De Primeira: Futebol, Futebol e Futebol

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Foto ilustrativa

Set 29

Papagaiadas

por Jones Rossi13h49

Estive em Curitiba por quase duas semanas. Vi as indefectíveis propagandas eleitorais. Concorrem a vereador dois chefes de torcidas organizadas, um coxa e outro atleticano. Também concorre a prefeito um desqualificado que acha bonito colocar no horário político uma foto sua ao lado de Ricardo Teixeira, como um troféu. Além disso, mostra um daqueles depoimentos "espontâneos" do ministro dos Esportes, Orlando Silva, falando sobre a Copa de 2014, sendo que o próprio ministro prefere Florianópolis a Curitiba.

Voltemos aos candidatos a vereador. Gente de juízo não vota em chefe de torcida organizada, atleticano ou coxa, paranista ou torcedor do Malutrom. Um breve currículo dos postulantes organizados:

O coxa

Tem um currículo extenso, mas dá para se ater apenas ao seu último ato. Vamos ao que diz o Blog da Baixada:

"A torcida dos coxas, presidida por um candidato a vereador, expôs como um troféu, durante o Atletiba, uma faixa pertencente à Comissão do Mosaico Furacão - um grupo de cerca de 20 abnegados atleticanos que nada têm a ver com as tradicionais torcidas organizadas. A faixa havia sido roubada, semanas atrás, de um ateliê que retocaria a pintura das letras."

O site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) informa que o referido candidato tem o ensino médio completo e é pobrinho, não tem bens a declarar. Não quero crer que ele esteja mentindo, duvido que faria tal coisa.

O atleticano

Assim como o adversário alviverde, tem mais ficha corrida que currículo. Foi preso armado, há alguns anos, indo a um jogo em Paranaguá. Seu processo, a última vez que consultei a justiça, ainda não havia sido julgado.

Candidato pelo Partido Social Cristão (na minha época, Social e Cristão não combinavam com andar armado) também não possui bens a declarar. E a prestação de contas no site do TSE indica que nenhum gasto foi feito na campanha. Nenhum. Zero real.

Tem ainda um paranista que participava de um desses programas nos quais um torcedor de cada time da capital disputa quem fala mais bobagens ao vivo. Normalmente não se elegeria nem síndico de um prédio em que só morasse ele e a própria mãe. Mas não convém apostar na inteligência dos curitibanos.

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FutebolPolítica

Set 25

A convocação da seleção

por Ricardo Sabbag16h41

Dunga esbraveja, é teimoso, mas suas convocações - salvo exceções pontuais - costumam ser as melhores possíveis. Se há alguma incapacidade no técnico, é a de treinar o time. Porque o escrete traz 90% do que temos de melhor. Vejam a convocação desta quinta:

GOLEIROS
Júlio César (Internazionale)
Doni (Roma)

ZAGUEIROS
Lúcio (Bayern München)
Juan (Roma)
Alex (Chelsea)
Thiago Silva (Fluminense)

LATERAIS
Maicon (Internazionale)
Daniel Alves (Barcelona)
Juan (Flamengo)
Kléber (Santos)

VOLANTES
Gilberto Silva (Panathinaikos)
Josué (Wolfsburg)
Anderson (Manchester United)
Lucas (Liverpool)

MEIAS
Kaká (Milan)
Mancini (Internazionale)
Júlio Baptista (Roma)
Elano (Manchester City)

ATACANTES
Robinho (Manchester City)
Luís Fabiano (Sevilla)
Jô (Manchester City)
Alexandre Pato (Milan)

CONSIDERAÇÕES

Minhas duas maiores críticas são as convocações de Gilberto Silva, que há muito tempo vem mal na seleção e também não está legal no Panathinaikos, e Kléber, que também não tem jogado muito no Santos. Poderíamos dizer que são posições carentes de bons jogadores brasileiros em nível de seleção. Eu chamaria Hernanes (São Paulo) e Marcelo (Real Madrid).

Chamar Kaká e deixar Ronaldinho de fora está muito certo. Primeiro, porque o Brasil depende de Kaká. E porque Ronaldinho está há muito tempo distante do bom futebol. A grande (e aguardada) novidade é a merecida convocação de Mancini, peça fundamental no excelente time da Inter. Com essa convocação, eu jogaria com Josué, Anderson, Kaká e Mancini no meio, Robinho e Luís Fabiano na frente.

Senti a falta de Adriano, menos pelo pouco que ele já apresentou na Inter e mais porque acho que um jogador nas suas características é indispensável ao time brasileiro. Mas Jô tem jogado muito. Mesmo que não valha a assustadora quantia de dinheiro paga por ele pelos milionários do City, merece ser convocado.

MENÇÕES HONROSAS
Outros dois jogadores que poderiam envergar a amarelinha nessas malditas eliminatórias: Denílson, do Arsenal (jogando muito pelos Gunners, é bem mais importante para o time do que os próprios Anderson e Lucas são para as suas equipes), e Alex, do Internacional (esse eu chamaria no lugar de Elano sem dó). Também acho que Marcão é 12.034.948.934.034.894 vezes melhor que Doni. Mas aí, se a gente for discutir caso a caso, vai ficar a vida inteira.

POR FIM
Olho em Amauri, da Juventus. É daqueles atacantes de pouca intimidade com a redonda, mas que sabem mandá-la pra dentro. Se os brasileiros não quiserem, aposto que logo ele ganha uma proposta de naturalização para jogar na Azurra.

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Seleção Brasileira

Set 23

Malucos da bola

por Leonardo Mendes Jr.09h53

Há uns dois anos (talvez mais ou menos, não lembro), a revista de música Blender publicou uma lista dos 50 maiores malucos do mundo pop.

Li a divertidíssima relação e comecei a esboçar algo do mundo do futebol. Listei alguns nomes, desenvolvi uma meia dúzia e larguei mão.

Semana passada, resgatei a lista aqui no laptop, completei os nomes que faltavam, desenvolvi uma historinha para cada um e, bingo!, fiz o ranking. Que inicialmente eu publiquei em pílulas lá no Arquibancada Virtual e agora solto de uma vez só aqui no DP, com duas alterações após lembranças muito bem-vindas do amigo Juan Saavedra.

Ah, sim. Aqui está a lista da Blender.

50 Maradona
O conjunto da obra do argentino é vasto, mas nada supera a agüinha batizada entregue para Branco no Brasil x Argentina da Copa de 90. Merece abrir o ranking.

49 Espíndola
O argentino do L.A. Galaxy acaba de ganhar sua credencial de maluco – e de mané. Ao comemorar um gol seu com uma cambalhota, quebrou a perna direita. Pior, o gol foi anulado.

48 Guilherme
Trombador e goleador, mostrou todo seu amadorismo como bad boy ao quebrar o braço pulando o muro da concentração.

