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De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Foto ilustrativa

Abr 28

Nietzsche, o eterno retorno e o futebol

por Ricardo Sabbag10h10

Cristovão Tezza
publicado hoje na Gazeta do Povo

No último domingo, pela manhã, deixei prontinha uma bela crônica falando sobre Nietzsche, a teoria do eterno retorno e sua relação com o futebol – e, é claro, a vitória espetacular do Atlético sobre o Coritiba, o que já teria lhe garantido a taça por antecipação. Imaginei entrevistas alegres e calorosas no final do jogo, antecipei a festa aqui em casa e a comemoração com os vizinhos. Fiquei calculando até o que ia dizer ao dentista coxa-branca, que, um ano atrás, usou a broca como vingança, enquanto eu, amarrado na cadeira, não podia responder.

Texto pronto, feliz da vida, foi só abrir a cerveja e esperar o jogo. Bem, antes de falar da partida vou retomar um pouco o paralelo que tentei fazer, mesmo com a cabeça inchada – e não mais de cerveja. O filósofo Nietzsche esboçou o conceito de “eterno retorno”, que, numa síntese leiga, é a ideia de que a vida repete sempre os mesmos fatos e sensações e essa repetição eterna nos limita. Talvez uma boa explicação didática possa ser encontrada no futebol, já que as partidas não funcionam como entidades isoladas – aliás, ninguém dá bola para amistosos. O que interessa mesmo é a cadeia dos campeonatos, a dura sequência de jogos em que se contam pontos para a vitória final. O ciclo dos torneios tem assim o poder de controlar o tempo, medi-lo e organizá-lo em temporadas que eternamente se repetem. Porque, também no futebol, a vida continua e, conforme a surrada mas sempre útil sabedoria popular, nada como um dia depois do outro.

No ano passado, o Atlético ganhou o jogo e perdeu o campeonato. Neste ano, perdeu o jogo, mas pode ganhar o campeonato. Aliás, tenho certeza absoluta de que vai levantar a taça, depois de um longo tempo de sofrimento – é a lei do eterno retorno, misturando um pouco a teoria do filósofo com o desejo do torcedor. Mas, como nada é fácil, ainda teremos de encarar amanhã o Corinthians de aperitivo, que vem embalado com o gol do Ronaldo – por falar em eterno retorno –, o gol mais bonito dos últimos tempos. E na Copa do Brasil cada partida é uma batalha quase irremediável. Pode ser o grande momento para o Atlético se centrar, um momento épico (como aliás o momento que os coxas devem ter vivido domingo passado). Sinto que a equipe parece sempre cair mais por falta de equilíbrio emocional que por carência técnica, e transparece ainda uma indecisão sobre qual é afinal a formação titular do time. O problema é que no futebol parece que todos os santos são de barro, e é para eles que temos de rezar e sofrer durante o jogo. E vejam só, pessimistas: continuamos em primeiro lugar.

Pois eu ia comentar o Atletiba. Mas com o espaço chegando ao fim, melhor dizer das vantagens do romancista sobre o cronista. Aquele cria a realidade; este se arrasta atrás dela, escravo fiel. E a realidade digamos que está mais à frente, domingo que vem, quando se fecha um ciclo.

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Futebol ParanaenseAtlético

Abr 27

O Atletiba de 2009

por Felipe Lessa22h43

ATLE
TIBA

Vencer o Atletiba por 4 x 2, no domingo, foi o marco do ano do centenário no alviverde. Desiludida com o sonho de vencer o Brasileirão, a torcida comemorou a vitória da mesma forma com que seus antepassados vibraram em junho de 1924, quando a equipe do Alto da Glória venceu por 6 a 3 o primeiro jogo entre as duas equipes.

Na capital, apenas os torcedores do Paraná Clube não se envolveram com o evento. Tanto preferiram esquecer do futebol que pouco mais de 700 pagaram ingresso para ver o próprio empate do tricolor contra o Iraty, na Vila Capanema. Preferiram ficar em casa a ver os ambulantes das redondezas do Durival de Brito comentarem sobre o derby do dia seguinte.

Era dia de guerra, paz, alegria e tristeza em Curitiba. Da rivalidade formal do atletiba, que nasceu no surgimento do Internacional (o novo clube trouxe para a formação de sua equipe jogadores dissidentes dos coxas alemães), houve a evolução. A tiração de sarro sadia, além de apostas envolvendo caixas de cerveja, até os combates com bombas – dentro e fora do estádio, além de terminais e ruas do centro e periferia. Neles, a Polícia também fez questão de participar com todo seu preparo de guerra.

Em campo, um clássico bonito e bem jogado. Ainda que apenas o Coritiba tenha jogado para vencer os 90 minutos. Foi natural ver Marcelinho Paraíba e Marco Aurélio abrirem o marcador coxa-branca.

Já o Atlético não dava a impressão de querer reagir. As desavenças entre jogadores e torcedores parecem ter tomado conta do futebol dentro de campo. Do lado das arquibancadas, torcedores dizendo que apoiariam apenas pelas cores do clube. Pela tradição dos ídolos que estamparam as novas bandeiras penduradas no estádio. Dentro de campo, um plantel que promete vencer o fraco campeonato estadual como glória pessoal para eles mesmos.

Em momentos de discórdia dentro de sua própria residência, foram os visitantes que precisaram intervir para a instantânea criação da harmonia entre os donos da casa. É o instante em que quase surge uma reação. Da jogada que poderia fuzilar a partida, além de alguns minutos de descanso, surge o contra-ataque em que permitiu a Rafael Moura diminuir o marcador. Pela primeira vez no jogo Furacão e torcida parecem entrar em sintonia.

A baixada vira um caldeirão, Marcinho empata o jogo e todos têm a impressão de que festejariam o título atleticano com antecedência. No entanto, o time da casa retrocedeu. Deram mais que espaço para nova imposição alviverde. Ariel e Marlos simbolicamente despejaram laxante no Chopp que comemoraria o título do rival e consolidaram a maior vitória do ano em que o alviverde completa 100 anos.

Resumindo: é pouco. O campeonato estadual se resume a um belo jogo. Apenas um, já que o primeiro atletiba terminou em um oxo pífio e decadente para os torcedores que foram ao Couto Pereira. Contra outros clubes, o que vimos foi um torneio fraco, repleto de times de empresários e sem paixão ou envolvimento algum das cidades onde os mesmos habitam. Por isso, tenho certeza, foi o jogo do ano para nosso humilde futebol do Paraná.

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FutebolFutebol Paranaense

Abr 26

4 a 2 é marketing?

por Jones Rossi19h04

Está aí o primeiro resultado da nova diretoria do Atlético. Uma derrota por 4 a 2 na Arena para um Coritiba superior em quase todos os momentos da partida. Do jogo não há muito o que falar. Ficou claro que o time do Atlético segue o mesmo que quase foi rebaixado ano passado. Nestes primeiros quatro meses do ano não venceu nenhum time que esteja na primeira divisão do Campeonato Brasileiro e em nenhum momento apresentou um futebol digno de nota.

Tem mais. Certas declarações de Marcos Malucelli, o presidente do Atlético, me preocupam. Em especial uma que mostra que tipo de diretriz o Atlético terá pela frente. Durante esta semana, quando perguntado se o Atlético teria interesse no atacante Christian Vieri, afirmou que "não estamos fazendo marketing aqui, e sim futebol”. Linda declaração, se não demonstrasse uma profunda ignorância em relação ao futebol atual. E se pelo menos fosse verdade.

Ronaldo no Corinthians, na visão de Malucelli, é marketing? Extremamente caro, o atacante chegou sob desconfiança, tratado como uma grande jogada publicitária do Corinthians, com poucos efeitos práticos esportivos. Ou seja, chegou para atrair anunciantes. Tanto melhor se desse resultado em campo. Mas hoje, domingo, o ex-gordo fez dois gols na final do Campeonato Paulista. Um deles foi uma obra-prima. O resultado final, 3 a 1 na Vila Belmiro, praticamente decidiu o título para o Corinthians.

Não é só isso. A chegada de um jogador como Ronaldo atraiu anunciantes aos montes, recolocou o Corinthians no centro das atrações do futebol paulista e ofuscou o todo-poderoso São Paulo. De um time que havia acabado de disputar a segunda divisão, passou a ser candidato ao título de todos os campeonatos que vai disputar este ano. Acabou com o estigma de time de Série B em uma única tacada.

Malucelli não é burro. Quando diz que "não estamos fazendo marketing aqui, e sim futebol” está fazendo... marketing. Foi uma forma de dizer que, ao contrário de Petraglia, estava concentrando os recursos no futebol. Então, está sim, meu caro, marqueteando aos quatro ventos.

Vieri teria os mesmos resultados no Atlético? Provavelmente não. Justamente porque o Atlético voltado o futebol, tão apregoado por Malucelli, não existe. Se a diretoria anterior pecava por excesso de marketing, a nova peca por nenhum marketing. E nenhum futebol.

