Caminhos para a diversidade: Coritiba, yeah! yeah!
por Felipe Lessa16h59

Domingo foi dia de Atletiba, terminou 1 a 1 no Joaquim Américo. Domingo foi dia de tretas, e no Terminal do Fazendinha, um atleticano perdeu os cinco dedos, após a explosão de uma bomba, decorrente de um confronto entre adeptos dos grandes clubes da capital paranaense. Domingo foi dia da Parada da Diversidade, a popular parada Gay que ocorre ano após ano no centro de Curitiba. E não é que os torcedores do coxa ficaram revoltados?
Sim, revoltados. Depois que alguns rapazes decidiram mostrar o seu orgulho pelo coxa na comemoração, devidamente trajados com uniformes da equipe, a galera do verdão ficou indignada com a postura dos mesmos.
Qual é a razão de tanta raiva, coxarada? Para que tanto ódio? Vocês acham que torcer pelo Coritiba é sinônimo de masculinidade? Parem! Nos tempos de hoje, torcer para time nenhum é sinônimo de masculinidade, e em um evento que, de acordo com os organizadores, movimentou a presença de mais de 100 mil pessoas, com certeza bem mais que os três coxas focados na foto marcaram presença, como também paranistas e rubro-negros.
E tem outra. Não adianta tentar organizar represálias contra os garotos. Não adianta. Tendência é tendência. E não é simplesmente manter o argumento de um torcedor coxa, que dizia ontem pelas ruas do centro de Curitiba: “vamos acabar com isso. Se não vira festa”. Para ele eu respondo. Vira nada, amigão.
O que vai acontecer é apenas que os coxa-brancas vão sair de cima do muro e viver em harmonia. Não adianta dizer também que homossexualidade no futebol é coisa nova. Memoráveis e antigas torcidas como a Coligay, do Grêmio, e a Flagay, do Mengo carioca, estão aí para provar o contrário.
O respeitado presidente do St. Pauli da Alemanha também. Trata-se de Corny Littmann, militante gay. Chefe de um dos times que apesar de pequeno em títulos, é grande em torcedores e consideração no mundo todo. Tudo pela proposta liberal do clube, não apenas na questão da sexualidade, ou pelo posicionamento anti-fascista da equipe. É a chance do coxa se promover.
E digo mais. Não adianta “arrepiar” os caras e dizer, “não usem a camisa da império!”. O movimento gay curitibano, representado pelo Grupo Dignidade, tem tanta força, que se haver represálias, eles não teriam medo algum de organizar uma nova parada da diversidade, fora de época, na frente da sede da Império.
O resultado seria algo similar como ocorreu no Shopping Frei Caneca, em São Paulo. Depois que um casal gay foi expulso do recinto, por trocar chamegos na praça de alimentação, o movimento gay deu o troco. Voltou lá em peso. Dia após dia. E hoje, até mesmo devem "agradecer" pela intolerância do segurança. Com o fato puderam mostrar a representatividade e união da classe, que não é mais expulsa do recinto. É respeitada e convidada a se encontrar no shopping!
Portanto, atentem-se torcedores do Coritiba. Homofobia está virando crime previsto em lei. E se realmente cumprirem a promessa de reprimir os garotos do coxa que estavam na passeata gay....eles invadem o Couto Pereira. Nem que para isso seja preciso trocar as cores do verdão pela do arco-íris.
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