Para ajudar a resgatar e debater o passado do Atlético Paranaense, a torcedora Milene Szaikowski teve a ideia de promover encontros periódicos com torcedores rubro-negros. Chamado de Círculo de História Atleticana, já vai para a quinta edição e os melhores momentos das quatro primeiras reuniões estão relatados no blog http://circuloatleticano.wordpress.com. Para quem quiser saber mais sobre o Furacão, vale a pena a visita para achar posts como este:
O Coronel
Os torcedores mais novos talvez não saibam, mas o grito mais marcante da torcida atleticana, foi criado por um torcedor conhecido como Coronel. Ele era um guardador de carro que sempre estava nos jogos do Atlético na Baixada e tornou-se um personagem folclórico das arquibancadas.Em 1988, num dos jogos da final contra o Pinheiros, no Pinheirão, ele pela primeira vez puxou o grito:
A-TLÉ-TICOOOOOOOOOOOO
Começava gritando baixinho e pausadamente, até que aquele grito ia crescendo e se tornava forte. A torcida entrou na onda e o grito pegou. Neste primeiro jogo, foi meia hora pelo menos, gritando A-TLÉ-TICOOOOO sem parar.
Não sei se ele foi o precursor, mas com certeza foi o responsável em popularizar esse adágio. Foi Vampeta que explicou que no Flamengo, ele fingia que jogava e eles fingiam que pagavam, em alusão aos eternos atrasos nos vencimentos do rubro-negro carioca contrapondo-se ao seu baixo rendimento em campo. Mal sabia ele que (infelizmente) essa é uma realidade cotidiana no nosso Brasil.
O país do faz de conta.
A gente faz de conta que é contra alguns ilícitos, mas corre comprar cd e DVD pirata quando nos oferecem. A classe média faz bico, promove passeatas e entoa cânticos pela paz quando um dos seus é assassinado num assalto a mão armada, mas é a que mais consome as drogas vendidas por aqueles mesmos bandidos, sustentando essa rede criminosa como bem retratado no longa metragem Tropa de Elite.
O que vale é a lei do mais fácil.
É mais fácil fiscalizar se há o uso da máquina governamental, se as obras estão dentro de seus prazos para serem entregues ou se os mandatários do poder só o fazem às vésperas das eleições ou proibir a reeleição, caso seja essa a soberana vontade popular? Vamos lá, fazemos de conta que não pode, só uma reeleição e segue a vida.
É mais fácil fiscalizar, combater o vandalismo, a depredação ao patrimônio não só público como o alheio ou dar uma satisfação, ainda que sem pé nem cabeça para a violência extrema nas grandes cidades em dia de clássicos? Por que ocorrem brigas com mais de 100 pessoas e a PM não consegue prender um marginal sequer? Mais fácil é proibir todo mundo, todo mundo mesmo de beber durante uma partida de futebol.
Sim, porque beber antes, consumir de ambulantes que não dão garantia da procedência da bebida, vez ou outra não vendem seus produtos com a higiene adequada, não pagam impostos, pode! Não pode é pagar para quem paga aluguel para estar dentro do estádio, paga impostos, gera emprego e renda. Isso não é permitido.
A resolução (que não tem força de lei) coloca eu, você, seu amigo ali trabalhador, no mesmo balaio de marginais, de arruaceiros. Sim, respondemos solidariamente com gente que por vezes sequer vai aos estádios, que dá tiros a dezenas de quilômetros de um campo de futebol horas antes da partida. Somos nós, eu, você e os bandidos que se escondem por traz de camisas de times ou de torcidas organizadas que ficamos juntos sem poder beber durante os 90 minutos de uma partida!! Beber antes pode, beber depois e, por causa da bebida ou não, quebrar tudo depois pode!
Vamos seguindo nesse país onde uns podem tudo, outros são convidados a não poder nada. Uma hora é não poder pegar ônibus com a camisa do time, outra hora não pode ir em clássico com camisa da organizada, outra hora não se pode mais beber no estádio. Daqui a pouco vão proibir até mesmo o direito de reclamar das arbitrariedades por eles cometidas. Culpem-se os culpados, não toda a coletividade.
Ando com bloqueio e os posts se acumulam no mínimo duas vezes por semana. Mas vi um vídeo agora que nao sai da minha cabeça.
