De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Jan 28

A potência catarina e o futebol

por Felipe Lessa17h00

Contrariando ao que todos falam, discordo quando o Campeonato Catarinense é classificado como fraco. Sinceramente, uma iniciativa dos vizinhos me deixou babando mais do que o normal. Já que babei na Miss Paranaguá, que entrou em campo com o Rio Branco, no domingo...não custa nada reconhecer algumas glórias de nossos vizinhos.

Voltando às belezas catarinenses, segue abaixo a escalação (que infelizmente chegou até mim sem nome, endereço e telefone)da melhor seleção estadual de todos os tempos: Avaí, Metropolitano de Blumenau, Chapecoense, Figueirense, Cidade Azul de Tubarão, Joinville, Criciúma, Atletico Ibirama, Marcílio Dias de Itajaí e Brusque - os 10 bons motivos para acreditar no potencial barriga verde.

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Jan 26

Perguntas da segunda

por Ana Carolina Moreno12h35

Perdão
Como é que, em 7 de agosto de 2008, eu pedi ao Large Hadron Collider (aquela máquina capaz de recriar o Big Bang) que, se não provocasse o fim do mundo, pelo menos levasse o Washington pra bem longe da minha frente, e hoje coloquei uma foto dele no meu plano de fundo?

Ou é ou não é
Se o jornalista tem uma fonte em off dizendo que o Cruzeiro vai ganhar Kléber mais 14 milhões do Dínamo, em troca do Guilherme, porque escreve que o valor é uma mera especulação? Nem preciso dizer quem é, mas avisa a gente que você tem a fonte, ora. E, se é uma mera especulação, o que ela tá fazendo em destaque na notícia?

Ou é ou não é (2)
E eu aqui achando que o Kléber valesse mais do que isso, pro Palmeiras perder tanto tempo tentando segurá-lo... Ou será que o Guilherme é que tá inflado?

Acontece com todos
Por que o melhor jogador do mundo, habitualmente um cara tranquilo e "buena onda", ficaria com inveja do triângulo amoroso Milan-Kaká-City? Messi precisava mesmo dizer que não se espantaria se o Barcelona te largasse no futuro, igual fez com o Ronaldinho? O clube está fazendo história, a última coisa de que precisa é de gente reclamando com a barriga cheia. Fora que, se algum dia o Barça pensar em te largar, pode ter certeza que o polígono amoroso que surgirá daí vai ter cifras muito mais obscenas que as do Kaká.

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Jan 22

A volta dos que não foram

por Equipe De Primeira23h39

Por Felipe Lessa

Enquanto fora do Paraná, as estreitas relações entre clubes de futebol e prefeituras municipais são vistas com desconfiança, por aqui podem ser salvação. Em tempos de ofensivas de gigantes paulistanos contra mirrados caipiras paranaenses, até mesmo matar cachorro a grito vale para combater o provincianismo.

Se Ipatinga, Barueri e Santo André são atacados pelo forte domínio municipal sobre os passos do clube, no Paraná eu rasgo a retórica, jogo no lixo e ainda escrevo uma carta de agradecimento aos prefeitos que derem seu voto de confiança aos estandartes locais. Um voto necessário para evitar o domínio do empresariado sobre nossos clubes, como já existe no Iraty, Londrina Junior Team, Adap Galo, Toledo, Nacional de Rolândia, Arapongas, entre outros. Sem esquecer o caso mais bizarro. O Corinthians de Malucelli.

Não se trata de retrocesso. Trata-se de algo próximo de uma intervenção. Ser utilizado como cabo eleitoral é apenas um brinde. No Rio Branco de Paranaguá, um mesmo grupo político comandou o clube por cerca de 15 anos. Incluso nele o ex-prefeito da cidade, entre outros empresários que utilizaram o clube para alavancar sua vida social e empresarial.

Porém, o novo presidente, João Frumento parece ter surgido, por vontade divina para por a casa em ordem. O escolhido do prefeito José Baka Filho já foi gerente de negócios da rede MC Donalds no Paraná, pretende transformar o Rio Branco em uma grande potência comercial do estado.

Em conjunto com a Polícia Militar, uma atitude extrema, e positiva, para retomar velhos hábitos de arquibancadas repletas de camisas com o vermelho e o branco, como tudo começou: serão proibidas camisas outros clubes em jogos do Leão, no Caranguejão.