47 Evaristo de Macedo
Excelente contador de histórias, Evaristo tem uma lendária de quando treinava o Corinthians. Com o clube em crise financeira e o dólar nas alturas, reuniu os jogadores para defender o salário “verdinho” de Rincon e Gamarra. Após dizer que os estrangeiros tinham razão em exigir seus direitos, pediu que eles saíssem da sala. Diante apenas dos brasileiros, soltou: “Esses gringos são mercenários pra caralho, hein..”.

46 Carlos Roa
Titular da seleção argentina na Copa de 98 e do emergente Mallorca, abandonou a carreira no auge porque sua religião o proibia de trabalhar aos sábados.

45 Nélson Patola
Ícone do sofrível Botafogo dos anos 90, o volante ganhou fama por dar uma “vistoriada” nos documentos de Rogerinho, volante do Fluminense.

44 Catê
Revelado pelo São Paulo de Telê, teve a grande chance sua carreira ao ser contratado pela Sampdoria, da Itália. Para comemorar a chegada ao calcio, tomou um porre com os novos amigos italianos. Acabou na delegacia.

43 Júnior Baiano
Quando jogava pelo São Paulo, conseguiu ser suspenso por gesticular que o árbitro Oscar Roberto Godói estava bêbado apitando um São Paulo x Corinthians.

42 Jardel
Gols de cabeça e frases de efeito eram as especialidades do atacante. A ele são atribuídas pérolas como “Clássico é clássico, é vice-versa” e “Quando o jogo esquenta sobe a minha naftalina”.

41 Viola
Gente que passa a vida inteira falando de si mesmo em terceira pessoa não pode ser normal.

40 Oséas
Escanteio para o Corinthians. Oséas volta para ajudar na marcação na zaga do Palmeiras. Bola na área, Oséas sobe e... manda para o gol. Depois do jogo, o atacante das trancinhas disse ter achado que estava no ataque.

39 Mário Sérgio
Por garantia, gostava de ir ao estádio e para a concentração armado, hábito que, dizem, manteve como treinador.

38 Anselmo
Entrou na final da Libertadores de 1980, contra o Cobreloa, com um único propósito: acertar um soco no chileno Mario Soto, que havia batido em Zico nos três jogos da final. Cumpriu sua missão. E foi expulso.

37 Djalminha
Perdeu a convocação para a Copa de 2002 por dar uma cabeçada em John Toshack, seu técnico no La Coruña.

36 Gilmar Fubá
Como se já não bastasse o apelido por causa das mamadeiras de fubá que sua mãe lhe dava quando criança, Gilmar foi alvo de uma disputa inusitada entre Marcelinho Carioca e Vampeta. Durante o dia, ia ao culto religioso com o camisa 7; à noite, caía na balada com o volante. “Era como se eu tivesse um anjinho num ombro e um capetinha no outro”, dizia.

35 Marcinho
Artilheiro e ídolo do Flamengo, comandou uma festinha bem animada na região de Belo Horizonte, que terminou com uma prostituta acusando o atacante de agressão e dois divórcios no elenco rubro-negro.

34 Edílson
No ápice da rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, fez uma série de embaixadinhas na final do Paulistão-99 que transformou o gramado do Morumbi em um ringue de telecatch.

33 Materazzi
O zagueirão italiano é um dos maiores carniceiros da história do futebol mundial. Mas entra aqui mesmo por ter conseguido tirar o zen Zidane do sério em uma final de Copa do Mundo, na última partida do craque franco-argelino como profissional.

32 Guilherme e Jajá
Companheiros do Coritiba, trocaram socos e pontapés em pleno Maracanã, contra o Flamengo. Acabaram expulsos.

31 Valdiram
O atacante que já defendeu Cianorte, Vasco e jogou no futebol português tem também no currículo duas prisões por tentativa de estupro e outro por agressão a uma namorada.

30 Piá
Revelado pelo Santos, o meia já esteve preso por tráfico de drogas e foi a julgamento em um júri popular por suposta participação em um assassinato.

29 Renato Gaúcho
Prometeu desfilar nu em Copacabana se o Fluminense caísse para a Série B em 96. O Flu caiu – virou a mesa, é verdade --, mas Renato, graças a Deus, não cumpriu a promessa.

28 José Roberto Wright
Antes de se tornar um enfadonho comentarista de arbitragem, Wright fez suas maluquices. Nos anos 80, foi apitar um Flamengo x Vasco com um gravador escondido sob o uniforme. Registrou as nada gentis conversas entre árbitro e jogador numa partida de futebol.

27 Cleisson
O volante atualmente no Ceará surtou quando descobriu que Palhinha, seu companheiro de Grêmio, tinha um caso com a mulher do goleiro Danrlei. Quando os dois jogavam no Cruzeiro, Palhinha freqüentava a casa de Cleisson, que, por via das dúvidas, deu uma surra no camisa 10.

26 Vampeta
Ligeiramente aperitivado, deu uma cambalhota na rampa do Palácio do Planalto durante a recepção do presidente Fernando Henrique aos pentacampeões mundiais de 2002.

25 André Catimba
A sua desastrosa comemoração pelo gol do título gaúcho do Grêmio sobre o Internacional, em 1977, é uma das imagens mais famosas do futebol brasileiro. Ao tentar dar uma cambalhota, perdeu a passada do pulo e caiu de peito no chão. Machucado, teve de ser substituído.

24 Ronaldo
Sinceramente. Alguém que pega a Cicarelli, a Lívia Lemos, as Ronaldinhas, a Raica e mais uma seleção de modelos e ainda assim sai com três travestis não pode ser considerado normal.

23 Higuita
Assinou seu atestado de insanidade ao tentar sair driblando em uma prorrogação de Copa do Mundo – perdeu a bola, levou o gol e a Colômbia foi eliminada. E renovou com a defesa do escorpião, em Wembley. Não satisfeito, já aposentado, recauchutou totalmente a lataria bancado por um programa de tevê do seu país.

22 Domingos
Na épica Batalha dos Aflitos, Domigos perdeu o controle ao ser expulso. Possesso com o árbitro Djalma Beltrame, arrancou um batente da porta do vestiário dos Aflitos e saiu quebrando tudo que via pela frente – piá, espelho, banco – aos gritos de “Estão nos roubando”. Precisou ser contido pelos membros da comissão técnica que estavam no vestiário gremista.

21 Matthaus
Passou como um furacão pelo Atlético Paranaense em 2006. Em pouco mais de dois meses, brigou com o auxiliar na Ponte da Amizade, apanhou de fotógrafo, curtiu o carnaval carioca, teve uma amizade bem colorida com uma jornalista local e voltou para casa com o rabinho entre as pernas, para tentar salvar o casamento.

20 Serginho Chulapa
Fazia gols com a mesma facilidade que se metia em confusões. Foi suspenso por 14 meses por chutas a canela de um bandeirinha, pisou na cabeça de Emerson Leão em um clássico paulista e, já como treinador, bateu duas vezes em jornalistas por não gostar de algumas perguntas feitas por eles.

