O fim do Grêmio Maringá
por Jones Rossi20h55

Sim, vou falar do mais que irrelevante futebol do interior do Paraná. E só para relembrar um pouco das origens deste blog, quando éramos revoltadinhos e sujinhos, se aparecer alguém falando mal pode sentir-se mandado à merda desde já.
Vou falar do fim do Grêmio Maringá, ou de sua última ressurreição como Galo/ADAP, como quem se considerou durante muito tempo o maior torcedor vivo do Galo do Norte. Alguém que era tido como um E.T. quando, nos tempos de infante estudante primário no Barddal da Pedro Ivo, anunciava seu amor, estranho amor, pelo Grê-mi-o Ma-rin-gá, escandindo todas as sílabas para que os coxinhas, atleticaninhos, coloradinhos e pinheiristinhas entendessem. Para se ter uma idéia, eu ainda lembro como comemorei feito louco com meu pai um empate por 3 a 3 com o Pinheiros no Erton Coelho, em 88.
Mas em se tratando de Grêmio Maringá, os resultados eram acessórios, como qualquer genuíno torcedor de time pequeno sabe. A maior alegria era simplesmente ser torcedor. Ponto final. Como morador de uma pequena aldeia que resiste a um exército. Como se fizéssemos parte de uma sociedade secreta. Sim, e mesmo em território hostil, de vez em quando dava para encontrar outros membros.
Em um desses bingos que rolavam nos estádios na década de 80, fui com o meu pai tentar a sorte grande e levar um Chevette para casa. Promovido por um time de futebol, o Pinheiros, a cada prêmio o locutor perguntava o time do caboclo. Coxas e atleticanos eram a maioria. Aparecerem torcedores do Pinheiros e Colorado em bom número. Mas eis que um louco solta, com a boa educação típica do pé-vermelho católico e temente a Deus: "olha, você vai me desculpar, mas sou Galo, sou Grêmio Maringá." É sério, houve uma pequena ovação no estádio e meu pai perdeu a conta de quantos se levantaram para declarar a mesma paixão. Ou loucura, afinal, nosso ídolo era o Marinho Rã...
Meu pai, zagueiro dos bons, homem sério e de poucos sorrisos, embora feliz, nunca foi um fanático por futebol. Era santista como meu avô e gostava do Pelé ("o Negão era foda", dizia, permitindo-se falar um raro palavrão). Mas, contrariando a postura pouco apaixonada em relação ao futebol, viajou para Curitiba para ver a final do Campeonato Paranaense de 1977. Ali, contra arbitragem, bastidores, Evangelino, Couto Pereira, torcida, contra tudo, o Grêmio Maringá venceu o estadual e interrompeu uma série de seis títulos seguidos do Coxa. Ele dizia que era para ter acontecido ainda um ano antes, em 76, mas que a gente tinha sido roubado.
Depois de morar em Floresta, Mallet e Bom Sucesso, a gente se mudou para Curitiba no ano em que o Coritiba foi campeão brasileiro. O melhor amigo do meu pai, que trabalhou com ele no Banestado de Mallet, nos levou ao Couto para tentar ao menos me converter. Não gostei de nada daquilo. Não por se tratar do Coritiba. Mas por achar que seria renegar minhas origens torcer por um time tão grande e forte, tão curitibano, tão pouco interior, pelo menos na minha visão de moleque de seis anos com uma puta saudade da terra vermelha.
Acho que um dos dias de maior orgulho pro meu pai foi quando falei que continuaria torcendo para o Grêmio Maringá. Passou a mão nos meus cabelos e abriu o sorriso. Eu era como ele. E gente como a gente não gosta nem de morar na capital. (Eu reconheço a ironia disso tudo. Eu passei a minha vida planejando voltar para Maringá e acabei em São Paulo...)
Meu pai morreu em 1994 e com ele o Grêmio Maringá. O time foi rebaixado no mesmo ano. Um ano depois, de pura tristeza, meu avô, pai do meu pai, também se foi. Os dois foram enterrados a metros um do outro, no cemitério de Floresta. Desde então voltei umas três ou quatro vezes lá. Duas vezes no Willie Davids. Quando minha mãe estava grávida de mim, costumava contrariar as orientações do meu pai e ia, assim mesmo, ao estádio. Mas, junto com meu pai, não lembro de ter ido sequer uma vez até lá. Há poucas coisas mais tristes que deixar de ir a um estádio de futebol com o pai.
