Lava mais branco
por Jones Rossi17h59
E se o futebol, afinal, não passar de um grande campeonato de lavagem de dinheiro? Nós idiotas, vamos aos estádios torcer por jogadores que vão para a 2ª divisão da J-League ou para algum time do Catar. Reclamamos, nos indignamos, mas a vida continua e arranjamos novos ídolos. Mas tem coisa errada aí. E atualmente nada parece se encaixar.
Algumas notícias da última semana podem não ter relação entre si, mas fazem todo o sentido quando analisadas em conjunto. Jô, aquele Jô, que era do Corinthians e estava na Rússia, foi vendido ao Manchester City pelo equivalente a R$ 60 milhões. Ronaldinho Gaúcho foi para o Milan por R$ 52,5 milhões. No futebol atual, Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.
Claro, há alguns atenuantes. O próprio City tentou comprar Gaúcho por um valor maior que o despendido com Jô. Em busca de prestígio, Ronaldinho preferiu ir para o Milan por um valor menor. Mas nada disso esconde a verdade: atualmente Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.
Mais coisas estranhas. O blog do Paulinho levantou que nos últimos anos o Sochaux tentou comprar Betão, Fábio Ferreira e agora finalmente está levando Carlão. Os três eram atletas do Corinthians e as transações seriam intermediadas pelo mega-empresário israelense Pini Zahavi, amigo de Kia Joorabchian, da infame MSI. Há de se pensar? Por que o time francês faz tanta questão de possuir um zagueiro corintiano, a ponto de insistir por três anos e desembolsar R$ 1,2 milhão por Carlão?
E os clubes árabes que levam os chinelinhos do futebol brasileiro a preços astronômicos? E os jogadores que não fariam parte do elenco do Piraporinha da Serra, mas vivem pulando de clube em clube, sempre com contratos vantajosos? Atualmente, percebam, os piores jogadores têm os melhores empresários.
Não teria o futebol se tornado o meio mais fácil de lavar dinheiro em grandes quantidades sem levantar suspeitas?
Apesar da FIFA fazer um joguinho de cena e sempre afirmar que está atrás da origem de todo este dinheiro que circula de maneira irracional neste circuito Norte-Sul (o delegado Protógenes Queiroz, da Polícia Federal, o homem que prendeu Daniel Dantas, é um dos encarregados das investigações da entidade no Brasil), não se sabe de um único caso de comprovada malversação de recursos em algum clube importante no que tange a transferência de jogadores. A busca, por enquanto, não deu em nada.
Mesmo assim, vamos aos estádios aplaudir e chorar pelo que pode não passar de um jogo viciado no qual apenas alguns ganham de verdade. E, quando menos esperamos, acordamos em um mundo em que Jô vale mais que Ronaldinho Gaúcho.
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Este é o fim do futebol como o conhecemos. E não me sinto bem
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Comentários:
Não precisamos nem olhar para as transações internacionais, basta vermos o histórico dos dirigentes de nossos clubes...
Há algo de muito podre no reino da Dinamarca...