19 Sílvio Luis
O narrador da Band merece lugar nessa lista por uma passagem em sua biografia. Durante as transmissões de jogos do Napoli pelo Campeonato Italiano, nos anos 90, costumava narrar com o zíper da calça aberto e o pênis em uma das mãos. Ele reproduzia cada ação do atacante Careca em campo (caiu para a direita, caiu para a esquerda) em seu órgão sexual.

18 Dulcídio Wanderley Boschilla
Com fama de briguento, Dulcídio era certeza de confusão sempre que era escalado para apitar uma partida. Em um Palmeiras x Portuguesa, mandou voltar três vezes um pênalti para a Lusa porque Emerson Leão havia se adiantado (isso nos anos 70!). Em outro jogo do Porco, expulsou todos os jogadores do banco de reservas porque eles estavam reclamando.

17 Cantona
Confusões não faltam na vida do ex-craque francês. A maior delas foi dar uma voadora em um torcedor que o xingou enquanto ele deixava o gramado de Old Trafford.

16 Edmundo
Uma dúvida paira sobre sua carreira: ganhou o apelido de Animal pelos gols e dribles ou façanhas como bater em um argentino e dar-lhe as costas ou ficar preso em um quarto de hotel por chutar a câmera de um cinegrafista equatoriano?

15 Fowler

Ídolo do Liverpool, o atacante inglês era chegado a algumas bizarrices: indignado por ter marcado a seu favor um pênalti inexistente – e sem conseguir ser ouvido pelo árbitro – errou a cobrança deliberadamente. Em outra ocasião, respondeu às acusações de que era viciado em cocaína “cheirando” a linha de fundo na comemoração de um gol.

14 Marinho Chagas
Em campo, Marinho foi um ala antes mesmo de o termo existir no futebol mundial. Fora dele, era freqüentador assíduo de baladas homéricas, quase sempre ao lado do amigo Paulo César Caju. “Tenho 50 anos, mas vivi por 200”, definiu a Bruxa.

13 Josimar
Seus dois foguetes de fora da área (contra Irlanda do Norte e Polônia) foram das poucas alegrias brasileiras na Copa de 86. O famoso trio balada-mulheres-dinheiro destruiu sua carreira e atrasou sua vida, mas o nosso camisa 13 está aqui por causa de uma das mais célebres frases do futebol mundial. Questionado sobre o que faria com o motoradio ganho de um emissora de rádio que o elegeu o melhor em campo, não pestanejou: “A moto eu vou vender e o rádio eu vou dar para a minha tia”.

12 Paulo César Caju
Baladeiro de primeira, o ex-ponta de Botafogo, Grêmio e seleção brasileira escreveu em sua autobiografia que boa parte do time gaúcho se dopava quando foi campeão da Libertadores e Mundial. Pressionado pelos colegas e sem ter como provar a acusação, retirou o trecho do livro, em um grande mico editorial.

11 Romário
Apesar da carreira pródiga em insanidades, Romário entra na lista por uma marotice de quando estava defendendo uma seleção brasileira de base. Ao ver o saguão do hotel ser invadido por turistas, o Baixinho posicionou-se estrategicamente e fez xixi na cabeça dos visitantes.

10 Índio
Campeão mundial pelo Internacional, o zagueiro teve uma saída “de outro mundo” do Palmeiras em 2003. No intervalo de um jogo contra o Corinthians, começou a babar uma espuma branca e disse que estava com o diabo no corpo. Foi dispensado.

9 Sculli
Sobrinho de um conhecido mafioso italiano, o atacante do Gênoa já chegou a fazer um gol em uma partida que seu clube deveria perder só para ganhar uma fatia do acerto. Também foi acusado de participação em fraude eleitoral e de ameaçar concorrentes em disputas amorososas, tudo em nome da máfia.

8 Heleno de Freitas
Em 42, arrumou um tumulto com um jogador do Madureira chamado Lelé (olha a piada pronta) que exigiu a intervenção da polícia para ser resolvido. Por onde passou, arrumou confusão, muitas por conta da sífilis, contraída em suas muitas aventuras amorosas, que o fez morrer sozinho, em um sanatório.

7 Dé Aranha
Atacante carioca dos anos 70, era famoso por suas artimanhas para enganar os zagueiros. Em um Bangu x Flamengo, atirou uma pedra de gelo na bola, enganando o zagueiro rubro-negro Reyes. Ele apanhou a bola livre, na área, e mandou para a rede. Também acostumava se abaixar na área em lances de escanteio e pegar um punhado de areia. Quando a bola vinha, ele jogava areia nos olhos do beque adversário e subia livre para cabecear.

6 Montebello
Um dos hits do You Tube. Goleiro da Camboriuense, Montebello saiu preso e algemado de campo após uma confusão durante partida de uma divisão menor do futebol de Santa Catarina.

5 Gascoigne
O alcoolismo o meteu diversas vezes em clínicas, delegacias e viagens esquisitíssimas. Dia desses, após matar três garrafas de uísque em um pub, garantiu ter recebido um telefonema do papa Bento XVI e feito uma ligação para George W. Bush.

4 Almir Pernambuquinho
No livro Eu e o Futebol, se define de forma definitiva. “Quebrei a perna do Hélio, do América. Briguei com o time inteiro do Bangu na decisão do Campeonato Carioca de 1966. Paralisei o Milan num jogo em que o Santos se sagrou bicampeão mundial: dei um chega-pra-lá no Amarildo e chutei a cabeça do goleiro Balzarini. Agredi jogadores de outros times, briguei com tantos que até perdi a conta. Eu fui um marginal do futebol.”

3 Didi Facada
Quando jogava no Internacional, foi preso por dar uma facada na stripper que contratou para dançar na festa de aniversário da sua mulher.

2 Paulinho
Sumiu do Flamengo alegando que ia para o enterro do próprio filho. A mãe do volante negou, falou que o garoto estava bem. Depois Paulinho disse que o defunto era seu irmão. Novamente foi desmentido pela mãe. Terminou admitindo que o enterro era de um primo próximo. E ficou por isso mesmo.

1 George Best
Em uma célebre frase, o ex-jogador do Manchester United definiu seu estilo errante de vida: “Metade do que ganhei eu gastei com mulheres, bebidas e carros. A outra metade eu realmente desperdicei.”

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Alemanha x Grécia é um clássico?

por Alessandro Manoel01h35

Eric Idle, Graham Chapman, John Cleese, Michael Palin, Terry Gilliam e Terry Jones. Deve haver na blogsfera leitores que pensarão que como estão lendo um blog de futebol, lá vai um post sobre o campeonato inglês a respeito de um time qualquer de tempos imemoriais. Mas prefiro pensar que todo mundo vai matar na cara que o que vem é algo a respeito do que de melhor saiu da Inglaterra desde Charles Chaplin no que diz respeito a humor. Humor de primeira. Humor De Primeira. Estes são os integrantes do Monty Python, um grupo que começou a revolucionar o humor inglês em 5 de outubro de 1969 a partir de um programa da BBC chamado “Monty Python’s Flying Circus”.