A exceção é quebrada apenas pela presença de visitantes. Nada mais. É um fator positivo para uma cidade tão influenciada por hábitos, incluso clubísticos, importados do Rio de Janeiro. Com isso, camisas de Flamengo, Vasco, Fluminense e até mesmo Botafogo, que faziam frente nas arquibancadas alvirubras, serão extintas.

A equipe da estradinha que jamais deixou de ser abençoada pelo gosto e carinho da população local, agora parte para objetivos maiores: ser o número um da cidade, onde a maior torcida é a do Flamengo. O Leão é a outra de todo parnanguara. Mas a intenção é que o torcedor volte a participar.

Foi reaberta a secretaria do clube - algo que se limitava aos escritórios de diretores de gestões anteriores. Também estão sendo reorganizadas as categorias de base. O clube pretende ter calendário o ano todo e também pretende organizar a questão de jogadores que não estão no clube, mas contam no BID da CBF – estes, segundo a imprensa local, boa parte de propriedade do antigo presidente.

Criar uma estrutura condizente com um time de 95 anos é a missão da nova diretoria municipal do bom e querido filho da cidade. Com pequenos feitos, mas que mostrem aos torcedores que eles tem por quem torcer.

Estreitar laços com a comunidade e prefeitura local é o que também vem fazendo Peter Silva, presidente do Londrina. Com presença garantida em todos os jogos do PPV paranaense, o líder máximo do tubarão reservou inclusive um bar para a apresentação dos jogos e união dos torcedores. Trata-se de um ponto de vista altamente positivo. Afinal, boa parte dos bares da cidade só se movimentam para ver o futebol de paulistas e cariocas na TV.

O contato próximo com a prefeitura também vem ocorrendo, fazendo reviver os tempos em que Franchello, folclórico presidente do clube, foi vice de Antônio Belinati. Mas, sem Bila novamente no poder – impedido de assumir por corrupção - a chefia alviceleste realizou visita ao prefeito interino da cidade, Padre Roque.

A intenção diplomática, tinha objetivos bem maiores que apenas cair nas graças do por enquanto prefeito londrinense. Lobby realizado e os diretores do Tubarão conseguiram manter o patrocínio de R$40 mil por mês pago pela estatal Sercomtel.

Em Maringá, como cabo eleitoral, o Grêmio pretende ressurgir. Volta com a vaga do Iguatemi, na segundona, ou na terceira, se for preciso nova razão social. Um plano de marketing para o time está sendo elaborado. Inclusive, um grande amigo que já trabalhou positivamente com estas ações no handebol de Londrina foi convidado para organizar o projeto.

O Grêmio pretende fazer com que Maringá volte a acreditar em um galo guerreiro. Por conseqüência, ajudar a eleger o possível candidato a uma vaga como deputado estadual: Umberto Becker, presidente do clube. A prefeitura também foi convidada a fazer parte da jogada, sendo que secretários municipais fazem parte do conselho do alvinegro.

Em tempos de parcerias frustrantes para os apaixonados paranaenses é uma chance de mudança. E quem sabe um estímulo à volta de clubes como o União bandeirante, do coronel Meneghel, ou do Matsubara, do fazendeiro Sueo Matsubara. Antes ver clubes próximos com suas prefeituras, que em mãos de empresários.

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Futebol Dourado

por Equipe De Primeira08h31

Por Felipe Rodrigues
Nas últimas semanas, os interessados por futebol acompanharam a novela que se transformou as negociações entre Manchester City e Milan para decidir o futuro do craque-bom moço Kaká. Os ingleses, nadando em dinheiro, fizeram uma proposta indecente em tempos de crise aos rossoneros: malas recheadas de milhões de euros em troca de um dos melhores jogadores da atualidade.

Pelas últimas notícias, sabemos que Kaká, que deu a última palavra na negociação, não trocou o tradicional Milan pelo obscuro City − boatos indicam que agora quem ronda a casa milanesa é o Real Madrid − preferindo a estabilidade de uma carreira vitoriosa à ilusão do pote de ouro. A decisão do atleta, que não tem nada de bobo em todo essa história, caminha pela contramão do espírito que tomou conta do futebol nas últimas décadas: a ganância conseqüente de cifras surreais, muitas vezes de fontes duvidosas, que praticamente aboliu a paixão, o amor à camisa e, em último caso, o senso de realidade de dirigentes e jogadores.