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FutebolFutebol ParanaenseAtléticoCoritiba

Abr 23

100 anos clamando por independência

por Felipe Lessa21h27

Os colorados estão dando um belo exemplo de como Coritiba e Coxas deveriam agir no ano do centenário. Para tal, não se precisou ligar a TV ou ir a Porto Alegre - onde mais de 15 mil colorados se reuniram, desfilaram e cantaram hinos de Internacional e Rio Grande do Sul pelas ruas.

Cidades paranaenses como Curitiba e Toledo se mobilizaram, com milhares de alvirubros gaúchos nas celebrações. Na capital, com uma marcha. No oeste do estado, um glorioso encontro que reuniu desde idosos à crianças.

Enquanto isso, no alto de nossas glórias paranaenses, encontro alviverdes descrentes e reclamando da não organização de algo grandioso por seu clube. O jantar de aniversário já é tradicional por si só, mas é rotina e não pode ficar nisso. O projeto de vigília no Alto da Glória precisa ser melhor explicado. Ou então, muitos podem confundir com atividades religiosas de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.

O torcedor coxa quer saber de algo mais grandioso que um hotsite, algumas tardes de autógrafos e a simples contratação de Marcelinho Paraíba. Afinal, o Coritiba não é um clube pequeno. É praticamente nele que surge a história do futebol paranaense, e dele também que vemos o quanto parece ser insignificante a história do futebol local para quem no estado vive.

Os coxa-brancas querem mais que festejar na Praça do Homem Nu. Querem que sua diretoria estreite os laços de relacionamento, que os convoquem previamente para a organização de algo tão grandioso quanto foi a marcha colorada, em Curitiba - a do Rio Grande do Sul, nem se compara. Já vinha sendo organizada por mais de dois anos.

Enquanto isso, na capital dos pinheirais, vemos uma torcida amarga com as quase nulas possibilidades de título um estadual. Desacreditada para brasileiro e sulamericana. Com vontade de não passar mais inveja perante “gaúchos”, como também “paulistas” e “cariocas” que se alojam em Curitiba...O torcedor Coxa quer, e precisa, soltar um grito de independência, no ano em que nosso mais antigo clube de futebol em atividade completa 100 anos. Mostrar que o fim do provincianismo começa dentro dos clubes locais, e não criticando os belos feitos vindos de fora.

* E que os atleticanos e paranistas não contem vantagem. Faz parte de todo o trio de ferro lutar por algo no Paraná. Do interior, nem falo nada. O futebol lá já nasceu colônia e o pensamento colono parece ser orgulho para grande parte dessas comunidades. Em especial, a dos cartolas de futebol.

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FutebolFutebol ParanaenseMemóriaArquiteturaCoritiba

Abr 21

Em defesa de Diego Souza

por Jones Rossi06h24

Que tipo de punição merece Diego Souza, meio campo do Palmeiras que surtou no último sábado, já no final do jogo contra o Santos? Depois de uma discussão com o zagueiro santista Domingos, Diego empurrou de leve o adversário, que se jogou no chão como se tivesse sido atingido de verdade. Revoltado com a simulação, o palmeirense foi tomar satisfações e precisou ser detido pelos companheiros. Quando tudo já parecia resolvido, Diego Souza retornou ao campo e deu uma rasteira em Domingos. Você pode ver tudo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=FSYsUCjIsoA

No vídeo, uma gravação da Sportv, com narração de Milton Leite e comentários de Mauricio Noriega, no momento da confusão, os dois já pedem uma "punição exemplar" ao meia palmeirense. No calor do momento, nada mais natural. Mas agora é preciso analisar o que aconteceu de fato.

Para começar, Diego Souza não foi violento. Pode ter sido burro, pode ter ficado nervoso além da conta, pode ter exagerado na reação às provocações de Domingos, mas não foi violento. Ficou claro que o empurrão não machucou o zagueiro santista. (E aqui cabe também a defesa de Domingos. Ele fez o certo. Diante do destempero do adversário, fingiu ter sido agredido para ganhar vantagem. Se o juiz caiu nessa, problema do juiz. Como também poderia o árbitro poderia ter visto e punido apenas ele. Calculou os riscos, e foi em frente. Deu certo desta vez. Da próxima, com uma arbitragem atenta, talvez não dê.)

Mas se ficou claro que o empurrão não machucoou Domingos, a rasteira também não passou de um lance circense, ao melhor estilo Trapalhões (veja o vídeo abaixo). Plasticamente deu a impressão de ser algo muito brutal, o que não foi, absolutamente. No primeiro jogo da semifinal do campeonato paulista entre São Paulo e Corinthians, por exemplo, Ronaldo deu uma entrada violentíssima em André Dias http://www.youtube.com/watch?v=9U74Oa8t-6U. Recebeu apenas um cartão amarelo.

Então, se o empurrão e a rasteira que Diego Souza deu em Domingos não passaram de lances que poderiam ter sido protagonizados por Mussum e Zacarias, o que sobra? Há quem diga que Diego criou um clima de beligerância no estádio, inflamando a torcida, que poderia ficar sem controle, estimulada pelas cenas de agressão. Argumento inválido. Cada um é responsável por seus atos. O que Diego fez não é desculpa para ninguém sair por aí batendo na torcida rival. E todos sabemos que as torcidas organizadas nunca precisaram de justificativa para brigar por aí.

Diego, no entanto, deve ser punido. Pela agressão e pela expulsão. Dois, três jogos no máximo. Nada de punição "exemplar". Se for assim, é preciso tirar Ronaldo das finais do Paulista. O que ele fez em André Dias foi bem pior.

Mussum coloca Diego Souza no bolso

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FutebolVídeoFutebol PaulistaPalmeiras

Abr 20

O futebol nas grandes cidades do Paraná

por Equipe De Primeira22h25

por Leonardo Bonassoli

Dia 25 de março de 2009. O Londrina, mesmo vencendo o Coritiba por 2 a 1, no VGD, caía para a Segundona do Paranense pela segunda vez desde 1998. Não só pela tradição do Tubarão que o fato chamou a atenção, pois caía também naquele momento o principal time da segunda maior cidade do Paraná, terceira do Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, era rebaixado o Foz do Iguaçu, que é da quarta cidade do estado. O que será que acontece com o futebol das cidades paranaenses com mais de 100 mil habitantes? Vou destrinchar um pouco de cada uma dessas 16 cidades, segundo estimativa de julho de 2008 do IBGE, para que seja discutida a situação da bola em alguns destes municípios.

Curitiba, com mais de 1,8 milhão de habitantes, é, disparada, a maior cidade do estado. Se contar os 3,1 milhões de habitantes na Região Metropolitana, a capital tem cerca de um terço da população do Paraná. Futebolisticamente, neste ano, a participação foi quase proporcional, com quatro das 15 equipes saindo da cidade. E o título ficará na cidade, principal centro econômico, industrial, comercial e político. A dupla Atletiba, que representa setores de massa da sociedade curitibana em diversos estratos sociais e o J. Malucelli, clube sem apelo popular, mas que representa um importante grupo econômico/político do estado, são os candidatos ao título, faltando duas rodadas para o fim. Outro time da cidade, o Paraná Clube, sem chances no estadual, também possui representatividade social e econômica, como os dois principais coirmãos, mas em escala um pouco reduzida.

Londrina tem mais de 500 mil habitantes e não conseguiu manter seu principal clube, o tradicional Londrina, na elite do Paranaense. É uma cidade relativamente nova (1929) e que sofreu um grande surto de colonização com o café, cujas riquezas resultaram no grande momento do LEC nos anos 70 e 80, com últimos suspiros na década de 90. Más administrações tiraram o time com maior potencial do interior do Paraná da rota do sucesso. Londrina também tem a Portuguesa Londrinense, pouco representativa na sociedade local. Por ser um local de colonização recente, como maior parte do Norte do Paraná, os clubes da cidade acabam por concorrer com os times paulistas. Caso isso não ocorresse, provavelmente mais empresários locais se interessariam em apoiar o Tubarão e mais torcedores, além do que costuma ser a maior média de público do interior, compareceriam, gerando um círculo virtuoso na cidade, que já foi denominada a Capital Mundial do Café.

Maringá, com mais de 330 mil habitantes, sequer teve time na primeira divisão deste ano, pois o Galo/Adap desistiu antes do início. A cidade não se encontrou futebolísticamente depois da paralisação do Grêmio Maringá, cuja marca havia caído nas mãos do empresário Aurélio Almeida. O Maringá iguatemi, time de empresários, não empolgou e virou saco de pancadas na Segundona. O Grêmio Maringá, com grupo de empresários tenta se reerguer a partir da Terceirona. Resta saber se Maringá, cidade mais nova que Londrina (Londrina é do Norte Novo e Maringá, mais ao oeste, do Norte Novíssimo), voltará aos dias de glória em que merecia respeito até do Santos de Pelé. O problema de Maringá é similar ao de Londrina, cidade rival no "Clássico do Café", o maior do interior do Paraná. Inclusive as duas cidades cresceram pelo mesmo motivo.

Foz do Iguaçu, no Extremo Oeste, fronteira com o Paraguai, tem quase 320 mil habitantes, e ficou muito tempo sem representante na elite do futebol. Teve o Foz, antigo Auritânia, como representante neste ano, mas acabou sendo rebaixado na temporada de estreia.Tradicionalmente, a cidade sempre teve dificuldades em manter os times de futebol, bastando ver o retrospecto histórico dos times. Tende a ser um time gangorra, pois os apoios financeiros não são os mais polpudos.

