A queda
por Equipe De Primeira23h02
Por Napoleão de Almeida
O Atlético está caminhando a passos largos para cair para a segunda divisão. Erros e mais erros, seguidamente cometidos, deixaram o Rubro-Negro com um pé na cova. Desgraça pouca é bobagem: o time tem o pior ataque do Brasileirão e nem quando os concorrentes ajudam, a equipe faz o papel que lhe caberia. Estádio mais moderno do Brasil, CT de nível internacional, finanças em dia e quase 20 mil sócios, uma torcida gigantesca e apaixonada. Dá pra explicar a queda do Atlético - se ela se confirmar?
Dá.
O Atlético perdeu o objetivo principal de sua existência. Quando, em 1924, América e Internacional se juntaram com a intenção de brecar o Hexacampeonato e domínio do Britânia no futebol paranaense, o Atlético surgiu para ser campeão. Para ser vencedor. Os tempos mudaram. Na história, o Furacão sempre se caracterizou muito mais pela luta do que pelas conquistas. Os títulos rareavam. Uma vitória em cima do Coritiba, grande campeão do Estado, era motivo de muita festa. O Atlético era formado por gente simples, do povo, aguerrida e combatente. Fazia de cada jogo uma batalha, sabia das próprias limitações. Hoje não.
Em 1995, Mário Petráglia mudou o futebol paranaense. Transformou o Atlético em uma potência nacional e, porque não, internacional. No começo, tudo perfeito, a receita era simples: bons jogadores que formavam times vencedores, que traziam títulos e torcedores, gerando renda. O Atlético nunca pôde competir de igual para igual com os grandes times nacionais, em função da arrecadação. Mas fazia um esforço, segurava atletas, acertava a mão. Foi assim em 95 na Série B, 99, na Seletiva, 2001 e 2004 no Brasileirão e 2005 na Libertadores. Petráglia, um gênio na administração, fez o que ninguém conseguiu, nem Grêmio, nem São Paulo: ergueu um estádio ganhando títulos nacionais e locais.
Mas, de repente, o jogo virou. O Atlético passou a ignorar a razão da própria existência: vencer. Desvalorizou os títulos estaduais como se fosse um super-campeão em casa. Não venceu mais. Estabeleceu rivalidades inexistentes em detrimento da rica história do Atletiba e perdeu a própria referência. A lição está no Sul, na dupla Gre-Nal. Mas o Atlético quis rivalizar com o vizinho. Entrou em brigas, algumas corretíssimas, mas nem todas de necessidade real. E ganhou antipatia. Dirão: times vencedores são antipáticos. Mas enquanto arrumou encrencas mundo a fora, o Furacão deixou de soprar. Ninguém odeia hoje o Atlético porque ele é um clube invencível. Quem o faz, é por uma suposta arrogância, coisa que não é do feitio ao menos do torcedor.
Petráglia isolou-se no poder. E mesmo um gênio pode errar: com pouco diálogo e menos abertura ainda com a mídia, transformou o Atlético numa caixa-preta até mesmo para seus torcedores. Futebol tem muito de vaidade. E isolados, jogadores atleticanos saíram da mídia.
Sem saber mais quem é, o Atlético caminhou - involuntariamente, diga-se: ninguém erra de propósito - para o buraco. Se o dinheiro é importante, mais importante ainda é manter-se competitivo. Mas o clube negocia jogadores de destaque a cada mês - quando os têm. A falta de espírito vencedor faz jogadores como Danilo acharem que, mesmo com tamanha limitação técnica, deveriam ser negociados agora com o Real Madrid.
O elenco rachou. O clube rachou. A diretoria se tornou refém de meia dúzia de jogadores desqualificados - e ela mesma os trouxe. Os que ainda vestem a camisa com respeito e dignidade, casos de Netinho, Galatto, Rhodolfo e alguns dois mais, não conseguem recuperar a estima, ou por falta de qualidade, ou por esbarrarem em um sistema corrompido.
Em meio à tudo isso, a torcida, fiel e fanática, ainda espera um milagre. Não sei se é o caso. Futebol é jogo de azar, costumava dizer José Miranda, presidente do Paraná, ao justificar derrotas em que a bola batia na trave, por exemplo. No campo, com vontade (ela existe?) tudo pode acontecer.
Mas a queda, ainda que não venha em campo, ainda que o time escape, já aconteceu. A queda de alguns conceitos errados adotados pelo clube. É hora de repensar o futuro. Como diz o ditado, "há males que vêm para o bem"". Sem dúvida, é o caso.
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Comentários:
Espero que essa provável queda faça o Atlético mudar o rumo e encontrar o caminho da vitória.
Bom, não custa lembrar que a LDU é campeã da Libertadores e o Atlético???
Menos, galera... menos.
O resto é Paraguaiense!