Os torcedores, os mais sinceros representantes de uma estrutura corrupta e nebulosa chamada futebol, são os que mais sofrem com todos esses acontecimentos que, aos poucos, transformam um esporte de massa em um entretenimento de elite.

Toda esta introdução é um resumo do que eu, um simples apreciador do futebol, penso sobre o atual momento do esporte. Mesmo assim, uma paradoxal esperança surge quando sentimos a pele arrepiar ao som das canções de idolatria que ecoam das arquibancadas. Foi o que senti em uma recente visita a Buenos Aires.

Engana-se quem acha os conterrâneos de Kaká os mais ardorosos amantes do esporte que já foi sinônimo de Brasil. Os nossos hermanos, sempre eles, estão anos luz à frente de nós, pobres pentacampeões, quando o assunto é fanatismo. E ele tem nome e sobrenome: Diego Armando Maradona ou, simplesmente, Deus.

Pelé, o atleta do século, nunca terá o que "Díos" tem. A face estampada em camisetas, muros e placas. O nome pichado em tapumes e prédios abandonados, a malandragem e a ironia do histórico gol de mão transformada em heroísmo. Escândalos e excessos não têm a mínima importância se forem cometidos por Dom Diego. Ele é a encarnação do futebol no país vizinho, que presenciei num jogo beneficente na Bombonera, a elegante casa do Boca Juniors.

A partida era em prol de uma instituição de caridade. Em campo, duas equipes recheadas de craques argentinos do passado e do presente. Nas arquibancadas, quase lotadas, um público que cantava e vibrava independente do teor da partida. Crianças penduradas nos alambrados, gritos esfuziantes e uma emoção difícil de descrever. Não era o futebol dos milhões. Era apenas futebol. E Deus estava lá, onipresente, aplaudido de pé, idolatrado.

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Jan 21

A palavra de três mil euros de Kanouté

por Ana Carolina Moreno12h27

Publicado originalmente no Terra Magazine em 20 de janeiro de 2009

Frédéric Kanouté é um homem de poucas palavras. Percebe-se pela maneira como responde às perguntas dos jornalistas e encerra as entrevistas acenando com um breve sorriso. Seus quase dois metros - faltaram oito centímetros para bater a marca - percorrem sem pressa os corredores do estádio de Riazor, casa do Deportivo La Coruña.

Foto: Agência EFE

É a segunda vez em quatro dias que o atacante do Sevilla visita a cidade do noroeste da España: uma coincidência de agendas fez com que as duas equipes se enfrentassem três vezes seguidas, duas pela Copa do Rei e uma pelo Campeonato Espanhol. Três batalhas que terminaram em três previsíveis vitórias para o time do jogador nascido na França em 1977, mas naturalizado em Mali.

Na primeira delas, em 7 de janeiro, Kanouté anotou o segundo gol do Sevilla aos 39 minutos do primeiro tempo. Bem colocado na pequena área, recebeu um passe de Diego Capel e, sem muito charme, girou a longa perna esquerda de fora para dentro do corpo pra encaminhar a bola rumo ao à meta adversária. Mas pouco se lembram do lance ligeiramente desengonçado, porque foram os cinco segundos seguintes ao gol que percorreram o mundo.

Evitando a tradicional corrida pelo campo, balançando os punhos cerrados e contraindo os músculos faciais para chegar à mais fidedigna expressão de sucesso, o atacante se dirigiu aos cinegrafistas e fotógrafos, se desvencilhou dos abraços dos colegas e levantou a camisa branca do Sevilla, revelando por baixo uma camiseta preta apenas uma palavra, traduzida em seis idiomas: "Palestina". Com boca e olhos bem abertos, para recuperar o fôlego e captar a reação imediata que seu gesto provocou, Kanouté colocou em prática o plano que idealizara quando Israel começou sua mais recente tentativa de aniquilar o arsenal de mísseis do Hamas às custas da população palestina.

Ele quebra o silêncio sobre o tema uma semana depois, quando o número de resultados do Google para a busca de "Kanouté Palestina" já havia passado de 40.000. Falando em espanhol correto, pausado e com leve sotaque francês, o jogador revelado pelo Lyon e com passagem pelas equipes inglesas do West Ham e do Tottenham deu a um grupo de jornalistas, após a partida, uma resposta simples e vaga:

- Fiz o que devia fazer.

