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Jul 11

Quando a cartola (quase) não deixa o coelho sair

por Equipe De Primeira11h35

*Felipe Martynetz

É curioso notar como os responsáveis pelos rumos tomados por um clube de futebol – seus dirigentes – não raro apresentam a mesma mentalidade de torcedores. Não bastando as costumeiras choraminguices xexelentas de cartolas que transferem a responsabilidade da derrota de seu clube ao árbitro da partida em questão, alguns deles chegam, por vezes, a atitudes de um singular grau de idiotia, como dar-se o trabalho de invadir o campo exclusivamente para agredir árbitro e assistentes.

A mais recente a que tivemos oportunidade de assistir foi a do presidente do Internacional, Vitorio Piffero, que, receoso em função da rivalidade com o Grêmio, hesitou em contratar Tite para substituir Abel Braga, que abandonara o barco desde 1º de junho, quando do empate do colorado em 1x1 com o Sport no Beira-Rio. Tite, para quem não lembra, foi treinador do Grêmio de dezembro de 2000 a maio de 2003 – o mais duradouro desde Felipão –, tendo conquistado tanto o Gauchão quanto a Copa do Brasil de 2001, além de ter levado a equipe às semifinais da Libertadores do ano seguinte.

Resultado da teimosia presidencial: o Saci perdeu, de virada, por 3x1 para a Portuguesa no Canindé, afundando ainda mais sua única perna na zona de rebaixamento para a série B. Temeroso em face dessa identificação de Tite com o Grêmio, o presidente do clube hesitou em contratá-lo – e o medo de “o que pensaria a torcida colorada” sobrepujou a qualidade do profissional visado pela diretoria. Passados doze dias sem treinador, foi preciso o vice-presidente de futebol do Inter, Giovanni Luigi, convencer Piffero para que Tite fosse, afinal, trazido ao Beira-Rio.

Desde então, o Saci não pára de pular numa perna só: a única derrota foi para o Vitória (com o perdão do trocadilho), atual vice-líder, no Barradão, por 2x1, tendo empatado o Gre-Nal no Olímpico em 1x1 – quando o arquirival dividia a liderança da competição com o Flamengo – e vencido, em casa, os alviverdes Coritiba (3x0) e Goiás (1x0). O preconceito advindo de mesquinhas contendas entre torcidas rivais foi, felizmente, esmagado pela qualidade do caxiense Adenor Leonardo Bachi, o Tite, treinador responsável pela estruturação do mais sólido e vitorioso grupo que o Grêmio teve desde quando Luiz Felipe Scolari ainda circulava pela Azenha. Mais que isso: um comandante invejavelmente humano, amigo dos jogadores, sempre preocupado em estabelecer um ambiente de harmonia e transparência entre seus atletas – ou, como ele próprio costuma dizer, “uma relação verdadeira”.

Agora, superados empecilhos proporcionados por um cartola do próprio clube, o próximo compromisso do Saci é em Curitiba, na Arena da Baixada, contra uma equipe que tem por mascote o Cartola. E, desta vez, sem o perdão do trocadilho.

*Felipe Martynetz é jornalista, amante de filosofia, Grêmio, Engenheiros do Hawaii, tenta ser gaúcho e fala como gaúcho. Mas não é gaúcho.
Informações técnicas: ex-companheiros de trabalho

5 comentários
Futebol


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Comentários:


Comentário de: felipe lessa · http://www.interney.net/blogs/deprimeira

O Saci vai pular, mas vai cair na Arena.

PermalinkPermalink 11.07.08 @ 12:15



Comentário de: Luís Felipe

essa história do Píffero com o Tite é meia verdade. O problema do Píffero com o Tite não tinha motivos muito diferentes daqueles que fazem Paulo Pelaipe detestar o treinador: ele joga para a torcida, para os atletas, e às vezes coloca a diretoria contra seu grupo de jogadores.

É claro que ninguém vai dizer isso na imprensa. Então, ficou cômodo para Píffero aceitar essa versão.

PermalinkPermalink 11.07.08 @ 14:00



Comentário de: Kicha · http://mondokicha.wordpress.com

Interessante um gremista opinar sobre o que acontece dentro do SC Internacional baseado, apenas, em boatos (já que, enfim, não passam disso pois nunca ouviu-se o presidente Vitorio Piffero dizer uma palavra contra Tite – bem ao contrário, por sinal). A demora no anúncio do treinador colorado foi condizente com as últimas movimentações da diretoria que, por exemplo, só anunciam a contratação de determinado jogador após a assinatura de contrato, não interessando quantas vezes a imprensa "dê o furo".

PermalinkPermalink 11.07.08 @ 17:29



Comentário de: Felipe Martynetz

http://www.goal.com/br/Articolo.aspx?ContenutoId=733666

"Boatos"? Assim sendo, eu teria literalmente de trabalhar no Sport Club Internacional para poder emitir qualquer parecer a respeito das situações que concernem à instituição.

E, conforme o comentário do Luís Felipe, se o presidente do Internacional considerou essa a versão mais cômoda para ser alegada, por assim dizer, à imprensa e, por conseguinte, ao público como um todo, é natural que eu tenha de redigir o texto a partir dela.

Breve adendo: acho perfeitamente normal que ocorram tais atitudes, que hajam semelhantes receios; a idéia do texto, contudo, era precisamente desconstruir esse estereótipo de que "aquele-indivíduo-já-esteve-do-outro-lado".

PermalinkPermalink 11.07.08 @ 20:09



Comentário de: Emanoel Campos

Somente hoje conheci os dois textos.
Que maravilha! Faz tempo que eu não vejo artigos de tão boa qualidade numa página esportiva.
Parabens ao autor. Cultor da boa gramática, dá à crônica esportiva o nível de elegância e competência de que é tão carente.
Estou felicíssimo por isso.

PermalinkPermalink 13.08.08 @ 21:55



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