Profetas de L'alcúdia
por Felipe Lessa19h34

Nesta terça-feira (26), o selecionado brasileiro foi derrotado pelo VillaReal da Espanha, em jogo válido pelo Torneio Internacional L'alcúdia. Ao todo, oito clubes disputaram o torneio sub-20. No grupo A, seleções de Brasil, Uruguai, Rússia e Colômbia. No B, Guarani do Paraguai e três espanhóis: VillaReal, Real Madrid e Valência. Ou seja, uma disputa entre clubes e seleções.
No torneio de L'alcúdia, as seleções estão presentes desde a primeira realização em 84, quando um selecionado de Paris participou. Tratava-se de um pequeno esboço que afirmaria: clubes e seleções são (se tornarão) a mesma coisa, mesmo que na ocasião, o selecionado fosse municipal. Em 86, enfim, surgem os nacionais. Quem deu as caras foi a União Soviética, equipe campeã de tal ano. Deixou para trás equipes como Valência, seleção de Benfica e Sporting de Gijón.
Sem distinções, o futebol clube e o de seleção nacional residem o mesmo espaço. Quase sempre, já que em 2002 o torneio apenas contou com seleções. Em 2007 contou apenas com clubes, três deles brasileiros. Ainda assim, basta ver a lista de campeões, para ver que tudo é colocado no mesmo saco. O peso do título do Chile (98) é o mesmo do Real Madrid (94). Competição visionária que mescla clubes e seleções. Que afirma que vai ser tudo a mesma coisa.
O torneio é visionário pois os selecionados estão se comportando como clubes. Enquanto muitos brasileiros enfrentam problemas para imigrar ilegalmente para Estados Unidos e Inglaterra, tentando a chance de “ser alguém na vida”, a CBF realiza alguns amistosos por lá, deixando o brasileiro pobre de lado, sem poder ver sua seleção, para juntar grana legalmente no lado rico do mundo. Ganhar grana. Mesmo que não seja para contratar ninguém, nem para dar condições para que nossos jogadores fiquem aqui.
Outras seleções também se tornaram internacionais e “contratam” conforme for conveniente. Ao menos eles investem. O povo do Brasil apenas perde por não ver os jogos da seleção no estádio, mas também ganha. Nós brasileiros que já assistimos futebol de seleção pela TV, temos novas opções. Uma delas é torcer por outros brasileiros que nos representam ou representaram em seleções como a portuguesa, japonesa, belga, alemã, entre outras. O último bem sucedido foi Marcos Senna, campeão da Eurocopa 2008, com a Espanha. Vale recordar também que a federação argentina anda reclamando do assédio de croatas contra seus atletas jovens.
Ainda assim, o Brasil não é tão bobo. Desde meados dos anos 90, passou a importar em maior escala. Nossos clubes compram mão de obra dos latino-americanos. Los hermanos no tienen el futbol tão valorizado financeiramente. Comparados com eles, temos capital para importar. Em breve, com a queda do rendimento de nossa seleção, também podemos importar para nossa canarinho. Mas será necessário um trabalho de base.
A naturalização no futebol é algo que já afeta o Brasil desde os anos 30, que tentou ser barrada em 66 e foi novamente aceita no final dos anos 70, quando o jogador poderia atuar apenas um selecionado, contando também as atuações pelas categorias menores. Ou seja, o futebol virou cosmopolita.
Talvez seja paranóia. Talvez não. Vale lembrar dos planos do 6+5 da FIFA, sobre o número de jogadores estrangeiros que cada equipe européia poderia ter. Afinal, clubes como Inter de Milão, Milan e Paris Saint Germain têm convênios para descoberta de talentos estrangeiros fora de seus países, no ninho: África e América Latina.
No contra ponto, dizem que existe um lobby de grandes grupos de investimento junto à FIFA. A intenção seria de acabar com as seleções nacionais. Um reflexo da sociedade, dos processos de trabalho, onde o próprio capital foi precursor da ocasião que torna o futebol cada dia mais internacional. Como diriam os anarquistas, sem bandeiras, nem fronteiras. Mas para isso, teriam que acabar com as nações. O futebol também ajuda a manter o orgulho nacional de países que não lembram de razões para se orgulhar de nada.
Ou seja, é difícil, pois na contra-mão dos libertários, tudo ocorre em função do capital. O capitalismo selvagem que a cada dia atropela nosso povo como um rolo compressor e ataca novamente. Com clubes multimilionários, em especial da anti-brasileira Espanha, contratando a mão de obra de imigrantes brasileiros para o futebol. Apenas para o futebol.
Uma questão complicada e cada vez mais desgraçada. Talvez não tenhamos mais seleção no futuro. Talvez não tenhamos mais craques, já que os empresários exportam tudo. Até mesmo os “meia-boca”. É uma questão ampla. Que toma conta de nossa sociedade, não apenas do futebol. Mas que na questão da peleja, coloca o torneio de L'alcúdia na posição de profetas ao não diferenciar bandeiras clubísticas de bandeiras nacionais. Mesmo que tal posição não seja reconhecida oficialmente (é praticamente impossível que seja).
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que uma das linguas que se falam na Espanha
Jogo entre selecoes e equipes fica meio estranho ne
mas esses times europeus só tem jogadores
selecionados, entao, nem tanta diferencia faz
Real Madrid deve ser a selecao do capitalismo...
Pode comprar (quase) quem quiser...
Ó
IO AO FUTEBOL MODERNO !!! Libertários que eu saiba são totalmente a favor do capitalismo.
E culpar o capitalismo pelos problemas do mundo é de uma ignorância atroz.