A esta repórter, o titular da seleção de Mali afirmou ter evitado falar em público sobre o assunto por causa da grande repercussão que teve entre famosos e anônimos. Ele se diz contente pelas consequências de sua atitude e explicou que agiu sem pensar muito nelas:

- Não pensava muito na conseqüência, ainda que soubesse que talvez fossem me dar uma multa. Mas a minha motivação de fazê-lo ia muito além de uma multa ou sanção. Pensava que era uma boa oportunidade para eu sensibilizar as pessoas sobre o tema, e nada mais.

O próprio jogador, porém, admitiu que nem todas as reações foram de apoio. Mas, considerando que até o embaixador de Israel afirmou não ver nenhum caráter de incentivo à violência na mensagem, a consciência de Kanouté segue tranquila. O futebolista de Mali aceita sem a multa que levou pela atitude sem reclamar.

- A Federação Espanhola faz o que deve fazer.

Um time de futebol iraniano se ofereceu a pagar os três mil euros impostos pela entidade, valor estipulado no regulamento da Federação Espanhola de Futebol. Mas, para quem desembolsou 700.000 dólares para salvar uma mesquita em Sevilla prestes a ser despejada, a cifra não tira o sono, nem a calma, do jogador.

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FutebolPolíticaFutebol Espanhol

Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem

por Jones Rossi03h52

O futebol se parece um pouco com a política. Às vezes mais do que a gente gostaria. Quando a comunidade não está interessada em seus próprios rumos, quem toma conta são os políticos desonestos e corruptos. No futebol, quando cidades inteiras deixam de se importar com seus times para adorar o que vem de fora, empresários e espertalhões invadem o galinheiro antes que se possa dizer "categoria de base".

Por isso os estaduais são o que são. Meia dúzia de times com alguma tradição contra ex-times de tradição transformados em entrepostos de venda. Até o suposto melhor campeonato estadual do país, o Paulista, está recheado de times que não fazem o mínimo sentido: Guaratinguetá, Ituano, Paulista, São Caetano e por aí vai. Jogos às quartas-feiras de madrugada, estádios que se parecem entre si, torcidas tão vibrantes quanto um jogo de bocha com seu tio de 80 anos. Este é o Paulista. Imagine os outros.

Poucos vão concordar, mas campeonato estadual é o Gaúcho. Por um motivo simples. O interior ainda concentra times que têm conexão com a comunidade. Quem já foi para o interior gaúcho sabe como as cidades e a população valorizam seus times, mesmo que não sejam grandes coisas. E aí está a diferença para o interior paulista e paranaense, nos quais a população prefere torcer pela TV por times que no máximo irão ver no estádio uma vez na vida.

Qual o sentido em morar em Maringá e torcer pelo Corinthians e não pelo Grêmio Maringá (quando este existia)? Por que o Corinthians (ou São Paulo, Palmeiras, o time não vem ao caso) vence mais que o Maringá? Pô, mas é óbvio que vence e sempre vencerá. Mas deixem que os paulistanos cuidem do Corinthians. Torcer para um time local representa afirmar uma identidade própria, não importada, que faça sentido e tenha relação com o lugar em que você mora. Aos poucos, criam-se tradições, os domingos no estádio, as vitórias heróicas, aquele título duramente conquistado, o choro pelo rebaixamento.

Uma das histórias mais bonitas que escutei e não sei se é verdade, mas que cala fundo quando eu penso no Grêmio Maringá, é a de um torcedor do Atlético-PR que escutava todo o pré-jogo e desligava o rádio quando a partida começava. "Para mim basta saber que o Atlético existe", explicava. Para mim, bastaria saber que o Grêmio existe e começaria neste fim de semana mais um Campeonato Paranaense. Nem isso eu tenho.

Por isso, os campeonatos estaduais têm que acabar. Não faz sentido os clubes que têm relação com a torcida, ainda são grandes e têm força, disputarem um campeonato apenas para dar sobrevida, e principalmente grana, a times cujas próprias cidades já os abandonaram. Por causa do estadual, a aberração dos infernos Corinthians Paranaense vai ganhar alguns meses de destaque e pode provocar estragos duradouros no futebol paranaense. Por causa dos estaduais, os empresários conseguem colocar jogadores meia-boca na vitrine a preços baixos, em Guaratinguetás da vida. Na quarta divisão do Campeonato Brasileiro estes times só seriam motivo de piada, como realmente são, embora de vez em quando um ou dois abortos da natureza escapem e cheguem à Primeira Divisão.