Ponta Grossa, com pouco mais de 310 mil habitantes, tem um dos clubes mais antigos do estado, o Operário Ferroviário, que consegue lotar o Germano Krüger em jogos da Segunda Divisão. Nos últimos anos, sempre acontecia algo para o time não subir, praticamente um Charlie Brown liderando a prova e errando a curva da pista ao sonhar acordado com o reconhecimento da Garota Ruiva. Potencial para subir neste ano o Fantasma tem, mas precisa transformar a energia potencial em energia cinética.

Cascavel, pouco mais de 290 mil habitantes, é um caso curioso. O time, no caso o Cascavel Recreativo, tem enfrentado problemas financeiros há pelo menos duas temporadas, mas mesmo assim se mantém na elite a duras penas. Merece um estudo de caso de como sobreviver no caos e com os cofres no vermelho. A cidade jpa teve um título estadual em 1980, quando o então Cascavel dividiu o título com o Colorado de Curitiba, que deu origem ao Paraná Clube. Atualmente está muito longe de poder repetir a façanha.

São José dos Pinhais, mais de 270 mil habitantes, e Colombo, pouco mais de 240 mil, estão na região metropolitana de Curitiba e sofrem forte influência econômica e cultural da capital. Colombo nunca colocou time na principal divisão do estado e atualmente não tem time profissional ativo. São José dos Pinhais já hospedou por muitos anos o Malutrom, atual J. Malucelli, e em uma temporada o Real Brasil. Curiosamente, a cidade, conhecida antigamente como "Capital dos Moranguinhos", teve duas equipes na última temporada da Terceirona Estadual: o São José e o Juventud, sendo que este último tem o CT no Extremo Sul de Curitiba. Curiosamente, São José dos Pinhais é um importante polo automobilístico inclusive nacionalmente.

Guarapuava, com mais de 170 mil habitantes, não sabe o que é colocar um time na primeira divisão do Paraná há mais de uma década. Nenhum time está ativo na cidade. Todo ano fala-se do retorno do Batel, o último time que representou o município (outros foram o Grêmio Oeste e o Guarapuava), porém, até agora, nada aconteceu de concreto.

Paranaguá e seus quase 140 mil habitantes abrigam o Rio Branco, um dos veteranos do futebol paranaense. O time se segura com dificuldade na Primeira Divisão e tenta traçar planos para o Centenário que está próximo. Esbarra na falta de dinheiro, pois a cidade gira praticamente sobre o porto, tanto que teve que fazer parceria com o Trieste, clube amador de Curitiba, para ter jogadores suficientes.

Apucarana, com pouco mais de 120 mil pessoas, tinha tradicionalmente o Apucarana, clube com uniforme similar ao São Paulo e que foi a melhor equipe do interior em 1997. Em 1998, o time, que era presidido por Jesus Vicentini, fechou as portas. A cidade só voltou a ter equipe profissional quando o Roma saiu de Barueri e aportou por lá. Porém, agora, o Roma está longe da primeira divisão estadual e nunca foi a força que esperava ter, ainda mais tendo se originado de um campeão da Copa São Paulo. É próxima a Londrina e tem história de crescimento entrelaçada com ela.

Pinhais e Araucária, ambas com população pouco acima dos 115 mil moradores, ficam também na região metropolitana de Curitiba. Cresceram em parte pela proximidade com a capital, embora Araucária seja um importante polo industrial e Pinhais tenha IDH similar a Curitiba. Futebolísticamente, nunca estiveram na elite, embora Araucária já tivesse abrigado clubes de divisões inferiores. Pinhais foi emancipada de Piraquara apenas em 1992, o que talvez, junto com o fato de ficar cerca de 15 minutos distante do Centro de Curitiba, explique a falta de tradição da cidade no futebol profissional.

Toledo, também na casa dos 115 mil habitantes, teve antigamente um clube com o nome da cidade que fez bom papel até os anos 90. Depois teve a aventura do Império Toledo, do empresário Aurélio Almeida, que debandou para a capital deixando as dívidas na cidade. Em 2005, um grupo apoiado pela Cervejaria Colonia e pela Work, empresa de recursos humanos, resultando no Toledo Colonia Work, atual clube da cidade, que foi o melhor do interior no ano de 2008 e neste ano, mesmo com a parceria com o São Paulo, brigou apenas para não cair. O apelido do time é javali, uma alusão ao porco, principal produto da cidade, importante polo suinocultor, ao lado da cultura da soja. A suinocultura é tão importante para Toledo que o grande evento turístico da cidade é a famosa Festa do Porco no Rolete.

Campo Largo, que ultrapassou a marca dos 110 mil habitantes -- assim como são José dos Pinhais, Colombo, Araucária e Pinhais -- sofre influência da capital, por estar na região metropolitana. A Capital da Louça e da Cerâmica nunca teve representantes na elite estadual, embora alguns times da cidade já tenham participado das divisões inferiores.

E finalmente, Arapongas, e seus 101 mil moradores, cidade próxima a Londrina e que faz parte do mesmo processo colonizatório. O clube com mesmo nome da cidade tem alguma tradição estadual, embora sem muitos resultados significativos. Depois de um tempo de inatividade, disputou a Terceirona de 2008 e subiu para Segunda Divisão. O time é gerido por Adir Leme, empresário que por algumas vezes cuidou do futebol do Londrina. Se voltará à elite é outra história, pois a Série Prata é pródiga em surpresas. Ou você acha ver o Real Brasil ter chego em campo à elite é algo normal?

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FutebolFutebol AlternativoFutebol ParanaenseMemóriaAtléticoCoritiba

Quando perder não dói

por Ana Carolina Moreno11h45

Dá até um certo alívio, entende?

Quero dizer, é claro que perder não é bom. É uma merda. Todo mundo lá no estádio, todos os meus amigos – os que não são bundões e compraram ingresso a tempo, é claro. Eu aqui, tendo que acompanhar a partida de longe. Só podendo escutar o hino pelo blip.fm. Tendo que ganhar de um a zero sem poder gritar e ainda precisando saber tudo pela internet, com no mínimo 15 segundos de atraso. O lag, aliás, é outra merda.

Mas poderia ter sido pior. Poderíamos ter conseguido a vantagem no primeiro jogo e a jogado fora em três pênaltis como na semi-final do ano passado. Poderíamos ter perdido a cabeça e reencenado um show de horrores como o de Diego Souza. Que, aliás, se não um punição rigorosa pelo surto psicótico que teve, pelo menos deveria passar por um tratamento psicológico. Se trabalhasse em qualquer outro campo de atuação, seria demitido pela desproporcionalidade de sua reação. As circunstâncias que afetam o futebol (salários, expectativas, câmeras etc) diferenciam essa de outras profissões. Mas alguma conseqüência tem que ser aplicada, nem tanto pela exemplaridade, mas porque esse comportamento está totalmente fora do socialmente aceitável.

Enfim, o domingo foi uma brisa perto do sábado. Sinto pelos palmeirenses que o jogo tenha sido tão atribulado quanto a semi-final de 2008. Se no ano passado eles se deleitaram com o resultado, dessa vez ficaram com o palito mais curto. E correm o risco de tirar férias forçadas até o Brasileiro. De qualquer maneira, até domingo passado eu achava que todo clássico ia virar um espetáculo de esquizofrenia e embrulhar meu estômago. Mas ontem me provaram que pode ser um jogo calmo, com vencedores e perdedores, rivalidade saudável e respeito mútuo.

Viu como poderia ter sido pior?

O São Paulo perdeu ontem não porque faltou André Dias e Rogério Ceni. Perdeu porque não quis ganhar. Na falta de espírito de equipe, sobrou gente querendo a faixa de herói. E chutando a esmo. Perdeu também porque Ronaldo estava do outro lado. Esse sim foi o único herói. Sem Ronaldo, o jogo duraria todos os 90 minutos para o qual estava programado, e não seria encerrado bruscamente depois do primeiro gol. E provavelmente acabaria em empate, o que talvez seria pior, porque aí a bola no travessão do Borges viraria outro “e se...?”.

Desses já tenho uma lista quilométrica, da qual cito, como exemplo aleatório, o item “e se o Roberto Carlos não estivesse preocupado com a meia naquela cobrança de falta no jogo contra a França?”. Mas poderia ser também o “e se o Adriano fosse um pouco mais malandro e segurasse melhor a bola no campo do Flu na Libertadores do ano passado, não dando tempo praquele escanteio mortal?” Ontem perdemos perdendo, o que é bem melhor que perder empatando, mais ainda que perder ganhando e nem se compara a perder por culpa do juiz.

O fato é que (e escrevo isso mesmo sabendo que vocês não vão acreditar): ser eliminado do Paulista dói muito pouco. Talvez se estivéssemos no limiar da eliminação da Libertadores, ou se sequer nela estivéssemos. Talvez se hoje não fosse o dia em que nasce* meu primo Pedro. O sobrinho do meu outro primo César, corinthiano roxo que morreu há nove anos, um mês e três dias, e deve ter ficado com as bochechas rosadas depois de ver o passe do Ronaldo. Porque a bochecha dele sempre mudava de cor quando ficava muito feliz (nesse caso, por ganhar) ou bravo (nesse caso, por não ter visto a vitória de perto, e não poder zoar a metade são-paulina da família).

