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Mar 29

Apolíticos de nascença

por Felipe Lessa17h27

Embora na Europa, ou até mesmo em países da América Latina, o futebol e a política caminhem de mãos dadas, no Brasil isso não existe. Comento isso depois de conversar com amigos sobre a relação da politização partidária de nosso futebol. Nem comunistas, muito menos integralistas, nacionalistas, anarquistas, ou o que seja, são protagonistas de nossas histórias. No máximo encontramos coadjuvantes neoliberais, como no caso do Brasiliense.

Digo isso com base em tudo que se passou pela pátria. Confirmo quando contesto e desafio 90% integrantes de torcidas organizadas a dizer: Quem foi Che Guevara. Não sabem. Dentro de campo, fora a famosa Democracia Corinthiana, não se conhece relações afetuosas entre pelota e palanque.

Tudo é movido a dinheiro. Nunca houve paixão pelos debates no Brasil. E a razão está nos artistas da bola, o ópio do povo brazuca. Mesmo quando Osmar Santos narrou a indignação de uma nação, pelas Diretas, já, o futebol não se mesclou a identidade política. Afinal, o brasileiro é apolítico de nascença.

Basta perguntar aos representantes do futebol que viraram parlamentares: Qual sua ideologia política? Desde ex-jogadores até chefes de torcida, estes, em quase 100%, conquistaram espaço no cenário “político” nacional, mas jamais criaram ideologias políticas ou partidárias.

E a máquina da democracia é refletida nas arquibancadas. PSDB e PT, por exemplo, pediram apoio da torcida organizada do Atlético Paranaense. O presidente, amigo dessa gente acostumada a pagar tributos em troca de apoio, foi eleito vereador de Curitiba pelo PSC.

Em Londrina, a organizada carrega em sua camisa de 10 anos o apoio ($$$) de Hauly (PSDB.), que hoje disputa com o atual amigo dos alvicelestes, Barbosa Neto (PDT), uma vaga na prefeitura. Pergunte a eles se antes de apoiar receberam ou leram o estatuto destes partidos.

Sem falar da torcida Jovem Fla, que estampa Saddam Husseim e frases palestinas em suas bandeiras apenas por serem considerados “guerreiros”. E a organizada do Atlético Mineiro que vende produtos com a estampa de René Barrientos, apenas por este ter matado Che, o ícone da facção dos cruzeirenses.

Ou seja, não existe política (ideologia) em nosso futebol. Pois tirando equipes como Juventus (SP), Operário de Ponta Grossa (PR) e o Ferroviário (CE), desconhecemos uma maior ligação, mesmo que histórica, de ideologia e pelejas nas 4 linhas.

O mais perto que chegamos de “política” no Brasil futebolístico é o Internacional, de Porto Alegre. Fundado por imigrantes paulistas, os irmãos Poppe que foram renegados no Grêmio, o colorado que deixa nome e cores sugestivas aos leitores. Nos anos 2000, barrou a entrada de bandeiras com a estampa do pop star Guevara. Agora, tem uma barra liderada por um ex-cabeça do MST que enfeita o Beira Rio de bandeiras que deixariam qualquer leninista feliz.

Porém, repito aos amigos sonhadores, é um caso a parte. Política da casa é quando Luxa & Lula batem papo sobre o instituto de Vand, que precisa de gracejos financeiros. Nós, humildes habitantes da casa, nascemos apolíticos, fomos criados assim e creio que dessa forma morreremos.

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