Remo busca saída na conciliação
por Equipe De Primeira11h17
Por Leonardo Aquino
Enquanto ainda absorve o golpe de uma eliminação/rebaixamento na série C, o Remo parece ter acertado a única bola dentro em termos de gestão nos últimos anos. Só foi preciso um pouco de inteligência para chegar a uma solução prática para enxugar as dívidas trabalhistas do clube, estimadas em cerca de 6 milhões de reais. A diretoria decidiu abrir mão de brigar pela sede campestre, um terreno inútil que havia sido arrematado num leilão da Justiça do Trabalho por 3 milhões de reais. A decisão faz com que a própria Justiça suspenda o bloqueio de rendas de jogos e patrocínios. Além de aceitar a perda do patrimônio, o Remo resolveu resistir à tentação de ver a cor do dinheiro: vai manter a bolada nos cofres judiciais, para que seja utilizada no pagamento dos débitos por meio de conciliações.
As audiências estão marcadas para a próxima quinta-feira, 4 de dezembro. Estão na pauta da Semana Nacional de Conciliação, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça. O Tribunal Regional do Trabalho da 8ª Região já convocou todos os credores do Remo para um dia inteiro de audiências. O clube já terá direito a utilizar 1 milhão e 600 mil reais para negociar. Não é pouco. Com esse dinheiro em conta, o clube terá um razoável poder de barganha. Isso porque, na conciliação, uma boa oferta para pagamento à vista é sedutora e acaba com o desgaste dos trâmites judiciais “normais”. A diretoria remista espera reduzir pela metade as dívidas, apenas na base do diálogo. Isso não é tão improvável, já que os débitos reais geralmente são inflacionados por advogados.
Desde 2001, crise financeira e dívidas trabalhistas são assuntos comuns no Remo. Em 2006, a situação ficou pior. Os atrasos nos salários se tornaram cada vez maiores. Os problemas de bastidores, mais evidentes. A imagem de mau pagador, mais consolidada. E o atoleiro, mais profundo. Os resultados foram vistos em campo: dois rebaixamentos seguidos e uma grande angústia envolvendo as perspectivas para 2009. Na segunda-feira, três dias antes das audiências de conciliação, o Remo elege o novo presidente para os próximos dois anos. Quem sabe ele já não vai começar o mandato com uma condição mais fácil para comandar uma reestruturação na base da humildade.
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Comentários:
Este terreno sempre entrava em cogitação para ser vendido, mas a diretoria sempre segurava.
Agora, espero que a venda dele não tenha sido em vão.
Não há coisa mais difícil do que dar o braço a torcer. Ponto para o Remo!
PS: Seu post não só fez chover aqui. Choveu granizo, quase neve, coisa raramente vista nessa cidade. Pra você ver hein!