(Pensando bem, seria até engraçado ver um dia o Corinthians Paranaense, que queiram ou não, é administrado por profissionais, gente que é dona de instituições financeiras, ganhando do Corinthians original, tocado por amadores e mal-intencionados. Será que o acordo tem alguma cláusula impedindo os dois de frequentarem a mesma divisão?)

Voltando ao assunto. A grande alternativa são os regionais: Rio-SP, Sul-Minas, Nordestão. Mas as federações jamais permitiriam perder o poder. Cada federação representa um voto e a CBF dificilmente bateria de frente com elas. A verdade é que a Federação de Futebol de Roraima é tão ou mais importante aos olhos da CBF que o Flamengo, que joga o estadual para sustentar o Nova Iguaçu e o Cabofriense, ao passo que clubes tradicionais como o América-RJ, Bangu, Madureira e Goytacaz fade away.

Trocando em miúdos, não há solução por enquanto. Se o presidente de um clube campeão brasileiro já me disse que sugeriu a volta da Sul-Minas e foi impossível convencer clubes como Cruzeiro a tomarem parte, é porque estes clubes também caminham para o inevitável apequenamento. Talvez o futuro seja assim mesmo. No lugar do Toledo, uma franquia do São Paulo. No lugar do Goiânia, cria-se o Corinthians Goianiense. Extingua-se o CSA em favor do Flamengo Alagoano - até porque Corinthians eles já têm. E o Brasil do "Bahia, minha porra", do "Santa é lindo", do "A-tlé-ti-co" e do "Vamo, vamo, Inter"; do Brasil de Claudio Milar, do Remo e do Sampaio Correa, dará lugar a um único coro unânime: "somos um bando de loucos". E estaremos cheios de razão. Seremos loucos e idiotas.

E assim espero ter encerrado minha série lacrimosa sobre essa porcaria toda que se tornou o futebol. Ainda há esperança, Kaká disse não ao Manchester City. E disse pelos motivos certos. Pode ser que o vento tenha mudado direção. Não conto com isso, mas não custa sonhar.

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Jan 20

Quinta comarca

por Adriano Brandão18h41

Parece que fechou.

Corinthians do B

Por que o escudo do tal Corinthians Paranaense tem a bandeira de São Paulo e não do Paraná?

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Arquitetura

Jan 19

O que a morte de Milar diz aos paranaenses

por Jones Rossi17h22

Já está ficando ridículo fazer papel de quem vive falando de como o futebol paranaense é fraco e sem identidade. Sabemos que cidades como Londrina, Maringá e Paranaguá não poderiam ter times tão fracos entre a própria população, que prefere os times de fora do estado. Mas fica impossível não falar a respeito quando vemos uma cidade como Pelotas tão abalada depois da morte do atacante uruguaio Claudio Milar.

O Brasil de Pelotas não representa nada no mundo futebolístico de hoje, onde quem interessa são os Manchester City da vida. Semifinalista do Campeonato Brasileiro de 1985, hoje frequenta a Série C. Quase subiu em 2008, mas no octagonal final não conseguiu superar times como o Rio Branco do Acre. Nada disso impede, porém, que a torcida do Brasil de Pelotas cultive um fanatismo e devoção pouco vistos em clubes de porte semelhante.

Claudio Milar era o maior expoente dessa devoção. Com mais de 100 gols marcados com a camisa vermelho e preta do Brasil, o uruguaio podia ser chamado de ídolo. Melhor, um ídolo de verdade, não essas pragas marqueteiras que beijam o escudo do time hoje e depois vão jogar bola no Qatar. Milar era um ídolo como nem os grandes clubes mais têm. Escolheu jogar no Brasil, adotou o time e a cidade e também foi adotado. O que torna a morte dele ainda mais dolorosa para a torcida xavante.

Que time do Paraná, excetuando os grandes - e até os grandes entram no balaio - tem um jogador com esse tipo de relação com a torcida? Até ontem o grande ídolo do Coritiba era o Keirrison, vendido há dois séculos para o Palmeiras. O Atlético não tem um ídolo de verdade desde Ricardo Pinto, na década de 90. A exceção é o tricolor Goiano, mas não sei o real prestígio dele com a torcida corneteira do Paraná. Mas são times que têm em seu elenco jogadores identificados com a camisa e também possuem torcidas fanáticas.

