Pampas, pompas e Pereiras...a visão gremista da derrota coxa
por Equipe De Primeira17h18
Por Felipe Martynetz
Passada a traumatizante derrota, de virada, para o Atlético-MG por 3x2 no Mineirão, o Coritiba venceu o ascendente Ipatinga por 1x0 no Couto Pereira e, já no Estádio dos Aflitos, bateu o Náutico por aflitos 2x1, com um gol marcado no crepúsculo da partida. Duas vitórias que puseram a equipe mais próxima às cabeças do campeonato brasileiro, dando-lhe, portanto, o ânimo necessário para a seqüência.
Jogando novamente no Couto Pereira – palco da heróica vitória por 1x0 sobre o então líder Flamengo –, o adversário, desta vez, era o Grêmio, que liderava a competição até 24 horas antes – até o Cruzeiro vencer o Náutico por 4x2 e assumir a ponta da tabela. Não bastando isso, o Grêmio vinha de quatro ótimas e invictas apresentações: Sport (2x2), Cruzeiro (1x0), Figueirense (7x1) e Palmeiras (1x1).
É importante frisar a campanha alviverde no Alto de suas Glórias: em sete jogos disputados, cinco vitórias e apenas dois empates. Se, por um lado, Couto Pereira é o nome do alçapão coxa-branca, por outro, Pereira é também o autor do gol da vitória gremista na estréia do campeonato, contra o São Paulo, por 1x0, em pleno Morumbi. Assim sendo, tudo conspirando em prol de um disputadíssimo duelo.
E foi o Grêmio quem primeiramente sacou a espada da bainha: desde os primeiros movimentos da bola no alçapão verde sobre o gramado não menos verde, a equipe gaúcha, como que em resposta ao ecoante som da bela festa da torcida anfitriã, apresentava maior volume de jogo. O tricolor dos pampas ignorou as pompas oferecidas ao Coritiba, dominando as ações de meio e sequer deixando o adversário sair do próprio campo.
Tcheco, que exatos nove meses antes, contra o Atlético, na Arena da Baixada, fora expulso de uma forma imbecilmente infantil e prejudicara as aspirações gremistas à Libertadores de 2008, conduzia magistralmente o meio-campo. Alimentava os homens de frente, alçava bolas, paradas ou não, à área coxa-branca – e até a recomposição na hora de marcar era impecável. Doou-se como um autêntico maestro interpretando a “Heróica”, terceira sinfonia de Beethoven.
Tão heróica doação só poderia resultar no gran finale de um último movimento sinfônico: logo no início da etapa complementar, cobrou com precisão um escanteio pela direita, a bola encontrou a precisa cabeça de Marcel e, depois disso, encontrou precisamente o canto direito do goleiro Édson Bastos, que nada pôde fazer. Gol com gosto de sinfonia às avessas, já que, há cinco anos, Tcheco e Marcel regiam o elenco coxa-branca rumo à Libertadores de 2004.
Os paranaenses enfatizaram ainda mais as ações ofensivas, ávidos pelo empate. Forçaram, é verdade, o Grêmio a diminuir o volume de jogo em face dos 45 minutos iniciais – nada, entretanto, a ponto de, jogando por música, compor uma nova sinfonia e igualar o marcador. Keirrison – o ilustre K9 –, querendo superar Beethoven com suas nove sinfonias e acrescentando, à sua camisa 9, um outro 9, foi quem mais teve chance de fazê-lo. Mas o Coritiba, embora seja uma grande equipe, parecia longe de Beethoven; não à toa que o máximo que teve foi um Mozart – e ainda assim há quase uma década.
Ademais, o que se viu foi a equipe da casa tentando, pelos flancos ou não, abrir espaços para, ao menos, conseguir um empate, lutando até o último movimento da partida contra um visitante que, não bastasse anular as derradeiras investidas do anfitrião, ainda buscava o segundo gol em eventuais contra-ataques regidos por valores como Ânderson Pico, Paulo Sérgio, William Magrão e o próprio Tcheco. Um Grêmio sólido, coeso, muitíssimo bem postado em campo, pouco deixando o futebol de Keirrison, Carlinhos Paraíba, Hugo e outros valiosos jogadores coxas se destacar. E, ao apito final de Wallace Nascimento Valente, a certeza de duas equipes valentes que não levaram o jogo nas coxas.
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