Vai ver ainda estou matando as saudades do Corinthians, pelos oito longos meses em que estivemos separados.
Ou contente pelos palmeirenses estarem imersos no seu próprio drama para vir me encher a paciência (engraçado que com os corintianos nunca tem estresse, ganhou ganhou, perdeu perdeu).
Ou ciente de que esse futebolzinho café-com-leite, se chegasse à final, seria por demérito do adversário, e não mérito próprio (e o Corinthians que se cuide contra o Santos).
Ou em choque pela história do Rogério (aquele vídeo dele no Reffis não me convenceu por um segundo sequer).
Mas dor de cotovelo, isso tenho certeza que não é.

*Cesariana programada é um dos fatores mais estranhos da cultura brasileira.

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FutebolFutebol Paulista

Abr 19

8 a 1, placar final

por Equipe De Primeira17h00

Por Fabrício Kichalowsky

Com um jogo pela Copa do Brasil pela frente, o Inter se poupou na segunda etapa e fechou a partida em 8 a 1, o mesmo placar da final do Gauchão do ano passado.

Dessa forma, o Colorado começa o ano com três taças: já havia ganho o 1º Turno, a Taça Fernando Carvalho; com a vitória de hoje, venceu também a Taça Fábio Koff e o 2º Turno. Invicto, com 18 vitórias em 21 partidas, além do melhor ataque, da melhor defesa e do artilheiro da competição, Táison, o Clube começa um ano histórico fazendo história.

Internacional, Bicampeão Gaúcho.

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No Morumbi, 0 a 0. No Maracanã, 0 a 0.

No Beira-Rio, 7 a 0.

É isso mesmo, fechados os primeiros 45 minutos de jogo em Porto Alegre, o Internacional dá show e conquista seu primeiro título no ano do Centenário. Com um trio de jogadores único, Nilmar, Táison e D'Alessandro, o Colorado joga a sério e mostra que quer ser o grande time de 2009, não apenas regionalmente, onde não tem adversário, como nacionalmente.

Agora, é esperar pelo placar final. No ano passado, o Inter surpreendeu o Brasil ao fazer 8 a 1 ao natural no Juventude. No andar da carruagem, a marca será batida com facilidade.

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EsportesFutebolFutebol Gaúcho

Em busca de futebol autêntico, inglês faz turismo na Alemanha

por Equipe De Primeira14h45

Por Mathias Wolf*

Dearlove Melvin vive em Londres e quando era mais jovem, foi treinador de seu time preferido, o Liverpool. Porém a progressiva comercialização da Premier League do futebol inglês levou-o a afastar-se do futebol inglês. A 4 anos ele vêm a Alemanha para assistir a jogos de futebol. Mais especificamente do FC St.Pauli.

Na entrevista ele fala sobre o vigor do time e sobre a economia que faz assistindo aos jogos na Alemanha.

Mr.Dearlove, você mora em Benfleet, próximo a Londres, mais precisamente próximo aos locais onde acontecem os jogos da Premier League, porém você e seu filho sempre vão a Alemanha para assistir aos jogos de um time de segunda divisão que é o St.Pauli. Por que?
Estamos em Hamburgo sempre que possível. O St.Pauli é mais vivo, mais excitante e mais autêntico que o futebol inglês. As festas no Millerntor são fantásticas e na Inglaterra você não pode festejar. Na Alemanha você pode beber cerveja e fumar na arquibancada - na Inglaterra você tem que sentar e tudo o que é divertido ao assistir um jogo é proibido. E os pubs se venderam, só pensam em dinheiro. De qualquer forma, vir assistir ao St.Pauli jogar é mais barato do que assistir a um jogo do Arsenal.

Explique.
Para ir ao jogo do Arsenal eu pago por volta de 60 euros por um ingresso. Para ir ao jogo do St.Pauli eu pago menos de 10 euros pelo ingresso, 20 euros pela passagem de avião e mais 40 euros pela pernoite. Me divirto 2 dias pelo mesmo preço. Isso é um dos motivos pela qual eu não sou o único torcedor com uma camiseta marrom e branca no avião.

De fato, a mídia inglesa tem noticiado que cada vez mais os torcedores têm deixado de ir aos jogos da Premier League para assistir aos jogos da Bundesliga.
E não há nada que se possa fazer contra isso. Isso acontece mesmo na Liga dos Campeões, que é a melhor liga do futebol mundial. Mas os clubes se distanciaram dos seus torcedores. Mas com os times na Alemanha, eles conseguem que a gente ainda se sinta parte da festa. Claro que com a comercialização da Bundesliga isso diminuiu um pouco, mas não é como na Inglaterra. Já faz 1 ano e meio que não vou a um jogo da Premier League, o clima é entediante pra mim. A 4 anos eu venho a St.Pauli - é um dos clubes mais conhecidos na Inglaterra. Eu sou viciado pelo St.Pauli.

O que você mais gosta no time?
Você vem e se sente bem vindo. Você sente livre em todos os jogos. Os torcedores são anti-racistas, anti-sexistas, eles são de esquerda como eu - nada há nada igual na Inglaterra. No Millerntor eles cantam "You'll Never walk Alone" quando o time perde. Como fazíamos antigamente, quando um jogador ainda não ganhava 70.000 libras por semana.

O que você faz quando não pode vir a Hamburgo?
Eu tenho muitos amigos que também não têm condições de assistir aos jogos de seus clubes favoritos. Então nos encontramos em algum pub para assistir futebol - e também aos jogos do St.Pauli.

A Premier League faz parte da sua história pessoal.
Sim, eu trabalhei 20 anos para o Liverpool. Foi meu time favorito desde a infância. Mas como os americanos o compraram, estava na cara que o time havia perdido a sua alma. Hoje eu trabalho como treinador no Drittligisten Southend United.

*Publicado originalmente 13/04/2009 no site Frankfurter Allgemeine e traduzido pelo blog. F.C St Pauli Brasil.

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FutebolPolítica

Abr 16

Clássico do Café: uma realização de criança que está acabando

por Felipe Lessa21h50

Esqueçam do futebol no interior norte do Paraná em 2009. Simplesmente, se o momento da ressurreição existe...não é agora. Londrina e Grêmio de Maringá, os clubes que melhor representaram o esporte interiorano, já eram.

Pensei que o Londrina, na gestão de Peter Silva, iria se tornar um clube organizado. ERREI! O Tubarão foi rebaixado no estadual, alugou sua marca aos Malucelli para o Campeonato Brasileiro da Série D e não engrenou com a campanha de transparência. Já era. Quero ver mesmo são os extratos bancários da venda do Ricardo, revelação do LEC comprada pelo Grêmio de Porto Alegre por R$300 mil*, e do Ronaldo, um jovem que nem estreou no profissional alviceleste e já foi negociado com o Inter de Porto Alegre por R$400mil. Duvido que haja alguém nesse clube com peito para cobrar.

E o Grêmio de Maringá? Vai voltar. Volta nos mesmos esquemas de antes. Uma picaretagem atrás da outra, talvez para competir com o Londrina. O GEM do Galo significa na verdade Grupo Empresarial Maringá, um time que tem apoio de médicos da cidade canção que nada sabem sobre futebol – mas tem nas cabeças o Apucarana, aquele mesmo que a torcida acusa de vender o Galo para o Aurélio Almeida.

O nome GEM** É apenas alusivo a quem vai comandar, com uma pitada de marketing. O nome real registrado na Federação Paranaense, pelo que consta, é Grêmio Maringá S.C. A picaretagem é tanto que até mesmo no dia do lançamento do time, o então prefeito, Silvio Barros, preferiu mandar um secretário – e foi acompanhar o lançamento do Maringá Ciagym, time de futsal que está entre os melhores do estado.

Já deu o tempo em que víamos qualquer Clássico do Café de arquibancadas lotadas, que os garotos de escola ficavam a semana inteira debatendo com os colegas qual seria o palavrão usado para xingar o rival no estádio ou que pediriam uma camisa do LEC ou GEM ao seu pai de aniversário.

É uma pena, já que essas cidades gostam muito de futebol. Porém, o que lhes resta é torcer por clubes de São Paulo. Ex-diretores do Londrina já compraram os direitos das partidas do Santo André para jogar na cidade contra os “grandes paulistas”, pelo Campeonato Brasileiro.

Eu mesmo já fui muito babaca, já fui utópico. Definitivamente, recomendo aos moradores do interior que tomem providências. Chegou o momento do vai ou racha. Ou tomam vergonha na cara e tocam o futebol do norte com dignidade....ou, esqueçam. Vão torcer para times grandes.

