E se o Brasil for ouro (no feminino)?
por Ana Carolina Moreno13h55
Napoleão já escreveu abaixo sobre o que o ouro olímpico pode fazer com o futebol masculino do Brasil e com o homem que tem o cargo mais visado que o de Presidente da República.
No caso da seleção olímpica de futebol feminino, não há nada que elas possam provar para ninguém além delas mesmas. Afinal, nem se ganharem o ouro conseguirão o reconhecimento, o apoio financeiro e o tão esperado campeonato brasileiro de futebol que merecem. Mas elas querem, mesmo assim, mostrar ao país do futebol (e do machismo) que são dignas de mais atenção.
Quando se fala em Jogos Olímpicos, as meninas estão acima dos meninos. Desde que o futebol feminino estreiou na Olimpíada, em 1996 (o masculino já está lá desde 1908), as brasileiras participaram de todas as edições, ficando em quarto lugar em Atlanta, quando a Noruega as despachou. Quatro anos depois, em Sidney, novamente ficaram em quarto,
eliminadas pela Alemanha. Já em Atenas, surpreenderam ao resistir até a final, quando conquistaram a prata ao perderem pelas então poderosas norte-americanas e a líder deles, a Mya Hamm.
Enquanto isso, os brasileiros conquistaram duas medalhas, uma de prata e uma de bronze. Mas sequer conseguiram se classificar para os jogos de 2004. Ao todo, eles têm três medalhas - duas de prata e uma de bronze - e amargam a décima-nona colocação no ranking. As meninas, por sua vez, estão em terceiro lugar. E dessa vez vêm mostrando que podem se tornar as primeiras boleiras campeãs olímpicas do Brasil. Digo isso porque, por ser menos badalada, a final do feminino acontece dois dias antes do grande espetáculo masculino.
Marta, Cristiane, Daniela, Formiga e as demais guerreiras da equipe já despacharam suas primeiras carrascas, as norueguesas. Amanhã será a vez de enfrentar a Alemanha, atual campeã mundial (o Brasil é vice). Apesar de as brasileiras já terem conseguido segurar um empate em 0 a 0 na primeira fase e conquistado o primeiro lugar no grupo pela vantagem no saldo de gols, as meninas terão que fazer história na competição para retornarem à final olímpica: furar a muralha da goleira Nadine Angerer, que ainda não viu sua rede balançar na China.
A zagueira Linda Bresonik, que rompeu os ligamentos do tornozelo na partida contra a Suécia, talvez seja uma perda considerável para a defesa alemã, especialmente se levarmos em conta que a maioria dos gols brasileiros tenha sido resultado mais da raça e do oportunismo individual das brasileiras em explorar falhas das adversárias do que da qualidade tática, da posse de bola e dos passes certeiros da equipe.
Não chega a ser uma "final antecipada", como já anunciam os jornalistas a respeito da semi-final masculina entre Brasil e Argentina, mas o feito de derrotar a Alemanha será mais difícil para as meninas do que anular o talento de Riquelme e Messi e despachar os maiores fregueses do técnico Dunga.
E se elas chegarem à final, provavelmente enfrentarão as últimas e maiores carrascas olímpicas, as meninas dos Estados Unidos. O time americano hoje busca provar que não era apenas "Mia mais dez" e comemoram um caminho relativamente fácil para isso: o Japão, que ainda nem deve acreditar ter chegado tão longe, bateu as chinesas e aguarda os EUA na semi.
Sem técnico constantemente na berlinda, assédio esmagador e acordos multimilionários, as meninas do Brasil poderiam até se considerar sortudas. Estão livres de pressão e podem se concentrar em equilibrar suas várias deficiências com força de vontade, visão de jogo e muito trabalho em equipe para dar ao Brasil seu primeiro ouro olímpico no futebol. De qualquer gênero.
Em tempo
Não é só a falta da bandeira do Brasil que preocupa, mas também o amadorismo com o qual prepararam a nova "camisa salvadora da Rio-2016". O zero da camisa 10 da Marta já tinha se descolado pela metade quando a partida contra a Noruega chegou ao fim. Espero que eles tenham comprado durex ou grampeador para não deixar essa imagem lastimável se repetir amanhã.
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Comentários:
*A seleção brasileira de minas (meninas) é o São caetano do futebol masculino?
*Londrina contava com umas equipes boas de futebol feminino. Uma delas era o grêmio Londrinense...Volta e meia a mulherada jogava no VGD e ficava batendo papo com o pessoal da organizada. Algumas delas até passaram a fazer parte da torcida. Talvez seja algo irrelevante, mas, coloco uma posição. JÁ IMAGINOU ALGUM JOGADOR NO MEIO DA TORCIDA? DIFÍCIL, elEs QUEREM CAMAROTE. FAMA.
*Haha, Curitiba se articula para 2016. Eu acredito! THE RETURN OF PINHEIRÃO!
Acredito que elas têm grandes chances de chegar ao ouro, muito mais que os meninos. A gana de mostrar que o Brasil tem uma seleção feminina e manda muito bem está falando alto desde o início, e vem se fortalecendo ainda mais, vitória após vitória.
O negócio agora é preparar um mega café, sentar na frente da tevê e torcer para que a manhã de quinta seja muito mais dourado que as outras.
Mais uma: você lembra do SP feminino de 1997?! O time da Sissi e da Kátia Cilene?! rsrsrsrs
bj do Glauco