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Jul 08

Velha infância

por Equipe De Primeira00h25

Por Ayrton Baptista Júnior*

Uma das perguntas básicas da minha infância foi:

por que os gaúchos entram no Campeonato Brasileiro para ganhar e os paranaenses só para participar?

Me irritava ouvir comentários como “deixou uma boa imagem” a cada jogo em que Atlético e Coritiba davam suor em paulistas e cariocas sem, no entanto, conseguirem a vitória. Me incomodavam as comemorações em torno de sexto, quinto, quarto lugar. Me perturbavam os que viviam de uma vitória só, como o Colorado do 4 a 0 sobre o Flamengo, em 1981.

Por conta da questão acima, me interessei por vários aspectos da cultura do Sul do país e entendi que a ambição do Rio Grande para conquistar o Brasil é antiga. O Colégio Militar de Porto Alegre forneceu seis presidentes (Eurico Dutra, Castelo Branco, Costa e Silva, Emílio Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo) e a cidade de São Borja, outros dois (Getúlio Vargas e João Goulart). E para contestar os gaúchos feitos em casa e os de passagem (Dutra era matogrossense; Castelo, cearense; Figueiredo, carioca) só mesmo a oposição de gaúchos, como Luís Carlos Prestes e Leonel Brizola.

Percebi que eles deixam marcas na literatura há tempos. A primeira parte da trilogia O Tempo e o Vento, de Érico Veríssimo, o grande romance regionalista de lá completa 60 anos em 2009. O daqui nasceu há apenas uma década: Terra Vermelha, de Domingos Pellegrini. Porém, constato que estamos empatando também porque aprendemos a roubar catarinenses, como o escritor Cristóvão Tezza, atleticano nascido em Lages.

Quando o Coritiba foi campeão nacional em 1985, desconfiei de que lutar por títulos nacionais passaria a ser uma rotina para os paranaenses. Assim como era e é até hoje em Porto Alegre (cidade que, acreditem, não conheço). Mas o abismo entre o futebol dos dois estados só diminuiu após o Atlético de 2001 (em seguida, os três times de Curitiba foram à Libertadores e os atleticanos chegaram perto da taça).

Assim como no futebol, a projeção paranaense nas artes, na política e em outros setores hoje é maior do que há duas décadas. O governo Lula, por exemplo, dispõe de um ministro do Sul do estado e outro radicado no Norte, que ocupam pastas cobiçadas: Reinhold Stephanes, da Agricultura, e Paulo Bernardo, do Planejamento.

Mas, ontem, vendo o Coritiba (não) jogar contra o Internacional, sofrendo três gols de Alex (que é de Cornélio Procópio), e verificando a posição do Grêmio na tabela (3º lugar) voltei à minha infância e tive vontade de perguntar: por que os gaúchos entram no Campeonato Brasileiro para ganhar e os paranaenses só para participar?

*****

Lembrei agora da curitibana Isabeli Fontana, atualmente a segunda do mundo no campeonato das modelos. Pensei que ela estava perdendo no saldo de dólares para Gisele Bündchen. Errei. A líder do certame é Raquel Zimmermann, gaúcha de Novo Hamburgo…

*Ayrton Baptista Junior escreve para o blog Craques e Caneladas e cedeu este texto ao De Primeira

4 comentários
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Comentários:


Comentário de: concurseiro · http://www.editalconcurso.com/

Complicado isso. E justo agora que estávamos começando a melhorar o Paraná volta pra segundona...

Mas tudo bem, que nos sirva de consolo que o Juventude também está lá.

PermalinkPermalink 08.07.08 @ 00:45



Comentário de: Fabricio Grzelak

Pera ai, faltou o Londrina, 3 clocado em 1977 e campeão da Taça de Prata (2 divisão na época). Detalhe, quando foi campeão da Taça de Prata o técnico era, Valdir Espinosa, coincidentemente gaúcho...

PermalinkPermalink 08.07.08 @ 10:18



Comentário de: leonardo

Não posso concordar. Os gaúchos nao estão e nem estarão disputando o título desse certame. Como também nós paranaenses não estamos lutando pelo não rebaixamento. Há um equilíbrio de forças. Nós ultimos 10 anos houve 3 quedas gauchas para a segunda divisão (Grêmio e Juventude 2x) e 2 paranaenses (Coritiba e Paraná;) analise. Acho que o senhor foi infeliz no texto.

Valeu

PermalinkPermalink 08.07.08 @ 10:24



Comentário de: Francisco Luz

Falo como gaúcho e sem muito conhecimento da realidade paranaense. Mas acho que as fortes influências que SP e RS têm na cultura local fizeram com que sempre se procurasse uma comparação, ou com um estado ou com outro. Com os times, acontece a mesma coisa.

Coritiba e Atlético não podem querer rivalizar com Corinthians ou Palmeiras antes de dominarem toda a torcida do estado. Inter e Grêmio, no geral, estão pouco se lixando (as suas torcidas) com outros times do país. Se importam mesmo é em acossar o rival.

Acho que aí que falta um pouco mais de personalidade aos paranaenses. Primeiro, precisam querer ser, efetivamente, paranaenses.

PermalinkPermalink 09.07.08 @ 16:01



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