Se querem um bom conselho. Passem a torcer pelo Milan, Manchester, Barcelona. Sei lá, escolha qualquer time. Apenas seja original e pense que esses clubes vão te tratar melhor que qualquer outro brasileiro. É aí que está o futuro. Nós, os babacas, viramos lenda. Ganhei uma camisa do Beitar Jerusalém. Acho que agora vou torcer por ele. Também aceito sugestões sobre times da suburbana de Curitiba. Ainda assim, torço para um dia ler isso e ver o quanto o pessimismo equivocou-me. Será?

Notas

*Outros R$300 mil ficaram com os parceiros do Peter, que realizam negócios no Nacional de Rolândia. Eram detentores de 50% do "passe" do garoto. O time dos pampas pagou R$600 mil por 80% dos direitos de Ricardo, sobrando 10% da fatia para o "LEC" e quantia igual para o "NAC".

**Basta ler o pré-estatuto do "clube", no site do Apucarana, para perceber que não passa de uma jogada empresarial. Um time que não vai ser propriedade dos torcedores do verdadeiro Galo Guerreiro.

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FutebolFutebol ParanaenseMemória

Abr 13

Aberração paranaense

por Felipe Lessa20h11

Caso o imprevisto ocorra, e o J. Malucelli for campeão paranaense de 2009, será o passo necessário para comprovar que o futebol dos pinheirais virou uma aberração. Uma espécie de Frankenstein da bola, que merece – e precisa – de atitudes drásticas para não morrer.

O clube está prestes a se tornar Corinthians e deixou claro que suas pretensões no futebol são empresariais e financeiras. Nada a se estranhar de um estado que abrigou a grande aberração chamada Real Brasil, cria do assassino de um grande expoente do tradicionalismo interiorano: Aurélio Almeida, dono da marca Grêmio de Maringá.

No entanto, a questão do futebol empresa no estado é uma evolução natural. Apenas evoluíram os interesses e trocaram os figurantes. Histórias como a do Matsubara sempre mostraram que o Paraná é uma questão de negócios. Fecharam as portas do futebol profissional, porém, a negociação da família que tentou mudar de Cambará para Londrina está em alta. Continuam com os juniores e são até donos de um time no Vietnã.

Em contrapartida, no profissional local temos o Roma. Veio de Barueri até Apucarana, após levar a Copa São Paulo de Juniores. De Barueri também veio Adir Leme, ex-diretor do time que foi recém promovido à primeira divisão do futebol nacional e que comprou o Arapongas.

Este realizou uma parceria com a Londrina Junior Team, para ter seu clube representado nas divisões de base por atletas dessa outra empresa. Vale lembrar que o LJT nasceu do Londrina Esporte Clube, quando a fuga de credores e a esperteza dos empresários fez com que fossem terceirizadas as categorias de base do LEC.

Alias, o próprio Nacional de Rolândia é comandado por ex-diretores do Londrina. Este que já “cedeu” cartola à Portuguesa Londrinense e Engenheiro Beltrão. Apenas atletas profissionais é algo que o próprio alviceleste parece não mais ter. Deve emprestar a equipe do Iraty para a disputa do Campeonato Brasileiro da Série D. O time de Sérgio Malucelli inclusive tem um centro de treinamento e formação de atletas na antiga capital do café.

Bom, isso para não falar no Laranja Mecânica de Arapongas, Beletti Futebol Clube, Cascavel e Sérgio Santos, Rio Branco de Paranaguá e Trieste, São Paulo e Toledo Colônia Work, entre outros negócios obscuros que estão terminando de afundar o futebol local. A Federação omissa não faz nada. Se o futuro Corinthians Paranaense levantar o caneco de 2009, o que será feito pelos saudosistas? No caso de um nada, é o fim.

Classificação 2ª fase
Paranaense 2009 P J V E D GP GC SG

1 Atlético-PR* 11 4 3 0 1 7 3 4
2 Coritiba* 11 4 3 1 0 6 0 6
3 J. Malucelli 10 4 3 1 0 8 3 5
4 Paraná 7 4 2 1 1 4 3 1
5 Nacional 5 4 1 2 1 5 4 1
6 Cianorte 4 4 1 1 2 4 4 0
7 Iraty 0 4 0 0 4 4 11 -7
8 Paranavaí 0 4 0 0 4 1 11 -10

* O Coritiba recebeu 1 ponto extra por ter sido o segundo colocado da Primeira Fase.

* O Atlético recebeu 2 pontos extras por ter sido o primeiro colocado da Primeira Fase. Além disso ele tem vantagem em caso de empate em pontos: o primeiro critério de desempate é o desempenho na Primeira Fase.

Leia mais:

- Malucelli despacha Paranavaí e segue na luta pelo título

- Sobre o Corinthians Paranaense

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EconomiaFutebol Paranaense

Pedro, a ressurreição

por Felipe Lessa14h09

Pedro Santilli é um daqueles brasileiros que passaram a ser raros no futebol. Ele é um indignado. Daqueles que nos insiste em mostrar que um estádio não é apenas passarela, onde chuteiras parecem sapatinhos de cristal - utilizadas por 11 barbies de cada lado, mais duas cafetinas no comando técnico.

Ontem, ao ver o Comercial de Ribeirão Preto ser rebaixado para a série A-3 do Paulista, tentou fazer sua parte como treinador. No momento em que agilizava a reposição de bola, um brincalhão atleta da Catanduvense atrapalhou sua jogada.

Apaixonado que é pelo futebol, daqueles que não brincam em serviço, não pensou duas vezes em esbarrar no atleta adversário. Cobrou agilidade do piadista que, posteriormente, fingiu ter sido nocauteado por um pequeno e fraco totózinho. Praticamente uma lady estendida no chão.

No decorrer do lance, foi intimado pelo juíz. Respondeu com um potente jab no queixo. Foi expulso de campo. Do renomado Fantástico ao marginal Treta.com, todos falaram de Pedro. Uma espécie de Luxa às avessas, pois poderia ter aproveitado da situação em benefício próprio. Não o fez. Queria apenas ver seu time vencer. Isso o torna raro. No domingo de Páscoa, mostra que existe chance de uma ressurreição futebolística.

Links...
http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,comercial-cai-e-tecnico-pedro-santilli-agride-arbitro-e-jogador,354007,0.htm

http://www.tretando.com/tag/pedro-santilli/

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Campeonato_Paulista/0,,MUL1082437-9839,00-TECNICO+DA+SELECAO+POR+UM+DIA+PEDRO+SANTILLI+AGRIDE+ARBITRO+NO+INTERIOR+DE+.html

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Futebol

Abr 08

100 Anos de Glórias

por Equipe De Primeira01h45

Por Fabrício Kichalowsky

Não lembro da primeira vez em que fui ao Beira-Rio. Nem de quando me descobri Colorado. Vai ver porque isso eu sempre fui. Como meu pai. Como meus irmãos. Como meu sobrinho, que recém dá os primeiros chutes com a canhotinha. Canhotinha de D'Alessandro, que com um passe genial colocou a bola à feição para Índio fazer o seu quinto gol em dez clássicos e entrar de vez para a história do Sport Club Internacional.

Para muitos, Índio é um dos maiores jogadores do Inter de todos os tempos. E quer saber? Pra mim também. Sou fã de Gamarra, mas como contestar um jogador que fez parte das maiores conquistas do Clube? Uma zaga com Índio e Figueroa... Nada mal.

Mas... e o gol? Pergunta difícil. Taffarel sempre foi um dos meus ídolos. Mas escolhendo ele eu teria que abrir mão de Manga; ou Manguita Fenômeno, como dizem os mais velhos que o viram bicampeão brasileiro em um time que fez história e mandou no Brasil nos anos 70. Nas laterais, Paulinho e Oreco. Não vi nenhum jogar, mas respeito a quase unanimidade em relação aos seus nomes.

O meio-campo do meu time dos sonhos começa com o maior jogador da história do Colorado, um dos maiores do Brasil. O que ouço falar sobre Beckembauer eu vejo em Paulo Roberto Falcão. Sim, aquele que foi preterido por Chicão em 78. Que fez aquele golaço em 82 contra a Itália. O Rei de Roma. Igual a ele, nunca houve. Ao seu lado, escalo Carpegianni, bicampeão brasileiro, heptacampeão gaúcho, um craque com a bola nos pés.

Daí pra frente, é só alegria: vou com quatro atacantes, justo para aquele que já foi conhecido como Rolo Compressor. E o primeiro deles não poderia ser outro: Fernandão, o Capitão Planeta, capitão e líder das maiores conquistas do Clube nos últimos anos. Um predestinado, que no seu jogo de estréia faria o Gol 1000 dos clássicos gre-Nal.

Numa linha mais à frente, Valdomiro e Tesourinha. O primeiro, para muitos, é o maior jogador da história do Inter. Ficou 12 anos no Clube. Jogou mais de 800 partidas, um número inacreditável hoje em dia. Octacampeão gaúcho, tricampeão brasileiro. Se títulos valem, e valem muito, nenhum outro tem mais que Valdomiro. Tesourinha também tem oito títulos gaúchos. E, para meu pai, jogou mais que Garrincha.

Eu acredito.

Na frente, comandando o ataque, Carlitos. Artilheiro do Rolo Compressor da década de 40, fez mais de 300 gols em 14 anos de Inter. Mas, mais do que isso: é o maior artilheiro dos clássicos gre-Nais, com 45 gols. Para mim, é o bastante.

