O Velho Novo Palestra
por Equipe De Primeira23h12
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Por Núbia Tavares
Dezembro de 2007, dezembro de 2010. No futuro, o lugar-comum dirá que esse foi o tempo que separou o sonho da realidade. Mas não se enganem. O “novo” Palestra Itália está em gestação desde quando a Parmalat ainda dava as cartas nos arredores da rua Turiassú. Mustafá Contursi, o ex-presidente que a atual situação tanto combateu, foi um dos idealizadores do projeto. Não daquele que será executado pela WTorre, mas sim do projeto permitiu que a atual diretoria apresentou quando foram realizados os primeiros contatos entre a construtora e o clube.
Historicamente, o Palmeiras sempre se destacou no quesito estádio. O time foi o primeiro do país a ter um estádio de concreto armado; o primeiro a ter um estádio com alambrado; o primeiro a ter um campo com iluminação permanente; e o primeiro a ter o campo suspenso. Por isso, ser o primeiro clube do país a ter uma arena multiuso não chega a ser uma surpresa para os palmeirenses que conhecem a história do time. A grande diferença é que se no passado o clube saiu na frente com recursos próprios, hoje o Palmeiras tem um parceiro. E é ai que chegamos ao Xis da questão político-esportiva que tem agitado os bastidores do clube nos últimos sete meses.
Os primeiros burburinhos sobre a real possibilidade de se remodelar o velho Palestra surgiram um pouco antes do lançamento do Espaço Visa, uma das apostas da atual diretoria de marketing. Das conversas entre membros da situação e oposição na lanchonete do clube aos sábados, O vice-presidente Gilberto Cipullo declarou, no dia do lançamento do Espaço Visa, que o clube tinha um projeto e possíveis parceiros para a construção do estádio. Três meses depois, o clube anunciou oficialmente a parceria com a WTorre para remodelar seu estádio.
Aqui, é importante se fazer um parêntese. Lembro-me que quando a Arena foi anunciada como presente de Natal para a torcida alviverde, grande parte da imprensa duvidou da capacidade do grupo de Walter Torre realmente cumprir aquilo que estava sendo dito. Essa especulação se deu, principalmente, ao fato de parte da imprensa esportiva conhecer pouco ou quase nada do mercado de negócios/finanças. Walter Torre não tem lá a melhor reputação no mercado, mas isso se dá pelo “excesso de competência” do grupo empresarial que ele comanda, que tem por premissa atropelar a concorrência sem dó nem piedade. A WTorre é lembrada por ser a primeira empresa a lançar empreendimentos no modelo built to suíte no país e pela obsessão de seu dono em construir seus empreendimentos em prazos absurdamente curtos. Diante disse, acho que o prazo estabelecido para a entrega do novo Palestra, 15 de dezembro de 2010, está até tranqüilo, para os padrões da WTorre.
Vamos ao empreendimento. Como dizia Milton Friedman, não existe almoço grátis. A WTorre está financiado o projeto, orçado em cerca de R$ 260 milhões (a preço de custo, entenda-se; se o Palmeiras tivesse esse dinheiro, seria impossível construir o mesmo projeto) porque sabe que vai ganhar dinheiro com a arena multiuso. Basta a empresa ter competência suficiente para levar para a arena os eventos necessários para bancar o empreendimento. Não vai ser difícil. A excelente localização do Palestra – localizado no eixo Turiassu-Antártica-Sumaré-Matarazzo – que conta também com uma rede de transporte público que atende bem as necessidades (são duas estações de metrô, Sumaré e Barra Funda e mais uma estação de trem), obviamente pesaram a favor da parceria com o Palmeiras. Dessa forma, a realização de eventos corporativos, de entretenimento, etc, se torna viável e são esses eventos que irão fazer com que a empreiteira tenha, em dez anos, seus R$ 260 milhões de volta. WTorre, Palmeiras e Amsterdã, Alianz Arena (outro parceiro do projeto) criaram uma SEP (Sociedade para fins específicos) que irá administrar a arena. As despesas e lucros serão divididos de acordo com a participação de cada sócio no empreendimento. Para o Palmeiras, isso significa que:
1. dos atuais R$ 9 milhões anuais gastos com o estádio, o time passará a gastar apenas R$ 1 milhão, uma vez que terá despesa fixa de R$ 25 mil por jogo, diferente de hoje. Além disso, a renda de bilheteria até 28,5 mil pagantes será exclusivamente do clube.
2. Em caso de dívida por parte da construtora, o estádio não serve como garantia de pagamento. Ou seja, não existe a possibilidade de o Palestra Itália deixar de ser patrimônio da Sociedade Esportiva Palmeiras.
3. Após 30 anos, período da concessão de administração, o estádio voltará a ser administrado pelo clube, que podrá optar por uma nova concessão ou não.
Nos dias anteriores a votação do projeto pelo Conselho Deliberativo do clube, muito se falou sobre a possibilidade de a atual oposição, liderada por Mustafá Contursi, entrar com algum mandado de segurança para impedir a votação. Mas para quem estava vivendo o dia-a-dia do clube, essa era uma possibilidade descartada. A comissão que havia sido formada para avaliar o projeto era formada por três conselheiros: José Cyrillo Jr.; Salvador Hugo Palaia e Carlos Bernardo Fachinna, aliado de Mustafá e que durante todo o mês de junho, se posicionou completamente favorável aprovação do projeto. O resultado da votação no conselho deliberativo, portanto, era algo certo. O próprio Mustafá, apesar de ter votado contra, é favorável ao projeto, segundo informações de conselheiros ligados ao ex-presidente.
A nova arena terá capacidade para 45 mil expectadores, sendo reduzida para 43 mil em jogos Fifa, para garantir a quantia de dois mil lugares para a imprensa. A arena está orçada em R$ 220 mi; o edifício social em R$ 35; o edifício poliesportivo em R$ 10 mi (para acalmar os conselheiros que estavam desesperados para saberem o que seria feito das tão importantes quadras de squash e tênis); e as reformas e benfeitorias em todas as instalações do clube custarão mais R$ 5 mi.O estacionamento terá 1.500 lugares, que se somarão às outras 6.000 vagas existentes no entorno do estádio. A Arena Palestra Itália será o primeiro estádio da América Latina a cumprir integralmente todas as exigências do caderno de encargos da FIFA. Serão mais de 250 camarotes, 4 restaurantes (sendo um panorâmico para o campo), lanchonetes entre outras atrações no complexo. A arena será construída com tecnologia de ultima geração e contará com projetos de sustentabilidade, principalmente no que diz respeito a uso e re-uso de água e energia elétrica.
O palmeirense, campeão do século XX, que tanto sofreu nos últimos oito anos, tem, de novo, esperança de ver seu time ser novamente a potência que fez com que o clube fosse reconhecido por ter duas academias de futebol. Agora é esperar que as imagens abaixo, hoje, simples croquis, seja a realidade esmeraldina na segunda década do século XXI.
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