O domínio bandeirante
por Equipe De Primeira11h41
*Por Napoleão de Almeida
A Série B está praticamente definida. O Avaí será um intruso entre Corinthians, Santo André e Grêmio Barueri – o Bragantino tenta, o Vila Nova sonha. Mas o que deve dar no acesso não foge de três paulistas ou no mínimo dois.
A Série A ainda intriga. Hoje, cairíam um mineiro, um catarinense, um paulista e um carioca. A formação pode ser diferente, com um paranaense, um pernambucano ou dois cariocas caindo. Mas se mudar, mudará mantendo um paulista na elite do futebol brasileiro.
O quadro nada mais é do que uma tendência – perigosa – do futebol no país: o Estado de São Paulo impera absoluto. Em um exercício de suposição, com base na classificação faltando duas rodadas na Série B e uma na Série A, teremos em 2009 seis paulistas na elite. Nada menos que 30% do campeonato tem base em São Paulo. Os outros 26 estados da Federação, mais o distrito federal, ficam com o resto.
Não é só isso. Em 10 anos, São Paulo dominou absoluto as conquistas. Foram sete títulos desde 1998 – praticamente oito com a iminente conquista do São Paulo FC – interrompidos apenas por Vasco, Atlético e Cruzeiro. Se esticarmos a tabela para os vices, o quadro fica mais acentuado: dos vinte times que ocuparam os dois postos mais nobres da competição, apenas Atlético-MG e Internacional completam a lista fora de terras paulistas, já que o São Caetano ficou com dois vices.
É demais. É nocivo ao futebol brasileiro. Simples e taxativo assim.
A seguir nesse ritmo, em breve o Campeonato Brasileiro será uma segunda edição, ampliada, do Paulistão (se é que já não é). E a culpa é exatamente do Campeonato Paulista. E claro, das Federações.
Enquanto Coritiba, Grêmio e Sport (entre outros) se esforçam para manter um time meia boca, com verbas pequenas em campeonatos deficitários, o Paulistão e a atenção da mídia (efeito Tostines?) só se valoriza. Santos, São Paulo, Palmeiras e Corinthians lucram ainda mais, trazem mais dinheiro para Portuguesa, Guarani e até mesmo os Barueris da vida, enquanto forças regionais, como Fortaleza e Paysandu morrem nos Estaduais. Nem mesmo o Rio, uma ilha de resistência ao lado da mídia, está conseguindo competir.
A estrutura deficitária do Futebol Brasileiro vai matar o futebol fora de São Paulo a seguir assim. E a solução é muito simples.
Se o Paulistão se basta, atraindo patrocínios e audiência, o mesmo não vale para o Campeonato Paranaense – e todos os outros. Se os craques que ainda estão por aqui jogam em São Paulo, o que resta ao resto? Claro: o resto.
O resgate está na valorização regional do restante. Lamentavelmente, Uberlândia e Atlético Ibirama não são suficientemente atrativos para altos investimentos. Quando um grande-não-paulista põe o time em campo em um campeonato desses, tem prejuízo. Em São Paulo, o América de Rio Preto torna-se maior que o Paraná Clube durante o Paulistão, com mais público e verba.
Passou da hora dos não-paulistas se mexerem e decidirem, doam a quem doer: os campeonatos estaduais têm de dar lugar aos regionais. Copa Sul, com clássicos entre Atlético x Grêmio, Sudeste (ou algo assim) cruzando Vasco, Cruzeiro e, Goiás no bolo, Nordeste com Santa Cruz (lembram dele?) e Bahia medindo forças e principalmente: arrecadando. Os pequenos dos Estados seguem a vida nas Copas Paranás que rendem vagas na Série D, Copa do Brasil e o que for, até mesmo acesso aos regionais. A Copa do Brasil, aliás, pode ser o grande atrativo dos novos regionais.
Não existe outra solução. Não há outro caminho.
Ou melhor, há: render-se ao domínio bandeirante.
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Comentários:
Eles (fpf) mantém o maior campeonato de base, a melhor estrutura profissional e a mídia, contexto histórico devido à falta de mídia nos outros estados, tudo ao seu favor. O Corinthians mesmo conta com dívidas astronômicas. O Santos também anda endividado. Mas a marca que a própria mídia criou fazem destes times quebrados um belo de um produto.
Nós deixamos ser assim...ainda dá tempo de mudar.
Cruzeiro e Inter vêm se mantendo sempre entre os primeiros, e o Flamengo parece ressurgir.
Não sei se o problema é o paulistão.
Talvez o campeonato paranaense (que é o que acompanho) pudesse ser organizado de forma mais inteligente. Podiam ser apenas 8 ou 10 clubes, o que evitaria a maratona de jogos. Podia ser na fórmula de pontos corridos, que vem se mostrando a melhor.
E as diretorias precisam parar de espoliar os clubes. Talvez quando a vida dos caras começar a correr risco...
Mas, sinceramente, também sou contrário a essa proliferação de clubes paulistas nas Séries A e B do Brasileirão. Será que realmente precisamos de Marília e Barueri usando o futebol como desculpa para lavar dinheiro?
Na Série A. Teremos mais uma rodada emocionante e de arrepiar que pode definir o São Paulo como o grande favorito pelo título ou embolar de vez.
Hoje as pessoas torcem para clubes do outro lado do país, do oceano ou do planeta, acompanhando tudo pela internet, pela TV a cabo ou mesmo pela TV aberta. Pegar um avião é quase tão simples quanto pegar um ônibus. O time vai a outro estado e volta no mesmo dia. Se bobear, alguns jogadores voltam de viagem e vão a mesas redondas na TV em seguida.
Estaduais/regionais são coisa do passado. Não fazem mais nenhum sentido no mundo de hoje. Que sejam abolidos. Aliás, passou da hora. Acabem logo com eles antes que não consigamos mais nos lembrar deles com saudades.