Quem peleia, ganha....
por Felipe Lessa02h12

Apesar de duelar contra um pequeno, em Porto Alegre, foi bom ver o Brasil ganhar de três. O sonho dos peruanos acabou quando a seleção teve vontade de jogar bola. Isso basta. Mesmo com os dois volantes de Dunga, foi um dia de alegria em verde e amarelo.
Aproveitando a ótica da salvação, digo mais. Se ela existe, chama-se Luís Fabiano. Precisamos de um capo daqueles que os gaúchos chamam de peleadores. Apesar de não ter nascido no Rio Grande*, o estilo do atacante envolve briga e disposição. Tudo o que parece faltar na canarinho. E o que foi feito por ele contra o Peru.
Tanto é que desde o início do jogo foi para cima. Abriu o marcador aos 17 iniciais, em uma penalidade. Ampliou aos 26 da mesma etapa, sendo mais malandro que os zagueiros. O bandeira não marcou impedimento e Luís Fabiano não parou. Foi em frente e deixou o novo salve ao arqueiro Butrón.
Pouco importa se ele estava impedido. É aí que surge o brilho do peleador brasileiro: renuncia ao direito de ser politicamente correto, marca o gol e comemora como se fosse uma pancada nos hermanos argentinos em final de Copa do Mundo. Contemplando...bom coração, fairplay e firula não mostram quem manda no futebol.
E olhe que não vai precisar nem mesmo repetir os socos e botinadas feitos em São Paulo e Sevilla. Basta não perder o tesão em jogar bola, como alguns companheiros de Sele, e mostrar aos brasileiros que está com eles. Esse é o diferencial que falta em nossos selecionados: raça e paixão no que faz.
Alias, Kaká jogou o fino da bola. Sempre abrindo para o recebimento de passes e agindo rápido, o atleta do Milan fez mais do que sofrer a penalidade que abriu o marcador brasileiro. O bom moço chegou a dividir e desarmar jogadas. Um milagre. Talvez um chamado divino. Dá até para arriscar que ele tenha apropriado um estilo gaúcho de se jogar futebol. Como lancei uma suposição, cito outra: Dunga deve ter adorado.
Em compensação, Pato e Ronaldinho (cada vez menos Gaúcho) deixaram a desejar. Embora tenham jogando pouco tempo, eram toda a esperança do povo pampeano. Entraram apenas para o registro histórico. Nada mais.
Para não frustrar Porto Alegre, o terceiro gol mostrou uma boa pitada de tradicionalismo. Felipe Melo, aos 19 minutos do segundo tempo, dividiu e ganhou duas vezes para entrar na zona de abate e fuzilar. Natural de Volta Redonda, o ex-gremista mostrou o que aprendeu na região.
Finalizando, foi uma bela vitória. Embora, que fique claro: não se mede parâmetro de uma equipe em jogo contra o Peru. Com o perdão desse simpático povo latino, o futebol verde e amarelo apenas fez seu papel de casa. Porém, um fato é inegável: é bom ver a seleção com espírito gaúcho em campo!
Extra:
*Luís Fabiano é de Campinas. Entrevistado, pela Globo, traçou o próprio perfil e mostrou como deveria ser o jogador brasileiro. Confira. clique aqui.
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