Fazer uma seleção de todos os tempos do Internacional é contar, resumidamente, a vida de um Clube que, desde sua fundação, faz história. Fez história abrindo suas portas para as minorias. Fez história vencedo um regional com 100% de aproveitamento. Fez história sendo Campeão Brasileiro Invicto. Fez história vencendo todos os títulos que um clube do Brasil poderia disputar.

Obrigado, Inter, por toda a felicidade que me proporciona.
Obrigado, pai, por me fazer Colorado.

De um Colorado apaixonado.

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EsportesFutebol

Abr 07

A distorcida mente de torcida

por Equipe De Primeira20h29

Por Felipe Martynetz

A demissão de Celso Roth, na madrugada de domingo para segunda-feira, não fez senão concretizar uma tendência que se vinha delineando havia algum tempo. O coro contra o treinador gremista não só era entoado desde uns bons meses atrás pela própria torcida como foi a trilha sonora de boa parte de seus catorze meses de trabalho no time da Azenha. Nada surpreendente, portanto, a demissão após a terceira derrota da equipe no terceiro Gre-Nal disputado neste alvorecer de 2009.

Igualmente indigna de surpresa é a reação da torcida; não desta ou daquela facção, deste ou daquele perfil de torcedor, mas do torcedor médio. Estúpido e sentimental por excelência, o torcedor médio pariu, deu de mamar, alimentou e, por fim, trouxe à plena maturidade esse lugar-comum contra Celso Roth – afinal, aproveitando o clima de Páscoa, tachá-lo de burro, retranqueiro ou afins já é um clichê mais batido que boneco de Judas Iscariotes em Sábado de Aleluia.

De sensibilidade embotada para uma análise mais aprofundada de qualquer situação, o torcedor tende a centralizar a responsabilidade por maus resultados na comissão técnica, sobretudo no treinador, cujo nome costuma ser o único que esse dito torcedor médio sabe, para a alegria das mães dos demais integrantes da comissão. É precisamente o que fundamenta essa cultura de constante e enfadonha troca de treinadores, que não é uma exclusividade do Brasil, mas é onde ela me parece atingir seu supremo patamar de imbecilidade.

O cacarejo contra Roth, como supracitado, não era recente. O mais curioso é que a mente do torcedor, não bastasse a incapacidade de analisar detidamente a atuação da equipe, o desempenho de cada atleta – culpando, por conta disso, apenas o comandante –, ainda sofre uma espécie de amnésia mesmo no âmbito do treinador. No específico caso do ex-técnico tricolor, isso é ainda mais notável: o Grêmio com uma campanha invejável no início de 2008, o único time do Brasil ainda invicto – e, ao perder as primeiras partidas do ano, as inesperadas eliminações para Juventude e Atlético Goianiense, no Gauchão e na Copa do Brasil, respectivamente. Até aí, é um tanto compreensível a revolta decorrente do duplo trauma.

No Brasileirão, porém, cotado para lutar contra o rebaixamento, o Grêmio fez a sua melhor campanha em campeonatos brasileiros desde o título de 1996, abocanhando o vice-campeonato. E mesmo naquela ocasião o título fora conquistado no mata-mata, uma vez que na fase de pontos corridos a equipe se classificara na sexta posição, fazendo a finalíssima com o oitavo e último classificado, a Portuguesa. Apesar da perda do Brasileiro se dar no segundo turno, após ter uma vantagem de 11 pontos sobre o São Paulo, além da melhor campanha dos últimos doze Brasileiros, o Grêmio realizou proezas nada próprias de seu feitio: com um elenco razoável, aplicou goleadas de 3x0 no Goiás, 4x0 no Atlético Mineiro e 7x1 no Figueirense – todas em território inimigo. E, no entanto, quem enaltece isso em prol de Roth?

Mas seu boneco vodu tem ainda mais alfinetes do que meramente estes, visto que a amnésia que acomete a já limitada mente do torcedor médio é mais grave do que se pensa. Esta foi a terceira passagem de Celso Roth pelo Grêmio, tendo as duas anteriores sido em 98-99 e 2000. Na primeira delas, o treinador assumiu na quarta rodada do Brasileirão uma equipe que, após um primeiro semestre de completo fracasso com Lazaroni, começara o certame nacional perdendo as três primeiras partidas, empunhando a lanterna. Comandando um dos elencos mais medíocres que o Grêmio teve nos anos 90, Roth classificou, após uma arrancada antológica, a equipe na última rodada da primeira fase, com uma virada absolutamente heróica de 4x2 sobre a Portuguesa que garantiu a oitava colocação. A eliminação veio nas quartas-de-final, num confronto disputadíssimo contra o Corinthians, que seria o campeão daquele ano.

O ano 2000 tinha tudo para ser um ano glorioso: as contratações milionárias feitas com o investimento da ISL e o comando do técnico Émerson Leão. Os fiascos do início da temporada custaram o emprego de Leão, substituído por Antônio Lopes. Na final do Gauchão, o Grêmio, de Lopes e Ronaldinho, perderia para o Caxias de Tite, então uma revelação como treinador [conferir “Quando a cartola (quase) não deixa o coelho sair”: http://www.interney.net/blogs/deprimeira/2008/07/11/quando_a_cartola_quase_nao_deixa_o_coelh/]. Depois de perder as duas primeiras partidas do Brasileirão – naquela ocasião, sob o nome de Taça João Havelange –, o delegado Lopes, demitido, dava lugar a Celso Roth. O Grêmio, uma vez mais, emergia das profundezas da tabela e se classificava para a fase final. Batendo a Ponte Preta, nas oitavas-de-final, e o Sport, nas quartas, o time sucumbiu apenas nas semifinais ante o São Caetano, que viera do módulo inferior e seria, para espanto de todos, vice-campeão brasileiro. Ironicamente, enquanto Roth ressuscitava a autoestima gremista, Leão e Lopes passaram a compor a comissão técnica da Seleção Brasileira – com Leão sendo novamente demitido após alguns fracassos nas Eliminatórias da Copa de 2002.

Não obstantes os méritos que Roth, aqui, ali e acolá, teve em suas três passagens pelo Olímpico, é curioso como esse estigma contra ele persiste. Uma das birras é quanto ao fato de ele, supostamente, não conquistar títulos, não ser um vencedor, em suma – desmentida pelos títulos do Gauchão e da Copa Sul de 99. A outra – e mais recente – que permeou seu comando tem a ver com os três clássicos perdidos neste ano, além do tabu de Roth nunca ter vencido Tite em Gre-Nal. É inquestionável o quão doloroso é perder um tal clássico; não se pode esquecer, contudo, que foi sob o comando de Roth que o Grêmio quebrou o tabu de mais de dois anos e meio (22/09/96) sem vencer Gre-Nais, ao vencer o segundo jogo da final do Gauchão de 99 por 2x0.

Como ressaltado anteriormente, o torcedor médio, por pura atrofia mental, tende a sublimar suas frustrações num só alvo: o técnico. É, sem dúvida, o que explica essa cultura obsessiva de troca de técnicos, de imediatismo nos resultados, de cobranças exageradas – uma cultura intrinsecamente absurda, pois tira o fôlego de qualquer trabalho melhor planejado, que demande mais prazo. Se um treinador merece críticas é pela sua parcela de responsabilidade, ou seja, pelas substituições que faz no decorrer do jogo, pelas declarações que dá em entrevistas coletivas, enfim. É ridículo, deprimente e revoltante notar como alguns treinadores são cobrados, os estereótipos ocos que circundam determinadas situações do futebol.

Um Grêmio sem treinador enfrenta hoje o boliviano Aurora, às 19 horas, no Estádio Olímpico. Pode ser que, agora, as coisas ganhem uma oxigenada e, renovadas, o tricolor vislumbre sua aurora; pode ser que nada mude, não importando quem assuma o comando técnico nos próximos dias. De qualquer forma, é patético ver um trabalho tão delicadamente planejado por meses a fio ser interrompido de forma tão grosseira em face da pressão – que, em sua maior parte, nada mais é do que birra – da massa torcedora, crendo piamente que um salvador trará soluções imediatas aos problemas gremistas.

Este texto não se refere meramente à demissão de Celso Roth do comando do Grêmio, mas a toda uma cultura que, com raros questionamentos, teimosamente vigora no futebol brasileiro. É uma crítica à forma como Tite, tão vitorioso que foi na equipe, era pejorativamente tratado por muitos em seus últimos meses na Azenha. É uma crítica à massa que, outrora tão sedenta para que Felipão assumisse a Seleção Brasileira, o desmoralizou de todas as maneiras possíveis enquanto ele comandava o elenco canarinho rumo ao Penta. É uma crítica à covardia da mídia esportiva, que não raro alimenta a mediocridade do estúpido torcedor médio, configurando um autêntico quadro de midiocridade.