Foi a única vez que chorei por futebol. Quando o Grêmio caiu para a segunda divisão do Paranaense. Era um choro por causa do câncer do meu pai. Os dois em estado terminal. Minha vida ia mudar para sempre. A gente chora por essas coisas também, quando percebe que agora é com você e não tem jeito.
Comecei a trabalhar para ajudar em casa. Nunca abandonei o Grêmio, um time sem um centésimo da mística de um Flamengo ou Corinthians, mas que para mim era o único que fazia sentido. Nunca me sentiria bem sendo apenas um entre 30 milhões de flamenguistas ou 20 milhões de corintianos.
Maringá era para mim como o sol amarelo para o Superman. Pena que o Grêmio estivesse mais para Krypton, prestes a implodir. O Guilherme Voitch vai lembrar do dia em que cruzamos o Paraná em cinco horas para ver Jon Espencer Blues Explosion em Maringá. Era 2001, e o Grêmio levava 20 mil pessoas por jogo na segundona do Paranaense e uma banda do naipe do Jon Espencer se apresentava numa cidade que não era exatamente Nova York. Foram 25 mil contra a Lusinha Londrinense no WD. Parecia o início de uma nova era de ouro. No ano seguinte, fomos vice-campeões paranaenses. O que poderia dar errado?
Mas os maringaenses abandonaram o Grêmio. O time, que já havia sido vendido e mudado o escudo, deixou de ser parte da cidade para se tornar propriedade de um empresário maluco. Depois voltou sob as ordens de um time de Campo Mourão, uma bizarrice igual ao Ipatinga comprar o Atlético Mineiro. Agora acabou de vez. Um grupo de empresários quer fazer o Grêmio original voltar por baixo, partindo da terceira divisão do Paranaense. Infelizmente, não dá mais. O Grêmio que eu conhecia morreu com o meu pai. Putz, mas como eu torço para estar errado.
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Comentários:
Houve o tempo que os clubes da capital temiam visitar o interior. Hoje, sequer querem jogar por lá. Não por medo, mas sim por desprezo. Quero acreditar que isso vai mudar. Pois o clássico do café é maior que o atletiba! Ao menos para nós, pés vermelhos que estão pouco se lascando para a capital e seu futebol.
Times que já estavam fora de cena há um bom tempo ficaram na pior. Depois, eles foram aos poucos ressurgindo. Sinto falta de ir pra Araraquara ver Palmeiras x Ferroviária (fui lá em 1993, 1x0 pra nóis, golaço de Edmundo e um puta jogo difícil!), sinto falta de Palmeiras x XV de Piracicaba, XV de Jaú, Novo Horizontino, Catanduvense, Botafogo de Ribeirão Preto, etc...
Mas hoje, tem como existir a salvação! Liga pro prefeito de Maringá e manda ele fazer como fez o Barueri nesse ano, ou como fez o São Caetano anos atrás. A cidade investe, o nome fica em evidencia e ai tudo dá certo! Ou não?
Enfim, o único time do interior que eu não sinto saudade é a Internacional de Limeira! Que em 1986 no Morumbi fez mais ou menos o que o Maringá fez com o Coritiba em 1976 no Paraná.
Eu sabia que você tinha um time melhor do que esse outro ai que você sofre... fica com uma 'porcaria' só no lugar de duas, ok? rsrsrs
Sinto um pouco do que você disse ao torcer pelo meu Grêmio/RS, também herdado de meu finado pai (gaúcho) aqui na capital paulista. As vezes me sinto um estranho no ninho, um ninho de corintianos, são-paulinos, palmeirenses e santistas. Estou morando em SP a quase 15 anos e todos os dias penso em voltar para minha terra (oeste do PR).
Um grande abraço.
Grande abraço.
Sou Grêmio Maringá e não escondo de ninguém aqui em Curitiba. Vivo aguardando o dia em que conseguirei a transferência para Maringá, e espero estar errado quanto ao futebol maringaense...
Pode ser que o Grêmio esteja morto, mas imagine que haja um retorno, imagine passar ao lado do WD e escutar Grêêêmiooooo... Puxa vida acho que não conseguiria resistir não, começaria tudo de novo...
E só lamento a situação dos times que eu cresci vendo disputar o estadual com os da capital: Londrina, Grêmio Maringá, Operário de Ponta Grossa. E fico pensando que merda de futebol está ficando o do nosso estado quando clubes podres que não significam nada como Roma ou ADAP conseguem se destacar tanto. É o mesmo caso do São Caetano, time que se destacou nesta década com um campeonato paulista e dois vice-campeonatos brasileiros mas não consegue levar 1.000 torcedores ao seu pseudo-estádio.
