Jogou bem, ganhou
por Equipe De Primeira21h57
Por José Pastore*
Você, como eu, deve estar intrigado com o fato de nossos patrícios, que brilham no futebol europeu, não fazerem nada na seleção brasileira. Por isso, fiquei animado com a notícia de que os clubes estão estabelecendo o critério de produtividade para a contratação de novos jogadores. Não basta a fama. Para ganhar bem, eles têm de cumprir as metas estabelecidas pelo treinador e pela administração do time.
Como funciona isso?
Os clubes assinam um contrato de trabalho com o jogador com um salário baixo. O jogador ganha um extra cada vez que estiver em campo e que atingir as metas estabelecidas pelo clube. O Palmeiras já adotou esse sistema com o Denilson, Léo Lima e Roque Junior. No Vasco, estão o Pedrinho, Odvan, Fernando, Johnny, André e Serginho.
Essa parece ser a tendência: são contratos baseados em produtividade, onde uma parte da remuneração é fixa e a outra é variável. Essa prática vai além do velho sistema de pagar “bicho” por vitória. O que interessa é o desempenho do jogador. O time pode perder uma partida e um jogador ser premiado por atingir sua meta em campo. Outro pode não receber nada, apesar do time ter vencido.
Há jogadores que não gostam desse sistema. O pentacampeão Cafu, por exemplo, rejeitou a oferta do Santos que pretendeu fazer um contrato nessa base. Achou o sistema injusto para a reputação que tem.
Mas o torcedor não está interessado no estrelismo do jogador e, sim, no seu desempenho efetivo. É isso que tem acontecido com os que brilham na Europa e não conseguem marcar um gol no anêmico time da Bolívia, por exemplo. De que vale o estrelismo do Ronaldinho quando este fica tonto em campo, perde pênaltis e ainda acha ruim quando vai para o banco?
Felizmente, nem todo jogador pensa assim. Por confiar no seu potencial e no seu empenho, Denílson, do Palmeiras, aceitou com prazer ganhar R$ 30 mil de salário e o restante advindo do atingimento de metas de produtividade.
Esse é o sistema moderno de gestão de pessoal. A remuneração variável é uma prática antiga nas empresas. Com o advento da lei da participação nos lucros ou resultados, ela penetrou ainda mais. Há empresas que chegam a pagar dois, três e mais salários a título de produtividade. Até o setor público está entrando nesse sistema. Os professores do Estado em São Paulo já ganham por produtividade.
Chegou a vez do futebol. Oxalá isso pegue. Será um merecido prêmio para nós, torcedores. Você não acha?
*José Pastore é Doutor Honoris Causa em Ciência pela University of Wisconsin, professor titular pela Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e cedeu gentilmente este texto ao De Primeira.
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Comentários:
Acho que é sim uma alternativa para o clube não gastar mundos e fundos em jogadores que não rendam o esperado. Mas é uma questão que deve ser tratada de caso a caso, e não se tornar regra.
Por último, só gostaria de dizer que a educação pública paulista não é exatamente um argumento favorável, porque a situação está preta por aqui. E os salários dos professores são vergonhosos, não se pode esperar que ele se empenhe 120% para ganhar uma mixaria pouco mais alta que a mixaria que já recebe sem o extra.
Veriamos muitos jogadores raçudos, avançando pra cima da zaga com toda a garra que podem.... e perdendo a bola não tocando a bola pra ninguém, tentando fazer o gol sozinho. =P