Pimenta pegando fogo no circo do vizinho é mais verde
por Ana Carolina Moreno17h29
Quando o campeonato é de pontos corridos, descobri que prefiro acompanhar a luta dos desesperados em escapar do rebaixamento a ficar esperando para ver quem vai levar a faixa de campeão.
Em 2007, a parte de cima estava decidida com antecedência: era São Paulo pentacampeão. Ia nos jogos do Tricolor, torci e me alegrei até. Reclamei dos comentaristas que só xingavam o São Paulo por ficar na defesa e reclamavam do “jogo feio”. Comemoramos o título por antecipação, contra o lanterna do campeonato, diversão que só agradou quem estava por cima mesmo, e passou despercebida pelo resto dos torcedores, preocupados com a Libertadores e a Sul-americana.
Na parte de baixo, porém, o campeonato conseguiu ser dramático até a última rodada, com o gigante Corinthians enfiando de vez a cara na lama para passar o ano seguinte tomando um bom banho na Série B. Ano que vem estará de volta, embora eu suspeite que os alvinegros estejam demasiado acostumados à várzea da Segundona. Espero que estejam planejando a longo prazo nos bastidores para formar um time digno de Série A. Assim evitaremos que Globo, Clube dos Treze e tribunais desportivos precisem se mobilizar fora de campo para que não assistamos a uma reprise da novela de 2007.
Mas voltemos à elite. Nesse ano, outros times passaram a seguir o estilo defensivo bem sucedido são-paulino. Quesito em que, por sinal, o São Paulo deixou a desejar quando resolveu trazer um líbero para zonear o paredão impenetrável da zaga. Assim, adotaram o jogo que os comentaristas detestavam, mas o campeonato ficou mais disputado.
Agora que o Grêmio tropeçou, para deleite de absolutamente todos os não-gremistas do Brasil, tudo pode acontecer na tabela de cima. Até meu time ainda tem chance, se tomar vergonha na cara! Depois de oito meses de sofrimento, porém, só exijo a vaga na Libertadores e a manutenção do Miranda e do Hernanes para a temporada de 2009.
Percebi que ando passando mais tempo observando a tabela do G-4 invertido. O desespero que transpira junto com o suor, as derrotas vergonhosas em casa, os apelos da torcida escritos em cartazes, faixas para Santo Expedito ou pixados nas paredes do clube... A humanidade é sempre mais interessante quando corre riscos sombrios.
Se antes apenas brincava de adivinhar os quatro marcados pela mancha negra. Agora estou envolvida de vez. Ainda estou lidando com a tristeza de ver que a Portuguesa virou lanterna. Não ter o Ipatinga – que é o café com leite – lá no fundo do poço afasta qualquer chance de milagre para a Lusinha. Continuo, no entanto, torcendo para que o Vasco não tenha a pior notícia possível no ano em que recebeu a melhor notícia possível.
Mas me contenta ver o nome Fluminense escrito em vermelho vivo em todas as tabelas. Também engrosso a torcida pela queda do Santos, apesar de sentir, por motivos familiares, a mesma dó que me bateu ano passado por causa do Corinthians.
Da Região Sul (a turma que tem razão em reclamar do eixo Rio-São Paulo, mas exagera nos protestos, porque o pessoal do Nordeste, Norte e Centro-Oeste sofre ainda mais), Coritiba e Internacional ficam ali no setor da marola, e só o Atlético-PR e o Figueirense andam correndo o risco de ficar à deriva. Não sei se prefiro afundar mentalmente o Furacão para salvar o Vasco (a Portuguesa já está além dos meus poderes extra-sensoriais) ou se torço em nome da amizade com esses meninos lindos, educados, inteligentes e simpáticos desse blog (e da Camila, nossa leitora assídua).
Talvez eu seque o Figueirense, nesse caso, mas o que será de Santa Catarina ano que vem? O Paraná já estará representado com o Coxa. Se o rubro-negro das listras verticais passar pelo Grêmio com uma vitória, aí acho que Geninho consegue embalar o time. E embolar aquela parte chata lá em cima, que não chove nem molha, só tem de surpresa mesmo o Vitória que ainda se mantém por perto, e só fará diferença se o Vitória fizer milagre ou se o São Paulo chegar no topo até dezembro. Porque aí o Brasil terá seu primeiro tricampeão seguido, além de seu primeiro hexacampeão. E eu serei a dona da camisa 6-3-3 antes da chegada do Ano Novo.
PS: Ah sim, com 13 rodadas pela frente, o Flamengo também tem chance de se tornar o primeiro hexa, serei justa. Até porque eles não jogam mais contra o São Paulo em 2008. Mas sem o calendário exclusivo do ano passado, deve ser difícil.
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Comentários:
O dia que o flamengo for penta vai ser o dia que o Sport entregar o título. E isso, meus amigos, não vai acontecer.
Nada contra os catarinenses, mas eu prefiro que a Carol seque o Figueira.
Já os coxas... Bem, deixa pra lá.
Concordo com você Carol, e independente da minha opnião, o trófeu está com o Sport. Também não se pode esquecer que a CBF disse que ia entregar o trofeu de bolinhas (não faço idéia do nome dele) pro primeiro penta brasileiro. Esse troféu é do São Paulo, se o Flamengo fosse realmente penta, teria que ficar com ele, o que geraria mais e mais polêmica.
Simplificando, se for para ter um campeão independente da opnião e polêmica, é o Sport.
E quem sabe, em 2010, o meu Criciúma - detentor dos maiores títulos do futebol catarinense - volta a ser o único representante do Estado na elite.