Mas quero comentar aqui os times menores. Maringá e Londrina já foram assim. Mas viraram refúgios de empresários e oportunistas e agora passam longe de ter algo semelhante à história que Milar construiu no Brasil de Pelotas. Agora surge a história de criar um Corinthians Paranaense. É o apocalipse, sim, e pode se tornar um sinal do Apocalipse com torcida. Mas jamais terá um Milar. Nunca vai chorar por um ídolo morto. E nunca será um clube de verdade.

Talvez os dirigentes do neo-Timãozinho devessem até chorar por isso, se os bolsos não estivessem tão cheios de dinheiro.

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FutebolFutebol Gaúcho

Jan 18

Perguntas da segunda

por Ana Carolina Moreno22h54

Se alguém puder me responder, eu agradeço.

Empresas de webdesign picaretas e sem-vergonhas
Por que o site oficial do Ronaldo afirma que ele ainda joga pelo Milan? Veja com seus próprios olhos, clicando na página "my team". Aliás, depois visitem a tal da empresa Fobazo para conhecer os outros sites oficiais que eles criaram. São todos iguais. E igualmente desatualizados (a Marta ainda joga na Suécia, por exemplo).

Empresas de comunicação sem padrões
Se Real Madrid se escreve Real Madrid no G1, por que o Atlético de Madrid é escrito como Atlético de Madri no mesmo G1? Veja que não é um erro pontual, está tanto na classificação quanto na tabela da última rodada.

Fugindo do tema
Qual era o objetivo de Israel ao invadir a Faixa de Gaza? Ultrapassar a marca de mil mortos? Como esperam que o Hamas não volte a se armar e continuar atacando Sderot? (posto a imagem a seguir pra quem reclamar que isso não tem a ver com futebol)

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Futebol

Jan 16

DVD do Hexa: não, obrigada

por Ana Carolina Moreno20h14

Eis uma prévia do DVD do hexacampeonato são-paulino (tirada do canal oficial do clube no YouTube) e o que se pode concluir em comparação com o DVD do penta, a partir dos sete minutos apresentados acima e de outros fatores:

A diferença principal foi a própria campanha de 2008. Como as chances de título só se tornaram palpáveis bem perto do fim do campeonato, não houve tempo hábil para lançar o produto em dezembro, ou até mesmo produzi-lo com maior liberdade de trabalho. Em 2007, lembro inclusive de ver cinegrafistas profissionais na arquibancada filmando os torcedores, e muitíssimos detalhes de bastidores durante o ano e personagens fantásticos. O que aparece no clipe da versão hexa foi resgatado principalmente das emissoras de televisão com, claro, algumas cenas de bastidores básicas e uma musiquinha para aumentar a tensão.

De entrevistas, só mostram os próprios jogadores e o Muricy. Incluíram mais fontes oficiais talvez porque não tinham, dessa vez, histórias de torcedores tão ricas quanto da última vez. Como pra mim essa foi a melhor parte do DVD do penta, não me apetece ficar ouvindo o Juvenal Juvêncio dizer que tinha certeza que no segundo turno a equipe se recuperaria. Bobagem publicitária.

Dessa vez, o DVD será distribuído pela Fox, o que vai aumentar os pontos de venda pelo Brasil. O outro filme só era comprado nas bancas e foi distribuído pelo Lance.

Aqui não tenho como precisar, mas me lembro de ter pagado no máximo 15 dinheiros pelo DVD de 2007. Esse agora vai custar 50 reais e vem com box duplo. Acho exagerado, excludente, elitista. Ou seja, bem típico da linha que a diretoria vem seguindo. Pelo menos não se pode reclamar de inconsistência.

Pior é que, nesses sete minutos de prévia, já apareceram inúmeras cenas do Morumbi vazio. O cara não pagou os R$ 20 (às vezes R$ 30) pra ver o time ao vivo, e agora vai pagar R$ 50 pra ver pela televisão o que já viu pela televisão durante o ano todo?