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FutebolTécnicosFutebol Gaúcho

Abr 06

Homenagem de um gremista fanático aos queridos "inimigos" colorados

por Equipe De Primeira21h08

Por Airton Gontow

Diante deste lindo céu azul confesso a vocês que torci muito para que os festejos do centenário do Internacional de Porto Alegre não acontecessem em momento assim tão favorável. Afinal, há pouco mais de dois anos, "eles" não tinham nenhum título da Libertadores, Mundial ou mesmo da pífia Copa Sul-americana para ostentar com orgulho em suas camisas, bandeiras e história.

Era a alegria da torcida gremista gritar por longos e felizes 23 anos: "Grêmio, nós somos campeões do mundo" ou "Libertador, Libertador, Libertador, Libertador...", nos grenais e até nas outras partidas em que o Inter nem estava em campo.

Eu mesmo fui a um programa de televisão, em 2006, e quando me perguntaram se eu achava "que o Internacional tinha chances" de ser campeão, respondi: "Sua pergunta está errada", para o espanto do apresentador. "Não existe Internacional. Este time, aliás, deveria ser denunciado ao Procon, porque está vendendo camisetas, títulos de sócios e bandeiras, dizendo que é Internacional, mas não é, porque nunca ganhou nada lá fora! Tem Nacional em Manaus, Nacional em São Paulo. E Nacional em Porto Alegre!", afirmei.

Neste lindo dia de céu límpido e azul conto que torci e sonhei que chegasse o inevitável dia deste centenário com o meu inimigo Internacional sem poder dizer: "Somos campeões do mundo!"

Sonhei, mas diante deste mar e deste céu azuis tenho de confessar que no fundo eu já sabia, que algo me dizia que o Colorado gaúcho também chegaria lá.

Afinal, sempre foi assim. O Grêmio surgiu em 1903. E eles correram atrás e já em 1909, também fizeram time. Surgiu o Gre-Nal e no primeiro confronto mostramos nosso valor e aplicamos um impiedoso 10 a 0. Pouca gente sabe, mas alguns anos depois houve mais um massacre: 10 a 1 para o tricolor gaúcho. Mas, como na fundação do clube depois do nosso, eles novamente correram atrás e já em 1915 venceram o primeiro clássico. E depois não pararam mais de nos enfrentar, até que nos passaram em número de vitórias – o que permanece até hoje, com uma vantagem de 22 partidas.

Houve a guerra dos estádios. Fizemos a Baixada. Eles resolveram fazer melhor e construíram os Eucaliptos. Mas nós gremistas, bravos e valentes, não deixamos para menos e erguemos o Olímpico, o orgulho do Rio Grande. Em 1969, contra-atacaram com o Gigante da Beira-Rio, até hoje o maior estádio da cidade. Mas reformamos o Olímpico que se é um pouquinho menor que a casa deles, ao menos é todo coberto no anel superior, o que não acontece no Gigante, quando boa parte do povão não tem abrigo na hora da chuva. Enquanto dizemos que o estádio deles, feito no aterro do “rio”, é ecologicamente incorreto, os colorados insistem em chamar o agora "Olímpico Monumental" de "Remendão".

O terrível adversário do Grêmio, esse inimigo chamado Internacional, busca, sempre, copiar nossas conquistas, nosso heroísmo, nossas façanhas...

Tá certo que nem foi em tudo que saímos na frente. Foram eles o primeiro time gaúcho a vencer o Campeonato Brasileiro. E o conquistaram três vezes - a última, em 79, invictos (meu Deus, com uma defesa que tinha jogadores como João Carlos, Mauro Pastor e Cláudio Mineiro!). Desta vez foi o meu Grêmio que correu atrás e agora já vencemos dois Brasileiros. E tem hoje essa história de campeão de tudo, que nos obrigará a ir atrás dessa agora importante Copa Sul-americana.

Mas na Copa do Brasil ganhamos quatro vezes. Eles conquistaram um título. E daquele jeito que todo mundo sabe: com um pênalti inventado aos 44 do segundo tempo contra o Fluminense. Também, como disse, vencemos antes a Libertadores. E duas vezes. Ganhamos o mundo uma vez e só não chegamos lá de novo por um destes caprichos do destino, já que depois de empatarmos heroicamente, com dez jogadores desde o primeiro tempo, com o “invencível” Ajax, perdemos nos pênaltis, quando nossos dois melhores batedores – Dinho e Arce - erraram o alvo.

Durante 23 anos, gritei, sorri, fiz piadas, brinquei enquanto pude, mas o fato é que, como já contei a vocês, sempre soube que deveria aproveitar o momento enquanto pudesse, porque logo eles iriam, como em tudo, nos imitar, fazer igual, fazer um pouco melhor, um pouco pior, chegar perto, passar um pouquinho. Como tantas e tantas vezes nessa história de 100 anos.

Diante deste céu azul eu digo que..Ops! Vejo que já se aproxima o entardecer. Há no horizonte uma linha distante. É vermelha. Agora está mais nítida e começa a se espalhar pelo horizonte e a dividir em parte a magnífica vista que tenho à minha frente.

O mar é azul! O céu é azul! A Terra é azul! Mas confesso que também há encanto e beleza neste tom vermelho que invade mais uma vez o espaço celeste que até há pouco reinava sozinho.

Vou ter que me conformar. Está escrito nos céus. Azul e vermelho vão conviver para sempre neste duro, doloroso e lindo duelo.

Agora eles anunciam a grande reforma do seu estádio, no projeto “Gigante para Sempre” E meu Grêmio inicia em breve a construção da “Arena”, o maior e mais moderno estádio do Rio Grande do Sul.

Possivelmente nosso estádio será melhor e o “remendão” passará a ser o estádio deles. Mas o verdadeiro duelo não se trava ali, na questão dos estádios. Observem nos cadernos dos guris e gurias de todo o Rio Grande e em muitos recantos do Brasil. É lá que começa a verdadeira batalha. Há milhares de desenhos, feitos nos intervalos e – convenhamos – mesmo durante as aulas, com projetos de possantes naves espaciais, que os adultos nem sonham que vão existir.

Acho, como me ensina uma história de cem anos, que vamos sair na frente. Seremos campeões do Sistema Solar, derrotaremos os alienígenas também em outras galáxias, até conquistarmos o título de campeões do Universo.

Meus descendentes vão rir demais e tirar muito sarro dos seus queridos inimigos colorados. Vão aproveitar enquanto puderem, porque algo lhes dirá que um dia os vermelhos também chegarão lá. Como no Gre-Nal. Como na Libertadores. Como no Mundial. Como neste lindo e inesquecível entardecer de céu rubro e azul.


Airton Gontow, 47 anos, é jornalista e cronista. É gremista fanático. Costuma dizer que não é gremista doente, “porque doente é quem torce para o Internacional”.

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FutebolFutebol Gaúcho

Notas de segunda

por Felipe Lessa20h58

Filme, Corinthians e Bambis
Como será a concentração da torcida do Corinthians para ver o filme que conta a história dos 99 anos de clube? O lançamento será em um local atípico: Shopping Frei Caneca. Tiraram tanto sarro dos tricolores do Morumbi, em relação ao apelido Bambis, que terão que se deslocar ao templo consumista dos gays, no centro de São Paulo, para transformar cinemas em arquibancadas.

Frustração gremista
Torcedores do Sport e Atlético Paranaense estão festejando a fidelidade de seus comandantes. Nelsinho Baptista e Geninho disseram não ao tricolor gaúcho. O Grêmio de Porto Alegre, depois de perder o Grenal de ontem no Beira Rio, conseguiu ver sua moral afundar um pouco mais.

Luto no futebol brasileiro
Morre Giulite Coutinho, presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) entre 1980 e 86. Ele, que foi torcedor do América carioca, é considerado o melhor presidente de toda história da entidade máxima de nosso futebol.

Londrina ainda reza
A vitória de Barbosa Neto, para comandar a prefeitura de Londrina, deu novos ânimos ao LEC. Rebaixado no Campeonato Paranaense, afundado em dívidas e prestes a perder a sede campestre, o Tubarão deve contar com a ajuda do novo prefeito. Presença constante nas arquibancadas, o ex-apresentador de TV promete dar aquele empurrãozinho que o alviceleste tanto precisa. O ex-diretor técnico do Atlético Paranaense, Antônio Carlos Gomes, deve ser a peça chave no processo.

Clássica Rubro-negra
Finalmente, os saudosistas que torcem pelo Flamengo puderam comemorar algo relacionado ao manto sagrado. Na partida contra o Fluminense, o clube da gávea desfilou com uma camisa clássica, sem patrocinadores. Desde 84, a farda rubro-negra estampava propaganda de produtos da Petrobras.

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Futebol

Abr 02

Quem peleia, ganha....

por Felipe Lessa02h12

Apesar de duelar contra um pequeno, em Porto Alegre, foi bom ver o Brasil ganhar de três. O sonho dos peruanos acabou quando a seleção teve vontade de jogar bola. Isso basta. Mesmo com os dois volantes de Dunga, foi um dia de alegria em verde e amarelo.

Aproveitando a ótica da salvação, digo mais. Se ela existe, chama-se Luís Fabiano. Precisamos de um capo daqueles que os gaúchos chamam de peleadores. Apesar de não ter nascido no Rio Grande*, o estilo do atacante envolve briga e disposição. Tudo o que parece faltar na canarinho. E o que foi feito por ele contra o Peru.