Não houve nada parecido antes e é digno de calculadora financeira o número de cópias que houve depois que estes seis ingleses passaram a se apresentar. Após duas temporadas de quadros primorosos, que deixaram os ingleses embasbacados com tanta genialidade, resolveram lançar um longa-metragem para o cinema em 1971 (And Now For Something Completely Different - E Agora Para Algo Completamente Diferente no Brasil) basicamente com quadros refilmados.

Tosco, porém espetacular, hoje é um cult movie. O programa teve apenas mais duas temporadas e em 1975 passou a ser transmitido nos Estados Unidos. Neste mesmo ano, financiado parcialmente com dinheiro de bandas de rock como Led Zeppelin e Pink Floyd, saiu o segundo filme: Monty Python and the Holy Grail (Em Busca do Cálice Sagrado, no Brasil)

Há dezenas de coisas espetaculares neste filme e prefiro insistir para que corram assistir. E digo isso tanto se você ainda não viu quanto se já viu algumas vezes. Este é um filme inteiro, com material exclusivo. Foi um sucesso e pagou com sobras as 150 mil libras que custou.

No ano seguinte, um documentário com apresentações esquentou o sexteto para o que viria três anos depois: Monty Python's Life of Brian (A Vida de Brian, no Brasil). Imagine um rapazinho chamado Brian que nasceu perto de Jesus Cristo e que passa a vida toda sendo confundido com o rapaz da dona Maria. O comentário para este é o mesmo do filme anterior. Levante esta bunð@ daí e vá ver! Vale a pena.

Enquanto filmavam Monty Python's The Meaning of Life (O Sentido da Vida, no Brasil), que seria lançado em 1983, gravaram uma apresentação para uma platéia cheia de sortudos no Hollywood Bowl, em Los Angeles, com os quadros mais famosos no programa da BBC. Este material foi lançado como filme juntamente com algumas imagens de um especial (Monty Python's Fliegender Zirkus) de dois episódios em 1972 produzidos pela ARD TV (Ó só o nome inteiro desta sigla desgraça: Arbeitsgemeinschaft der öffentlich-rechtlichen Rundfunkanstalten der Bundesrepublik Deutschland), da Alemanha Ocidental.

E é de um trecho deste especial da TV alemã que uso como desculpa pra isso tudo ser publicado no De Primeira:

Respondendo à pergunta do título. Alemanha x Grécia pode não ser um clássico, mas este jogo entre alemães e gregos é, sim, um clássico.

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Set 22

Palmeiras campeão?

por Ana Carolina Moreno13h13

Perdi completamente a rodada de ontem. Estava na estrada a caminho de São Paulo entre as 16h e as 20h30. Mas, quando entrei na cidade, fui recebida com o trânsito da saída do estádio do Palmeiras. O mar de camisas verdes com flashes da marca texto que nunca passa despercebida era tranqüilo, quieto, comportado. Nem parecia que o time do Parque Antártica tinha acabado de colar no líder. Mas colou. E agora?

A Placar ficaria mais do que feliz se em dezembro um dos seus palpites se concretizasse. E não é a única. Andam dizendo por aí que os times estão muito equilibrados em suas inconsistências e, por isso, o que deve contar no final é quem dirige a equipe. Entre qualquer brasileiro que não o Felipão e Luxemburgo, todo mundo, é claro, aposta no segundo.

A essa altura do campeonato (e não é que essa expressão funciona além da metáfora batida?), fica fácil colocar a grana no atual vice. Campeão de fato e de direito do Paulista de 2008, elenco encorpado, jogadores antes em recuperação e agora em franca ascensão, torcida em paz com diretoria, só falta fechar o ano com chave de ouro.

Mas é o único no pelotão de elite que divide a agenda com a Copa Sul-Americana. O Botafogo também, mas depois de perder de virada para a Portuguesa... Desiste, né?

Eu ainda penso com o coração e aposto no meu time. Acho que o Hugo está escondendo um ás na manga, atrás dessa personalidade aparentemente autista, acho que o Dunga vai deixar o Hernanes em paz no mês que vem e ele vai poder treinar de verdade para recuperar o futebol, acho que o Borges vai voltar com tudo, acho que vamos ganhar do Cruzeiro, do Ipatinga e do Náutico e, quando chegar a hora de enfrentar o Palmeiras, vamos à desforra sem gols de mão.

Até tentei "pensar fria e analiticamente" como vocês, meninos lindos educados simpáticos inteligentes e paranaenses (de todos os times), dizem que fazem. Mas ainda tenho muitas dúvidas para arriscar um palpite.

Conseguirá Luxemburgo conciliar um campeonato concorridíssimo no Brasil e outro pra lá de impertinente, que fará a equipe jogar na quinta no Peru e no domingo em Pernambuco?

E, se passar dessa fase, será que ainda agüentará a correria na rodada seguinte, visitando a Argentina ou a Bolívia?

Conseguirá, ainda, deixar de lado essa competição, a ambição e o sonho de ganhar algum título internacional nesta parceria com o Palmeiras sempre bem sucedida regionalmente, caso a tabela do Brasileiro aperte?

Conseguirá o elenco segurar a euforia, agora que a pressão de jornalistas, comentaristas e palpiteiros/as atacará no esquema tático do "todos contra um"?

Conseguirá a torcida, ou a diretoria, ou Deus, ou o diabo, segurar WL se outubro for um mês negro demais para Dunga?

Conseguirão os dirigentes alviverdes permissão para receber o São Paulo na partida do returno?

Conseguirei ingressos na torcida visitante para esse jogo?

E ainda tem gente que prefere ver a novela das oito...

Em tempo
Enviei as energias negativas para Santa Catarina e, pelo visto, deu certo. Como no domingo eu concentrarei minha zica lá no Nordeste, e não me atreveria nunca a meter o bedelho em um Atletiba, o Furacão vai ter que se virar apenar com o Gallato na próxima rodada. Foi mal, Camila!

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Set 15

Pimenta pegando fogo no circo do vizinho é mais verde

por Ana Carolina Moreno17h29

Quando o campeonato é de pontos corridos, descobri que prefiro acompanhar a luta dos desesperados em escapar do rebaixamento a ficar esperando para ver quem vai levar a faixa de campeão.

Em 2007, a parte de cima estava decidida com antecedência: era São Paulo pentacampeão. Ia nos jogos do Tricolor, torci e me alegrei até. Reclamei dos comentaristas que só xingavam o São Paulo por ficar na defesa e reclamavam do “jogo feio”. Comemoramos o título por antecipação, contra o lanterna do campeonato, diversão que só agradou quem estava por cima mesmo, e passou despercebida pelo resto dos torcedores, preocupados com a Libertadores e a Sul-americana.