O ideal, em qualquer universo onde há respeito com quem te apóia na alegria e na tristeza, seria preferir acesso em vez de lucro. Não adianta comemorarem depois a venda de 2.000 unidades em um mês, se poderiam ter vendido 3.000 ou qualquer quantia impossível de se precisar. Preferiria que 3.000 pessoas o tivessem do que contar com mais dinheiro no caixa. Preferiria também que as imagens do Muricy agradecendo a torcida após o jogo pudesse mostrar mais torcida no estádio.

É claro que, nesse box duplo, talvez esteja guardado um material fantástico, imperdível, fenomenal, com declarações e imagens inesquecíveis que eu nunca poderei encontrar no YouTube. Mas o meu filminho do penta, com a senhorinha que não perde uma partida, aquele moço do interiorzão paulista que nunca tinha ido ao estádio antes e mal podia falar de tanta emoção, aquela guria divertida de Porto Alegre e o figura do Recife, me mostra um lado mais bonito do Tricolor.

E acho importante deixar claro que consumismo não é prova de amor à camisa. É prova de frivolidade, cegueira e conformismo. Cobrar o olho da cara só porque o título é inédito não vai ajudar na campanha de expandir a base de torcedores. Uma equipe que te cobra tanto pelo seu amor, com tamanha cara-de-pau, não está fazendo por merecê-lo.

Admito, porém, que quase não pude resistir às lágrimas quando vi o Muricy falar sobre a emoção de conquistar esse título.

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FutebolCampeonato BrasileiroArquitetura

Jan 10

"Brasil! Filipe!"

por Ana Carolina Moreno14h01
Filipe Luís Kasmirski

O fim do ano de Filipe Luís, lateral do Deportivo La Coruña, foi agridoce. Apesar de poder visitar a família no Brasil e fechar 2008 com a classificação para a próxima fase da Copa da Uefa e uma vitória de 4 a 1 sobre o Recreativo de Huelva pela Liga, com direito a um golaço seu, o catarinense de Jaraguá do Sul sabia que encontraria seu Estado alagado depois das chuvas de novembro. E, ainda por cima, que teria de ver seu time do coração, o Figueirense, rebaixado.

Ouça trechos da entrevista concedida ao Blog de Primeira, onde ele fala sobre a diferença entre a importância que se dá à Copa da Uefa e o desdém que os clubes brasileiros dispensavam à Sulamericana, pelo menos antes do título conquistado pelo Internacional, sua adaptação à Espanha, a sombra dos antigos ídolos brasileiros no La Coruña, sua relação com a torcida deportivista e sobre o time que o revelou.

“Tenho um amor pelo Figueirense muito grande, um carinho, uma dívida com eles. Espero um dia poder voltar e me despedir lá”, afirma o titular da lateral esquerda do Dépor. 'Feli', como é chamado pelos companheiros de time, está escalado para a partida de hoje contra o Sevilla pelo campeonato espanhol. A equipe entra em campo às 20h (17h, no horário de Brasília) e uma vitória pode deixá-la pela primeira vez entre os quatro primeiros da tabela, zona de classificação para a Liga dos Campeões. Atualmente, o time ocupa a sexta colocação, último posto que dá acesso à Copa da Uefa 2009-2010. São 30 pontos em 17 jogos, com nove vitórias, três empates e cinco derrotas.

Segundo o camisa 3, o objetivo principal do Deportivo é chegar aos 42 pontos, número que geralmente garante a salvação contra o rebaixamento. “Se a gente conseguir isso antes do previsto, claro, vamos tentar brigar para entrar na Uefa ou quem sabe na Champions”, explicou, otimista, mas consciente da dificuldade de enfrentar times maiores, mais ricos e com vários pontos a mais.

Apesar de o fantasma do rebaixamento rondar La Coruña mesmo após anos sem descenso, a torcida coruñesa mais otimista vibra com a palavra Champions. E vibrou também em 21 de dezembro, quando Filipe, depois de correr por 90 minutos na partida contra o Recreativo de Huelva, conseguiu ser mais rápido que seu marcador e, ao receber um passe certeiro, encobriu o goleiro e marcou o quarto tento da goleada. “Brasil! Filipe!”, gritou o torcedor atrás de mim na arquibancada, quando o jogo acabou. Grito que já foi direcionado a jogadores como Bebeto, Djalminha, Mauro Silva e Donato.


No vídeo com os melhores momentos da partida acima, a jogada de Filipe começa a partir do 3:10.

