Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem
por Jones Rossi03h52
O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".
Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.
Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.
Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.
Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.
Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.
(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)
Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.
Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.
E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.
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Comentários:
Isso acontece porque aqui o futebol é muito fraco e faz muito tempo. Já os grandes centros do futebol brasileiro já encantavam os torcedores há muito tempo.
Isso é a mesma coisa em outros estados em que o futebol é muito fraco.
O menino já cresce vendo esses times grandes paulistas, cariocas, gaúchos, mineiros...
Coisa que no seu estado é difícil ver.
Quem vem com esses papos ignorantes normalmente é curitiboca que não entende porque no norte e no sul do Estado quase ninguém torce pro trio de lata.
Os curitibocas passaram 200 anos sem pisar no interior, que só foi explorado quando os ingleses resolveram lotear e os paulistas, mineiros, gaúchos e nordestinos vieram trabalhar nestas terras.
Aqui somos descedentes dessa gente, que trouxe para esta terra sua disposição para o trabalho -- crescemos indepententes de uma capital ausente -- e seus costumes, como preferências esportivas. Sou descendente de paulistas trabalhadores e torcedores de times daquele Estado. Portanto, Jones Rossi, vá à m*.
Quanto à qualidade do futebol, se eu fosse levar isso em conta, deixava de torcer pra time brasileiro e iria torcer pro Milan, Barcelona ou Manchester United.
Morar em Maringá e torcer pelo Corinthians, ou Palmeiras, São Paulo, etc... é ter a identidade própria de escolher o clube que lhe apetece. Cada um faz o que quer. Esse sim é o sentido de identidade própria.
Bom se fosse o Grêmio, o Londrina, o Cascavel, o Rio Branco...times grandes, de torcida única...O TIME DA CIDADE!
Sobre a discussão acima, quem é das antigas sabe que o interior nunca se bicou com a capital, lembrem que por muitos anos a capital era um círculo fechado que para entrar era complicado, quando morava em Curitiba eu já sofri com isso, de ser do interiorrrrrr, mas você releva tudo isso e segue em frente, mal sabem que o prefeito de Curitiba é londrinense e que o pai, segundo dizem os mais velhos, foi um grande governador do PR, e mais, para os londrinenses que sempre tiravam sarro dos vizinhos (Estudei em Londrina e senti também na pele isso), que o ex-prefeito de Londrina, Nedson, é de Rolândia e que possívelmente (Não sei o quanto anda isso) que o Hauly, que é de Cambé, pode ser o próximo prefeito da segunda maior cidade do estado. Engraçado que nessa discussão ninguém cita que no Oeste/Sudoeste o pessoal torce pela dupla GRENAL, interessante isso, deviam citar também esse ponto, não somente o caso dos paulistas.
Aqui no interior de SP, a fanática torcida do Guarani de Campinas irá lotar o Brinco, estão mesmo, ansiosos pela partida contra o SPFC, onde Amoroso destilará o seu tradicional veneno contra o tricolor.
Um recado para Londrina e MAringá, mirem-se no exemplo do XV de Piracicaba, time da A3 (Terceira divisão), que coloca de 10 a 15 mil pessoas por jogo contra qualquer adversário.
muito bem lembrado... a lei dos Empresarios é o grande motivo de tudo isso talvez!
Eu já resolvi essa parada. Torço sempre para o time mais próximo de mim. Abraços macacada. LEO.
E outra, ao Zé. Sou nascido em Londrina, criado em Londrina, e assim como muitos na cidade tenho parentes de SC. Nem por isso sou torcedor do Figueirense, Avaí ou Joinville. Ir ao jogo da equipe local é participar da vida ativia da cidade, mesmo que em uma pequena parcela.
O problema é que boa parte do nortista em geral é parecido com o dos imigrantes donos de pastelarias, dos banqueiros e outros imigrantes brasileiros. Moram em um local, porém não pretendem participar da comunidade onde vivem. Sonham apenas com o dia do retorno, mantendo suas tradições por uma questão de egocentrismo. Todo prepotente é um idiota!
abçs, Lessa
Desculpa mas você está absolutamente, ridiculamente enganado. Torcedor de TV consomem muito mais uniformes oficiais do que os torcedores de estádio. Simples, é só olhar na TV... uniformes piratas. Já os torcedores de tv compram uniformes originais como forma de ficar mais perto do time.
"Todo prepotente é um idiota!"
Comentário autofágico.
Mas torcer para o Chelsea, é meio qu etorcer para time de playstation.
MUITO TRISTE
POR AMOR AO MEU FLAMENGO, TUDO BEM QUE É DO RIO
É UMA PAIXÃO
VEJA SÓ O NOSSO REPRESENTANTE AGUIA DE MARABÁ, CIDADE CO IRMÃ DE XINGUARA
NOS XINGUARENSE GOSTAMOS, TORCEMOS E CHORAMOS POR NÃO TER CONSEGUIDO
SUBIR PARA A SEGUNDA
NÃO TEM PROBLEMA
AGENTE CHEGA LÁ,
NOSSO BAIRRISMO É JUSTO É DE DIREITO
GOSTO DE FUTEBOL DE RADIO DE PILHA
DE ESTADIO PEQUENO, PELADEIRO
A EMOÇÃO
É LINDA