Nesse sábado estava em Lisboa (nao é nada chique passar 14 horas dentro de um ônibus onde é proibido comer e o assento reclina dos 90 até uns 85 graus do chao) jantando com um torcedor do Sporting (nao é o que vocês estao pensando) que nao curte futebol porque nao vê graça em 22 homens correndo atrás de uma bola. Comi arroz e feijao pela primeira vez em três meses e desde entao me afundei em uma depressao saudosista com direito a inveja do povo alagado na Avenida Pompéia. Ele admitia pra mim que o Sporting é o time dos mauricinhos, enquanto eu desenhava na toalha (de papel) da mesa o esquema 3-5-2 do Muricy, e como ele estava experimentando um 4-4-2 esse ano, e o português dizia "por que diabos eu estou falando sobre futebol?" E depois fui mostrar pra ele o esquema tático do Deportivo La Coruña e ele perguntou "quem era o português que jogou lá?". Como eu nao sabia, enviei um SMS para o meu amigo espanhol dizendo "Pregunta urgente: cual fue el portugués que jugó en el Dépor?" (aí acabou meu crédito e hoje tive que correr atrás de orelhao e orelhao aqui também nao funciona).
No dia seguinte, na parada do ônibus noturno sem banheiro sem travesseirinho sem cobertorzinho (preciso dizer que leito nem deve ter traduçao pro espanhol?), o motorista Miguel viu seu Porto empatar com o Benfica em um a um, e eu torcendo pra dar empate mesmo, porque peguei raiva de time grande e quero que os clássicos se explodam (mas domingo o Tricolor vai ganhar e 10% do Morumbi é justo).
Ontem nem vi o que passou porque viajar 12 horas durante a noite num veículo onde se faz um calor infernal em pleno inverno ibérico (ok, nao é a Finlândia, mas faz frio) é sinônimo de nao dormir. Só me lembro que o catalao sentado ao meu lado estuda História da Arte em Santiago de Compostela e odeia o Barcelona e repetiu três vezes que nao sabia qual era a graça de 22 caras correem atrás de uma bola (Ferran, dejaste tu libro en el autobús, yo lo tengo conmigo, si lo quieres avísame, vale?)
E hoje nao consigo ver o jogo contra a Itália (já acabou?) porque o jornal nao tem banda suficiente pro justin.tv. Mas a Globo me deixou ver o gol do Robinho e eu consegui dar replay umas 10 vezes até que recebi o seguinte aviso: "Os direitos de exibição deste conteúdo restringem sua visualização ao território brasileiro". Sorte que os italianos já colocaram o vídeo no YouTube e eu reproduzo aqui porque era esse o tema do meu post.
É óbvia a graça de ver o Robinho correndo atrás da bola perdida pelo Gaúcho, recuperando a maledetta e fazendo três italianos correndo atrás dela feito baratas tontas. Ou é só comigo?
PS1: Andrade e Pauleta sao dois portugueses que se destacaram no Dépor (Pauleta dá um pouco de raiva nos torcedores porque nao jogou bem lá, mas é um craque). Atualmente, Zé Castro veste a camisa 5.
PS2: Meu amigo do SMS diz que o Robinho é um craque sim, mas que só arrisca jogadas como essa quando o time dele está ganhando, e que isso o deixa "hasta los huevos" (um "me deixa por aqui" que nao requer o sinal da mao atravessando a testa). O Djalminha, por sua vez, arriscava o pescoço mesmo num 0 a 0 e é por isso que 95% dos torcedores do Dépor, quando me conhecem, mencionam o nome dele antes da dupla Bebeto-Mauro Silva (esses dois últimos ganham a preferência de quem gosta dos jogadores comportados). Quem concorda levanta a mao.
PS3: Este é o primeiro post fisicamente interativo da história da Internet! Pegue uma caneta marca-texto e desenhe na sua tela todos os "tils" que estao faltando. Tire uma foto da sua tela e a envie para deprimeira(arroba)gmail.com. O primeiro que enviar a imagem com 100% de acertos ganhará um jantar com Felipe Lessa. Um, dois, três... Valendo!
Torcedores do Paraná vandalizam na Avenida Marechal Floriano
por Equipe De Primeira20h16
Depois de quatro dias do Atletiba, onde houve intensos confrontos entre torcedores do Atlético Paranaense e Coritiba, um grupo de 60 pessoas, trajando uniformes do Paraná Clube e da Torcida Fúria Independente, foi interceptado pela Guarda Municipal de Curitiba (GM). O caso ocorreu no final da tarde de quinta-feira.
