Paraná Clube não marca, Dentinho agradece e Corinthians leva na Vila
por Felipe Lessa00h57

Se quem ama tem fé, mais de 16 mil amantes se dirigiram ao Estádio Durival de Brito para legitimar o afeto por dois dos rebaixados no Campeonato Brasileiro de 2007. Paraná Clube do Brasil e Corinthians Paulista duelaram bonito na Vila. Para a tristeza dos locais, que pintaram estádio e redondezas do Capanema de vermelho, azul e branco, o placar terminou em 2 a 0 para os visitantes.
O time da vila veio equipado com a casa cheia e com a confiança da torcida que se não conseguiu ingresso, foi assistir ao jogo no viaduto, rente ao estádio. Até mesmo belas faixas de incentivo nos alambrados deram um colorido diferente ao tricolor. Uma era a da “Paranálcool” e a outra, da “Pró Cachaça: Sempre Tricolor”.
Mas, infelizmente para os locais, a bebedeira paranista virou ressaca. Na visão dos torcedores, foram dois os responsáveis pela derrota tricolor, apesar da boa atuação. Nielson Nogueira Dias, o apitador, foi o primeiro. “Ele jogou pelo Corinthians. O emblema do uniforme dele deveria ser igual ao do timinho”, gritava um torcedor.
O segundo culpado, na visão da arquibancada, foi o goleiro paranista. Gabriel foi muito xingado no final do jogo. Boa parte da torcida o viu como culpado pelos dois tentos anotados por Dentinho. Apenas esqueceram que do outro lado, apesar de atuação de segundona do líder da Série B, no gol havia Felipe. Ele sim foi o carrasco, com no mínimo três grandiosas defesas. E isso mostra que o tricolor da vila jogou bem, com destaque para Rogerinho, Giuliano e Everton.
Nos cinco minutos iniciais da partida, foi desperdiçada uma oportunidade por equipe. Aos 6 de jogo, o time paulista tentou novamente, mas não deu em nada. Daí em diante eu repito: o tricolor mandou no jogo. As belas jogadas geralmente partiam de lançamento no meio para a ponta esquerda tricolor.
Um exemplo bom foi aos 9 minutos, quando Giuliano toca para Rogerinho que dá um belo chute, que, de forma competente, recebe a defesa de Felipe. Logo em seguida o queridinho dos corinthianos fica no chão. E o erro da torcida paranista foi pensar que era por medo.
Nem as chegadas paranistas, aos 12 e 14 minutos, intimidavam o goleiro do Corinthians. E durante todo o primeiro tempo, Felipe foi o combustível que movia a garganta dos fieis paulistanos que faziam questão de gritar que eram um bando de loucos. Loucura como a de André Santos que exigiu que o juiz lhe presenteasse com um cartão amarelo, aos 27. Loucura foi o Corinthians não saber o que fazer aos 35, quando a zaga tricolor furou feio. Patifarias a parte, assim foi o primeiro tempo.
Na segunda etapa, a coisa mudou um pouco. Com o jogo empatado, o clima ficava tão tenso que um torcedor preferiu continuar vendo o jogo mesmo sabendo que sua Eco Sport estava com os vidros abertos, no estacionamento. E a tensão aumenta na torcida paranista com nova boa defesa de Felipe, aos 7 minutos. Mandou para escanteio um lindo petardo de Everton, de fora da área.
Aos 12, o Corinthians responde com jogada perigosa na área paranista e Dentinho prevê a desgraça local com bola na trave. O tricolor revida, aos 14, mas quando Felipe defende, sabe que algo ruim estaria por vir, pois aos 20, Dentinho aparece outra vez. Ensaia como marcar. O que faz aos 25 quando André Santos cobra escanteio. Fabinho cabeceia. A bola sobra para quem? Dentinho, que fez um a zero para os visitantes. Fez a alegria dos torcedores do Corinthians que vieram com grandes caravanas do norte do Paraná e de São Paulo.
A torcida paranista se desespera. Na região da Paranálcool, ao lado esquerdo do relógio da Vila, uma confusão entre torcedores do mesmo time. Aos 32, Claudemir bate feio. Foi cobrar uma falta e disparou sem direção ou destino. A coisa estava feia. E se descontrolou aos 34, quando Dentinho aumenta.
Algumas centenas de torcedores deixam a Vila, logo aos 36. Estavam tão empolgados como um filho que vai ao funeral de seu pai.
Aos 38, apesar da casa mais vazia, Christian que havia acabado de entrar avança com Everton pela esquerda. O juiz inventa uma falta para o Corinthians.
Rogério Perrô não desiste. Grita, mas não adianta. O jogo partia para o final, o corinthiano Denis que aos 43 entrava, aos 44 era expulso. Por tal esperta atitude, ainda deve estar recebendo broncas de Mano Menezes.
O time da casa manda uma bola na trave, passando dois dos 45, em cobrança de falta. Fim. Não havia mais o que fazer a não ser voltar para casa. Se lamentar. Depois de passada a ressaca emocional, a torcida do Paraná Clube vai voltar aos jogos na vila, apoiando sua equipe, até mesmo o goleiro Gabriel. Pois, se quem ama tem fé, quem ama também perdoa.
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Comentários:
Devem estar chorando no momento!
Primeiro: a torcida foi abafa pelos 2 mil corinthianos... Quantos paranistas tinham?
Segundo: não sei se quem estava na torcidinha safada do paraná clube presenciaram a "revista" que os integrantes da fúria fizeram nos suspeitos corinthianos! Foram assisti o jogo ou fica apavorando todo mundo? Falta de respeito...
Sou atleticano também, e na baixada não vejo atitudes sujas como essa...
Infelizmente essa foi apenas a 3ª vez que vi o Corinthians em Curitiba, mas valeu a pena ver o Dentinho meter 2 no timinho da vila... O ruim foi não poder vibrar com tanta alegria e ver meu time na ponta mais uma vez...
Abraço