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Ago 05

O craque da minha vida

por Equipe De Primeira12h06

O craque da minha vida? Esta é uma pergunta difícil para um torcedor do Atlético Paranaense responder. Claro, apesar de algumas fases negras, nunca faltaram ótimos jogadores no elenco atleticano. Mas eu era muito criança para lembrar, por exemplo, de Washington e Assis e do goleiraço Roberto Costa, duas vezes Bola de Ouro da Placar. E eu peguei uma das fases mais negras do rubro-negro paranaense. Dos cinco aos 15 anos de idade o meu maior ídolo foi Marola, que, se não fazia feio, também não era um Caju, o Majestade do Arco.

As coisas melhoraram a partir de 1995, mas meus ídolos continuaram sendo jogadores com mais vontade que técnica. Paulo Rink era o meu preferido e, apesar de ter jogado na seleção da Alemanha, qualquer torcedor santista sabe por que ele não é o craque da vida de ninguém, apesar de até hoje ser quem traduziu melhor em campo o que é ser atleticano, ao lado de Cocito (sim, Cocito é nosso Pastor e nada nos faltará).

Foi somente em 2001 que, pela primeira vez, como atleticano, me vi diante de um craque insofismável. Ele havia sido descoberto por Antonio Lopes em 2000 e já no campeonato seguinte promovido ao time titular por Mário Sérgio. A constatação se deu já na fase final da primeira fase do Brasileiro. Lembrando dos vários anos em que brucutus vestindo o manto sagrado matavam a bola invariavelmente na canela, acompanhei um chutão dado pelo goleiro Flávio que foi cair de forma macia no peito de Kleberson. A bola rolou pelo seu corpo até o chão, e a jogada teve prosseguimento com passes que pareciam frutos de complexas equações envolvendo cálculos de área, força e distância, tamanha a precisão com que ele conduzia a bola. Tinha a capacidade de fazer o tempo parar, como um craque dos anos 70.

O gramado da Arena da Baixada nunca mais seria pisado por outro jogador com tanta classe em um jogo oficial. Do Atlético ou de um time adversário. Quem mais chegou perto foi Jadson, vítima do crime que é deixar o Brasil para jogar em uma Ucrânia da vida. Por causa disso, há quem esboce risinhos quando se fala de gente que nunca jogou nos times do Rio ou São Paulo. No entanto, quem gosta de futebol sabe que em 2001 e 2004 o melhor futebol do Brasil foi praticado em Curitiba. E Kleberson foi o maior entre os maiores.

Em um mundo justo, ele nasceria em outra época, ficaria mais tempo por aqui e faria dupla com Jadson. Fariam o tempo parar juntos na Arena. Fosse ele um jogador do Fluminense nos anos 70 e até hoje estaria imortalizado por alguma crônica de Nelson Rodrigues. Resta a esperança de que talvez um dia o atleticano Cristóvão Tezza ainda lhe faça justiça com um texto à altura do único jogador campeão mundial que jogava no futebol paranaense. Por que, em se tratando de texto, estou mais para Cocito que para Kleberson.

Texto publicado originalmente no blog do Menon, que convidou uma série de jornalistas e escritores para escreverem sobre os craques que os marcaram.

2 comentários
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Comentários:


Comentário de: Rakal D Addio · http://www.diletra.blogspot.com

Não sou atleticano, mas também comemorei muito o futebol do Kleberson em 2002.

PermalinkPermalink 05.08.08 @ 13:03



Comentário de: felipe lessa · http://www.interney.net/blogs/deprimeira

Muito bacana o texto....
hehe, eu fui correr atrás do caminhão que levava o xaropinho pela cidade de Londrina, logo depois da copa, rsrsrsrs

PermalinkPermalink 06.08.08 @ 17:11



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