Tanto é que desde o início do jogo foi para cima. Abriu o marcador aos 17 iniciais, em uma penalidade. Ampliou aos 26 da mesma etapa, sendo mais malandro que os zagueiros. O bandeira não marcou impedimento e Luís Fabiano não parou. Foi em frente e deixou o novo salve ao arqueiro Butrón.

Pouco importa se ele estava impedido. É aí que surge o brilho do peleador brasileiro: renuncia ao direito de ser politicamente correto, marca o gol e comemora como se fosse uma pancada nos hermanos argentinos em final de Copa do Mundo. Contemplando...bom coração, fairplay e firula não mostram quem manda no futebol.

E olhe que não vai precisar nem mesmo repetir os socos e botinadas feitos em São Paulo e Sevilla. Basta não perder o tesão em jogar bola, como alguns companheiros de Sele, e mostrar aos brasileiros que está com eles. Esse é o diferencial que falta em nossos selecionados: raça e paixão no que faz.

Alias, Kaká jogou o fino da bola. Sempre abrindo para o recebimento de passes e agindo rápido, o atleta do Milan fez mais do que sofrer a penalidade que abriu o marcador brasileiro. O bom moço chegou a dividir e desarmar jogadas. Um milagre. Talvez um chamado divino. Dá até para arriscar que ele tenha apropriado um estilo gaúcho de se jogar futebol. Como lancei uma suposição, cito outra: Dunga deve ter adorado.

Em compensação, Pato e Ronaldinho (cada vez menos Gaúcho) deixaram a desejar. Embora tenham jogando pouco tempo, eram toda a esperança do povo pampeano. Entraram apenas para o registro histórico. Nada mais.

Para não frustrar Porto Alegre, o terceiro gol mostrou uma boa pitada de tradicionalismo. Felipe Melo, aos 19 minutos do segundo tempo, dividiu e ganhou duas vezes para entrar na zona de abate e fuzilar. Natural de Volta Redonda, o ex-gremista mostrou o que aprendeu na região.

Finalizando, foi uma bela vitória. Embora, que fique claro: não se mede parâmetro de uma equipe em jogo contra o Peru. Com o perdão desse simpático povo latino, o futebol verde e amarelo apenas fez seu papel de casa. Porém, um fato é inegável: é bom ver a seleção com espírito gaúcho em campo!

Extra:
*Luís Fabiano é de Campinas. Entrevistado, pela Globo, traçou o próprio perfil e mostrou como deveria ser o jogador brasileiro. Confira. clique aqui.

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FutebolSeleção Brasileira

Abr 01

Pelo fim da prostituição da Seleção Brasileira

por Felipe Lessa20h31

“Cada gol era uma facada no peito”. Com as palavras emprestadas daquele que é considerado Díos, com direito a igreja própria, falo do que nós brasileiros temos vergonha. Nós precisamos de um líder, alguém que inflame os torcedores e faça com que a canarinho volte a brilhar.

O exemplo que cito não são os humilhantes 6 a 1 sofridos pela Argentina, contra os bolivianos, em La Paz. Nós precisamos é daquele jogador fervoroso, que dá gracejos aos seus torcedores. Algo como fez o argentino Tevez. Durante invasão de uma torcedora no treino da seleção alviceleste, não pensou duas vezes para seguir na mesma direção, abrir os braços e dar aquele abraço na fã. Algo como falou Maradona, após o desastre. Coisas que chamem o torcedor para o idealismo e o desejo de participação.

Porém, por aqui, o nosso auge é ver a bela carta de amor que foi a história entre Kaká e Milan, terminada em beijinhos do mocinho filmado por cinderelas abaixo das janelas de seu quarto. Por aqui, nosso ridículo é ver um dentucinho dos pampas esquecer de suas raízes e pensar que virou pagodeiro. O tesão pelo futebol acabou em Dinho, Ronaldinho, de futebol cada vez mais pequeninho.

De nosso treinador, nada mais se espera. O capaxo número zero à esquerda, que pensa ser comparsa de ouro do RT, não conseguiu nem mesmo ter o tempo de implantar seu método força para recriar uma seleção. Logo nas convocações das Olimpíadas, já precisou voltar miando ao seu cantinho, quando a chefia atropelou sua autoridade e remendou na lista de chamada um querido desafeto que já foi dos pampas e se chama Dinho. O queridinho de ouro da CBF não pode ficar fora do R&11sTars Team!

O jogo contra o Equador foi prova de nossa displicência. Na noite de hoje, em Porto Alegre, contra o Peru, apenas uma continuação. Mesmo que a constelação de amarelo azedo vença, os princípios são os mesmos.

Infelizmente, aquilo que João Saldanha já previa no Mundialito de 90, na Itália, ocorreu. O verde e o amarelo viraram uma máquina de negócios. Apenas estrelas vendidas desfilam na passarela. Em troca, o choro e o sorriso de um povo são indiferentes. Valem mais os contratos publicitários.

E a cada vez que somos vendidos, mesmo como simplesmente bom espectadores que é o "torcedor brasileiro", levamos uma facada no peito. Queremos o Brasil de volta!

Nem os 6 a 1 tomados pelos argentinos, tão pouco a inflamação dos hinchas do Boca contra Maradona, podem ser comparados com nossa marmita obrigatória de cada dia. Rango azedo daqueles que são obrigados a dispensar no mínimo R$70 mangos para desfrutar 90 minutos do clubinho fechado de RT e suas princesas que vestem chuteiras.

No festival de teatro que é a "Seleção Brasileira", os únicos que comemoram são os prostituídos daquele que deveria ser nosso futebol.
A única comemoração do Show Team é a esbórnia daquilo que foi considerado um escrete, mas que hoje se resume aos dígitos e cifras bancárias.

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Clases de Español #1: LA REMONTADA

por Ana Carolina Moreno18h06

Estava eu aqui confortavelmente no sofá, escrevendo a primeira frase do meu post, que criticava o meio de campo decepcionante da Espanha hoje, na partida contra a Turquia pelas eliminatórias da primeira Copa do Mundo sem a presença do Brasil Copa de 2010. Já passavam dos 45 do segundo tempo, faltava quatro para o fim da brincadeira, e o camisa 7 espanhol, Güiza, chega primeiro que dois turcos em uma bola enfiada e consegue cruzar para o 10, Reira, chegar primeiro que o goleiro e colocar a pelota por baixo das pernas do meta. Três minutos de firulas depois, fim de jogo, Turquia 1, Espanha 2.

Os onze de Dunga contra o Equador estão mais para Turquia do que para Espanha, que nos ensina uma palavra valiosa: remontada.

No sentido literal, ela quer dizer "de virada". A Turquia marcou primeiro, em um lance que poderia causar suspeita de impedimento, mas que foi mais culpa da confusão espanhola do que falta de visão do bandeira. Já era o segundo tempo quando o árbitro marcou pênalti após cobrança de um escanteio que virou um jogo de batata quente dentro da área turca, e acabou tocando a mão de um dos defensores.

O gol da virada foi pura sorte. O comentarista Delfín Melero, do Marca, que comentava a partida minuto a minuto, encerrou seu trabalho dizendo que a Espanhã foi "tocada por uma varinha de condão".

Sem piadinhas, por favor, que o assunto é sério. São seis jogos e seis vitórias, apenas dois gols contra e 13 a favor (média de dois por partida). Aliás, há 31 jogos a seleção da Fúria não sabe o que é perder, um recorde conquistado pelos treinadores Luís Aragonés (campeão da Eurocopa) e Del Bosque (o atual), que hoje se iguala ao período entre 1994 e 1998, quando a Espanha foi eliminada da Copa da França. E, ao que parece, a equipe do nosso espião Marcos Senna chegará à África do Sul se achando o último biscoito do pacote. Em setembro, recebe em casa a Bélgica (7 pontos em 5 jogos) e a Estônia (5 pontos em 6 jogos). No mês seguinte, embarcar em duas viagens turísticas: Armênia (1 - hum - ponto em 6 jogos) e Bósnia (9 pontos em 5 jogos, a segunda colocada do grupo, com metade do aproveitamento espanhol).

Mas a sorte só vem com vontade. A Espanha de hoje entrou em campo sem jogadores importantes, como Fabregas, Villa e Puyol. Sentiu a falta principalmente do segundo, já que o menino-prodígio Fernando Torres esteve apagado durante toda a partida. O time jogou feio, errou passes, se desarrumou depois do gol. Mesmo assim, ganhava todos os rebotes, corria sempre mais e não se dava por satisfeita. Não se contentou com o empate fora de casa, não se acomodou com o primeiro lugar folgado da tabela, não perdeu a paciência com a barulheira que a torcida turca fez do início ao fim do jogo.

Dunga poderia vir aqui atrás de inspiração. Ou, pelo menos, buscar inspiração na inspiração dos espanhóis: João Saldanha, que hoje ganhou a companhia de Del Bosque na posição de recordista em vitórias consecutivas de um treinador de seleção. Nove. Hoje pode ser um bom dia para começar.

Em tempo
E o chocolate boliviano que está em andamento nesse instante? Pelo menos Dunga não será a piada da rodada.

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