Na parte de baixo, porém, o campeonato conseguiu ser dramático até a última rodada, com o gigante Corinthians enfiando de vez a cara na lama para passar o ano seguinte tomando um bom banho na Série B. Ano que vem estará de volta, embora eu suspeite que os alvinegros estejam demasiado acostumados à várzea da Segundona. Espero que estejam planejando a longo prazo nos bastidores para formar um time digno de Série A. Assim evitaremos que Globo, Clube dos Treze e tribunais desportivos precisem se mobilizar fora de campo para que não assistamos a uma reprise da novela de 2007.

Mas voltemos à elite. Nesse ano, outros times passaram a seguir o estilo defensivo bem sucedido são-paulino. Quesito em que, por sinal, o São Paulo deixou a desejar quando resolveu trazer um líbero para zonear o paredão impenetrável da zaga. Assim, adotaram o jogo que os comentaristas detestavam, mas o campeonato ficou mais disputado.

Agora que o Grêmio tropeçou, para deleite de absolutamente todos os não-gremistas do Brasil, tudo pode acontecer na tabela de cima. Até meu time ainda tem chance, se tomar vergonha na cara! Depois de oito meses de sofrimento, porém, só exijo a vaga na Libertadores e a manutenção do Miranda e do Hernanes para a temporada de 2009.

Percebi que ando passando mais tempo observando a tabela do G-4 invertido. O desespero que transpira junto com o suor, as derrotas vergonhosas em casa, os apelos da torcida escritos em cartazes, faixas para Santo Expedito ou pixados nas paredes do clube... A humanidade é sempre mais interessante quando corre riscos sombrios.

Se antes apenas brincava de adivinhar os quatro marcados pela mancha negra. Agora estou envolvida de vez. Ainda estou lidando com a tristeza de ver que a Portuguesa virou lanterna. Não ter o Ipatinga – que é o café com leite – lá no fundo do poço afasta qualquer chance de milagre para a Lusinha. Continuo, no entanto, torcendo para que o Vasco não tenha a pior notícia possível no ano em que recebeu a melhor notícia possível.

Mas me contenta ver o nome Fluminense escrito em vermelho vivo em todas as tabelas. Também engrosso a torcida pela queda do Santos, apesar de sentir, por motivos familiares, a mesma dó que me bateu ano passado por causa do Corinthians.

Da Região Sul (a turma que tem razão em reclamar do eixo Rio-São Paulo, mas exagera nos protestos, porque o pessoal do Nordeste, Norte e Centro-Oeste sofre ainda mais), Coritiba e Internacional ficam ali no setor da marola, e só o Atlético-PR e o Figueirense andam correndo o risco de ficar à deriva. Não sei se prefiro afundar mentalmente o Furacão para salvar o Vasco (a Portuguesa já está além dos meus poderes extra-sensoriais) ou se torço em nome da amizade com esses meninos lindos, educados, inteligentes e simpáticos desse blog (e da Camila, nossa leitora assídua).

Talvez eu seque o Figueirense, nesse caso, mas o que será de Santa Catarina ano que vem? O Paraná já estará representado com o Coxa. Se o rubro-negro das listras verticais passar pelo Grêmio com uma vitória, aí acho que Geninho consegue embalar o time. E embolar aquela parte chata lá em cima, que não chove nem molha, só tem de surpresa mesmo o Vitória que ainda se mantém por perto, e só fará diferença se o Vitória fizer milagre ou se o São Paulo chegar no topo até dezembro. Porque aí o Brasil terá seu primeiro tricampeão seguido, além de seu primeiro hexacampeão. E eu serei a dona da camisa 6-3-3 antes da chegada do Ano Novo.

PS: Ah sim, com 13 rodadas pela frente, o Flamengo também tem chance de se tornar o primeiro hexa, serei justa. Até porque eles não jogam mais contra o São Paulo em 2008. Mas sem o calendário exclusivo do ano passado, deve ser difícil.

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Set 12

O melhor do futebol

por Felipe Lessa22h28


Religiosamente, todos os dias, me inspiro para o ofício, qualquer que seja, procurando o melhor do futebol na Diosa del Dia (Olé), Triboladas (Tribuna do Paraná) ou em alguma das Musas do Brasileirão (Globo Esporte). A intenção é compensar o que se via nos jogos do Londrina Esporte Clube no final dos 80 e início dos 90.

Nas redondezas do Café ou VGD, as poucas que ousavam dar as caras eram tão feias que a única vontade que você tinha era de agredir, da mesma forma como fazia João Neves aos atacantes inimigos.

Essas bem poucas que arriscavam marcar presença, eram funcionárias de alguém, barangas carentes encontradas no fim do forró - que por não ter o que fazer passaram a simpatizar com o LEC - ou no máximo, filhas de algum torcedor. Ainda assim o bom, velho e verdadeiro torcedor do Londrina sempre soube o perigo que era levar uma “calcinha” ao estádio. A torcida era de fato animalesca e primitiva. E mesmo com as devassas horríveis, não se deixava quieto.

Mas com umas latas de cerveja na mente, tudo mudava. Não se partia para o ataque em público, no estádio, mas nas viagens com a organizada do clube a coisa mudava. Nas escondidas, no escuro do ônibus velho e algumas vezes com atletas dentro, era soco e grito. Desta vez sem agressão. Até mesmo eu, na pré-adolescência, me dei bem (MENOS, FELIPE...com tranqueiras feias nunca se dá bem).

E se a coisa estava feia, o panorama começou a mudar quando o ex-presidente Marcelo Cardarelli contratou algumas modelos gandulas, em 95/96. Até mesmo uma delicia, irmã de uma gostosa da minha escola, estava nessa. Mas o contrato com a agência foi quebrado alguns meses depois, retirando de cena não somente as beldades, como também o treinador Nuno Leal Maia, a última celebridade do Londrina.

Para arrumar o meio de campo e não frustrar os torcedores, Caldarelli resolveu escolher a dedo novas garotas. Foi um fiasco. Se antes a delícia da escola estava envolvida, entre as Caldaretes estava uma das mais zoadas meninas da vila. Uma baranga que entraria fácil na categoria daquelas carentes que se envolviam nos jogos.

Como a tendência é valorizar toda vitória conquistada em um combate árduo, hoje minha vida melhorou. Não só a minha. Talvez a sua também. Conheci um site chamado Football Babes. Para ele (o site) - ou eles (torcedores) – as modelos se deixam clicar trajando camisas de diversos times.