Futebol é tradição. Passa de pai pra filho (no meu caso, de vô pra neto). Tem a ver com raízes. Dá sentido para a vida.
É importante demais para ser apenas fonte de lucro para empresários inescrupulosos.
Ainda acho que a solução passa por iniciativas da torcida que façam esses caras sentirem algum tipo de risco de vida pelo desrespeito à tradição dos clubes que estão matando.
JONES, LEMBRA QUE EU TE PROMETI UMA PLACAR DE PRESENTE? QUE VI A REVISTA COM POSTER E REPORTE DO GALO E COMPREI EM UMA BANCA DE USADOS EM CTBA?FAZ UNS MESES ATRÁS QUE ELA JÁ ESTAVA EM MÃOS. FOI JUSTAMENTE ESSA QUE COMPREI PARA VOCÊ...
E realmente, o Grêmio Maringá morreu em 1994. Suas "encarnações" posteriores nunca fizeram juz ao nome.
Como escreveu o colega coxa-branca André Egg, realmente é triste ver times tradicionais do interior do Paraná em estádo de penúria, e ter que disputar o estadual com esses times de empresário, que mudam de cidade como o Fábio Jr. muda de esposa.
Por aqui ando numa encruzilhada pra decidir pra que time torcer. Tem o Barã, que ganha tudo, como eu estou acostumada. Tem o Sevilla, que tem o Luis Fabiano e um toque todo especial. Mas o seu texto deu uma ajudinha pro Deportivo, que tá ganhando essa corrida.
Parabéns pelo texto, gostei bastante!
Ainda existem muitos maringaenses na esperança que o Galo Guerreiro volte, vamos torcer.
do que nunca
á-lhe Galo Gerreiro; Mas tb acho que o que a torcida guerreira quer gritar no WD é GRÊMIO E GALO! Nada de invenções horrorosas de empresários inescrupulósos que iludem e brincam com o sentimentos alheios.
REGINALDO: É VERDADE QUE O GRÊMIO, O GLORIOSO E SAUDOSO GRÊMIO DISPUTARÁ A 3º DIVISÃO DO PARANAENSE?? Qual a sua fonte?
coxinhas, atleticaninhos e paranistinhas, nunca chegarão aos pés da torcida guerreira do galo (GRÊMIO).
EM TEMPO Maringá é a cidade mais linda e organizada do mundo e a copa do Mundo podia muito bem ser lá pois é a região MAIS RICA E que mantém o Estado do Paraná .
Que CHICK ROOM (ARENA DO IRMÃO METRALHA COM VERBA DE CAMPANHA DE GOVERNO)E ALTO DA GLORIA (SHOPPING DE LAVAGEM DE DINHEIRO)
VAMOS COMEÇAR JÁ A CAMPANHA:
COPA DE 2014 EM MARINGÁ NO WILLIE DAVIES(REFORMULADO PARA 40.000), E O FUTEBOL DA REGIÃO MAIS RICA DO PARANÁ RESSURGIRÁ COM O GALOOOOOOOOOOOOOOOO E A TORCIDA GUERREIRA .
www.programabolanarede.com.br e verá a camisa do Gremio
bandeira e distintivo está sendo todo reformulado para a terceira
divisão;
Eu assisti muitos jogos do Grêmio em cima das arvores em frente ao estádio, Quantas vezes faltei a escola para assistir os jogos gremio, guardava os trocados que ganhava mas não faltava em nenhum jogo do meu time do coração. É uma pena que uma cidade do porte de Maringá não tenha hoje um time que represente o nome da cidade, acorda maringaenses vamos levantar o nosso querido GEM.
que saudade daqueles classicos daqueles jogos onde eu e meu primo (GREMIO MARINGA ROOOXO) ficavamos no pé do rádio (quando o jogo era fora) contando os minutos para começar o jogo do GALO GUERREIRO. Algumas vezes o jogo do galo era transmitido pela tv ai a gente fazia churrasco na casa do meu tio outro doente pelo glorioso gremio maringa. meu primo sempre dizia será que ainda vamos ver o gremio de volta.
Bom eu ainda tenho esperança.
obs. meu primo faleceu a 7 anos
parabéns pelo texto jones
aguardo resposta