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Dez 07

Kukín e Eu

por Equipe De Primeira02h17

por Leonardo Bonassoli

2000 era o ano. Tardes vazias se espalhavam, talvez pela primeira vez e última vez muitos anos. "Oficina vazia, cabeça do diabo", diria alguém errando o ditado como a Magda do Sai de Baixo, que estava em voga na época, exceto se estiver sendo traído pela minha memória-fantasia.

A outra ponta do contexto do início da história: estrangeiros. Vivemos atualmente com uma boa presença de estrangeiros no futebol brasileiro. Antes, tivemos alguns picos. No Atlético Paranaense, houve uma série de estrangeiros que começou com o uruguaio Matosas no início de 1996. Naquela época, só dois estrangeiros por equipe podiam ser relacionados. Depois do sucesso de Nowak e Piekarski, o Atlético Paranaense resolveu trazer dois jogadores de uma mesma nacionalidade para o clube: os peruanos Abel Augusto Lobatón Espejo e Carlos Antonio Flores Murillo.

Lobatón foi o que mais deu certo. Não que o centroavante fosse um primor técnico (longe disso). O que aconteceu foi o fato de ter feito um gol em Atletiba na primeira de suas duas curtas passagens pelo time da Baixada.

Já Flores, que carregava a alcunha de "Kukín", pouco jogou pelo Furacão. Aí que o primeiro e o segundo parágrafos se encontram: eu vi ele jogar no dia 27 de outubro de 2000, na Arena da Baixada, num amistoso entre um mistão do Atlético e equipe do Juventus de São Paulo. A Copa João Havelange, em disputa na época, tinha número ímpar de times, o que fazia com que os times tivessem folgas na tabela. Este amistoso foi em uma das folgas.

Foi uma partida fraca tecnicamente (um time reserva contra um que estava a milhas da elite). Bentinho, com a 9 do CAP, perdeu gols a rodo. Tanta gente jogou que depois do número 18 começaram a repetir os números das camisas. E com a 8 entra o herói de nossa história. Ele joga alguns minutos, com bons passes e antecipações no meio. Jogador mais clássico e que jogava de primeira passes açucarados e antevia movimentos. Nada para impedir um empate em 2 gols contra o Juventus, que não deperdiçou suas chances.

Pouco tempo disso, ele retornou para o Sport Boys, clube de origem, sendo que a alegação foi de "problemas pessoais". Passei a acompanhar alguns passos deste jogador, entre os mais obscuros da história recente do clube (Roland Tüske está no mesmo nível). Clube atrás de clube. Resgatei uma frase dele: "é so a gente beber duas garrafas que já dizem que estamos nos embebedando", para entender um pouco do perfil polêmico do atleta.

No Unión Huaral, após sair do clube, disparou: "esses dirigentes não entendem de futebol. Com exceção de 2 ou 3, eles só entendem de frango". Foi nessa passagem pelo Huaral que aconteceu a lendária foto da comunidade Futebol Alternativo do orkut. E seguia o polêmico Kukín de clube em clube.

No Villa del Mar, da Segundona, Flores foi acusado de entrar em luta corporal no vestiário com o treinador, sob a alegação de não ter gostado de ser substituído. Entre sumidas e aparecidas seguiu nosso "herói".

Há alguns anos, surgiu a notícia de que Carlos Flores esteve internado numa clínica para se curar de dependência química. Era realmente mais um bom jogador que poderia ter ido mais longe se não fossem os vícios e confusões. A lista não é pequena e cada um conhece dezena de casos.

Mas incrivelmente ele "fugia" de competições internacionais, pois neste troca-troca de times ele sempre parava em clube que não disputava nem Libertadores, nem Sulamericana. Tudo até este ano, quando o Sport Ancash disputou a Sulamericana com Flores envergando a camisa 10. Foi meu reencontro com o futebol dele (desta vez pela TV). Era o dia 24 de setembro, e numa partida sonolenta, Ancash e Palmeiras ficaram no zero a zero na cidade de Lima. Todas as bolas paradas eram de Flores e muitas levaram perigo ao gol do goleiro Marcos. O peruano sentiu um pouco os 34 anos de idade, mas mesmo com a mobilidade reduzida mostrou lances de habilidade como um cruzamento de beach soccer.

Ele viria para o Brasil depois de oito anos. Mas alegaram que ele não teria tomado uma vacina, sendo barrado. Outros diziam que na verdade era um problema com a FIFA, pois Flores tinha ultrapassado o limite de times que poderia defender no período de um ano. Ele não pôde jogar uma partida oficial aqui no Brasil.

O jogo que vi dele teve um público pequeno. Alguns brasileiros viram pela TV o jogo recente dele. Tem uma anedota de música que Indie é aquele que tem uma banda que só ele conhece. Eu tenho um jogador que eu fui um dos poucos a ver em atuação num estádio do Brasil. Seria eu um indie do futebol?

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