Às vezes elas não usam nenhuma. Tudo bem que alguns podem reclamar da fidelidade com o clube do coração. No entanto, a promiscuidade dos trapos aqui é de contexto diferente e aceitável. É pelo bem da nação futebolística. Afinal, não é apenas nos jogos do Londrina que existe um problema grave relacionado ao futebol e garotas bonitas.

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Set 11

Nojo, nojo infinito

por Adriano Brandão20h31

Cartola

Nova fórmula do Paranaense 2009 será com pontos corridos

Êba! Pontos corridos!

Êba nada. Calma lá. Veja só como será:

. turno único (!) com 16 equipes;
. 8 equipes passam para a segunda fase (!!);
. pontos extras (!!!) para os dois primeiros colocados da primeira fase começarem com vantagem (!!!) a segunda fase.

Não gostei. Sugiro a seguinte fórmula para 2010:

. na primeira fase, 16 times divididos em dois grupos organizados alfabeticamente. Os times do grupo 1 (A-K) jogam em turno, returno e re-returno. Já os times do grupo 2 (L-Z) jogam em turno único;

. para disputar a segunda fase, classificam-se os 15 melhores da primeira. Valem os pontos obtidos através da média ponderada entre jogos disputados e pontos conquistados. O desempate é feito, respectivamente, pela quantidade de cartões amarelos, pela quantidade de vezes que seus jogadores foram citados na imprensa e, enfim, pelo saldo de gols. Gols marcados fora de casa valem o triplo; gols de pênalti valem metade; gols de falta valem o dobro, mas só se o INSS do clube estiver em dia. O último colocado disputará um jogo repescagem contra o primeiro, em campo neutro. Se ganhar ou empatar, todos os times se classificam;

. na segunda fase, os times são divididos em três grupos, de acordo com a quantidade de cores do uniforme. O grupo 1 joga contra o grupo 2 em turno e returno. Os times do grupo 3 jogam entre si nas quartas à noite e com os times do grupo 2 nos domingos à tarde. Os critérios de desempate são os mesmos da primeira fase, mas invertidos. Notem que o regulamento não diz claramente o que significa "invertido";

. para as semi-finais, classificam-se Atlético, Coritiba, Paraná e o melhor time do interior. Atlético e Coritiba jogam um contra Paraná e outro contra o time do interior. Para que a final seja um Atletiba, as semi-finais são disputadas quantas vezes for necessário.

Que tal?

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Sexo

Set 10

La mejor seleción del mundo? Menos, vá.

por Ana Carolina Moreno16h00

Controlem a ansiedade. Uma vitória – convincente ou não – da seleção brasileira hoje contra a Bolívia não apontará que o time, sem sombra de dúvidas, finalmente reencontrou o rumo, seja ele qual for. A vitória contra o fraco Chile não apaga, por exemplo, a derrota inédita contra a fraquíssima Venezuela, mas indica, pelo menos, que a equipe conseguiu fazer sua obrigação de jogar com rapidez, agilidade e em busca do resultado, em vez de falar muito e fazer pouco. Já é uma boa notícia.

Dunga afirmou que a vitória em Santiago foi conseqüência do bom trabalho realizado nos treinos. Não sei se alguém perguntou, em seguida, sobre o que teria causado a derrota contra a Argentina, na China.

Acontece que vencer e perder fazem parte do trabalho, e é isso que parece não entrar na cabeça dos apoiadores do técnico. Ou de seus críticos. O treinador que fizer do Brasil um time absolutamente invencível, hoje em dia, pode entrar na fila de beatificação do Vaticano antes mesmo de morrer.

Ansiosos pelos motivos mais errados possíveis, todos correm para encontrar os fatos irrevogáveis, como se futebol fosse ciência. Embaixo do guarda-chuva da CBF, jogadores, comissão técnica e dirigentes, já habituados à posição institucional-marqueteira da entidade, acreditam piamente que o resultado de domingo já é suficiente para calar a imprensa encrenqueira, tanto a brasileira quanto a chilena.

No primeiro caso, qualquer voz que insistir em opinar representaria automaticamente interesses escusos e, portanto, não mereceria ouvidos. No segundo, é quase triste ver a reação exagerada no vestiário. Como se os hermanos mais afastados, em sua inesgotável ilusão de um dia poderem entrar para a elite do futebol mundial, merecessem tanta atenção pelas manchetes otimistas que ousaram escrever e, pior, como se isso justificasse que os visitantes fossem embora deixando, de presente, um mural pichado com dizeres tão mal-educados quanto falhos gramaticalmente.

Hoje à noite vamos encarar a Bolívia em um Engenhão semi-cheio, ou semi-vazio, dependendo do otimismo do/a leitor/a. Robinho pede que os torcedores compareçam para apoiar. Eu, se estivesse no Rio, aproveitaria a falta das filas que me deixaram fora do Brasil X Uruguai em 2007 e apareceria por lá, mesmo sabendo que o Robinho deve perder mais um ou dois gols praticamente feitos. E que Ronaldinho deve capengar a partir dos 10 minutos do segundo tempo. Mas apostando que Luís Fabiano e Diego farão o suficiente para garantir o placar favorável.

Ganhar em casa do lanterna das eliminatórias, cuja estrela principal - a altitude - não joga fora do país, não é mais do que a obrigação, especialmente depois da primeira vitória fora de casa no torneio classificatório. Se, para manter a motivação, o time vai jogar dardos na foto de Lula durante a preleção ou eleger outro alvo para xingar de FDP para mim pouco importa. Só não venham reclamar de pressão exagerada, caso a zebra amanhã vista verde e amarelo.

Aproveitando a rabugice: Só eu vou reclamar do fato de o Dunga bancar o diplomata e convocar jogadores que ainda atuam na terrinha, mas para deixá-los no banco, usando apenas em caso de suspensão ou contusão dos "titulares europeus"? Atrapalha nosso campeonato por nada. Devolva os caras de uma vez então, que a gente aproveita mais!

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Set 07

Uma rodada decisiva

por Equipe De Primeira11h03

por Napoleão de Almeida

No próximo final de semana tem a decisão do Campeonato Brasileiro. A primeira delas. Para muitos times, pode ser a última, até porque uma derrota corta muitas aspirações das equipes.

Numa tremenda coincidência, nada menos que seis dos 10 jogos são confrontos diretos por alguma coisa.

Cruzeiro x Palmeiras e São Paulo x Flamengo vão colocar apenas dois dos quatro times na luta direta pelo título. O empate mata todos, especialmente se o Grêmio ganhar do Goiás no Sul. O que deve acontecer. Dirão: “ainda é cedo”. Mas os famosos “jogos de seis pontos” desta rodada, apimentada por um confronto 85/15 do Tricolor gaúcho devem dar destino mais preciso a essas equipes.

Ainda na parte de cima, Vitória x Coritiba em Salvador vai dizer qual das duas equipes pode ao menos seguir sonhando com a Libertadores. Até título dá, mas mais distante. Curiosamente o vencedor aqui se beneficia dos confrontos diretos acima. Tanto Coxa quanto baianos são franco-atiradores. Só não vale empatar.

