. A cidade só voltou a ter equipe profissional quando o Roma saiu de Barueri e aportou por lá. Porém, agora, o Roma está longe da primeira divisão estadual e nunca foi a força que esperava ter, ainda mais tendo se originado de um campeão da Copa São Paulo. É próxima a Londrina e tem história de crescimento entrelaçada com ela.
Pinhais e Araucária, ambas com população pouco acima dos 115 mil moradores, ficam também na região metropolitana de Curitiba. Cresceram em parte pela proximidade com a capital, embora Araucária seja um importante polo industrial e Pinhais tenha IDH similar a Curitiba. Futebolísticamente, nunca estiveram na elite, embora Araucária já tivesse abrigado clubes de divisões inferiores. Pinhais foi emancipada de Piraquara apenas em 1992, o que talvez, junto com o fato de ficar cerca de 15 minutos distante do Centro de Curitiba, explique a falta de tradição da cidade no futebol profissional.
Toledo, também na casa dos 115 mil habitantes, teve antigamente um clube com o nome da cidade que fez bom papel até os anos 90. Depois teve a aventura do Império Toledo, do empresário Aurélio Almeida, que debandou para a capital deixando as dívidas na cidade. Em 2005, um grupo apoiado pela Cervejaria Colonia e pela Work, empresa de recursos humanos, resultando no Toledo Colonia Work, atual clube da cidade, que foi o melhor do interior no ano de 2008 e neste ano, mesmo com a parceria com o São Paulo, brigou apenas para não cair. O apelido do time é javali, uma alusão ao porco, principal produto da cidade, importante polo suinocultor, ao lado da cultura da soja. A suinocultura é tão importante para Toledo que o grande evento turístico da cidade é a famosa Festa do Porco no Rolete.
Campo Largo, que ultrapassou a marca dos 110 mil habitantes -- assim como são José dos Pinhais, Colombo, Araucária e Pinhais -- sofre influência da capital, por estar na região metropolitana. A Capital da Louça e da Cerâmica nunca teve representantes na elite estadual, embora alguns times da cidade já tenham participado das divisões inferiores.
E finalmente, Arapongas, e seus 101 mil moradores, cidade próxima a Londrina e que faz parte do mesmo processo colonizatório. O clube com mesmo nome da cidade tem alguma tradição estadual, embora sem muitos resultados significativos. Depois de um tempo de inatividade, disputou a Terceirona de 2008 e subiu para Segunda Divisão. O time é gerido por Adir Leme, empresário que por algumas vezes cuidou do futebol do Londrina. Se voltará à elite é outra história, pois a Série Prata é pródiga em surpresas. Ou você acha ver o Real Brasil ter chego em campo à elite é algo normal?
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Aqui em Americana o Rio Branco que já revelou vários jogadores, dentre eles Marcos Senna da seleção espanhola, está no octogonal final da Série A2 e pode subir para a elite paulista. Americana tem pouco mais de 200 mil habitantes, Campinas com mais de 1 milhão teve o Guarani rebaixado e Piracicaba com 400 mil tem o XV na série A3.
Porque a FIFA não corta os empresários do futebol e façam com que eles obrigatoriamente tenham que trabalhar para o clube e não para o jogador, ai quem sabe parte dos lucros fica com o clube para investir em mais atletas.
Tem o Sport Clube Campo Mourao que foi reativado assim que a ADAP abandonou a cidade e se mudou para Maringa.
Realmente o caso de Campo Mourao e intrigante, pois apos a ADAP ser vice-campea, cogitou-se ate mesmo em construcao de um novo estadio com capacidade para 15-20 mil pessoas.
A cidade tem um CT extraordinario, que e onde ficava a Escolinha do Zico.
Agora o Sport esta aos poucos tentando voltar a primeira divisao, creio que consiga em breve, pois parece que o clube esta nas maos de pessoas da cidade que sao ligadas ao esporte, e nao de empresarios, esse e o lado bom, o problema neste caso e a falta de investimentos.
So pra constar, do clube da ADAP, vice paranaense em 2005, o atacante Marcelo Peabiru chegou a defender o Coritiba, nao sei por onde anda agora, o atacante Washington chegou a ir para o Palmeiras e depois a Portuguesa (acho que ainda esta la) e tambem o excelente goleiro Fabio, que e o atual goleiro titular da Portuguesa.