Eles estavam seguindo para o Estádio Durival de Brito assistir o jogo contra o Engenheiro Beltrão, válido pelo Campeonato Paranaense. Depois de um suposto bate-boca com quatro pessoas que ocupavam um veículo Palio de cor preta, os paranistas, em maioria esmagadora, mostraram sua bravura e desceram no tubo Tribunal Regional Eleitoral, na Avenida Marechal Floriano Peixoto.
Realizaram uma grande baderna, mostrando coragem e amor pela sua torcida. O carro foi praticamente destruído. O motorista e os três passageiros sofreram ferimentos leves. No momento da briga, bombas caseiras e pedras foram necessários para atacar os jovens. No decorrer os furiosos gritavam: "Coxas e Atleticanos juntos. Lixo! Seus filhos da puta, aqui é Furia mané". Pessoas que caminhavam pelas redondezas também foram feridas.
Com a chegada das viaturas, foram cerca de 10 minutos de revistas e algumas cacetadas. Porém, os torcedores organizados foram liberados para ir ao estádio, desde que pagassem novamente suas passagens. As cerca de quatro viaturas da GM sumiram, sob justificativa de atender um chamado no Terminal Capão da Imbuia.
Já os donos do carro, ficaram no prejuízo e ainda receberam o seguinte recado: “sumam daqui. Além de terem quebrado seu carro, esses caras vão terminar de quebrar com vocês”.
Eu ia escrever um longo post sobre a rematada besteira que é a criação do Corinthians Paulista Paranaense. Mas Diogo Portugal o fez muito melhor. Enjoy:
Em Curitiba é bem raro as pessoas saberem de cabeça qual o número das linhas de ônibus que pegam. E o número 666 é o de uma linha chamada Novo Mundo. Talvez seja piada do pessoal da Urbs (empresa municipal curitibana que gerencia o transporte público local) com o número da besta e um mundo novo para apavorar quem acredita nestas coisas. Vai saber.
O ponto é que a gente se acostuma e não repara que algumas coisas podem ser algo engraçado para outros mesmo sendo comuns em nosso mundinho particular. Este assunto já chegou perto de ser abordado em posts sobre a Terceirona do Brasileirão. Em 2008 havia a minha torcida para que Brasil de Pelotas e Holanda-AM. Se acontecesse certamente alguma matéria da Placar iria ligar o confronto entre os dois times e um dos três jogos entre as seleções em copas (1974, 1994 e 1998) Quem seria o Van der Saar amazônico? O Cruyff do Pulmão do Mundo??
Enquanto eu pensava no 666 que passeia em direção ao sul curitibano, lembrei de dois confrontos no campeonato paranaense. Fox do Iguaçu x Iguaçu (de União da Vitória) e Paraná x Paranavaí. Pra paranaenses é comum. Será que a distância os nossos amigos de Belém acham isso engraçado?Lembro também que O Havelange uma vez estava em Curitiba e foi convencido a assistir a Atlético x Paraná Clube. Um repórter foi lá perguntar o que o rapaz achava do confronto e ele soltou um “estou satisfeito em acompanhar o jogo entre Paraná e Paranaense”. Mas também tivemos Engenheiro Beltrão x Francisco Beltrão.
Em São Paulo é engraçado o jogo entre Noroeste e Oeste. Será este o futuro clássico Rosa-dos-ventos? Os torcedores do Oeste vão tirar sarro porque o Noroeste é um mero ponto colateral e irão levar ao estádio uma bandeira com o dom Odilo Pedro Scherer? Uma pena que não temos mais um afastamento necessário pra sorrir em um confronto São Paulo x Paulista. Sem falar na quantidade de santos presentes.
A série A2 nos traz o clássico maniqueísta Rio Preto x Rio Branco com o Rio Claro chegando pra dizer que a mistura é que ganha jogo. Atlético Sorocaba x São Bento ainda é um dérbi mais legal, confesso. O fato é que o Bandeirante vai subir pra série A2 só pra invadir Sertãozinho. Ou talvez Nacional e Internacional subam junto e transfiram este jogo inusitado pra uma divisão mais chique. Monte Azul x Pão de Açúcar deveria estar no mesmo grupo.
À primeira vista, os cariocas só têm a nos oferecer América x Americano, que estão em divisões diferentes. Mas na terceira divisão há um clube que consegue fazer um “autoclássico”. O alvinegro Associação Esporte Clube Rio São Paulo. Rio São Paulo! E misturando tudo, há o Boavista da primeira divisão com o Bela Vista da terceira. Por sinal esta divisão carioca conta com times de nomes bem sugestivos: Semeando Cidadania Futebol Clube, Rubro Social Esporte Clube, Futuro Bem Próximo Atlético Clube e Fênix 2005 Futebol Clube.