Na parte debaixo da tabela, desespero total e três jogos só entre os rebaixáveis. Atlético x Potruguesa, Vasco x Náutico e Santos x Fluminense. Haja coração, diria o famoso narrador.

Quem perder, dá a mão para a Série B. O mesmo acontece se os jogos empatarem. Mas quem ganhar só respira melhor, nada de folga. Além disso, uma torcidinha por Atlético-MG contra o Ipatinga e por Sport contra o Figueirense não seria nada mal. O Ipatinga praticamente fica distante da saída da ZR e o Figueira entraria na dança de vez.

Pra quem não gosta dos pontos corridos, uma rodada típica de decisão. Todas são assim, no fundo. Só que essa tem a característica especial de colocar um time em melhor situação e de quebra deixar o rival com o mico na mão. Faça sua aposta.

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Campeonato Brasileiro

Set 04

Com que roupa?

por Equipe De Primeira09h20

por Napoleão de Almeida

Pense rápido: se você quisesse um reforço para o seu time, escolheria quem entre Keirrison ou Robinho?

Do primeiro talvez você ainda não tenha ouvido falar. O atacante do Coritiba tem apenas 19 anos, mas já ganhou destaque, embora jogue na periferia do futebol nacional. Tem potencial, é tranqüilo dentro e fora de campo e tem uma característica das mais importantes no mundo da bola hoje: quer ser um vencedor.

Robinho é conhecido. Apareceu no Santos em 2002 e ganhou notoriedade com as pedaladas em cima do corintiano Rogério na final do Brasileirão daquele ano. Ainda ajudou o Peixe a ganhar o campeonato de 2004 e foi vice da Libertadores contra o Boca de Riquelme – na primeira passagem. Até ali, era o sucessor natural de Pelé. Mas um rompimento áspero com o Santos queimou um pouco o filme do menino, que ainda não se firmou na Seleção, para que ele fosse para o Real Madrid. E, vejam, a mesma atitude aconteceu quase quatro anos depois, para que ele saísse do Real para o Manchester. City.

“Topa tudo por dinheiro” era o nome de um programa do Sílvio Santos no SBT. E é o melhor retrato dos futebol atual.

Nem estou pedindo amor à camisa. Afinal, se Robinho tinha que amar algum time, seria o Santos e não o Real. O que eu gostaria de ver na maioria dos jogadores é a vontade de marcar história em um clube e não apenas a chance de faturar algum.

Dirão: “mas o Robinho foi humilhado com a história do Cristiano Ronaldo”, etc, etc. Negativo. Robinho foi valorizado com a possibilidade cogitada de ser envolvido na negociação do jogador mais valorizado do mundo hoje, para um clube tão grande (talvez não tão nobre) quanto o Real: o Manchester United.

Como uma criança, Robinho esperneou, disse que não ia cumprir o contrato (como já havia feito na Vila Belmiro) e deixou Madrid pelos fundos e foi faturar algum no primo (não tão mais) pobre do United, o City, na mesma Manchester. Não sem antes pagar o mico de ver uma ida para o Chelsea frutrada. Ouviu até mesmo de Pelé – padrinho melhor não há nessa história de história – que anda mal orientado. E aí voltamos a Keirrison.

Keirrison tem os mesmos empresários de Dagoberto. Mas diferentemente do colega – e de Robinho – não forçou a barra para deixar o clube que o formou atrás de uns (vários) trocados, que certamente ganhará depois. Quis ficar no Coritiba, recusando propostas mil, tudo para marcar história. E só por ficar, já marcou.

Claro que o fato da diretoria coxa privilegiar o time ao caixa, ajudou muito. Se o Coxa quisesse grana e não taças, venderia Keirrison para qualquer time dos Emirados Árabes. Mas não. E ele também não: quis ficar, quis jogar aqui, quer vencer.

É difícil cobrar essa atitude de todos. Cada um tem valores diferentes na vida, sabe bem onde o calo aperta. Mas me parece bem mais certo que Keirrison, de um caráter já indubitável, possa ser mais vencedor que os colegas citados. Porque o K9 tem algo que está faltando hoje em dia no futebol: quer ser um atleta vencedor e não apenas um artista milionário.

Por isso, se me perguntarem quem eu prefiro no meu time, não tenho nem dúvida de que roupa vestir.

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Set 02

Orgulho do Brasil.

por Equipe De Primeira21h28

Por Fabricio Kichalowsky

Se em campo o INTERNACIONAL não tem agradado nem o mais fanático dos seus torcedores, fora dele o Clube toma atitudes que enchem os colorados de orgulho.

Ontem, enfim, encerrou-se a famosa janela de agosto, que vem levando nossos melhores jogadores para o exterior em meio ao Campeonato Brasileiro e enfraquecendo nosso futebol.

Pois o Inter, que já havia recusado oferta por Guiñazu, voltou a recusar outra, por Alex. E foi além: desembolsou nada menos que seis milhões de euros (cerca de 14 milhões de reais) para segurar seu melhor jogador – e, provavelmente, o melhor jogador em atividade no País: NILMAR.

Valendo-se do contrato firmado, o Clube adquiriu, junto ao atleta, 40% do seu passe – com base nos 15 milhões de euros oferecido pelo Palermo, da Itália, que ainda procura substituto para o brasileiro Amauri. Evidentemente, o Colorado olha para o futuro, para uma provável valorização de Nilmar, recém convocado para a Seleção Brasileira.

Se é verdade que a cúpula colorada tem cometido seus equívocos – como a escolha de Tite para comandar a equipe, por exemplo – há de se fazer justiça ao grande esforço para qualificar o grupo, e louvar a atitude da direção do Clube. Se antes os clubes brasileiros entregavam seus craques por qualquer oferta proveniente do exterior, o INTERNACIONAL mostra que, com organização das finanças e administração responsável é possível, sim, manter os melhores atletas brasileiros em solo nacional.

E merece aplausos por isso.

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Set 01

Kantuta é a Bolívia de chuteiras

por Felipe Lessa22h52

Na Praça Kantuta, localizada na zona norte de São Paulo, ocorre dominicalmente uma feira de bolivianos. E foi para lá, no reduto brasileiro de Evo Morales, que rumamos nós do De Primeira. A culinária típica, as danças folclóricas e as canções regionais bolivianas ditam o ritmo de um ambiente precário de estruturas físicas, que de nada contrasta com a posição social dos filhos da Bolívia que chegam no Brasil em busca de melhor qualidade de vida, mas na ilegalidade acabam se submetendo ao trabalho escravo dos tempos modernos.