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FutebolFutebol EspanholCopa da UEFA

O Pearl Harbour do futebol paranaense

por Jones Rossi01h08

O ex-Malutrom vai virar Corinthians. Uma parceria entre o time paranaense e o paulista vai elminar intermediários. Você, que faz parte da maioria do povo do meu Paraná e torce para o Sport Club Corinthians Paulista, poderá vibrar com o Sport Clube Corinthians Paranaense, provável futuro nome do atual J. Malucelli. Tudo vai se definir em uma reunião, terça-feira, entre as diretorias dos dois clubes, em São Paulo.

Como jogada de marketing, sim, é genial. Ou no mínimo era prevista, já que há alguns anos existem pesquisas demonstrando que a torcida do Corinthians é a maior do Paraná. A do Palmeiras é maior que a do Coritiba e Grêmio-RS e Inter não fazem feio. OS dois últimos times já tentaram emplacar filiais na segundona do Paranaense, mas a Federação Paranaense de Futebol não os deixou levar adiante a sandice, que provavelmente acabaria com qualquer chance dos times da capital ganharem torcida na região sudoeste do estado.

Mas é justamente por ser uma boa jogada empresarial que é desprezível aos olhos do torcedor e atenta contra o espírito do futebol - se é que ainda lhe resta um. Times de futebol, no sentido tradicional, representam a vontade de um grupo de pessoas, de uma comunidade. O Coritiba, o Atlético e o Paraná, mesmo este sendo fruto de fusões, são expressões comuns dos curitibanos em diferentes regiões da cidade e em diferentes épocas do século XX. Se a população de São José dos Pinhais amasse o Corinthians e resolvesse fundar um time inspirado no Corinthians estaria tudo bem. Seria a vontade da comunidade, assim como existe o América de Natal e o América Mineiro, fundados na esteira da popularidade do América do Rio, difundida pelas rádios cariocas.

O caso do Corinthians Paranaense é tão errado de tantas formas que parece aqueles filmes em o mundo vai acabar se o sujeito que viajou no tempo encontrar a si mesmo: o universo vai implodir e acabar em um buraco negro. Imagine se, em um cenário extremamente prejudicial ao futebol paranaense, o Corinthianstrom dos Malucelli chega à Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro e se vê diante do velho Corinthians de Sócrates e Marcelinho Carioca. Isso pode acontecer até antes, agora em 2009, já que o J. Malucelli está na Copa do Brasil. Lembram das dúvidas que despertou o jogo entre Juventude e Palmeiras, ambos patrocinados pela Parmalat, no Campeonato Brasileiro de 1995, em Caxias? Tudo isso seria fichinha perto da relação entre SCCP e SCCPR.

Há entretanto, algumas coisas boas nesta história. A criação de uma cria de um time paulista no quintal do trio-de-ferro de Curitiba pode ser um momento definidor no futebol paranaense. Como um Pearl Harbour futebolístico, atacados quando descansavam mediocremente em suas redes, os times paranaenses podem acordar e tomar as providências para minorar os prejuízos, porque certamente o monstrinho dos Malucelli vai provocar estragos.

E a idéia de criar um time por motivos meramente comerciais - que já vem acontecendo de forma mascarada, mas vem acontecendo, vide Ipatinga, São Caetano, Desportivo Brasil da Traffic, entre outros - põe fim a qualquer ilusão que possamos ter em relação ao futebol atual, se é que o temos. O rei está nu e todo o teatro do futebol já não faz mais sentido existir. Mesmo times tradicionais como o Londrina, Guarani e Santa Cruz foram alugados para empresários, que fizeram o que bem entenderam. Nenhum destes clubes mudou para melhor.

O Grêmio Maringá - ótimo exemplo - foi destruído pelo futebol dito moderno, vítima de um capitalismo tão selvagem que acabou por matar a própria fonte de subsistência.

Mesmo clubes gigantes como o Corinthians correm risco. Qualquer um que ande pelas ruas de São Paulo vê mais camisas do Milan que de qualquer outro clube paulistano. O que impede o time italiano de criar uma filial na maior cidade da América do Sul, um mercado de 20 milhões de pessoas e bilhões de dólares? O Milan Camp já vem acontecendo há dois anos sob as barbas dos nossos dirigentes. Mas não é assim que caminha a humanidade?

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