E preparem-se. Guarani x Tupi se enfrentam no próximo dia 8 em Divinópolis. E dia 14 jogam Social x Democrata. Aliás, Democrata de Governador Valadares x Democrata de Sete Lagoas é bem comum por lá. Pena que atualmente este último está no Módulo II (a série B local).
Só consegui forçar a barra no Catarinense com Videira x Figueirense, que estão em divisões diferentes. O Gauchão tem como destaque a quantidade incrível de Esporte/Sport Clube/Club (Oito na principal e seis na segunda). Mato Grosso do Sul devia arrumar um par a altura para a Associação Atlética das Moreninhas. Operário x Comercial parece muito sem graça diante disso.
Preciso que algum leitor baiano nos ajude a confirmar se está correta a informação que tirei do site da Federação Baiana de Futebol sobre a existência de um time chamado Botafogo Esporte Clube e OUTRO chamado Botafogo Sport Clube. De qualquer forma dá para montar Serrano x Serrinha com Monte Rey querendo entrar na briga. Pernambuco tem três Ferroviários: Clube Ferroviário do Recife, Ferroviário Esporte Clube de Serra Talhada e Ferroviário Esporte Clube do Cabo.
Vou parar por aqui pra não ficar um post grande demais. Você, leitor, pode apontar novos jogos alternativos entre equipes de um mesmo estado. É que se for pra colocar jogos de times de qualquer lugar aí o céu é o limite e Chapadão x Chapadinha é imitar demais o Léo Aquino...
Talvez o problema seja a minha tecla SAP. Mas ontem abri o Marca no lobby do hotel Eurostars, enquanto esperava a chegada da delegação do Villareal a La Coruña, para o jogo de hoje contra o Deportivo, e encontrei uma foto do Pedro Oldoni. Só era possível ver um pedaço do seu rosto, porque ele beijava a camisa do Atlético Paranaense, mas o título da matéria levava seu nome, escrito com letras gigantes, perto da palavra “perla”.
Foto: Miguel Rojo
Mas... perla quer dizer pérola, né? Sim, o repórter Pablo Rey, escrevendo de São Paulo, comentava a transferência do atacante do Furacão para o Valladolid aclamando, no lide, que a equipe valenciana havia ganhado a corrida inclusive de gigantes europeus, todos atrás desse grande potencial escondido na concha que é o futebol paranaense. O texto não termina de me mostrar o que é que ele tem de tão especial – além, talvez, do empresário de boa lábia que deve ter falado por telefone com o repórter, que nem no Paraná estava – para se tornar O brasileiro do momento. Não se fala no número de gols do menino na última temporada, só há menções à sua altura e sua idade. Pelo visto, ter 23 anos é a característica mais favorável dessa pérola.
Ao lado, um outro jornalista analisa Pedro Oldoni em dois parágrafos. Agora, os leitores do principal jornal de futebol da Espanha sabem que o menino nasceu em Pato Branco e que sabe usar bem as costas do adversário. Y nada más.
Não foi a primeira vez
Há seis meses, o site SuperDeporte recorria à mesma imagem da pérola para falar sobre o interesse do Valência em Pedro Oldoni no título (“Una perla de Brasil”). Mas a confundiu com um diamante na linha fina (“Pedro Oldoni, en estado bruto”) e, no lide, já comparou o futuro do menino com o passado de Luís Fabiano, pedindo para o torcedor manter as esperanças, porque o sevillista, quando aqui chegou, também era um nome desconhecido.
Há dois anos, o site BetisWeb já incluía o menino de então 21 anos na extensa lista anual de recomendações de jogadores para o Betis comprar. Além de mencionar a “excepcional” campanha que Pedro Oldoni fazia no Atlético, depois de voltar do empréstimo com o Cianorte, o descreveram como um jogador polivalente. “Su estatura y su complexión atlética le convierten en un atacante letal en las proximidades de la portería. Dotado de un excelente remate de cabeza, Oldoni también es hábil con el balón en los pies.”
E aí, foi sorte do Valladolid, ou quem saiu ganhando nessa foram Valência e Betis?
*Para os jornalistas espanhóis, "carioca" é sinônimo de "brasileiro". Viva a simplificação, né?