Até mesmo as apresentações de dança realizadas no meio da praça acontecem às escuras. Aos redores, centenas de barracas bolivianas. Entre elas, uma especializada na venda de artigos esportivos. Entre camisas, bandeiras e toalhas de clubes como o Bolívar e do centenário The Strongest de La Paz, Aurora e Jorge Wilstermann de Cochabamba, mais a seleção nacional, diversas preciosidades. Daquelas que não se encontram nem nas grandes e reconhecidas firmas especializadas na venda de camisas de futebol.

Da originalidade dos produtos, pouco se pode dizer. Até mesmo pela razão de que os sites oficiais dos clubes citados acima, mais a seleção, estão em construção ou não existem. No entanto, a vendedora afirma que os produtos são de fato bolivianos. Fica somente a dúvida ao pensar: os produtos realmente vieram da terra de Etcheverry ou foram apenas produzidos por bolivianos, imigrantes no Brasil, a mando dos patrões que geralmente são coreanos?

Nas quatro linhas do gramado o futebol boliviano segue a regra. Seus principais jogadores migraram para outras nações em busca de uma melhor qualidade de vida. El Diablo Etcheverry é uma referência. Saiu do Bolívar para o Albacete da Espanha, passou pelo Colo-Colo do Chile, América de Cali da Colômbia até parar no DC United dos Estados Unidos.

Na pátria de Mickey Mouse o craque foi considerado um dos revolucionários da MLS, liga do futebol ianque. Se os gringos gostam dele, os brasileiros carregam certo rancor. Nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 94, Etcheverry comandou o desastre canarinho responsável pela primeira derrota do escrete no torneio.

Outro exemplo de migração é o atacante Marcelo Moreno Martins, considerado o sucessor de El Diablo. Hoje no Shakhtar Donetsk da Ucrânia, Marcelo Martins para os bolivianos, Marcelo Moreno para os brasileiros, foi parar no Vitória da Bahia em 2004. Posteriormente seguiu para o Cruzeiro, de onde foi negociado para a Europa. Da passagem pelo Brasil, surge sua dupla nacionalidade, algo requisitado por tantos compatriotas que não herdaram o mesmo talento para o futebol. O ex-jogador do Oriente Petrolero chegou inclusive a ser um dos poucos atletas estrangeiros a vestir a canarinho, nas categorias de base.

Por último, quem sai de lá vai ser um paraguaio naturalizado boliviano. Pablo Escobar deixa o Strongest e ruma para Minas Gerais, onde vai carregar a dura missão de ajudar o Ipatinga a se livrar do rebaixamento no Campeonato Brasileiro 2008. O atacante, assim como muitos compatriotas, chegou ao Brasil sem visto de trabalho e deve ficar emprestado ao clube mineiro por um ano.

Escobar figura nas surpresas entre os convocados para a seleção boliviana que pelas Eliminatórias da Copa do Mundo vai enfrentar Equador (6) e Brasil (10). Entre os convocados, boa parte atua em casa, embora hajam representes do futebol da Arábia Saudita (Ronald Raldes - Al-Halil), Grécia (Ronald Garcia - Aris (Grecia), Colômbia (Diego Cabrera – Cucuta) e Ucrânia (Marcelo Martins – Shakhtar Donetsk).

Quando o assunto é o selecionado nacional, vale lembrar que existe inclusive uma ameaça de greve por parte dos jogadores, devido a um conflito com a federação local. Os atletas pedem que o governo de Evo Morales e a Federação Boliviana de Futebol (FBF) criem normas e leis que protejam os direitos dos jogadores em seus clubes, com relação a seus contratos e seus seguros médicos.

A crise é forte. Não é maior pois a seleção venceu o Panamá por 1 a 0 no dia 20 de agosto. No entanto, mesmo sem ela, a crise, o maior feito boliviano foi conquistar a Copa América de 63. Outros feitos considerados grandiosos foram o 12º lugar da Copa do Mundo em 1930, a 4a posição no Pan-americano de 2007 e o vice da Copa América, dez anos antes do Pan, em 97. Talvez a crise seja o começo de uma revolução no futebol local, que passou a dar os primeiros passos de melhor organização recentemente.

O campeonato nacional desta nação foi definitivamente profissionalizado em 77. Seus primórdios ocorreram em 1914, com o Strongest levando para casa o Campeonato Amador de La Paz. Este foi o principal torneio até a semi-profissionalização ocorrida em 1950, tendo o Bolívar como vencedor. A partir de 71 o grande torneio foi a Copa Simón Bolívar. Foi o marco que datou o fim do amadorismo em toda a pátria, em torneio ao estilo Copa do Brasil. Seu primeiro vencedor foi o time pelo qual torce El Diablo: o Oriente Petrolero, de Santa Cruz de La Sierra.

Desde a definitiva nacionalização de uma liga profissionalizada do futebol da Bolívia de 1971, o maior vencedor foi o Bolívar. Ao todo a Academia conquistou 16 canecos, o dobro do segundo colocado em títulos, seu rival The Strongest. El Más Fuerte conta com 8.

Na atualidade, o equilibrado campeonato está dividido em dois grupos de seis times. O grupo A conta com o Blooming de Santa Cruz de La Sierra na liderança. Foram quatro vitórias e apenas uma derrota até o momento, marcando 12 pontos. Em seguida aparecem Oriente Petrolero (8), Aurora (7), Real Mamoré (7), Jorge Wilstermann(7) e o laterninha Guabirá (1).

No grupo B, segue o Real Potosí nas cabeças. A equipe potosina venceu três jogos, perdeu dois e segue com nove pontos. Na rabeira aparecem Bolívar (8), La Paz (8), Universitario (8), The Strongest (7). No fim da linha está o San José, com um ponto solitário.

Na primeira rodada do returno, que começa dia 13, o penúltimo colocado do grupo B poderá dar um salto no seu posicionamento. Enfrenta o mais fraco do seu grupo, enquanto o Real vai disputar quem segue para a liderança com o perigoso Universitario, no domingo (14). No outro jogo do grupo, Bolívar e La Paz disputam o derby local tambem com pretensões de chegar na ponta de cima da tabela.

No grupo A, que vai ter sua rodada iniciada no dia 14, tudo corre a favor do Blooming. Vai enfrentar o lanterninha Guabirá em casa. Deve se manter no primeiro lugar, apenas aguardando os resultados do rebolo, onde o Real Mamoré enfrenta o Oriente Petrolero e o clássico de La Paz entre Aurora e Wilstermann.

Serão semanas cheias de emoções. Com certeza, muito existe para se debater em La Paz, Santa Cruz de La Sierra, Cochabamba e claro, na Kantuta, um território ao mesmo tempo boliviano e brasileiro. Território das Salteñas, flautas de pã, malhas andinas, Chincha Villera, suco de Maní (tão adorado pelo Marcão), Bolívar, The Strongest, Aurora, entre tantos outros. Território onde Corinthians, Atlético, Coritiba, Vasco, Grêmio, Palmeiras, Bahia e São Paulos não têm vez.

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